terça-feira, 23 de junho de 2026

A VOZ DO TROVÃO E O SILÊNCIO DA ALMA

Dizem que o silêncio é a linguagem de Deus. 
No entanto, em certos recantos do planeta, a Divindade parece escolher o som mais potente, a vibração mais profunda e o cenário mais grandioso para se fazer anunciar.
Lembramos, com a nitidez que só as emoções verdadeiras permitem guardar, de uma tarde em frente à Garganta do diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu. 
Sheila acompanhava um produtor italiano de rádio e tv, homem afeito às grandes produções, aos palcos iluminados e à sofisticação das metrópoles europeias. 
Ele trazia o olhar curioso do viajante. 
Também o cansaço típico de quem lida com o efêmero todos os dias. 
À medida que caminhavam pelas passarelas que serpenteiam sobre o rio Iguaçu, o som ia crescendo. 
Não era um ruído comum. 
Era um grave profundo que parecia vir das entranhas do mundo. 
Então, chegaram diante da queda monumental. 
Milhões de litros de água despencando em uma coreografia de força e bruma, em que o arco-íris insiste em nascer mesmo sob o império do caos. 
O turista italiano ficou imóvel. 
Ele não sacou a câmera. 
Não tentou enquadrar o infinito no visor limitado de um celular.
Ele apenas ficou parado, as mãos apoiadas no guarda-corpo, os olhos perdidos na imensidão branca. 
O silêncio interno que se instalou, apesar do rugido ensurdecedor das águas, era sagrado. 
Era como se o barulho externo fosse tão vasto que acabasse por anular qualquer ruído mental, permitindo que apenas o essencial permanecesse. 
Passaram-se minutos que pareceram horas de uma liturgia natural. 
Por fim, ele se virou para a jovem. 
Com a voz embargada, ele disse algo que soou como uma das declarações mais profundas e verdadeiras: 
-É nestas horas que temos certeza de que Deus existe.
Naquele instante, a Garganta do diabo mudou de nome.
Passou a ser a Garganta de Deus. 
Ali, naquele altar de rocha e água, o produtor italiano, acostumado a criar conteúdos para o mundo, sentiu-se parte de uma Criação que não precisa de roteiro, nem de edição. 
A certeza de Deus não veio de um raciocínio lógico, mas de um impacto sensorial. 
Quando a beleza é tamanha que o ego se cala, o que sobra é a evidência do Criador. 
A água que cai na Garganta do diabo é a mesma que irriga a semente na terra e que corre em nossos rios. 
Mas ali, em sua queda vertiginosa, ela nos recorda da nossa pequenez e, paradoxalmente, da nossa importância. 
Somos pequenos diante da força, mas somos grandes o suficiente para percebermos a presença do Pai naquela força.
Deus fala em todas as frequências. 
Às vezes, Ele escolhe o trovão das águas para nos dizer que está no comando, que a vida se renova eternamente e que a beleza é a assinatura de Sua justiça e de Seu amor. 
A Voz de Deus ainda ecoa naquelas quedas, e continuará ecoando em todos os corações que se permitirem, por um momento que seja, simplesmente parar e sentir. 
Como bem disse aquele irmão de terras distantes: 
-Há momentos em que a dúvida se dissolve na névoa, e a única coisa que resta, majestosa, é a certeza da Presença Divina. 
Redação do Momento Espírita 
Em 23.06.2026

segunda-feira, 22 de junho de 2026

NÃO ESPEREMOS!

Não esperemos por um sorriso para sermos gentis. 
Não esperemos ser amados para amar. 
Não esperemos ficar sozinhos para reconhecermos o valor de um amigo. 
Não esperemos o melhor emprego para começarmos a trabalhar. 
Não esperemos ter muito para compartilharmos um pouco.
Não esperemos a queda para nos lembrarmos do conselho.
Não esperemos a morte para dizermos o quanto amamos alguém. 
Não esperemos a chuva para valorizarmos o dia de sol. 
Não esperemos ser abraçados para darmos um abraço. 
Não esperemos a dor para acreditarmos na oração. 
Não esperemos ter tempo para podermos servir. 
Não esperemos a mágoa do outro para pedirmos perdão. Nem esperemos a separação para nos reconciliarmos. 
Não esperemos... pois não sabemos o tempo que ainda temos. 
Pois ninguém precisa esperar para amar e buscar a felicidade.
A vida é uma oportunidade ímpar. 
Estar neste planeta é uma imensa chance que temos de aprender, de levarmos daqui valores verdadeiros, levarmos amores maduros e duradouros, e deixarmos as memórias e vivências tristes do passado que tivemos. 
Estar neste planeta é poder ajudá-lo a crescer, a deixar para as próximas gerações uma casa em ordem, reformada e melhor. 
É deixar para nós mesmos, quem sabe, mais esperança. Para isso, não podemos nos permitir acomodar, desanimar, deixar que a vida nos leve, ao invés de nós conduzirmos a vida.
Cada dia é único. 
Cada manhã é diferente. 
Cada noite tem sua beleza especial. 
Por isso, despertemos para a vida realmente, deixando em cada instante a nossa contribuição, a marca de nossos corações por onde passarmos. 
Ao final desta etapa – mais uma das muitas que ainda teremos – poderemos reconhecer, satisfeitos, que cumprimos nossa missão, que nosso viver não foi em branco, e que agora somos mais felizes do que éramos antes. 
Por isso tudo, não esperemos. 
Não esperemos ser amados para amar. 
Nem a chuva para valorizarmos o sol. 
Não esperemos a dor para acreditarmos na oração. 
Nem o afastamento para darmos valor à presença. 
Não esperemos ser chamados para nos oferecermos à tarefa.
Nem termos mais tempo para nos doarmos. 
Não esperemos ouvir Eu te amo para dizermos Eu te amo.
Nem recebermos para então doarmos. 
Somos seres repletos de experiências, de vivências em outras realidades, quando vestimos outros nomes e outros corpos.
Mas, em cada nova vida, a bênção do esquecimento do passado nos faz novos, nos dá o trabalho como um livro em branco, no qual contaremos nossa história, como se fosse a primeira que estivéssemos vivendo. 
Trazemos na consciência e nas intuições as orientações necessárias para trilhar o novo caminho, fazendo com que os planos previamente traçados, na pátria espiritual, possam ser devidamente cumpridos. 
Dessa forma, nosso tempo aqui precisa ser bem aproveitado, ser bem utilizado. 
Para isso não podemos esperar para agir no bem, não podemos esperar para construir nossa felicidade futura.
Redação do Momento Espírita com base em texto de autoria ignorada. 
Em 16.01.2013.

domingo, 21 de junho de 2026

NÃO ESPERE ACONTECER

Era uma vez um rei que possuía larga extensão de terras. Habituado a caminhar pelo seu reino, certa ocasião, o soberano irritou-se com a aspereza do solo que lhe feria os pés. 
Determinou que todas as estradas e todos os caminhos fossem cobertos por macios e belos tapetes. 
Todos os súditos se empenharam em realizar a louca e difícil tarefa imposta pelo monarca. 
Passaram-se alguns anos sem que o trabalho pudesse ser concluído. 
Um dia, o exigente soberano, tomado por uma febre violenta, acabou morrendo sem ver seu desejo realizar-se. 
Um velho sábio, ao tomar conhecimento daquela estranha história, comentou: 
-Pobre rei! Morreu sem concretizar seu sonho e sem saber o quão fácil isso poderia ter sido! 
Ante a surpresa e a discordância manifestada por aqueles que o ouviam, esclareceu: 
-Se o rei não queria ferir-se com a aspereza dos solos, bastaria que cortasse dois pedacinhos de tapete e os colasse na sola de seus próprios pés. Se assim tivesse agido, para ele, todo o seu reino seria acarpetado. 
Críticos sagazes, somos hábeis em tecer comentários cruéis a respeito de pessoas e de situações. 
Somos ágeis em relacionar o que não nos agrada nos mais diversos lugares e ambientes. 
Temos olhos de águia para criticar e condenar. 
Estabelecemos listas infindáveis de coisas a serem melhoradas e corrigidas pelos outros. 
Temos a convicção de que se não fosse pelos erros dos outros o mundo poderia ser muito melhor.
Agimos como se fôssemos meros espectadores e como se não nos coubesse qualquer responsabilidade perante a vida.
Esperamos que as coisas se resolvam por si só, ou ainda, que as outras pessoas façam algo por nós. 
Queremos um mundo onde as estradas sejam acarpetadas para garantir maciez aos nossos pés. 
Mas, esperamos que os outros cubram nossos caminhos com belos e ricos tapetes. 
Delegamos ao resto da Humanidade a responsabilidade por toda a nossa desdita e pela nossa ventura. 
Em virtude disso, vemo-nos destinados a reclamar infinitamente pela não realização de nossos sonhos. 
Sonhos esses que teriam grandes chances de se concretizar se nos dispuséssemos a fazer a parte que nos cabe. 
Não aguardemos pela iniciativa dos que nos cercam na realização do que a todos compete efetuar. 
Quem cruza os braços em função da inércia alheia, confunde-se na multidão dos que nada fazem. 
Responsabilizar os outros não produz nada de útil.
Apontar equívocos alheios não nos autoriza a ignorar os nossos próprios. 
Ser capaz de reclamar não nos aprimora, nem garante a correção das falhas que apuramos. 
Abandonemos a acomodação que há tanto nos acompanha e livremo-nos das garras da preguiça que nos alicia. 
Tenhamos disposição para fazer o que nosso conhecimento e nossa capacidade nos permitem. 
Pouco a pouco, a gota corrompe a pedra. 
O raio de luz vence a escuridão.
O vento move a montanha e esculpe as rochas. 
Demonstra a natureza que cada qual detém a possibilidade de alterar o que parece imutável. 
Cada um, singela e constantemente agindo, pode marcar a face da História e transformar o rumo da vida.
Atos simples que não exigirão heroísmo, nem bravura, de nenhum de nós. 
Atos cotidianos e aparentemente banais, mas que, em verdade, integram a missão individual de cada um perante Deus. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Parábolas eternas, de Legrand, ed. Sóler. 
Em 11.01.2010.

sábado, 20 de junho de 2026

UMA NOVA PARTITURA

André Henrique de Siqueira
De todas as dores que padecemos, enquanto astronautas da nave Terra, com certeza a mais terrível é a morte. 
Essa megera surge em momentos impróprios, decepando os ramos da alegria da nossa existência. 
No auge de uma conquista, no comemorar uma vitória depois de anos de estudo, ela vem e arrebata o ser amado. 
De um modo geral, nesses momentos, sentimos que nuvens escuras pairam sobre nossas cabeças, como aquelas que anunciam tempestades avassaladoras. 
Dizemo-nos cristãos, seguidores dAquele Nazareno que provou que a morte é somente um hiato entre o agora e o logo mais do reencontro. 
Debrucemo-nos sobre essa lição. 
Ele demonstrou que o túmulo é apenas uma porta de saída.
Não se trata de um abismo sem fim, mas do despertar de um pássaro que finalmente descobre que possui asas.
Lembremos da lagarta que deixa o casulo para se transformar em esplêndida borboleta, de asas multicores. 
A vida nunca cessa. 
A saudade dói pela ausência da presença física, daquele toque de mão, daquele abraço, daquele sorriso. 
Contudo, a separação é um até breve, não um adeus eterno. As afeições não morrem. 
Pelo contrário, elas se tornam mais puras. 
Aqueles que amamos não foram tragados pelo nada. 
Apenas atravessaram a fronteira antes de nós. 
A essência daqueles que amamos continua vibrando. 
Eles nos veem, nos sentem e, muitas vezes, estão ao nosso lado, amparando nossos passos quando as lágrimas nos turvam a visão. 
O reencontro é uma certeza. 
Não se trata de um talvez, ou um se. 
O amor é o ímã que garante a reunião das almas. 
Tornaremos a conviver, tornaremos a estar juntos, em algum momento, que pode ser logo ou mais tarde.
Quando tivermos concluído nossa tarefa, quando nossa jornada findar, quando concluirmos nossos afazeres, nos reencontraremos. 
Enquanto o reencontro não chega, trabalhemos na própria reforma e no auxílio ao próximo. 
Transformemos a dor em serviço. 
A saudade é o convite para nos tornarmos pessoas melhores, para que, no dia do abraço, possamos estar na mesma sintonia de luz. 
A melhor homenagem que podemos prestar aos amores que se foram é viver. Viver como se não fôssemos morrer amanhã, estudar como se fôssemos viver para sempre. 
Cada passo em direção à luz é um presente que enviamos para o outro lado da vida. 
O amor é a única bagagem que atravessa o túmulo e a única ponte que nos mantém conectados. 
Não se trata de um convite ao desapego irresponsável do mundo, mas um chamamento para a construção de valores éticos e afetivos imperecíveis. 
Assim, quando a morte bater à nossa porta, que a possamos encarar com o dever cumprido, sabendo que, se o mundo faz vencedores efêmeros, as leis divinas e a imortalidade nos fazem invencíveis. 
Labutemos com esperança e vivamos para a eternidade! 
Não permitamos que a tristeza paralise nossas mãos. Façamos de nosso coração um altar de gratidão, honrando quem partiu através da bondade que espalhamos aos que caminham conosco. 
A vida é um hino eterno que não se cala. 
A morte é o silêncio necessário para que a alma aprenda a cantar em nova partitura. 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de frases do artigo A desmistificação da finitude: uma abordagem filosófica, histórica e espírita perante a morte, de André Henrique de Siqueira. 
Em 20.06.2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

ASTRONAUTAS

ARTEMIS II - NASA
Em abril de 2026, a missão Artemis II da NASA levou o ser humano mais longe do que ele jamais fora anteriormente.
Essa viagem espacial quebrou o recorde anterior, que pertencia à Apollo 13, em 1970, e conduziu quatro astronautas a mais de quatrocentos mil quilômetros de distância da superfície do planeta. 
E lá fomos nós uma vez mais explorar a lua, romper limites. 
E lá fomos nós uma vez mais para fora. 
As constatações dos astronautas, quando veem a imagem do planeta lá de fora, continuam a encantar.
Não conseguem expressar em palavras a beleza, têm dificuldade para expressar a emoção. 
Percebem claramente como estamos todos juntos numa mesma nave espacial flutuando no espaço. 
Um deles utilizou estas palavras: 
-Vocês nos enxergam aqui numa nave espacial flutuando no espaço, mas curiosamente, estamos enxergando vocês da mesma forma. 
O planeta Terra é uma grande nave viajando, veloz, pelo espaço infinito. 
Uma estação de tratamento, uma escola, um hospital, e todos que aqui estão foram convidados a fazer uma grande jornada para dentro de si mesmos. 
Não há como evitar o caminho do autoencontro, do autoconhecimento. 
Não falamos deste autoconhecimento raso, que tem feito as pessoas falarem apenas de si, tornarem-se cada vez mais individualistas e se conformarem com seus vícios morais. 
Não falamos da busca do si egoísta, vaidoso, que tem se chafurdado nos cosméticos, medicamentos que prometem consertar excessos que nós mesmos cometemos, ou ainda no si do reflexo no espelho que vê o corpo bem delineado e compensa a alma triste.
Autoconhecimento é uma busca pela essência espiritual de si mesmo e, uma vez que nos descobrimos Espíritos, tudo muda. 
Espírito não é corpo. 
Espírito veste um corpo temporariamente com determinado objetivo. 
Espírito não morre, continua. 
Espírito já aprendeu antes e não para de aprender. 
São muitas as consequências de se ver como um ser espiritual numa jornada terrena. 
Mudam as relações com as coisas do mundo. 
Mudam as relações com as pessoas. 
Mudam os valores. 
O que colocar em primeiro lugar na vida? 
Quais as nossas prioridades? 
Como usar nosso tempo? 
O que pode ou não tirar nosso sono? 
O que deve ou não nos preocupar? 
Somos astronautas em uma missão na nave planeta Terra.
Corpo, alimentação, moradia, bens materiais são instrumentos. 
O mais importante está além disso. 
Qual a sua missão, astronauta? 
Você já parou para pensar? 
Ou ainda, quais as suas missões? 
Cada fase da vida nos reserva tarefas, incumbências diversas, em múltiplas áreas. 
Um astronauta que pode permanecer nesta nave por cem, cento e dez anos, deve ter muito a fazer e pode usar muito bem esse tempo em cada fase da vida, não havendo nenhuma dela menos importante que a outra. 
Que possamos, depois de nosso tempo aqui, retornar à base maior ou, ainda, pousar em paz sobre algum oceano do plano espiritual, com sorriso nos olhos a dizer: 
-Deu tudo certo! 
Redação do Momento Espírita 
Em 19.06.2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

NÃO DOEU NADA

ADÉLIA PRADO
Pensando em sua morte, de maneira inspirada, escreveu uma poetisa brasileira: 
Acho que morrer é assim: 
Deus, me passa no pontilhão? 
 A pé ou no colo? 
No colo. 
Você fecha os olhos e quando abre já passou. 
Não doeu nada. 
* * * 
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem? 
-Não gosto de pensar sobre isso! - Dizem uns. 
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros. 
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. - Afirmam ainda alguns. 
A morte é um fenômeno natural. 
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro. 
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo. 
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma. 
Como se dará a passagem para cada um de nós? 
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um. 
Pode não doer nada? Pode sim. 
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento. 
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual. Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber. 
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade. 
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou. 
Não doeu nada. 
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea. 
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual. 
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela. 
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida. 
Fundamental cultivar o desapego. 
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado. 
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta. 
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá. 
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem. 
O amor não é perdido. 
As memórias não são perdidas. 
Tudo que construímos não se perde. 
Não nos preocupemos. 
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda. 
Deus nos carrega no colo, quando precisamos. 
Ele faz isso constantemente, sem percebermos.
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida. 
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record, e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 09.03.2026.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

A INABALÁVEL CERTEZA

Eram nove horas da manhã quando O crucificaram. 
Com Ele, dois ladrões, um à Sua direita e outro à Sua esquerda, cumprindo a escritura que diz: 
-Ele foi contado entre os transgressores. 
Os chefes dos sacerdotes e os mestres da lei zombavam dEle, dizendo: 
-Salvou os outros, mas não é capaz de salvar a si mesmo! 
Ele morreu em torno das três da tarde. 
Foi uma agonia de seis horas.
Abreviada pelo martírio dos açoites a que fora submetido, que lhe provocaram grande perda de sangue. 
Nem mesmo água lhe fora dada, após a ceia do cair da tarde/início da noite de quinta-feira. 
Estava de tal maneira exaurido que os soldados, temerosos de que Ele não chegasse vivo ao Calvário, exigiram que o homem de Cirene levasse a cruz. 
Frequentemente, nos detemos demoradamente no Calvário, no peso do madeiro e no martírio físico de Jesus.
Continuamos a mostrá-lO preso a uma cruz. 
É justo que honremos o sacrifício, mas importante que a contemplemos como um hífen de luz que verticalmente une os céus à Terra. 
E o que mais devemos evidenciar, como seguidores de Jesus, é a Sua ressurreição gloriosa. 
O mundo acreditou que estava silenciando a verdade. 
O que as autoridades da época não compreendiam e o que, muitas vezes, nós ainda custamos a entender, é que o Espírito não pode ser pregado em uma viga de madeira. 
O que morreu na cruz foi o invólucro, a vestimenta de carne que permitiu ao Mestre caminhar entre nós. 
Porém, a essência, aquela chama que Ele chamava de Eu sou, permaneceu intacta. 
O silêncio do sepulcro não foi uma derrota, mas o intervalo necessário para que a maior lição de toda a História humana fosse gestada: a prova definitiva de que a vida é um fluxo contínuo que não se interrompe com o cessar dos batimentos cardíacos. 
A manhã da ressurreição confere o atestado irrevogável da vitória de Jesus sobre a morte. 
Ao ressurgir, Ele lhe altera a natureza, transformando-a de um abismo em uma ponte. 
O Cristo ressurreto é a prova viva de que a biologia não tem a última palavra sobre a nossa existência. 
Ele surge com um corpo transformado, glorioso, que retém as marcas da Sua passagem pela Terra, mas que não é escravo das leis da matéria. 
E tudo é tão grandioso na ressurreição que os relatos são de que Ele apareceu aos peregrinos que se dirigiam a Emaús, andou com eles, entrou na pousada e repartiu o pão, momento em que eles O identificaram. 
Esteve no cenáculo por duas vezes, apareceu na praia, às margens do Tiberíades, visto por sete dos Seus apóstolos. 
A ressurreição de Jesus é o argumento final contra o desespero. 
Ela nos diz que somos seres espirituais simplesmente vivendo uma experiência humana. 
Jesus venceu a morte para que pudéssemos compreender que a nossa verdadeira pátria não é feita de pó, mas de luz. 
A glória daquele domingo é o sol que nunca se põe na alma de quem crê. 
A morte morreu naquela manhã. 
O que resta é a certeza de que a vida é imortal, pujante e soberana. 
Jesus testificou com o próprio ser que, assim como Ele venceu o mundo e a morte, nós também estamos destinados à glória da vida sem fim. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.06.2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

NÃO DIGAS QUE A VIDA É TRISTE!

Não digas, coração, que a vida é triste,
porque a vida é grandeza permanente
e a natureza, em tudo, é um cântico de glória,
desde o sol até a semente.

Mágoas? Dizes que as mágoas lembram trevas,
que nem de longe sabes entendê-las...
contempla o céu noturno, revelando
avalanches de estrelas.

Asseveras que os sonhos são feridas,
quais picadas de espinhos agressores...
fita o verde das árvores podadas,
recobertas de flores.

Nos dias de aflição, ante a força das provas,
recorda, na amargura que te oprime,
que a ostra faz nascer, do próprio seio em chaga,
a pérola sublime.

Assim também, nas trilhas da existência,
se choras sem apoio e caminhas sem paz,
não te queixes do mundo... serve, ama,
espera e vencerás!

A vida... toda vida é luz eterna!
Escalando amplidões e buscando apogeus...
e a presença da dor, em qualquer parte,
é uma bênção de Deus.
* * * 
Será que não nos falta um pouco mais de poesia na vida?
Falamos não apenas dessa linguagem bela dos poemas, dos versos rítmicos e das rimas aqui ou ali. 
Referimo-nos a essa forma inspirada e sensível de enxergar o mundo, a vida, as coisas em geral. 
Não se trata também de visão ingênua ou distorcida, que deseja fugir de uma realidade dura. 
Trata-se, justamente, de uma lente que nos ajude a entender melhor os mecanismos, as leis, o funcionamento do Universo, tudo que nos rodeia. 
A vida é difícil, bem o sei. 
Compõe-se de mil nadas, que são picadas de alfinetes, mas que acabam por ferir - recita um poeta amigo. 
No entanto, o mesmo olhar que enxerga os alfinetes percebe que as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores.
Os dias de sol, de vento brando não são mais numerosos do que aqueles de cinza e frio? 
A poesia na vida nos ensina a equilibrar a medida, a ponderar os lados, a não nos permitir cair nas armadilhas poderosas e frequentes do pessimismo destruidor.
A inspirada poetisa brasileira, Cecília Meireles, falando das pequenas felicidades certas, dizia: 
-Uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 
O convite de aprender a olhar está posto. 
Um aprendizado necessário, indispensável, podemos dizer, numa vida de muitas lutas e tantos momentos de tristeza. 
A lente da poesia é tão grandiosa que nos permite inclusive viver a tristeza sem medo, e vislumbrar beleza até mesmo na melancolia - este movimento de recolhimento da alma que lhe é sempre aprendizado valioso. 
A poesia nos convida a pousar na dor, mas não fazer morada nela. 
Convida-nos a renascer e a nos renovarmos com a natureza, que exulta à nossa volta, num apelo constante a seguir adiante. 
A poesia nos convida a admirar o sol e a chuva com o mesmo encanto. 
O frio e o calor como sendo necessários. 
A noite e o dia como irmãos e não adversários. 
A vida... Toda a vida é uma luz esplendorosa. 
Por isso, nunca digas, coração, que a vida é triste. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Antologia da Espiritualidade, pelo Espírito Maria Dolores, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e no poema A Arte de ser feliz, de Cecília Meireles, do livro Escolha o seu sonho, ed. Global. 
Em 09.11.2022.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

VAMOS LÁ!

Essa frase era utilizada por Todd Beamer para conseguir que os dois filhos se concentrassem em uma tarefa. 
E foi com essa frase que ele definiu o destino do voo 93 da Airlines, no dia 11 de setembro de 2001.
Ele tinha trinta e dois anos. 
Era casado e pai de dois meninos. 
Uma filha estava a caminho. 
Usando um dos telefones da aeronave, conseguiu se comunicar com a supervisora telefônica Lisa Jefferson. 
Sua voz estava serena, mas ela conseguia sentir o peso do que ele estava enfrentando. 
Contou do sequestro pelos terroristas. 
Ele falou da esposa, dos seus filhos, do bebê ainda não nascido. 
Da sua fé em Deus. 
Lisa ficou na linha com aquele estranho que se preparava para fazer algo impossível de imaginar. 
Ele encorajou os outros passageiros. 
Pessoas comuns: trabalhadores, estudantes, tripulantes, que entenderam que eles eram os únicos que podiam impedir que aquele avião atingisse seu alvo, fosse qual fosse, na capital americana. 
Eles fizeram suas orações e decidiram lutar. 
As últimas palavras de Todd Beamer ouvidas por Lisa foram para os outros passageiros: 
-Estão prontos? 
Então, veio a frase memorável: 
-Vamos lá! 
Os passageiros se lançaram para a cabine. 
Eles não tinham treino, não tinham um plano além da recusa de que os sequestradores usassem o avião para matar mais inocentes.
A gravação da cabine captou o caos: o barulho dos passageiros abrindo caminho, os terroristas entrando em pânico, gritos de confusão quando seu plano cuidadosamente preparado começou a desmoronar. 
Eles perderam o controle do avião, que caiu em um campo perto de Shanksville, Pensilvânia. 
Todos a bordo morreram. 
Eram trinta e três passageiros e sete tripulantes. 
Vamos lá! 
Tornou-se um grito de união para uma nação ferida. 
Apareceu em distintivos. Em memoriais. Em autocolantes. Em discursos. 
Nunca foi apenas uma palavra de ordem. 
Foi o último grito de batalha de pessoas comuns que fizeram algo extraordinário. 
Todd Beamer não era soldado. 
Não estava treinado para o combate. 
Era um gerente de contas da Oracle, amava a família e jogava softball nos fins de semana. 
Porém, quando o momento o exigiu, quando a escolha foi entre deixar o terror vencer ou resistir, levantou-se. 
Não lutou pela glória. 
Não lutou por reconhecimento.
Lutou para que seus filhos crescessem em um mundo onde o mal não se impusesse. 
Para nos lembrar que a coragem não exige uniforme: apenas um coração disposto a agir. 
Porque os heróis, às vezes, são apenas pais querendo voltar para casa, para a família. 
Num campo silencioso, nomes estão gravados em pedra. 
Não como vítimas apenas. 
Mais do que tudo, como pessoas que, no momento mais escuro, escolheram luz. 
* * * 
Vamos lá! Duas palavras simples. 
Mas que carregam um peso imenso: o de levantar-se quando tudo parece perdido. O de fazer o que é certo mesmo quando custa tudo. 
Todd Beamer entrou num avião esperando um dia comum.
Entrou para a História como alguém que escolheu ser extraordinário quando mais importava. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos em redes sociais. 
Em 15.6.2026

domingo, 14 de junho de 2026

NÃO DESISTIR JAMAIS!

Você já pensou em abandonar algum compromisso, alguma atividade antes de acabá-la, só porque estava difícil demais?
Já se viu desistindo de resolver um grande problema, porque ele se mostrou maior do que você estava disposto a solucionar? 
Talvez muitos de nós já tenhamos passado por alguma dessas situações. 
O de desistir de algo, de algum intento, de algo previamente planejado. 
Algumas vezes o motivo é o cansaço, outros o desestímulo, ainda pode ser a falta de perspectiva... 
Seja qual for a causa, o resultado é sempre o mesmo: tarefa inacabada, tarefa adiada. 
Nosso livre-arbítrio nos permite tal ação, mas a resposta da vida será sempre a mesma: em algum momento, nos encontraremos novamente com o compromisso, a fim de concluí-lo. 
Quanto mais importante for o compromisso adiado, mais tormentos e dificuldades, e mais energia vai-nos exigir para a sua continuidade. 
Será sempre mais trabalhoso retomar o compromisso mais tarde pois, ao abandoná-lo, ele não se extingue, apenas continua lá, do mesmo tamanho e tão desafiador como sempre. 
Desses compromissos que, algumas vezes pensamos em adiar, abandonar, fugir, sem dúvida, o maior deles é a própria vida. 
Você já se deu conta de que viver é um grande compromisso de nós para conosco mesmo e para com Deus? 
Ninguém vive por acaso, por obra do acaso e de maneira aleatória. A vida de cada um de nós é experiência de extrema importância em nossa história de Espíritos imortais. 
A cada vida, um planejamento, uma programação, sob a tutela e os cuidados da Providência Divina, para que tudo ocorra da melhor maneira possível. 
Dessa forma, é natural que, para nossa vida, também estejam programados embates, desafios, alguns dissabores... São os resultados do ontem refletindo no hoje. 
Mas todas as experiências que a vida nos oportuniza são para aprendizado, nada ao acaso, nada tempo perdido. 
Por isso, evadir-se da vida pelo caminho infeliz do suicídio é opção insensata dos que imaginamos que todos os nossos problemas se solucionarão ao darmos as costas para eles. 
Os problemas não só continuarão, como estarão aguardando nossas ações para sua solução, em momento oportuno. 
É ilusão imaginar que a morte irá trazer a solução dos problemas. 
Pelos caminhos tristes do suicídio, ela nos trará apenas a decepção para quem se iludiu, imaginando que a vida acaba com a morte do corpo, esquecendo-se que a alma permanece. 
Os nossos problemas são os mais adequados para a nossa estrutura emocional e para nossas capacidades. 
Ninguém no mundo está abandonado.
Deus, como Pai amantíssimo, cuida de cada um de nós, com um desvelo que poucas vezes nos damos conta. 
* * * 
Se algum dia tal ideia infeliz lhe passou pela cabeça, liberte-se dessa infame ilusão, pois que, por esses caminhos, a morte nada lhe trará a não ser a certeza de que tudo o que você quer abandonar hoje, terá que ser retomado mais tarde, sob a injunção de maiores dificuldades e dores. 
Sem dúvida, o dia de hoje, o momento atual, é o mais adequado, favorável e feliz para a solução dos seus problemas. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 19.03.2010.

sábado, 13 de junho de 2026

NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO

RAUL TEIXEIRA
A Terra estava informe e vazia. 
As trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 
Assim inicia o livro bíblico Gênesis, resumindo em poesia o estado do nosso planeta antes de vir a ser. 
Então, separou Deus as águas do elemento árido. 
Fez os pássaros do céu, os anfíbios, os répteis. 
No sexto dia, fez o ser humano, que também saiu da água.
Por quê? 
Porque foi feito da argila, que, por sua vez, tinha saído da água. 
A vida orgânica começou nas águas. 
Nascer da água significa nascer na vida orgânica. 
Nosso corpo físico é um corpo de água, que, adulto, tem cerca de sessenta e cinco a setenta por cento de água. 
Nascer da água é, portanto, nascer no corpo. 
E, quando reestruturamos a nossa vida moral, nos aproximamos de Cristo. Isto é nascer do Espírito. 
Nascer da água não é a condição suficiente. 
É preciso nascer da água e do Espírito, segundo Jesus.
Assim, não basta estar encarnado. 
É preciso dar à encarnação um bom desempenho, desenvolver o melhor. 
Se estamos na Terra, com esse dever de nos aprimorarmos, o que é que estamos esperando? 
Não estamos proibidos de comer, de beber, de namorar, de casar, de ter filhos, de gozar, de jogar futebol, de competir, de ser campeões. 
Mas, enquanto estamos usufruindo dessas prerrogativas, o que estamos armazenando para a alma imortal? 
Tudo que fizermos deverá ter por sentido final a nossa felicidade, o nosso progresso, a nossa evolução. 
Por isso, é preciso levar a vida com seriedade. 
Saber que estamos na Terra como quem se acha numa escola, em que há momento de recreio, embora a maior parte do tempo seja para o aprendizado. 
O recreio é um deleite para refrescar a mente, para refrescar a alma.
Para isso, a Divindade coloca à nossa disposição este planeta belíssimo, cheio de picos, como dedos de pedra erguidos aos céus para pouso das águias; esses mares bravios que se atiram contra os arrecifes, provocando um tapete de espuma.
Pelo amor de Deus, temos a Terra recoberta por esse toldo de estrelas, iluminada pelo spotlight que reflete a luz do sol e que chamamos Selene, nosso satélite lunar. 
A Terra é um planeta de primaveras abençoadas, que a transformam num gigantesco jardim. 
Um mundo maravilhoso no qual todas as coisas acatam a vontade de Deus. 
As aves, das andorinhas às águias, continuam a voejar, a cantar os seus cantos e a bater suas asas, singrando os céus do mundo. 
As estações se sucedem disciplinadamente, uma vez ao ano, cada qual com sua característica. 
E temos as brisas mansas, os ventos que sopram das montanhas e refrescam as baixadas. 
Um planeta recortado de artérias chamadas de rios, que vão encontrar-se no mar. 
Tudo sob os cuidados da Divindade. 
* * * 
Pensemos: É preciso entender Jesus na solidão das nossas reflexões: 
Onde esse Mestre nos está faltando? 
Onde estamos sentindo falta dEssa Voz macia da Galileia, dessas águas mansas de Genesaré? 
Onde está faltando Cristo em nós, para que O possamos entronizá-lO no coração? 
Redação do Momento Espírita, a partir do curta O mundo em que vivemos e o Espiritismo, de Raul Teixeira, disponível em @canalfep 
Em 13.06.2026

sexta-feira, 12 de junho de 2026

SOMOS UMA BOA NOTÍCIA

Todo dia vinte e um de março, vinte um do três, é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down. 
A data, que se escreve: 21/3 ou 3/21, faz alusão a uma alteração genética do cromossomo 21, e é adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. 
Cada ano, as associações e instituições ligadas a ela trabalham formas de conscientização, maneiras de trazer mais conhecimento para as pessoas a respeito do que é a síndrome. 
O objetivo maior é incluir, é evitar discriminação, mostrando que uma deficiência não nos define. 
Somos muito mais que isso. 
Curiosamente, esse trabalho precisa ser feito até com os pais, com esses que recebem na família um Espírito com tais características. 
Uma campanha recente na Espanha mostrava uma linda moça com trinta anos de idade, expressando-se com facilidade numa entrevista. 
Ao final do programa, o entrevistador pergunta que mensagem ela gostaria de deixar para as pessoas. 
Com um sorriso nos olhos e uma emoção indescritível, ela disse: 
-Se tem aí alguma mãe ou algum pai que está me escutando, gostaria de dizer que somos uma boa notícia! Não somos uma notícia ruim. Em especial aos pais que escutam. Sei que é pesado, que é difícil, mas, por medo, não fujam. Não deixem de acompanhar os filhos e sua esposa. Porque ter um filho, com deficiência ou não, será sempre uma boa notícia. 
Ao final do relato, o entrevistador está em lágrimas e ela também. 
Ela confessa: 
-Tenho um pai que não fugiu, que não nos abandonou. Esteve sempre junto com minha mãe. Agora, tenho quase trinta anos, com duas irmãs espetaculares e somos uma linda família. 
A narrativa é comovente. 
O fato de ela destacar, ao final, a figura do pai, não foi por acaso. 
Pesquisas mostram que entre sessenta a setenta por cento dos homens abandonam as mães com filhos com deficiência.
Duro de ouvir, duro de entender. 
Mas é uma realidade que necessita ser mudada. 
Como disse tão bem a jovem, ainda há o medo de não saber como lidar, a frustração, a ignorância e, em muitos casos, a covardia, pois a responsabilidade toda permanece com a companheira. 
Ficamos com a mensagem dela, tão cheia de esperança, a dizer a todos esses pais: 
-Somos uma boa notícia. 
Todo filho é uma boa notícia, não importa como chegue e quem seja. 
Toda oportunidade de reencarnação é uma boa nova, uma nova chance, um novo plano. 
E, quando somos escolhidos como pais, que nos sintamos honrados, não impotentes. 
De início, nos sentiremos inexperientes, fracos, e cheios de inseguranças, o que é bastante natural. 
Tempo ao tempo. 
Tenhamos fé. 
Peçamos ajuda na oração diária e confiemos que o Pai Maior não nos abandona. 
No caso dos filhos com deficiência, ele tem plena consciência de que precisamos de atenção especial na condição de pais e estará sempre presente. 
Nos momentos mais angustiantes, lembremos do nosso amigo Jesus, que nos estende a mão sempre que necessário:
-Venham a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 12.06.2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026

DESCOBRINDO A VOCAÇÃO

Meu pai foi, para mim, um protetor fidelíssimo, merecendo não só louvor, como gratidão imorredoura. 
É assim que o cirurgião Hans Killian sintetiza o papel de seu pai, Gustavo, em sua vida. 
Conta que desde tenra idade pôde fruir de maravilhosa liberdade. 
Podia fazer quase tudo o que lhe agradasse. 
Tendo demonstrado propensão para a música, foi tomar aulas de violino aos sete anos. 
Quando descobriu a ciência dos pincéis, decidiu que se tornaria pintor. 
E os materiais da melhor qualidade lhe foram providenciados.
Mais tarde, sentiu-se atraído pela Marinha e começou a construir pequenos modelos de navios. 
Seu pai, de imediato, providenciou no porão da casa verdadeira oficina provida de tudo de que ele necessitasse.
Sorridente, assistiu à transformação do local do pequeno construtor de navios em viveiro de borboletas, insetos de toda espécie. 
E até numerosas plantas. 
Diante dessas tendências, que se sucediam, os adultos opinavam a respeito da profissão que Hans deveria abraçar.
Pintor, segundo seu professor de desenho. 
Um bom engenheiro, conforme seu professor de Física, enquanto sua mãe o incentivava a prosseguir com seu viveiro.
Apenas seu pai se mantinha silencioso, confiante que o tempo viesse em auxílio do filho a fim de que ele se inclinasse para o que lhe deveria ser a vocação. 
No entanto, foi observando a devoção desse pai à Medicina que Hans se decidiu. 
Provocando verdadeira revolução, em 1898, com a concepção de um aparelho inovador, que permitia a localização e retirada de qualquer corpo estranho do pulmão, a fama do dr. Gustavo ultrapassara as fronteiras da Alemanha. 
Casos considerados insolúveis lhe eram encaminhados de outros países. 
E, quando ele conseguiu retirar do pulmão o apito que a pequena argentina Corina engolira, comemorou em família.
Afeiçoara-se à menina e tudo fizera para lhe salvar a vida, que poderia perecer, caso o objeto não fosse retirado. 
Passara por dias inquietantes. 
Depois do êxito do procedimento, à hora do almoço, Corina e seus pais foram à casa do dr. Gustavo. 
A mãe, esbelta, elegante, trouxe um ramalhete de caríssimas orquídeas, abraçou a esposa e lhe ofereceu as flores. 
Depois, voltou-se para o médico, tomou-lhe as mãos e as beijou. 
-Deus abençoe essas mãos milagrosas! – Disse, com lágrimas lhe deslizando pelo rosto. 
O pai da menina, menos efusivo, apertou afetuosamente a mão do médico. 
Corina foi a última a agradecer. 
Fez profunda reverência e, tímida, murmurou: 
-Muchas gracias, señor. 
Foi naqueles curtos instantes que Hans sentiu crescer em si o desejo de ser médico. 
Que outra profissão poderia lhe oferecer tamanhas possibilidades de auxiliar e socorrer seu semelhante? 
Quando comunicou ao pai sua resolução, viu um brilho de alegria em seus olhos azuis. 
Compreendeu que satisfazia a um dos mais caros desejos dele, jamais externado para não influir em sua decisão. 
Era o desejo do pai vê-lo abraçar a Medicina, mas jamais opinara. 
Sábio, tinha a nítida compreensão de que o filho deveria descobrir sua vocação, sua paixão, seu ideal de servir.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. I, do livro Sob o olhar de Deus (Memórias de um cirurgião), de Hans Killian, ed. Flamboyant 
Em 11.06.2026

quarta-feira, 10 de junho de 2026

NÃO DESISTAMOS DO BEM

Por vezes nos sentimos impotentes diante das próprias limitações. 
Desejamos fazer tanta coisa, de mudar as situações que nos infelicitam e fazem sofrer aqueles que nos rodeiam, mas não logramos sequer dar o primeiro passo. 
Os problemas do mundo são tantos que temos a impressão de que não há nada que possamos fazer, considerando a nossa pequenez.
Talvez já tenhamos pensado em desistir do bem e deixar que as coisas sigam ao sabor dos ventos... 
No entanto, nunca desistamos do bem. 
Há dias em que desejamos ser um grande e produtivo pomar para atender a fome de muitos. 
Ante a dificuldade de consegui-lo, tornemo-nos uma árvore frondosa e acolhedora, que produza flores e frutos. 
Por vezes, pensamos em como seria bom sermos uma fonte cristalina. 
Não podendo, transformemo-nos num vaso de água fresca e aplaquemos a sede de alguém. 
Desejamos ser uma montanha elevada a apresentar horizontes infinitos ao homem que a conseguisse escalar.
Diante da impossibilidade, sejamos um degrau humilde para a ascensão de quem ambiciona a glória estelar. 
Pretendemos ter um sol no coração, a fim de clarear a estrada dos viajantes da noite. 
Em face do impedimento, acendamos uma lâmpada de esperança no caminho de um desalentado. 
Almejamos ser um jardim de bênçãos para o enriquecimento da paisagem dos homens. 
Não o conseguindo, convertamo-nos numa flor, abençoando com nosso perfume, a estrada dos desesperados.
Ambicionamos as gemas preciosas do seio generoso da terra, a fim de diminuir a dor e a miséria dos caminhantes da aflição.
Não as possuindo, distendamos a palavra de renovação como pérola de inigualável valor, erguendo quem se recusa a levantar para prosseguir na luta. 
Pensamos em escrever poemas de engrandecimento à vida, enriquecendo as mentes e os corações com painéis de luz e sabedoria.
Na impossibilidade de fazê-lo por nos faltarem os requisitos essenciais, escrevamos uma mensagem singela com expressões de amor, a quem se encontra na curva da queda e perdeu a confiança na afeição dos outros. 
Esperamos a melhoria das criaturas e do mundo...
Decepcionados por não poder alcançar essa difícil meta, coloquemos no altar dos sentimentos um santuário à fraternidade e ao dever superior.
Não desistamos do bem, não desfaleçamos no bem, não duvidemos da vitória do bem. 
Sejamos uma expressão do bem em triunfo, mesmo convertidos num grão de mostarda que, todavia, produzirá estímulos vigorosos para o bem de todos. 
Seja qual for a situação, jamais desistamos de fazer o bem. Jamais duvidemos da força do bem, porque o mal não tem vida própria. 
Ele só se insinua quando o bem não está presente. 
O mal, assim como a sombra, bate em retirada aos primeiros raios de luz. 
* * * 
Façamos o bem em toda parte com as mãos e com o coração, orando e esclarecendo, a fim de que o trabalho da verdade fulgure em nossos braços como estrelas brilhantes. Ampliemos as nossas disposições íntimas, dirigindo-as para o bem e não nos preocupemos senão com a semeadura de bênçãos, pelo caminho. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 8, do livro Momento de decisão, pelo Espírito Marco Prisco, e no verbete Bem, do livro Repositório de sabedoria, v. I, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 11.02.2025

terça-feira, 9 de junho de 2026

UM PORTO SEGURO

ANNE e CHARLES DE GAULLE
A História o apresenta como um importante militar e estadista francês. Esteve nas duas grandes guerras. 
Em 1940, recusou a rendição à Alemanha, exilou-se em Londres e comandou a Resistência Francesa. 
Paris o recebeu como herói, em 1944, comemorando a libertação da capital. 
Foi considerado o líder mais poderoso da França moderna, com forte influência política contínua. 
Para seus soldados, ele era o homem de ferro. 
Dentro do lar, era o pai que se ajoelhava para brincar com a filha Anne, portadora de síndrome de Down. 
Nascida no Ano Novo de 1928, era a mais nova dos seus três filhos. 
Naquela época, ter um filho especial era uma vergonha. 
Era comum as famílias da alta sociedade os internarem em instituições, a fim de protegerem a própria reputação. 
Charles e sua esposa Yvonne jamais a afastaram do lar acolhedor, cheio de risos, junto aos irmãos Philippe e Elisabeth. 
Quando cruzava a porta da casa, o general imponente, de rosto severo, se transformava no pai das canções e das histórias. 
Ele tudo fazia para fazê-la sorrir. 
Costumava dizer que ela era a sua alegria. 
Em plena Segunda Guerra Mundial, com o peso do mundo em seus ombros, ele encontrava paz em sua presença. 
Anne amava aquele pai que a tratava com total igualdade e que assegurava que ela valia mais do que um rei ou um presidente. 
Sua vida foi curta. 
Pouco depois de completar vinte anos, ela morreu, nos braços do pai, que murmurou: 
-Agora ela é como as outras.
Entendia que ela estava livre das limitações físicas e dos julgamentos cruéis do mundo. 
No mesmo ano de sua morte, desejando que portadores de deficiência, abandonados pelas suas famílias, encontrassem um abrigo seguro e digno, ele e a esposa criaram a Fundação Anne de Gaulle. 
O casal queria que toda criança pudesse viver com a dignidade que Anne tinha conhecido, no castelo antigo que eles adquiriram para abrigar a Fundação. 
O grande homem deixou instruções expressas de que não queria um funeral nacional grandioso. 
Não queria glória, multidões ou honras que ecoassem pelas avenidas de Paris, rejeitando cerimônias fúnebres de Estado.
Seu corpo foi sepultado, ao lado do túmulo da sua amada Anne, na pequena vila Colombey-les-deux-églises, numa cerimônia simples, focada na família, amigos íntimos e companheiros da Resistência. 
A França lhe prestou homenagens à altura do homem que fora, numa cerimônia paralela na Catedral de Notre-Dame, em Paris, para líderes mundiais e oficiais. 
* * * 
Ser pai ou mãe de uma criança especial exige uma metamorfose diária: é ser o porto seguro onde a criança pode apenas ser. 
Ao integrarem seus filhos ao convívio social, ao riso e à mesa da família, eles desafiam a cultura da exclusão. 
Eles nos ensinam que a deficiência é uma partitura diferente, que exige novos ritmos e uma sensibilidade aguçada para ser compreendida. 
Eles nos mostram que, quando as luzes do palco se apagam e as glórias mundanas silenciam, o que resta é o amor que protegeu, que dançou junto e que garantiu que ninguém, por mais diferente que fosse, vivesse sem a certeza de ser profundamente amado. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos no site Fundación Anne de Gaulle.
Em 09.06.2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

ELE, O CRISTO!

Fez-se humano, Ele que é luz estelar, para que pudesse entre nós trafegar e cantar o Seu verbo de luz. 
Fez-se simples, Ele que conhece e compreende toda a complexa e grandiosa estrutura do Universo e as Leis do Criador. 
Exemplificou a humildade, mesmo tendo em Suas mãos o destino de todo o planeta. 
Quando tantos esperavam o conquistador, Ele veio ser servo de todos, amparando as mazelas humanas, curando as feridas da alma, sustentando as necessidades do Espírito.
Quando muitos queriam o Messias Rei, Ele se fez operário, filho de carpinteiro, vindo de um vilarejo simples, quase desconhecido, para que Seu verbo de luz conquistasse os corações. 
Quando outros anelavam pelas conquistas terrenas, pelos tesouros que brilham aos olhos, Ele apontava para as riquezas da alma. 
Quando muitos elegiam a beleza, a fama, as ilusões do mundo, Ele estava com os coxos, leprosos, cegos e estropiados, do corpo e da alma, mostrando a transitoriedade da vida física. 
Quando tantos se perdiam em tradições e regras vazias, Ele dava novo significado às coisas e aos atos, ensinando que o exterior nada significa se não reflete o mundo interior, esse sim, de grande importância. 
Trafegava entre poderosos, ricos e intelectuais, mas também entre os simples, os analfabetos e os pobres, pois via a todos como almas em evolução, Seus irmãos, filhos de Deus. 
Se tantos elegiam as armas, a guerra e a morte como ferramentas de conquista e usurpação, Ele veio conquistar o mundo, sem nada usurpar, falando e vivenciando o amor, na sua mais alta expressão. 
Se à época foi incompreendido, preterido ou ignorado por muitos, não foram poucos aqueles que se deixaram tocar pela Sua presença, e nunca mais voltaram a ser os mesmos.
Naqueles dias, grassavam a violência, a barbárie e as injustiças. 
Não muito diferente dos dias de hoje. 
Naqueles dias, o poder, o dinheiro e as glórias externas eram o desejo e ambição dos homens. 
Tal e qual nos dias que hoje transcorrem. 
Se a tecnologia, filha do intelecto, transformou o mundo, nós ainda continuamos praticamente os mesmos. 
O amor, filho do coração, ainda aguarda espaço para surgir em nós e nos transformar intimamente, para que o mundo então se transforme efetivamente. 
Somos todos nós ainda, os cansados e aflitos que Ele aguarda, pacientemente, para nos amparar. 
Somos ainda os estropiados, não do corpo, mas da alma, necessitados dEle para a nossa cura definitiva. 
Somos aqueles, de alma sofrida, pelas opções infelizes que fizemos, agora sedentos da Sua paz. 
E ainda hoje Ele nos aguarda, para que, cansados das ilusões da vida, possamos tê-lO efetivamente, como o Caminho, a Verdade e a Vida. 
* * * 
Jesus Cristo é sempre a melhor resposta para todas as nossas necessidades, anseios e carências. 
Como há mais de dois mil anos, Ele prossegue o pastor fiel, o jardineiro das almas, nosso Mestre e Senhor. 
Não nos percamos nos labirintos do mundo, entre a incerteza e a solidão. 
Entreguemos nossas vidas ao amor não amado e sintamos os benefícios da Sua presença em nós. 
Façamos isso.
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 24, ed. FEP. 
Em 08.06.2026

domingo, 7 de junho de 2026

NÃO DESISTA DE VOCÊ!

Por vezes você não entende como as pessoas ainda conseguem sorrir num mundo como esse. 
Anda pelas ruas e não vê graça no movimento de ir e vir das pessoas, não encontra a alegria na vivacidade das crianças e não percebe essas supostas coisas boas que a vida tem. 
As notícias falam de conspirações, de golpes, de chacinas.
Pioram índices disso ou daquilo. 
E você tem certeza de que não vale a pena investir nenhum esforço nessa existência. 
Há também uma espécie de vazio aí dentro. 
Uma dor na boca do estômago ou nos pulmões, uma dificuldade de respirar às vezes. 
Você não sabe o que é. 
Será que todo mundo tem isso? 
Você estuda por obrigação ou trabalha apenas pelo resultado financeiro.
Ora, você precisa comer, precisa de um lugar para morar, comprar algumas coisas... 
Mas, por vezes fica pensando se vale a pena lutar por isso.
Tem vezes que come mais do que necessita, outras que fica muitas horas sem se alimentar e percebe que isso não faz muita falta. Até poderia viver sem... 
Percebe que as pessoas estão se isolando. 
Cada um no seu canto. 
Por isso não fala muito de você. 
Aliás, pode passar horas e horas sem proferir uma única palavra. 
Estamos nos escondendo atrás das telas! 
Ouviu um especialista dizer. 
E nas suas horas livres permanece ali, naquele mundo que parece não ter fim, mas que às vezes também tem cara de imenso vazio. 
A internet parece cheia de gente mas, ao mesmo tempo, vazia. 
Entro e saio desse suposto mundo digital do mesmo jeito – são pensamentos que lhe acodem. 
Você anda cansado de tudo, de todos. 
As pessoas não são interessantes. 
Não tem paciência para quase ninguém. 
De vez em quando bate uma tristeza profunda, como se abrisse um abismo no peito. 
Você tem vontade de chorar, mas não consegue. 
Não entende o que é isso. 
Você se sente sozinho. 
* * * 
Eis algumas palavras especiais para você. 
Primeiro: não se permita a solidão prolongada. 
Conte com alguém para conversar, para se abrir. 
Alguém em quem confie, alguém para quem possa escrever essas coisas estranhas que pensa, que sente ou que vê ao seu redor. 
Não perca a referência do amor, dos que lhe querem bem.
Todos temos esses à nossa volta. 
Todos temos os que estão dispostos a nos estender a mão, ou apenas ouvir. 
Você não está só. 
Não fomos simplesmente abandonados num mundo que vai de mal a pior. 
Essa é outra visão distorcida. 
É uma visão terrorista que muitos se acostumaram a passar ou aceitar. 
Não julgue o mundo apenas ouvindo um dos lados. 
Há muito amor nas pessoas. 
O Universo é coordenado por amor, embora ainda tenhamos dificuldade em entender certos mecanismos de suas leis. 
Veja como esta mensagem está chegando até você. 
Não existe coincidência, não existe acaso. 
Tudo está em seu devido lugar e a ajuda chega a quem precisa e na hora certa. Não desista de você. 
Não desista de seus ideais, sonhos, objetivos. 
Se for necessário, remonte-se, reconstrua-se, peça ajuda de alguém especializado e refaça seus passos. 
Perceba se sintomas que apresenta não estão ligados a algum tipo de transtorno emocional. 
Todos estamos sujeitos a essas dificuldades. 
Finalmente, lembre que a oportunidade da encarnação é o maior tesouro que podemos ter recebido. 
Aproveite cada instante. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 27.09.2019.