terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

MUITOS DEUSES, UM PAI!

Na Antiguidade muitos eram os deuses. 
Basta se consulte a mitologia e, perdendo-se no tempo, encontramos uma série diversificada de entidades denominadas deuses. 
Desde sempre, deram-se conta os homens que, além da esfera física, auxiliando-os em seus esforços, havia seres de outra dimensão. 
E, como não lhes pudessem compreender a essência, os conceberam com forma humana e lhes atribuíram suas virtudes e defeitos. 
Assim, surgiram as versões dos tantos deuses, encarregados de variadas missões. 
Ouvindo os sons retumbantes dos céus, imaginaram alguém que estivesse a bater com um enorme martelo sobre imensa bigorna e surgiu Thor, deus do trovão. 
No mar, que os vencia tantas vezes, levando vidas preciosas, com seus caprichos de ressacas, ondas enormes, tempestades, colocaram um ser que a tudo presidia, caprichoso: Netuno. 
E, porque os dias se sucedessem, sem que eles pudessem deter as horas, imaginaram um deus que a isso presidisse igualmente: Saturno, que devorava os próprios filhos.
Percebendo ainda que suas ações eram secundadas por seres invisíveis, passaram a lhes dar nomes, e os invocar para as suas atividades. 
E surgiram Hermes, deus do comércio; Apollo, deus da medicina; Atenas, deusa da sabedoria; Vênus, Diana, Eros, deuses do amor. 
Para cada atividade, um deus protetor. 
Mas, acima de todos, havia o deus dos deuses. 
Zeus, habitante do Olimpo grego, chamado Júpiter, na mitologia romana. 
Essas entidades interagiam com os homens e, tanto quanto cuidavam dos céus, da Terra e do mar, se imiscuíam nas atividades humanas, interferindo, fazendo valer sua vontade.
Mais tarde, entendendo um pouco mais da essência espiritual, surgiriam religiões concebendo um mundo invisível povoado de anjos protetores e anjos maus. 
A respeito deles, falaram antigos filósofos tanto quanto os pais da Igreja, que surgiu no século IV. 
Olhando à distância, tudo pode parecer estranho e, em alguns momentos, até ingênuo. 
Mas são verdades vestidas do entendimento das criaturas da época. 
Estamos rodeados por uma nuvem de testemunhas, afirmava o Apóstolo Paulo de Tarso. 
São seres invisíveis, as almas dos homens que morreram, que nos cercam, dessa outra dimensão para onde se foram, após a morte do corpo. 
E têm virtudes e defeitos, como os homens, porque as criaturas não se modificam simplesmente porque passam de uma dimensão para outra. 
Continuam a se interessar pelos seres amados, a assisti-los em suas necessidades, trabalhar de múltiplas formas porque a ociosidade seria o pior de todos os castigos. 
De acordo com o grau de elevação ou de inferioridade em que se situem, se ocupam das mais diversas tarefas. 
Todos têm deveres a cumprir. 
Os seres mais elevados recebem as ordens de Deus e concorrem para a harmonia do Universo, executando as vontades celestes. 
Por isso, os homens os perceberam, desde sempre e buscaram lhes dar nomes e tentar descobrir suas missões.
Eram pedaços do grande espelho da verdade que, a pouco e pouco, foram sendo juntados e ampliados. 
Contudo, em todos os tempos, sempre o homem entendeu que acima de si mesmo, acima dessas tantas divindades, desses seres espirituais, uma vontade governa e é soberana.
Um Deus, um Senhor. 
Através dos tempos e das nações, o chamou de Zeus, Júpiter, Yaweh, Tupã. 
Quando veio Jesus lhe deu um nome para que todos O pudéssemos igualmente denominar: 
-Pai. Pai nosso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. Fep. 
Em 02.01.2013.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O NAUFRÁGIO DE MUITOS INTERNAUTAS

Mario Sergio Cortella
Alice estava desnorteada, e encontrando um gato sentado sobre o galho de uma árvore, perguntou-lhe: 
-O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho tomar para sair daqui? 
-Isso depende muito de onde você quer ir... – Respondeu o gato com um sorriso enigmático de orelha a orelha. 
-Não me importa muito para onde... – Afirmou Alice. 
O felino sentenciou:
-Então não importa o caminho que você escolher. Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. 
* * * 
Nestes tempos de informações abundantes, de possibilidades infinitas, de tecnologia surpreendente, fazem-se necessários alguns cuidados. 
Cada dia fala-se, mais e mais, sobre a triunfal entrada da Humanidade na era do conhecimento. 
Exalta-se a capacidade humana de estar vivendo, a partir deste momento, um período no qual o conhecimento será a primeira riqueza. 
Tudo é fonte para o conhecimento, e a principal delas é a internet. 
É neste ponto que precisamos ir devagar com as coisas. 
Não se deve confundir informação com conhecimento. 
A internet, dentre as mídias contemporâneas, é a mais fantástica e estupenda ferramenta para acesso à informação.
No entanto, transformar informação em conhecimento exige, antes de tudo, critérios de escolha e seleção, dado que o conhecimento – ao contrário da informação – não é cumulativo, mas seletivo. 
Seria como alguém que entra numa dessas grandes livrarias, sem saber muito bem o que deseja. 
Corre o risco de entrar em pânico, tendo a sensação de débito intelectual, sem ter clareza de por onde começar e imaginando que precisa ler tudo aquilo. 
Faz-se fundamental o critério, isto é, saber o que se procura, para poder escolher, em função da finalidade que se tenha.
Os computadores e a internet têm um caráter ferramental que não pode ser esquecido. 
Ferramenta não tem objetivo em si mesmo. 
É instrumento para outra coisa, para outro fim. 
O critério, o equilíbrio nos permitirão, assim, poder utilizar desse ferramental com sabedoria, na dosagem certa, no momento adequado. 
Sem critérios seletivos, muitos ficam sufocados por uma ânsia precária de ler tudo, acessar tudo, ouvir tudo, assistir tudo.
Esquecem-se de se perguntar: 
-Eu quero isso para mim? Eu preciso disso? Para que serve? Aonde desejo ir? 
Nos tempos de hoje, se não formos muito cuidadosos, corremos o risco de navegar na internet, e naufragar. 
Sêneca, sabiamente, já havia dito, que nenhum vento é a favor, para quem não sabe para onde ir. 
* * * 
David Hume, afirmava: 
-Por conhecimento, entendo a certeza que nasce da comparação de ideias. Para que nasça o conhecimento é necessário pensar, comparar, conectar ideias. Nenhuma informação poderá ser tomada por verdade, por conhecimento, antes de amadurecer dentro da alma humana. Sabedoria não se transmite. É preciso que nós mesmos a descubramos depois de uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar. 
Redação do Momento Espírita com base no texto O naufrágio de muitos internautas, do livro Não nascemos prontos – provocações filosóficas, de Mario Sergio Cortella, ed Vozes.
Em 02.02.2026

domingo, 1 de fevereiro de 2026

OS MUITOS CUIDADOS DE DEUS

O hábito de reclamar é muito comum. 
É possível que acreditemos, como seres humanos, ser natural. 
A verdade é que, em qualquer parte do mundo, encontramos os que reclamam. 
Como filhos reclamamos dos pais, como cônjuges reclamamos um do outro. 
Patrões e empregados parecemos quase inimigos, com tantas reclamações. 
Nossos vizinhos, amigos e até meros conhecidos não deixam de ser alvos das nossas reclamações. 
Falamos que deveriam ser mais atenciosos conosco, mais educados, mais... 
Acontece que pessoas genuinamente gratas são ainda um tanto raras em nosso mundo. 
Quando apenas prestamos atenção no que falta, costumamos não notar o que temos. 
Esse mau hábito é especialmente triste em se tratando da Divindade. 
Isso porque Deus é o Senhor do Universo. 
Dele procedem todas as bênçãos e oportunidades. 
Ele cria todos os Espíritos iguais e nos concede existências incontáveis a fim de que nos possamos aprimorar. 
Cerca-nos dos mais ternos cuidados. 
Providencia-nos o corpo para que vivamos na Terra. 
Não esquece de nos cercar de amores, a fim de que, como flores, não venhamos a secar no deserto das afeições.
Inclusive cuida de bloquear certos desatinos nossos, mais graves, para que não nos compliquemos em excesso.
Entretanto, curiosamente, ainda nos sentimos no direito de reclamar do Eterno.
Imaginamos ter direito a mais do que recebemos. 
Desejamos tranquilidade, riqueza, poder, fama e beleza.
Contudo, nesse querer fantasioso, nos esquecemos de perceber e agradecer o muito que nos é dado, de forma constante. 
Esquecemos a bênção dos tempos de paz, nos quais podemos perseguir nossos sonhos. 
Não valorizamos a família na qual nascemos ou nos encontramos. 
Os pais que nos cercaram os primeiros passos, as escolas nas quais fomos matriculados e que pudemos frequentar. 
Os professores que nos instruíram. 
A saúde do corpo, a existência em um país pacífico, os amigos... 
Achamos natural possuir tantos tesouros. 
Ocorre que nem todos podem desfrutar, simultaneamente, dos mesmos dons. 
A vida na Terra constitui uma estação de aprendizado.
Nela, as experiências variam ao infinito. 
Devemos considerar que há os que experienciam a saúde, enquanto outros vivem a enfermidade. 
Alguns desfrutam facilidades materiais e outros têm vida mais modesta. 
As posições se alternam no curso dos séculos. 
O papel de cada um de nós é ser digno e fraterno na posição em que nos encontramos.
Utilizar os tesouros que recebemos da vida, a fim de crescer em talentos e virtudes.
E, especialmente, entender que o próximo é um irmão de caminhada. 
Ele também deseja ser feliz e viver em paz. 
É, igualmente, um filho de Deus. 
Tendo isso em mente, urge repensar os próprios hábitos.
Identificar os inúmeros cuidados recebidos de Deus. 
Ser grato por todos eles e cessar de reclamar por bobagens.
Ao mesmo tempo, aprendermos a manifestar bondade para com o próximo como uma forma de gratidão ao nosso Criador.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 05.07.2023.

sábado, 31 de janeiro de 2026

O CANTO DO SABIÁ

Ele chega no alto do muro, todas as manhãs. 
Exceção daquelas de chuva torrencial. 
Nesses dias, somente aparece quando a chuva se vai. 
Ele se posta exatamente na direção da janela do escritório onde trabalho. 
Anda um pouco de um lado a outro. 
Parece olhar para mim. 
Na verdade, tenho certeza que me olha. 
E então, solta seu canto. 
É o meu companheiro sabiá. 
Não vem a esse local porque o alimento, considerando que é no meio do jardim, do outro lado da casa, que coloco a ração diária para ele e todos os pássaros que queiram. 
A maioria deles, habitando a árvore em frente à casa, há bastante tempo. 
Ou seja, desde que o pequeno arbusto se transformou em uma árvore alta, cheia de galhos e folhas. 
Árvore que tenho o cuidado de zelar toda vez que os funcionários da prefeitura vêm realizar a poda. 
Supervisiono o serviço, não permitindo que cortem galhos em excesso, em especial aqueles em que estão construídos os preciosos ninhos. 
Não sei se o sabiá sabe disso tudo. 
Nunca contei nada a ele. 
Mas quando ele vem cantar em frente à minha janela, eu o cumprimento: 
-Oi, amiguinho, já chegou? Qual a sinfonia para hoje? 
E depois dele alegrar o meu coração, parte voando.
Sei que não o verei mais até o dia seguinte. 
Alguns dirão que tudo isso é coincidência. 
Nada demais. 
Talvez o sabiá goste daquele pedaço de muro por algum motivo. 
Eu, sinceramente, acredito que se trata de gratidão de uma ave que se alimenta todos os dias, em meu jardim. 
Mais do que isso, eu vejo a manifestação Divina nesse pequenino ser.
É Deus que me diz, com o seu canto, que sou Seu filho, uma pessoa importante nesta Terra. 
Por isso, ergo minha prece em gratidão e trabalho com o coração mais alegre, a mente mais desperta, os dedos mais ágeis. 
Quantos de nós recebemos, todos os dias, dádivas semelhantes e não nos damos conta? 
Que tal começarmos a prestar atenção? 
Deus tem maneiras simplesmente criativas de nos alcançar: na brisa que brinca em nossos cabelos, na chuva que cai, permitindo que a terra exale aquele seu perfume peculiar de quem recebeu uma dádiva e agradece. 
Ou talvez através de uma ave que cante em nossa janela ou nas proximidades. 
Deus a tudo preside e nada esquece. 
Prestemos mais atenção ao nosso entorno e descobriremos, todos os dias, inúmeros motivos para sermos gratos ao Pai que nos ama e manifesta isso de multiplicadas maneiras.
* * * 
No ruído longínquo do mar, na paisagem solitária, nas águas que murmuram, no sono das florestas, na altivez das montanhas, Deus assinala a Sua presença. 
Na poesia das flores, nas calmas noites estreladas, no brilho da lua, podemos perceber a excelência do Autor Divino. 
Para a alma sensível, tudo respira e transpira Deus, o que levou o salmista Davi a escrever que os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Cerremos os olhos, paremos um pouco e nos permitamos sentir o suave toque de Deus em nossa alma, agora, enquanto morrem os acordes musicais... 
Redação do Momento Espírita, com transcrição de Salmos de Davi, cap. 19, vers. 1. 
Em 31.01.2026

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

AMOR FRATERNAL

Erich Fromm
Os que nascemos em uma mesma família estamos unidos pelos laços de sangue que, no entanto, não configuram laços de amor necessariamente. 
Não é raro irmãos terem ciúme e inveja uns dos outros, criando dificuldades de relacionamento. 
Ou chegarem mesmo à agressão, à usurpação dos direitos e bens uns dos outros. 
Contudo, quando os laços afetivos existem, é comovedor observar a dedicação de alguns irmãos. 
Soubemos da história de uma garotinha de cinco anos de idade. 
Seu irmãozinho, de oito anos, foi diagnosticado com leucemia.
Exames, internamentos, quimioterapia. 
Tudo o que a medicina oferece aos portadores dessa enfermidade. 
erto dia, a mãe tomou a menina entre seus braços e explicou que o irmão ficaria num hospital, durante algum tempo. 
Ele precisava de um tratamento especial. 
Explicou também que, quando ele voltasse, ela não se assustasse porque, por causa do tratamento, ele teria perdido todo seu cabelo. 
Recomendou que ela não risse ou fizesse brincadeiras quando visse a carequinha do irmão. 
A menina ouviu com atenção e ficou calada. 
A mãe acreditou que ela não havia entendido bem. 
Dias depois, os pais foram buscar o garoto no hospital.
Quando o carro chegou na frente da casa, a garotinha olhou pela janela do primeiro andar e sorriu. 
Seu irmão estava de volta. 
Na cabeça, um boné vermelho. 
Correu para o banheiro, tomou a tesoura de sua mãe e concretizou o plano que estava em sua cabecinha, desde a conversa com a mãe. 
Pouco depois, desceu as escadas aos pulos. 
Abriu a porta no exato momento em que o irmão chegava. Ela o olhou por um segundo. 
Então, estendeu para ele as mãozinhas cheias de seus próprios cabelos. 
Ele olhou para a irmãzinha e viu que ela trazia os cabelos desalinhados, mostrando que os havia cortado, do jeito que pudera. 
Um lado mais curto do que o outro, as franjas tortas como se fossem degraus de uma escada mal construída. 
Ela não disse nada. 
Nem ele. 
Os pais observavam, atônitos. 
Então, o garoto tomou nas suas mãos os cabelos que a irmã lhe oferecia e, com um sorriso largo, tirou o próprio boné e colocou na cabecinha dela. 
Depois, ajoelhou-se e ambos se abraçaram longa e demoradamente. 
* * * 
Amor fraternal é a mais fundamental espécie de amor.
É a que alicerça todos os tipos de amor. 
Se desenvolvemos a capacidade de amar a um irmão consanguíneo, não podemos deixar de amar, na sequência, a todos os demais irmãos. 
O amor fraternal é o amor entre iguais. Iguais por sermos todos Espíritos, filhos do mesmo Pai. 
Iguais, na Terra, por estarmos na condição humana. 
Se pensarmos nas diferenças de talento, inteligência, conhecimento, veremos que são pequenas se compararmos com a identidade essencial, comum a todos nós. 
O amor é uma força ativa no homem. 
Uma força que irrompe pelas paredes que o separam de seus semelhantes. 
Que o une aos outros. 
Que o estimula a dar-se, numa extraordinária experiência de vitalidade e de alegria. 
Redação do Momento Espírita, a partir de cenas do vídeo Gesto de amor, de autoria desconhecida, e do cap. 2 do livro A arte de amar, de Erich Fromm, ed. Itatiaia. 
Em 30.01.2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

MUITO HUMILDE

DONALD SPOTO(✝︎)
A pessoa que trabalha lá em casa é muito, muito humilde. 
Você já deve ter ouvido esta frase, com certeza. 
E com a mesma certeza sabe que quem assim fala está se referindo a alguém com poucos recursos amoedados. 
Ou intelectuais. 
Ou ambos. 
De um modo geral, associamos pobreza, analfabetismo, ignorância à humildade. 
Contudo, foram humildes Jesus de Nazaré, Francisco de Assis, Francisco Cândido Xavier. 
E esses não se enquadram nos itens destacados. 
Jesus era humilde, no entanto, a ninguém ocorre imaginar que Ele fosse um iletrado.
Profundo conhecedor da alma humana, o que Lhe confere, de imediato, alta condição psicológica, era igualmente conhecedor da História de Israel, da cultura do mundo em que vivia, das escrituras. 
Provam isso suas falas, seus pronunciamentos, reportando-se à Lei antiga, aos profetas, ao tempo político que se vivia então. 
Ademais, era poeta, utilizando-se sabiamente de figuras de linguagem, adequando-as ao ensino que desejava oferecer e às pessoas para as quais falava.
Ninguém foi tão grande quanto Ele. 
E era humilde. 
Ele mesmo o disse: 
-Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração.
Francisco Cândido Xavier não dispunha de recursos financeiros, nem diplomas. 
Mas ninguém ousaria dizê-lo ignorante. 
Basta recordar-lhe a sabedoria nas entrevistas que concedeu a jornalistas, repórteres, cientistas que desejaram estudar-lhe as qualidades mediúnicas. 
Sabia portar-se em público, utilizando-se de vocabulário adequado, demonstrando a ilustração do seu intelecto.
Francisco de Assis nasceu em berço rico e abraçou a pobreza, por opção do ensino que desejou ministrar, em plena Idade Média. 
Era humilde e conhecedor do Evangelho. 
Foi ainda compositor. 
Dizia-se o cantor do Grande Rei, Deus. 
No ideal de divulgar o Evangelho de Jesus em sua essência mais pura, agregou jovens ricos, homens cultos, no mesmo ideal e os liderou. 
Falava ao povo simples, falava a magistrados e às autoridades eclesiásticas. 
Conta-se que, certa vez, em retornando de Roma a Assis, deteve-se na cidade de Ímola. 
Por questão de respeito hierárquico, apresentou-se ao bispo e expressou o desejo de pregar na igreja local. 
-Eu prego a meu povo e isso é o bastante! – Foi a resposta do bispo. 
Francisco se retirou e voltou uma hora depois, fazendo o mesmo pedido. 
Ante o espanto do bispo, pela insistência, respondeu: 
-Meu senhor, se um pai expulsa o filho por uma porta, ele deve voltar por outra! 
O raciocínio coerente lhe valeu o direito de tomar lugar no púlpito do prelado para a pregação. 
* * * 
Humildade é virtude que brilha nos corações dos homens de bem. 
Homens de intelecto mas que a ninguém desprezam. 
Homens de posses, que a todos acolhem. 
Homens que sabem reivindicar seus direitos, nunca sendo omissos. 
Homens de bem. Humildes. 
Repensemos nossos conceitos. 
Redação do Momento Espírita, com relato de fato colhido no cap. Onze (1213-1218), do livro Francisco de Assis, o santo relutante, de Donald Spoto, ed. Objetiva. 
Em 18.01.2016.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

VONTADES IMPERFEITAS

Por que a Vontade de Deus não é a nossa vontade? 
Com certeza muitos de nós já fizemos esta pergunta. 
Os acontecimentos se sucedem em nossas vidas e nem sempre gostamos ou com eles concordamos. 
Desejaríamos que fossem diferentes. 
Mas, se aprendemos que tudo acontece sob o comando Divino, que Deus tudo vê e a todos ampara, por que tantas vezes nos comportamos dessa forma? 
Se já conseguimos entender que Deus é infinitamente bom e justo, perfeito em Suas ações e que tudo que dEle emana tem o cunho da perfeição, tudo visa o nosso bem, por que, então, ainda não concordamos? 
Muitos de nós, quando passamos por reveses mais intensos, chegamos até a negá-lO, dizendo desacreditar da Sua existência. 
Outros, apelamos para reclamações, maldizendo o que nos acontece, tal a nossa discordância, muitas vezes envolta em cólera e revolta. 
Porém, a Vontade de Deus é de tal forma ideal, que Jesus, ao orar, ensina-nos a pedir que seja feita a Sua Vontade, e não a nossa. 
Ainda assim, desatentos do que afirmamos em oração, não raro queremos que seja feita a nossa vontade, e não a do Pai.
E indagamos: 
-Por que Deus permite que o anjo da morte arranque de nosso convívio aqueles que antes embalávamos nos braços? Que a doença rapidamente mine a saúde do corpo, perfeito e cheio de vigor? Por que permite que nossa vida sem dificuldades se transforme em escassez, enquanto a carência, como melodia monótona, passe a nos guiar os passos? 
Quantos de nós já nos pegamos fazendo esses e outros tantos questionamentos com os olhos voltados ao firmamento.
Embora os conhecimentos já adquiridos, por que tanta dificuldade para entender as coisas de Deus? 
Qual a razão de ainda não aceitarmos aquilo que a vida nos apresenta e que não conseguimos mudar? 
Como a criança que se rebela em ir à escola, desejando permanecer nos folguedos infantis, somos nós a analisar as coisas de Deus. 
Nosso olhar ainda é imaturo. 
Queremos uma vida de facilidades, tranquilidade e despreocupação. 
Dias sem tribulações, sem reveses, sem dores.
Esquecemos de que são exatamente esses dias de tempestade que nos oferecem as melhores lições. 
Não percebemos que as dores transitórias são oportunidades valiosas para a aquisição de valores nobres para o Espírito imortal que somos. 
* * * 
Assim, aprendamos a consolidar nossa fé em Deus e no entendimento de que devemos agir buscando o melhor para nossa alma. 
E nos conscientizemos de que haverá momentos em que, alheias à nossa vontade, dores irão surgir, perdas irão acontecer, dificuldades nos chegarão. 
Nessas horas, pensemos que a Vontade de Deus continua sendo sábia, coerente e justa. 
Se ainda não a entendemos, aguardemos. 
Esperemos o transcorrer dos dias.
Logo mais, quando nosso entendimento de Deus e da vida forem mais profundos, concluiremos que a Providência Divina nunca nos abandonou, e que Deus, sábia e amorosamente, cuida sempre, de cada um de nós. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 28.01.2026

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

MUITO BOA NOITE

Nada mais reconfortante quando chega a hora do descanso, buscarmos o leito e agradecer pelo dia vivido, e pronunciar para nós mesmos um desejo de Muito boa noite
A prece simples e sincera nos envolve, nos proporcionando a paz e a calma de que tanto necessitamos. 
O sono nos permite o repouso e refazimento ao nos distanciar da correria material. 
Mesmo quando nosso dia não tenha sido o melhor de todos, guardemos a certeza de que tudo nos serve de aprendizado.
O amanhã será sempre um novo dia e tudo poderá ser melhor. 
Afinal, depois da tempestade o sol volta a brilhar, e não existe mal que dure eternamente. 
Ao acordar, agradecer pela vida que Deus nos dá, elevando o pensamento em prece, mesmo que muito simples e rápida.
Algo como: 
Gratidão Senhor, pela boa noite de sono 
e refazimento! Abençoe este novo dia. 
Deus nunca nos desampara. 
Mesmo quando imaginamos estar totalmente sozinhos, acabamos percebendo que sempre podemos contar com a presença de alguém. 
Ou talvez de um animal amigo que se achega e nos acarinha.
Cada novo dia é oportunidade de fazer o nosso melhor.
Trabalhemos com alegria, sem importar qual seja nossa ocupação, pois todo trabalho útil tem seu valor. 
Coloquemos alegria em nós para que ela possa se espalhar, contagiando a outros. 
Valorizemos nossos dias, horas, minutos, no cumprimento de nossas obrigações, pois o tempo não volta atrás. 
Cultivemos a simplicidade e perdoemos sem condições.
Batalhemos pelos nossos sonhos, acreditando em nossa força de vontade. 
Sejamos perseverantes e persistentes para superarmos as tribulações da vida com confiança e amor. 
Todos temos importância e valor e podemos fazer diferença no mundo, emitindo pensamentos positivos, sentimentos de alegria e palavras de otimismo. 
Por mais complicada se apresente nossa caminhada, lembremos que ela é o de que necessitamos para adquirir experiências e alcançar metas de evolução, mesmo que pequenas. 
Superação é resultado de esforço e dedicação constantes que aprendemos a desenvolver frente a cada desafio que a vida nos apresenta. 
E, vencer desafios permite adquirir virtudes que nos enriquecem. 
Como Pai amoroso, sábio e bom, Deus conhece nossas capacidades, nossa determinação, e a cada dia nos prepara para superarmos os novos desafios evolutivos. 
Sua orientação nos chega pela voz de uma criança, ou no conteúdo de uma mensagem que o vento arrasta, trazendo-nos às mãos. 
Só precisamos decidir que queremos vencer. 
Agindo sempre no bem, embora enfrentando dificuldades, haveremos de nos sentir bem dispostos e corajosos diante da vida. 
E na hora do descanso noturno, nosso Boa noite aflorará naturalmente, com alegria e gratidão. 
Somos filhos especiais de um Pai único, e carregamos valores que desconhecemos. 
Deixemos aflorar nosso tesouro interior, pois com ele promoveremos a nossa evolução colaborando também para a melhoria do planeta. 
Por tudo isso, repitamos ao nos preparar para o sono, após um dia bem vivido: 
-Muito boa noite! 
 Redação do Momento Espírita. 
Em 22.9.2018.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

NOSSA LÍNGUA

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Na declaração dos Direitos do homem e do cidadão, datada de agosto de 1789, o artigo nono estabelece: 
"Todo homem é reputado inocente
 até que ele tenha sido declarado culpado." 
Por sua vez, a Proclamação dos Direitos do homem da Organização das Nações Unidas - ONU, em seu artigo onze, afirma que toda pessoa acusada de ato delituoso é presumida inocente, até que sua culpabilidade tenha sido legalmente estabelecida em processo público, no qual todas as garantias necessárias à defesa lhe tenham sido asseguradas.
Recordamos, neste dia, ambos os artigos que a Humanidade abraçou, para analisarmos uma atitude que temos, muitas vezes, adotado. 
Basta que a mídia notifique algum fato ocorrido e um possível suspeito seja apresentado para que, de imediato, tomemos a iniciativa de julgá-lo e condená-lo. 
No mesmo dia, passamos a divulgar os fatos como se verdadeiros fossem. 
Chegamos a aventar eventuais punições que deveriam alcançar a criatura. 
Não investigamos, não indagamos de circunstâncias nem de veracidade. 
Criaturas já tiveram as suas vidas destroçadas pela nossa língua, que, como afiado punhal, decepa a honra, o caráter e a vida particular de cidadãos. 
Alguns trabalhadores honestos, com digna folha de serviço, pais de família. 
Nada do que fizeram ou fazem, todos os dias, é levado em conta. 
Simplesmente abraçamos a suspeita levantada. 
Mais de uma vez, após algumas semanas ou após alguns dias, a própria mídia apresenta o verdadeiro culpado, enquanto lastima o que ocasionou ao anteriormente apontado.
No entanto, como penas jogadas ao vento, difícil se torna para todos os que nos ouviram ou acompanharam as redes sociais deixarem de lado o falado, o dito, o comentado. 
Não seria oportuno pensarmos um tanto mais a respeito do que ouvimos, vemos, lemos? 
Antes de tirarmos conclusões apressadas, não nos deveríamos permitir ao menos a dúvida inquietante, a cautela? 
Oportuno lembrar da exortação do Cristo: 
-Com a severidade com que julgardes, sereis julgados. 
E aqueloutra: 
-Atire a primeira pedra o que estiver sem pecado. 
Ao saber da tragédia da torre que desabara, asseverou: 
-E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis. 
Dessa maneira, antes de nos preocuparmos em disseminar o mal, atenhamo-nos em divulgar o bem. 
Falemos das coisas positivas, das que enobrecem e colaboram para a tranquilidade das criaturas. 
Selecionemos uma frase edificante, um trecho construtivo, um livro nobre e falemos a respeito deles. 
Tenhamos, para cada momento, em cada instante, uma palavra de alento, de bom ânimo, de otimismo. 
Assim fazendo, com certeza, teremos dado ao talento da nossa língua a melhor utilidade. 
* * * 
"A língua também é um fogo" - lemos na Epístola de Tiago.
Seria muito importante que nos perguntássemos: 
-Estou utilizando a minha língua como Jesus utilizou a dEle?
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A língua, do livro Segue-me, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. O Clarim e transcrição da Epístola de Tiago, cap. 3, vers. 6.
Em 26.01.2026 

domingo, 25 de janeiro de 2026

MUITO ALÉM DO AMOR

Tudo começou quando a administradora de empresas foi passar uns dias na cidade de Aracaju, no Sergipe e resolveu visitar um abrigo de crianças. 
No momento em que foi segurar um bebê de dois meses, que estava quietinho, ouviu uma das cuidadoras falar: 
-Ah! Esta menina não sente nada. Ela teve paralisia cerebral e é como uma boneca. 
Repudiando o comentário, Carla acalentou Marcela, cantou uma música para ela e foi colocá-la de volta no berço, quando ouviu o seu choro. 
Foi a primeira vez que a criança chorou. 
Todo mundo do abrigo começou a falar: 
-É sua filha! 
Naquele instante começava a jornada de Carla para conseguir o direito de adotar a menina que a havia escolhido como mãe.
-Tive todas as dificuldades possíveis para adotá-la e me questionavam se eu iria parar minha vida para cuidar do bebê, desabafa Carla que, depois de muitas burocracias, conseguiu adotar Marcela, que também é autista. 
Como em coração de mãe sempre cabe mais um, Carla adotou posteriormente, 
Luana, de três anos, que possui Síndrome de Down. 
Agora, o bebê da casa é Rafaela, de quatro meses, que tem hidrocefalia e mielomeningocele.
No entanto, como o amor de Carla é grande como o oceano, adotou Nadine, uma jovem que não tem deficiência, mas que ficaria sem lar se não fosse adotada após completar dezoito anos. 
A rotina da família é bastante movimentada. 
Depois de ter sua história divulgada, Carla começou a ser procurada por casais que enfrentavam dificuldades semelhantes às suas e resolveu adotar a causa deles. 
Fundou a ONG Adoção Tardia Especial - ATÉ e já acompanhou a adoção de cinquenta crianças com deficiência e HIV positivo.
* * * 
Adotar é um ato de extremado amor. 
A pessoa opta pela adoção quando os desejados filhos não aportam ao lar pela via natural. 
Nessa circunstância, é comum que alguns critérios se apresentem. 
A pessoa deseja um bebê, a fim de que o possa sentir verdadeiramente seu, desde os momentos iniciais. 
Escolhe por vezes, a cor da pele, dos olhos, o sexo e, nessa busca se empenha. 
Alcançado o objetivo, concretiza-se a adoção e a felicidade se estabelece no lar adotivo. 
Pais e filho desfrutam a feliz convivência, em bases de amor. Contudo, a adoção de crianças com deficiências físicas ou mentais, limitações severas, soro-positivas é um ato de amor incondicional.
É amar sem restrições, sem peias. 
É um sublime amor. 
Um amor feito de renúncia, cuidados e abnegação. 
E, de uma forma muito feliz, registramos não ser raro que criaturas amorosas como Carla procedam a adoções de seres que requererão cuidados e atenção especiais.
Isso nos fala desse mundo novo que se está instalando em nosso planeta azul, inaugurando uma era de doçura, desprendimento e abnegação. 
Um mundo de criaturas moldadas para amar sua família, seus amigos, conhecidos e desconhecidos. Juntemo-nos a essas fileiras!
Redação do Momento Espírita, com fato colhido no site http://www.sentidos.com.br/
Em 09.09.2011.

sábado, 24 de janeiro de 2026

DE MÃOS DADAS

Andrey Cechelero
Foi publicado no jornal. 
Foi notícia: morreram de mãos dadas. 
Setenta e três anos juntos. 
Dois corações, feito relógios antigos e precisos, resolveram parar ao mesmo tempo. 
Tic tac, tic tac, tic... 
Mas os jornais não viram e também não foi notícia, que as mãos dadas eram duas almas entrelaçadas. 
Entrelaçadas assim, feito duas nuvens brancas que desfilam e flutuam juntas no céu anil. 
Porém, que fique claro que eram duas e não uma só.
Sim, porque quando os amores são dois são muito maiores.
Essa história de “tornar-se um só” é fantasia de poeta desinformado, ou despreparado. 
Morreram de mãos dadas... 
E não guardaram seu amor a sete chaves. 
Guardaram a sete filhos, quinze netos e seis bisnetos.
Deixaram o mundo sorrindo. 
Chegaram de mãos dadas. 
* * * 
São sempre inspiradoras essas histórias de casais que vão juntos até o final da presente existência. 
Cinquenta, sessenta, setenta anos de casamento... 
O que não passaram nesse tempo!... 
E resistiram... Resistiram a tudo e a todos. 
Em alguns casos a ternura, o companheirismo são tão grandes que permanecem, literalmente, de mãos dadas, isto é, nem mesmo esse hábito precioso do toque, do contato carinhoso, foi perdido. 
Ao contrário do que muitos pensam, esses amores não nascem prontos, aliás, não existe amor que nasça pronto: todo amor surge semente para virar árvore frondosa. 
A única diferença é que, através da pluralidade das existências, sabemos que, em muitos casos, essas sementes já foram lançadas há mais tempo, em outro passado – apenas isso. 
De resto, a fórmula, o esforço, o caminho, os desafios, são os mesmos para todos. 
Quando perguntados sobre qual a receita para tanto tempo assim de amor, os termos podem até mudar, mas na essência as ideias são as mesmas. 
Sempre iremos encontrar o respeito mútuo, a admiração de um pelo outro, o companheirismo, a doação, o sacrifício, a ternura, o perdão... 
Se formos aos detalhes, esta lista feliz preencheria algumas boas linhas. 
Todas as grandes realizações da vida são construções, sejam de uma existência, sejam de várias. 
O importante é estarmos conscientes e dispostos a construir, a investir e a trabalhar. 
Sem trabalho o amor não se edifica em nossos corações. 
Os grandes amores não nascem prontos.
Em nossas relações a dois, nossa preocupação maior não deve ser a de se escolhemos a pessoa certa – embora toda escolha deva ser bem feita e revela muito sobre nossos interesses, sobre nosso caráter. 
Nossa atenção deve estar focada muito mais em construir o melhor relacionamento possível com aquela pessoa que escolhemos. 
E sabendo que a morte é apenas uma mudança de estado, os amores entenderão que, mesmo após o término deste capítulo, as mãos dedicadas e cheias de ternura poderão permanecer entrelaçadas na verdadeira vida, nos capítulos seguintes. 
* * * 
 Morreram de mãos dadas... 
E não guardaram seu amor a sete chaves. 
Guardaram a sete filhos, quinze netos 
e seis bisnetos.
Deixaram o mundo sorrindo. 
Chegaram de mãos dadas. 
Redação do Momento Espírita com citação do poema De mãos dadas, de Andrey Cechelero. 
Em 24.01.2026

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

PERFUME DE GRATIDÃO

Jovem e idealista, ela partiu de sua terra natal, a Suíça, para ajudar a reconstruir a Polônia, depois da Segunda Guerra Mundial. 
Ela assentou tijolos, colocou telhados, levantou paredes.
Depois, junto a duas outras voluntárias, que tinham conhecimentos de medicina básica, foi servir num improvisado posto médico. 
Certa noite, em que suas colegas tinham se deslocado para atender pessoas em outra localidade, ela ficou sozinha.
Tomou o seu cobertor, enrolou-se e deitou sob a luz das estrelas. 
-Nada haverá de me acordar. Estou morta de cansaço. 
No entanto, um pouco depois da meia-noite, um choro de criança a despertou. 
Ela pensou estar sonhando e não abriu os olhos. 
O choro voltou a lhe chegar aos ouvidos. 
Meio dormindo, ouviu uma voz de mulher: 
-Desculpe acordá-la, mas meu filho está doente. Você precisa salvá-lo. 
Bastou Elisabeth olhar de forma rápida para o garoto de três anos para descobrir que ele era portador de tifo.
Explicou para aquela mãe que não tinha remédio algum no posto. 
A única coisa que podia lhe oferecer era uma xícara de chá. 
A mulher cravou nela os olhos, com aquele olhar que somente as mães em desespero possuem: 
-A senhora precisa salvar meu filho. Durante a guerra, nos campos de concentração, morreram doze dos meus filhos. Este nasceu lá. Ele não pode morrer. Não agora que o pior já passou. 
Elisabeth tomou uma decisão. 
Se aquela mulher andara tantos quilômetros para chegar até ali, se ela suportara a morte de uma dúzia de filhos na guerra e ainda tinha ânimo para rogar pela vida do único que lhe restava, ela merecia todos os sacrifícios. 
Tomou a criança e, com a mãe, caminhou trinta quilômetros, até encontrar um hospital. 
Depois de muita insistência, conseguiu que o menino fosse internado. 
Mas havia uma condição: elas só poderiam retornar para saber notícias depois de três semanas. 
O hospital estava lotado e os médicos, sobrecarregados.
Elisabeth voltou para as atividades do seu posto médico e, nas semanas seguintes, até se esqueceu do garoto. 
Certa manhã, ao despertar, encontrou ao lado do seu cobertor um lenço cheio de terra. 
Abrindo-o, leu o bilhete: 
"Para a doutora um pouco 
de terra abençoada da Polônia.
A senhora salvou meu filho. 
Da senhora W."
Um grande sorriso se abriu no rosto cansado de Elisabeth. 
A mulher andara mais de trinta quilômetros até o hospital e apanhara o seu filho vivo. 
Levara-o de volta até o povoado onde vivia. 
Pegara um punhado de terra do seu chão e tornara a andar muito para deixar, quieta, sem perturbar, na calada da noite, o seu presente de gratidão. 
Elisabeth Kübler-Ross guardou aquela terra, que se tornou para ela o presente mais valioso. 
* * * 
A gratidão é perfume acondicionado no frasco d’alma. 
As criaturas o deixam exalar-se, de forma sutil, envolvendo aqueles a quem são gratas, numa aura de bem-estar. 
A gratidão, quando manifesta, é como a brisa que abençoa a tarde morna com sua presença. 
Refaz corações e aumenta a disposição para novas realizações, em prol do próximo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro A roda da vida, de Elisabeth Kübler-Ross, ed. Sextante. 
Em 23.01.2026

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

MUITAS VIDAS

Quantas vidas vivemos em uma única vida? 
A pergunta parece um tanto sem sentido, se analisada rapidamente. 
Afinal, esta vida de que dispomos parece ser única até o momento em que a concluirmos, ao morrermos. 
Porém, analisando mais detidamente, ao percebermos como a vida se mostra tão rica e diversa, talvez ela se multiplique em várias vidas. 
A riqueza de uma existência, para nossa evolução, é de tal importância que a Providência Divina estabelece etapas que vão se apresentando, de forma gradativa, no transcorrer dos anos. 
Dessa maneira, seja pelo nosso caminhar ou pelos desafios que surgem de tempos em tempos, a vida vai se transformando. 
Por quantos períodos, fases ou etapas já passamos? 
Algumas surgem naturalmente, no decorrer dos anos. 
A adolescência nos provoca desafios. 
É uma etapa, normalmente, de sonhos, de busca de si mesmo, de conquistas. 
Embrenhamo-nos no estudo, no alcançar os bancos universitários. 
E quando estamos acostumados com a rotina, atingimos a madureza. 
Tornamo-nos o profissional que precisa demonstrar capacidade, especializar-se, dominar o mercado. 
Formar a família, receber os filhos. 
Nova etapa. 
É, realmente, como se fosse outra vida. 
Situações nos levam a transferir residência, ao menos por alguns anos, para outro país, onde deveremos absorver a cultura, nos adaptarmos aos seus costumes, dominar o seu idioma. 
Os filhos, com suas necessidades de toda ordem, nos convidam, de igual forma, a alterações em nossa vida. 
E não é que parece que adentramos outra vida, em que tudo é diferente? 
Já não somos um casal, deliberando. 
São os filhos exigindo, com suas necessidades de educação, instrução. 
Assim, vão se sucedendo as etapas, as mudanças quase radicais. 
Algumas são programadas e definidas por nós. 
Outras surgem como solavancos da vida, nos apanhando de surpresa. 
Pode ser uma demissão ou uma enfermidade. 
A gravidez sem programação prévia ou a desencarnação de alguém que amamos. 
Então, rolam os anos e sorrateiramente a velhice se aproxima.
Por vezes, com limitações físicas ou mentais, estabelecendo um novo panorama, um novo ciclo. 
Todas essas situações são convites para exercitarmos aprendizados. 
Quando o aprendizado em determinada área se concluiu, a vida nos oferece outras possibilidades de crescimento. 
Afinal, reencarnar é ato de grande significado para o Espírito imortal e merece ser bem aproveitado. 
Aproveitemos cada fase. 
Se forem momentos de alegria, conquista e vitórias, vivamo-los sem nos embriagarmos pela vaidade e arrogância. 
Se as horas são de dor, de dificuldades e perdas, enfrentemo-las com fé e resignação. 
Tudo passa nesta vida. 
Passa a alegria, passa a dor, passa a dificuldade. 
Vivamos cada momento da vida com intensidade e jovialidade, sabendo que Deus nos guia sempre, pelos caminhos de nossa existência. 
As fases, são fases. Passam. 
Por vezes, podem ser mais demoradas, parecendo que nunca terão fim. 
Mas, tudo na Terra é passageiro. 
Somente o Espírito não terá fim. 
Somos imortais. 
Redação do Momento Espírita 
Em 28.05.2024.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ANTES QUE O MANTO DA SAUDADE NOS ENVOLVA...

Christopher com o pai Eric 
Ele era o mais jovem dos três filhos. 
Parecia não ter muitos compromissos com a vida. 
Gostava de sair com os amigos, brincar. 
Estudava, mas não tanto, o que era motivo constante de conversas sérias com seu pai. 
Quando não conseguiu a classificação ideal para acompanhar o irmão para a Universidade mais conceituada do país, foi uma decepção para o pai. 
Para ele próprio também. 
Se tivesse se esforçado mais, teria conseguido. 
Foi o que ouviu do pai. 
A mãe lhe disse que ele não deveria ficar tão triste consigo mesmo. 
Talvez, na Universidade que estava adentrando, algo muito especial lhe estivesse reservado. 
Afinal, somente Deus tem ciência do que está para vir. 
Ela também disse ao filho que a vida é um presente e pode ser um passeio lindo, incrível e fantástico. 
Naturalmente, nem sempre é fácil. 
Foi na Universidade que ele conheceu uma garota incrível. 
Foi amor à primeira vista, ou talvez seja melhor dizer, à segunda vista, porque ele ficou admirado no primeiro esbarrão que deu nela. 
E encantado quando aconteceu o segundo. 
Por causa dela, se tornou voluntário em uma patrulha na Universidade e até resolveu conquistar sua habilitação de motorista, para melhor auxiliar. 
Foi depois de um animado final de semana com toda a família, que ele teve um desmaio, foi levado para a emergência hospitalar e nunca mais retornou à consciência. 
Ele partiu, vitimado por um aneurisma. 
Na despedida, ante o corpo inerte do filho, o pai, entre lágrimas, externalizou os seus sentimentos: 
-Chris, como eu gostaria que você não tivesse partido. Tão pouco tempo você esteve conosco. Somente dezenove anos. Olhando para esses anos, eu me pergunto por que não usufrui mais de sua companhia. Por que perdi tanto tempo reclamando das suas notas, que poderiam ser mais altas, da carteira de motorista que você poderia ter conseguido mais cedo, da sua falta de interesse por algumas matérias? Reclamei, e reclamei. Poderia ter me servido desse tempo para olhar mais para você, descobrir a vida que brilhava em seus olhos. Olhos que se fecharam e não verei mais. Poderia ter abraçado mais você para ouvir o seu coração batendo junto ao meu. Coração que nunca mais ouvirei. Eu poderia ter feito tantas coisas. E me pergunto de que valeram tantas reclamações quando eu poderia ter vivido muito mais intensamente a sua vida, meu filho.
* * * 
A vida é curta. 
A vida é breve, é impermanente. 
Hoje estamos aqui e, logo mais, poderemos ser convidados a tomar da bagagem das nossas conquistas pessoais e partir para o Grande Além. 
De igual forma, os que amamos. 
Então, agora, se estamos ao lado de quem amamos, aproveitemos para dizer como essa pessoa é importante, como lhe queremos bem, como ela faz a grande diferença em nossa vida. 
Agora, enquanto é tempo e estamos lado a lado, digamos ao nosso cônjuge, ao nosso filho, ao nosso amigo, que o amamos. 
Repitamos isso amanhã, depois e depois. 
A cada manhã, a cada despertar, a cada aperto de mão, a cada abraço, a cada hora. 
Usufruamos o convívio enquanto estamos a caminho. 
Antes que somente a saudade seja o manto que nos envolva.
Redação do Momento Espírita, inspirado no filme Dois corações. 
Em 21.01.2026

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AS MUITAS PORTAS

A religiosidade é um sentimento que nos conecta ao Divino, aquece nossos corações e preenche nossas almas de paz. 
A busca por perfeição e plenitude a que estamos destinados, transcendendo o mero fato de existir, confere dinâmica e significado para nossas vidas. 
Desde que começamos a manifestar os rudimentos de consciência sobre nós mesmos e as coisas ao nosso redor, intuímos a existência de um Ser Superior. 
Esse sentimento, que nos é inato, provém das Leis Divinas insculpidas em nossa consciência. 
Por isso, jamais se encontrou um povo que não acreditasse num Ser Supremo, dotado de qualidades superiores. 
Nessa busca de união com o Criador, cultuamos a natureza e seus fenômenos: o sol, a lua, as estrelas, o raio, o trovão, as montanhas. 
Criamos muitos deuses, abraçando uma fase politeísta e mitológica, chegando, por fim, ao monoteísmo. 
No princípio, concebemos um Deus antropomórfico, ou seja, à nossa semelhança, detentor das nossas mesmas qualidades e defeitos. 
Somente com a vinda de Jesus fomos apresentados ao Deus Pai, ao Deus amor, soberanamente justo e bom. 
Exatamente esse Pai de amor, para facilitar que cheguemos a Ele, porque somos diferentes em intelecto e moral, nos oferece inúmeros caminhos. 
Ou, se preferirmos, múltiplas portas. 
Embora possam ter formatos diferentes, todas as que pregam o amor, a caridade, a humildade e o perdão nos convidam à conexão com o Divino. 
Para alguns de nós, a porta que mais nos toca o coração tem as cores da disciplina e do irrestrito cumprimento dos mandamentos da crença que abraçamos. 
Outros nos sensibilizamos com a filosofia, com a ciência, a fé raciocinada. 
Apreciamos os princípios que nos apresentam a multiplicidade das experiências corporais, a comunicação com os seres que partiram. 
Algumas crenças pregam a salvação pela graça; outras, pelo exercício da caridade - o amor em ação -, manifestado no contínuo esforço de autoaperfeiçoamento. 
Deus a todos acolhe, não importando a porta que adentremos para encontrá-lO. 
Ele lê o que está escrito em nossos corações mais do que ouve o que pronunciam nossos lábios, pois a estrada que a Ele conduz é pavimentada pelo bem que fazemos. 
* * * 
Façamos da nossa busca pela Divindade uma sinfonia de paz e fraternidade com todos os que estão ao nosso redor. 
Não permitamos que o preconceito de qualquer ordem nos prejudique a caminhada, junto a todos os demais filhos de Deus. 
Deus é único, misericordioso, justo e bom, e nos criou a todos para a mesma espetacular destinação: a perfeição. 
E, enquanto nos encontramos a caminho, atravessando portas variadas, rumando por estradas de Terra, bordadas de flores ou de cascalho ou sobre impecável tapete asfáltico, segue-nos com Seu olhar. 
Não importa em que idioma a Ele nos dirijamos, como o louvemos ou em que posição a Ele dirijamos nossas súplicas, a todos atende de igual forma. 
E a todos nos aguarda, como o Pai saudoso, estendendo o olhar na distância, para acolher todos os Seus filhos.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.05.20

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

COLHEITA DA GRATIDÃO

Tratava-se de um Congresso Estadual. 
As pessoas chegavam de todas as bandas e os largos corredores de acesso ao auditório principal se apresentavam movimentados. 
Pequenos grupos se formavam, aqui e ali, onde abraços e risos se misturavam, percebendo-se que se tratava de reencontros de amigos. 
Amigos de cidades diferentes, de outros Estados que novamente se encontravam. 
A expectativa, para a sessão de abertura, era de dez mil pessoas. 
Os voluntários estavam em toda parte: na recepção, no setor de informações, nas livrarias, onde grande era igualmente a movimentação. 
Uma senhora conversava, animada, com amigos, quando se aproximou um dos voluntários, pedindo-lhe ajuda para uma das livrarias. 
O movimento se fizera de tal intensidade que os atendentes precisavam de um apoio extra. 
Feliz por servir, a senhora logo se postou atrás do balcão.
Entre sorrisos e cumprimentos, a um indicava o lançamento mais recente em livro, CD e DVD. 
A outro, esclarecia a respeito do conteúdo do produto que tinha em mãos. 
Vendia, acondicionava em sacolas e entregava a mercadoria.
Bastante conhecida, detinha-se a brincar com um ou outro dos que se achegavam para tomar ciência das novidades editoriais. 
Então, alguém lhe perguntou: 
-Poderia me dizer se, há uns catorze anos, a senhora esteve na Maternidade Y, a visitar algum parente seu? 
A pergunta surpreendeu a voluntária. 
Contudo, consultou os arquivos da memória e respondeu de forma afirmativa. 
Há catorze anos, pelo período de trinta dias, estivera, muitas vezes, na citada Maternidade. 
Sua sobrinha nascera prematura e estava no Centro de Terapia Intensiva Neonatal. 
E concluiu: 
-Desculpe-me, mas por que a pergunta? 
Então, entre a emoção mal contida, os olhos marejados de lágrimas, disse a indagante: 
-Eu nunca soube seu nome. Mas jamais esqueci seu rosto. Fico muito feliz em encontrá-la, agora e poder lhe agradecer.
E, ante o surpreso silêncio, ela continuou: 
-Eu sou aquela mulher que a senhora viu a chorar na recepção. Sem me conhecer, notando meu desespero, se aproximou de mim e perguntou: “Por que chora tanto? O que aconteceu?” E eu contei sobre a doença do meu filhinho de poucos meses, do pavor de perdê-lo, da dor de ter que deixá-lo hospitalizado, das tantas incertezas da minha alma de mãe ansiosa. Então, a senhora me envolveu em um abraço terno e me disse: ”Confie em Deus. Entregue seu filho aos cuidados dEle. Ore, acalme-se e guarde a certeza: seu filho ficará bem.” E eu me acalmei, ao influxo das vibrações que recebi do seu abraço. Orei, esperei. E meu filho aí está, prestes a completar seus quinze anos. Por isso, por aquele dia ter acalmado o desespero de uma estranha, eu lhe agradeço. A partir de hoje, tenho um nome para guardar em gratidão. 
Um abraço prolongado encerrou a narrativa. 
A senhora sequer lembrava do fato mas, em sua intimidade, agradeceu a Deus pela felicidade de colher flores no seu caminho. 
Flores de gratidão de uma estranha, guardadas há pouco mais de catorze anos. 
Verdadeiramente, pensou, o bem faz bem a quem o realiza
Redação do Momento Espírita, com base em fato. 
Em 19.01.2026

domingo, 18 de janeiro de 2026

MUITAS MORADAS NA CASA DO PAI

O Evangelista João registrou, em seu evangelho, as palavras do Cristo, na noite de despedida, pouco antes de se dirigir ao Jardim das Oliveiras, onde seria preso. 
São palavras de uma grande esperança, um acenar de bênçãos: 
-Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fora, já eu vô-lo teria dito. 
Numa época em que sequer se cogitava da existência de outros planetas, em que as estrelas eram simplesmente pontos luminosos para alumiar a noite, o maior Cientista, que a Terra já conheceu, falou de outras habitações, na Casa do Pai, que é o Universo. 
Desde então, passamos a contemplar os céus, até onde nossos olhos possam alcançar, pensando onde estaremos nos próximos milênios. 
Em que planeta, em que sistema solar, haveremos de nos encontrar, depois de vários séculos? 
Ficamos a cogitar como serão esses outros mundos, naturalmente superiores àquele em que vivemos.
Mundos que poderemos habitar, após ter adquirido todo o progresso que essa bendita Terra nos permite. 
As informações espirituais nos falam de mundos em que as condições da vida moral e material são muito diversas das que conhecemos em nosso planeta como por toda parte, a forma corpórea é sempre a humana, mas embelezada, aperfeiçoada. 
O corpo já não tão material quanto o que possuímos, na Terra, ainda de provas e expiações, não estará mais sujeito às necessidades, nem às doenças tão próprias da matéria de que nos revestimos. 
A locomoção, por conseguinte, será mais rápida e fácil. 
Em vez de nos arrastarmos penosamente pelo solo, deslizaremos, pela superfície, bastando o esforço da vontade.
Algo que vemos, vez ou outra, retratado em filmes ditos de ficção científica. 
Não seria o anúncio do que alguém intuiu? 
Afinal, somos apenas Espíritos emigrando de um planeta a outro, dentro das condições evolutivas de que sejamos portadores. 
Nesses mundos venturosos, as relações, sempre amistosas entre os povos, jamais são perturbadas pela ambição, da parte de qualquer deles, de escravizar o seu vizinho, nem pela guerra que daí decorre. 
Não há senhores, nem escravos, nem privilegiados pelo nascimento. 
Somente a superioridade moral e intelectual estabelece diferença entre as condições de uns e outros. 
A autoridade merece o respeito de todos, porque somente ao mérito é conferida e se exerce sempre com justiça. 
São desconhecidos o ódio, os mesquinhos ciúmes, as cobiças da inveja. 
Um laço de amor e fraternidade prende uns aos outros todos os homens, ajudando os mais fortes aos mais fracos.
Possuem bens, em maior ou menor quantidade, conforme os tenham adquirido, mais ou menos por meio da inteligência.
Ninguém, todavia, sofre, por lhe faltar o necessário. 
Numa palavra, nada de mal existe nesses mundos.
Deus nos permita possamos, em tempo não muito distante, conhecer as venturas desses mundos superiores, nos quais continuaremos a realizar a nossa escalada evolutiva.
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. III, itens 1, 9 e 10 de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 10.07.2020.

sábado, 17 de janeiro de 2026

MUITAS FORMAS DE LOUVAR AO SENHOR

Clóvis Tavares
Louvar a Deus pode significar o ato de glorificar, adorar ao Criador.
Também a demonstração de reverência e amor ao Todo Poderoso. 
De um modo geral, quando se menciona louvor a Deus, a mente nos remete a religiosos enclausurados em conventos e mosteiros, que dedicam sua vida a cantar hinos, à meditação e preces.
Entretanto, ao nos reportarmos à prece, verificamos que é louvor, pedido e agradecimento. 
Será possível ao homem comum, com família, profissão, tantos deveres a atender, externalizar louvor ao seu Criador?
Recordamos de um criado que vivia na abadia de Whitby, na Inglaterra, no século VII. 
Era um homem dócil, silencioso e desajeitado. 
De canto, por exemplo, não tinha a menor noção. 
Quando chegava a hora de cantar, nos dias de festa, temeroso de que o convidassem, deixava o recinto e ia se trancar no seu quartinho. 
Certo dia em que a abadessa convidou as freiras para os cânticos sagrados, o humilde servidor se afastou, tímido, do refeitório e se dirigiu ao estábulo da abadia... 
Sentou-se em um monte de feno, pensando na sua incapacidade para cantar os hinos sacros. 
Entristecido com a própria insignificância, adormeceu e sonhou. 
Sonhou que um homem, formoso e imponente, lhe aparecia no estábulo. 
Olhava-o com ternura, e, sorrindo, insistia para que ele cantasse. 
-Tu podes, Cedmon!-dizia o homem-Canta a obra da Criação! 
Cedmon começou a cantar, como jamais fizera. 
Quando estava para terminar, acordou. 
Impressionado com o que sonhara, lembrando-se de todos os detalhes, terminou o hino. 
Com toda a simplicidade, procurou a abadessa e lhe contou o ocorrido, repetindo-lhe a composição. 
Ao ouvi-lo, a abadessa lhe disse que ele recebera de Deus um dom especial para a poesia.
E lhe deu algumas passagens da Bíblia para que ele compusesse versos. 
Tão bem ele se desincumbiu da tarefa, ao fim do dia, que ela o colocou num mosteiro, como monge, para que se desse ao estudo das escrituras. 
Cedmon se tornou o autor das mais antigas poesias escritas em língua inglesa. 
Seus versos eram de uma força desconhecida. 
A doçura, mais o poder de expressão, davam-lhe um toque celestial. 
Ele encontrara uma forma diferente de louvar ao Senhor.
* * * 
Há muitas formas de louvar ao Criador de todas as coisas.
Pode-se orar, enaltecendo as tantas bênçãos ofertadas, diariamente, pelo Pai de bondade. 
Pode-se compor versos expondo a beleza da natureza; ou peças musicais, que embevecerão corações, unindo-os ao louvor. 
Pode-se gravar em uma tela, com a maestria de quem domina a arte da pintura, o encanto de uma paisagem, um pôr de sol em cores laranja, vermelho e ouro. 
Pode-se utilizar a arte da fotografia para deter digitalmente o alvorecer de um dia de luz, um pinheiro solitário à beira do caminho, distribuindo pinhas a aves e homens. 
Pode-se servir da cinematografia e oferecer ao mundo êxtases de beleza, unindo fotografia, animação, música. 
Sim, há muitas formas de louvar ao Criador incriado, ao Pai de todos nós. 
Louvar é divulgar, mostrar, anunciar, propagar, publicar o que é belo, grandioso no mundo: plantas, árvores, animais, seres humanos. 
A grandiosidade da vida. 
Pensemos nisso e optemos pela melhor forma de louvarmos a Deus, nosso Pai, gratos pela vida que nos foi dada a viver.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 11, do livro Mediunidade dos santos, de Clóvis Tavares, ed. IDE. 
Em 05.02.2015.