sexta-feira, 20 de março de 2026

O PAI AO PÉ DA CAMA

Ela sempre teve pesadelos noturnos. 
Os sonhos ruins atrapalhavam as noites. 
Acordava assustada uma, duas, três vezes. 
Assim foi enquanto era menina e depois, quando chegou na adolescência.
E ela nunca conseguiu dizer o que perturbava tanto o período noturno. 
A única coisa que solucionava, que resolvia o problema dos pesadelos, era a presença da mãe ou do pai. 
Ela os buscava no quarto, quase sonâmbula, pegava-os pelas mãos em silêncio, e os conduzia até o seu quarto. 
Eles a abraçavam, faziam breve oração, diziam para ela pensar em um lugar bem bonito onde desejava estar, e a colocavam de volta na cama. 
Um gesto, porém, era bastante curioso, e durou anos. 
A menina simplesmente apontava para os pés da cama como a dizer: 
-Fiquem um pouquinho comigo ali. 
Eles entendiam e ficavam. 
Bastava uns cinco minutos. 
A resposta vinha imediata. 
Ela se deitava, fechava os olhos, e uns segundos depois os abria, como que a espiar para saber se o pai ou a mãe ainda estava ali. 
Quando identificava um deles, nascia um sorriso sem igual, um sorriso de Agora está tudo bem. 
A respiração se normalizava, o sono se restabelecia e tudo voltava à paz. 
Bastava ela saber que o pai ou a mãe permanecia ali, aos pés da cama. 
* * * 
Isso é muito simbólico. 
Não porque tenhamos pesadelos e acordemos assustados pedindo ajuda, mas pela questão da confiança. 
A figura dos pais ao pé da cama representa a vigilância, a guarda, a certeza de que nada nos fará mal, pois eles estão velando. 
Na vida adulta, essa figura ainda existe, representada por nosso Espírito protetor, que é também uma mãe ou um pai, que é um amigo ou uma amiga querida presente em nossos dias. 
Mais ainda, a figura dos pais ao pé da cama é também a confiança que devemos construir em Deus, nosso Pai Maior.
Ele está sempre conosco, embora não O sintamos na maioria das vezes, por estarmos nas batalhas dos pesadelos, sem poder abrir os olhos. 
Falta-nos despertar, buscá-lO pelas mãos e pedir Seu auxílio.
Ele nunca nega ajuda a quem lha pede. 
O Pai aos pés da cama nos ouve com paciência. 
Poderá ser invocado diversas vezes à noite e nunca irá reclamar. 
Sempre nos atenderá com a mesma boa vontade e paciência. Contemos com Ele. 
Contemos com a figura de nosso Espírito protetor.
Conversemos mais com esse Espírito amigo que assumiu missão tão grandiosa. 
Perguntemos, peçamos e tenhamos a sensibilidade e a humildade de ouvir as respostas, mesmo que não sejam aquelas que desejaríamos. 
Lembremos que nosso anjo de guarda e nosso Pai Maior não são gênios da lâmpada, ou serviçais que existem apenas para atender nossos três desejos ou caprichos. 
Eles nos conhecem. 
Eles nos viram nascer, sabem das nossas necessidades.
Sabem o que é manha e sabem o que é carência. 
Sabem o que é real ou apenas passageira ilusão de nossa parte. 
Mas, no que diz respeito aos pesadelos, aos medos e aos enfrentamentos, podemos contar sempre com eles, ali, ao pé da cama, nos dizendo: 
-Fique tranquilo. Você não está sozinho. Estamos com você.
Redação do Momento Espírita 
Em 20.03.2026

quinta-feira, 19 de março de 2026

SURPRESAS NUMA CARTA

Tanto se fala a respeito da gentileza. 
Livros são escritos, vídeos são postados. 
Quando paramos, em uma dessas tardes de tempo para amar, e trocamos confidências sobre gestos de gentileza que nos alcançaram um dia, refazendo nosso ânimo, descobrimos exemplos extraordinários. 
Paulo, um amigo, contou que, recém-saído da Escola Técnica de Indústria Química, foi estagiar na capital pernambucana.
Saindo do Rio de Janeiro, ele e o colega Jair foram procurados pela vizinha para que levassem, em mãos, uma carta a seus parentes. 
Nenhum dos dois questionou por que ela não postou a carta, enviando pelos correios. 
Afinal, eles chegariam numa cidade desconhecida e teriam de procurar o tal endereço para a entrega. 
Deliberados a se desincumbirem da tarefa, se apressaram, tão logo chegaram a Recife, a entregar a encomenda. 
A surpresa veio exatamente na recepção da correspondência pela família.
A carta era uma apresentação dos dois jovens estudantes, acrescida do pedido para que fossem auxiliados da melhor maneira possível. 
As portas daquela casa se abriram, de imediato. 
Eles poderiam ficar hospedados ali, pelo tempo que necessitassem. 
Ambos aceitaram e permaneceram naquele lar por muitos meses. 
Finalizando o estágio, Jair retornou à sua cidade. 
Paulo somente deixou aquela casa quando se casou, anos mais tarde. 
Relata ele que, até hoje, lembrando da gentileza daquela família, se emociona. 
Uma família que acolheu dois estranhos. 
E uma vizinha que os recomendou aos seus próprios parentes. 
Narrando o fato, ele mesmo nem se recorda que também se dispôs, junto com seu colega, a ser gentil entregando uma correspondência que poderia ter seguido por via postal.
Gentileza verdadeira é assim, espontânea, nem percebida por quem a oferece. 
* * * 
A gentileza é muito mais do que um simples ato de cortesia. 
É uma força capaz de catalisar mudanças profundas, tanto em quem a oferece quanto em quem a recebe. 
Quando surge, pode até surpreender aquele que é alvo dela.
Chega, por vezes, a alterar o rumo de sua vida. 
Em um mundo cada vez mais acelerado e muitas vezes frio, um gesto de atenção e empatia se torna um bálsamo para a alma, quebrando barreiras de indiferença. 
Pequenas ações, que podem ir de um sorriso sincero, uma palavra de apoio ou a simples escuta atenta até as que auxiliam em profundidade, criam uma onda de positividade que se espalha de forma contínua. 
Ela não exige recursos financeiros. 
Somente riqueza de espírito e a decisão consciente de ter olhos de ver. 
Olhos de perceber a dificuldade que alguém atravessa e se dispor a auxiliar. 
Não importa quem seja. 
Porque a gentileza não indaga de procedência, de crença religiosa, político-partidária ou qualquer detalhe da vida.
Simplesmente, ao se apresentar, ela estabelece a construção de um ambiente mais harmonioso, pavimentando o caminho para uma sociedade verdadeiramente mais humana e, por consequência, transformadora. 
A gentileza não é um ato isolado. 
É a semente diária que plantamos para colher um futuro mais humano e radiante. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.03.2026

quarta-feira, 18 de março de 2026

MUNDO DIGITAL

A cena é comum nos dias de hoje: reuniões sociais e profissionais, nas quais as pessoas ficam grande parte do tempo conectadas aos seus telefones móveis. 
Quando chegam aos lugares, vão logo depositando à mesa o acessório e a partir daí, fica dividida a atenção. 
É um olho no ambiente e outro na tela do aparelho. 
Parece até que tem um poder magnético, pois as pessoas são capazes de olhar mais para ele do que umas para as outras.
Estando sozinhos, a impressão que se tem é que o referido instrumento é capaz de fazer companhia ao indivíduo, substituindo a presença física de um amigo. 
Quando funcionavam simplesmente como telefones não eram tão invasivos, mas hoje o seu uso está muito ampliado. 
Na ânsia de nos mantermos conectados com o mundo, por vezes, nos esquecemos de quem está ao nosso lado.
Priorizamos a necessidade de receber uma notícia importante, de enviar ou receber alguma mensagem ou fazer consulta para esclarecer dúvidas. 
São os novos hábitos sociais. Infelizmente, eles partem as pessoas ao meio. 
Metade do indivíduo fica presente e a outra metade fica ligada ao aparelho e a tudo que ele proporciona. 
Temos consciência de que todo progresso tecnológico, quando empregado para o bem, traz alegria e conforto à humanidade. 
São muitas as facilidades que essa nova tecnologia nos possibilita e abrir mão delas está fora de questão. 
A reflexão é no sentido de utilizá-la da forma mais conveniente, com moderação e respeito aos que nos cercam.
É certo que esses aparelhos, que estão facilmente ao nosso alcance, nos trazem informações necessárias. 
Mas, devemos ter cuidado para que eles não interfiram em momentos fundamentais aos relacionamentos. 
Estejamos atentos à forma como temos utilizado esses recursos. 
Não deixemos jamais de valorizar a companhia de quem está ao nosso lado, de olhar nos olhos durante um diálogo, de escutar o outro com atenção, de se fazer presente e curtir o momento em que estamos vivendo essa ou aquela situação.
Procuremos não dar maior importância a esses aparelhos, em detrimento da atenção que possamos oferecer a quem está próximo de nós.
Os momentos passam e não voltam. 
Todos eles são importantes para fortalecer os vínculos afetivos que existem nos relacionamentos. 
As mensagens, pesquisas, informações e tudo mais, muitas vezes, podem esperar. 
* * * 
Qualquer processo de reeducação é sempre mais trabalhoso do que a educação pura e simples, pois implica em deixarmos hábitos enraizados e substituí-los por outros. 
Se já nos deixamos levar por esses costumes inadequados, busquemos modificá-los. 
Nesta época de tecnologia avançada e de cibernética, trabalhemos em nós mesmos a capacidade de vivenciar integralmente os relacionamentos pessoais. 
Busquemos desligarmo-nos do que está distante para valorizarmos e nos ligarmos verdadeiramente em quem está conosco aqui, agora. 
Aproveitemos cada minuto com os amores, os afetos. 
Isso é insubstituível e poderá não se repetir.
Pensemos nisso: o momento é agora, enquanto estão conosco. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.08.2012.

terça-feira, 17 de março de 2026

O NOVELO DE LÃ

Quando o novelo de lã despencava da cama era uma festa!
Todos parávamos o que estávamos fazendo imediatamente.
A tv, o videogame de mão, o desenho, a tarefa da escola, tudo era menos importante a partir daquele momento. 
Agora era ele, o novelo, o centro das atenções. 
Para onde ele iria correr? 
Que caminho iria escolher? 
Que desenho a linha faria no chão até, finalmente, parar?
Minha avó achava graça, de toda graça que fazíamos. 
E como demorávamos para devolver a bola de lã! 
Ela andava por tudo! 
Com uma certa ajuda, é claro. 
Passava por debaixo da cama, por detrás da cortina, por cima do televisor. 
Uma vez ela foi parar no lustre, vejam só! 
Que danada! 
E minha avó ali, recostada no baú de madeira da cama, que lhe servia como cabeceira, com as duas agulhas na mão, só esperando a bagunça terminar. 
Sabe… hoje penso que esse novelo caiu tantas vezes... que não pode ter sido só acidente… 
Acho que ele foi “derrubado” deliberadamente, assim, quase sem querer, só para ser motivo de alegria entre nós. 
Essa vó… que sabida! 
* * * 
Vivemos tempos de individualismo. 
Afastamo-nos uns dos outros. 
Os aparelhos, que cabem na palma da mão, nos entregam o mundo. 
Então, os olhos não desgrudam das telas. 
Será que nos oferecem mesmo o mundo? 
Será que tudo que precisamos está ali? 
Será que uma conversa por texto ou mesmo áudio é capaz de substituir um olhar? 
Ou um abraço? 
O que irá substituir, dentro deste mundo digital, o poder de um abraço? 
Não é possível que tenhamos aceitado isso tudo, tão facilmente. 
Não há o que substitua uma brincadeira com uma avó, uma caça a um novelo de lã que é jogado de lá para cá, e umas boas risadas. 
Não há o que substitua o afeto da presença física, do olhar, do abraço, do mesmo espaço físico. 
O coração registra lembranças. 
Esse registro constrói um legado dentro de nós. 
Esse legado vai moldando o que chamamos felicidade. 
Será que não sentimos falta desses momentos simples, íntimos, quase bobos, que nos divertiam tanto? 
Falta tempo? 
Ou falta vontade e oportunidade? 
Tempo, não. Pois, quando desejamos fazer algo que realmente queremos, damos sempre nosso jeitinho. 
Vontade e oportunidade estão em nossas mãos. 
Vontade é uma potência de nossa alma. 
Oportunidade é criada e não esperada. 
Existem muitos que resgatam jogos para serem partilhados em família, pequenas atividades em grupo, divertidas, que envolvem todos e ainda por cima relaxam. 
Piqueniques inesperados, passeios ao ar livre, convites-surpresa. 
Pensemos: o que podemos fazer? 
Por vezes, lembranças da infância nos serão boas inspirações. 
Precisamos de momentos a sós, sim, mas evitemos o isolamento excessivo. 
Tenhamos muitos outros momentos juntos, partilhados, colaborativos. 
Aprendamos a apreciar, a curtir, sem olhar no relógio, sem a ansiedade de se estar com a alma em outro lugar. 
Corramos atrás de nossos novelos de lã, sem vergonha de sermos crianças novamente, sem medo de fazermos feliz a criança que ainda mora em todos nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 17.03.2026

segunda-feira, 16 de março de 2026

MUNDO DE IRMÃOS

Cinco de maio. 
Mukhtar, um somaliano residente em Copenhagen, na Dinamarca, se ergue pela manhã e comparece ao serviço.
Ele é motorista de ônibus. 
Tudo parece normal, como todos os dias. As pessoas entram, saem, o ônibus faz as paradas devidas. 
E é justamente numa dessas que, entre outros, entra um jovem vestindo o mais fino traje a rigor. 
Na mão, um instrumento de sopro. 
Coloca-se em lugar estratégico do ônibus e toca. 
O motorista olha pelo espelho e continua sua rota. 
Então, uma mulher começa a cantar. 
É uma música que, com certeza, fala de felicidades, de dia de aniversário. 
Mukhtar sorri agora, abrindo a boca, mostrando os dentes alvos. 
É o dia do seu aniversário. 
Outras vozes se unem à primeira e também cantam. 
A viagem prossegue. 
Então, ao entrar em determinada via, ele se depara com uma marcha de protesto. 
Bom, não dá para ele saber com exatidão contra quem ou o que eles protestam. 
As pessoas, jovens, homens, mulheres, estão de costas para ele.
Portam cartazes, que ele não consegue ler. 
Eles gritam palavras de ordem, erguendo os punhos. 
Mukhtar sabe que deve ter cuidado. 
Avança devagar, aproxima-se delas e pede passagem buzinando. 
A marcha continua imperturbável na sua manifestação. Ele torna a buzinar. 
Aí, o inusitado acontece. 
Todas aquelas pessoas se voltam de frente para ele. 
Os cartazes agora estão virados para ele e o saúdam pelo seu aniversário. 
São felicitações. 
Todos cantam, sorriem. 
O ônibus para. 
Não há como prosseguir. 
Entre a surpresa e a emoção, o motorista abre a porta do veículo. 
Um homem vem ao seu encontro, o abraça e lhe entrega flores. 
Outros lhe oferecem presentes. 
Mukhtar disfarça as lágrimas da emoção que o toma por inteiro. 
Algumas daquelas pessoas são passageiros habituais da sua linha de ônibus, outras se encontravam na rua e foram convidadas a participar da homenagem ao aniversariante.
Tudo organizado pela empresa de ônibus que o emprega.
Uma empresa que lembrou que aquele somaliano, vivendo distante de sua terra, de sua gente, apreciaria uma manifestação de alegria e de afeto, no dia do seu aniversário.
* * * 
Enquanto houver pessoas que se preocupam em ofertar momentos de alegria a outras pessoas; enquanto houver tempo para manifestações de afeto; enquanto um empresário se lembrar de parabenizar seu funcionário pelo seu aniversário, pelo filho que lhe nasceu, pelo diploma que conquistou, tenhamos certeza: o mundo está melhor.
Enquanto alguns ainda se comprazem em prejudicar o seu irmão ou se mostram indiferentes à dor alheia, acreditemos: há um número expressivo de pessoas que se importam com o seu semelhante. 
Pessoas que se sentem felizes em propiciar felicidade a outros. 
Mesmo que isso possa ser somente cantar uma canção de aniversário, ofertar um abraço, tocar uma música, aceitar participar de uma homenagem a um servidor de todos os dias.
Pensemos nisso e vibremos e nos unamos a tais pessoas, engrossando a fileira dos que mentalizam o bem, fazem o bem e materializam, dia a dia, um mundo de irmãos, um mundo de amor. 
Redação do Momento Espírita, com dados colhidos na Internet. 
Em 06.12.2011.

domingo, 15 de março de 2026

UM MUNDO DE CORES E BÊNÇÃOS

É comum reclamarmos do mundo, das coisas que observamos acontecer, das tantas tragédias provocadas pelo próprio homem. 
Quase sempre, nossa visão acanhada toma ciência das maldades cometidas pelo homem e dizemos que o mundo vai muito mal. 
Ouvimos falar de crimes hediondos, de corrupção em vários níveis, de tantos que desafiam a lei do respeito e da cidadania e dizemos que está tudo perdido, mesmo. 
Os anos se somam acumulando séculos e o homem continua lobo do próprio homem. 
Por vezes, chegamos até a duvidar que nossas atitudes corretas possam vir a produzir qualquer diferença positiva para cenário tão triste. 
No entanto, é bom que consultemos a História. 
É bom relembrar como éramos no ontem das nossas existências. 
Lembrar das mulheres que eram consideradas coisa alguma.
Recordar que a mulher era tida como propriedade do pai, depois do marido, que sobre seu destino decidia sem contestação da sociedade, ou de qualquer lei que lhe pudesse garantir direitos. 
Recordar que crianças bastardas tinham direito algum, podendo se lhes dar o destino que bem se quisesse. 
Olhemos para nosso mundo hoje. 
Sim, ainda pleno de equívocos, de maldade, até mesmo de crueldade. 
No entanto, basta que uma tragédia se instale em algum local do planeta e todos se irmanam em donativos, em auxílio, em voluntariado para saciar a sede, a fome dos envolvidos. 
O ser humano tem seu direito à vida assegurado. 
As mulheres conquistaram um largo espaço, podendo frequentar a escola, ilustrar suas mentes, tornando-as ainda mais brilhantes. 
Sim, há muito mal na Terra. 
Contudo, a soma de bens sobrepuja o que ainda persiste. 
A dor é socorrida com a anestesia e o medicamento. 
Doenças consideradas incuráveis são combatidas, ferozmente. 
A higiene é propalada como indispensável condição para a saúde e dignidade da vida. 
Sim, com o Apóstolo Paulo podemos afirmar que não somos perfeitos, que muito deve ser conquistado e melhorado mas graças a Deus, já somos o que somos. 
Seres que se importam com o outro, que batalham por leis sempre mais justas, pela proteção do ser humano, desde o ventre materno. 
Por leis que assegurem a educação plena a todos, o direito ao teto e ao pão, leis que digam da correta remuneração a quem trabalha. 
Das aristocracias do passado marchamos para a verdadeira aristocracia, a do mérito, ajustando-nos ao preceito evangélico: A cada um segundo as suas obras. 
Obras de construção, de amor, de engrandecimento. 
Com certeza, ainda é duro o mundo quando a impiedade nos alcança, quando os maus agridem, quando nos sentimos acuados pela desonestidade e pela ironia. 
No entanto, avançamos, rumo ao Alto. 
Estamos melhores hoje. 
Somos melhores hoje. 
Guardemos essa certeza e continuemos a crescer para a luz.
Somos filhos da Luz, nos disse o Mestre. 
Iluminemos o mundo com nossa luz. 
Luz da compreensão, luz que ampara o caído, que socorre quem errou, que estende a mão ao que resvala pelo caminho.
Somos seres humanos. 
Comportemo-nos como tal, amando-nos uns aos outros.
E, de mãos dadas, rumemos para a angelitude. 
Ela pode estar bem próxima de nós, se quisermos. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.06.2022.

sábado, 14 de março de 2026

QUANDO A PERSISTÊNCIA VIRA COMBUSTÍVEL

Sabrina Gonzalez Pasterski
Em um bairro comum de Chicago, enquanto outros adolescentes aprendiam a dirigir, uma jovem trabalhava com rebites, planos e motores. 
Ela dispunha de uma garagem, ferramentas emprestadas e uma obstinação silenciosa em entender como o mundo decola. 
Seu nome era Sabrina Gonzalez Pasterski
Tinha quatorze anos quando construiu, completamente sozinha, um avião monomotor funcional. 
Desenhou-o, montou-o peça por peça e o pilotou.
Postou o vídeo na internet como quem guarda provas, não como quem procura aplausos. 
Enviou sua candidatura ao Instituto de Tecnologia de Massachussetts. 
Era latina, cubano-americana de primeira geração, vinda de escolas públicas, sem ligações herdadas, sem sobrenome influente. 
Ela era extraordinária, mas o Instituto não a aceitou. 
Ela se sentiu despedaçar porque todo o seu sonho tinha sido construído em volta daquele lugar. 
Não era só uma faculdade. Era a porta. 
Seu instrutor de voo alertou dois professores do instituto, que viram uma adolescente pensar como engenheira, trabalhar como mecânica e voar como piloto. 
Eles viram potencial. 
Levaram o vídeo para as admissões. 
E, dessa vez, a porta se abriu. 
Ela se graduou em apenas três anos, com a maior pontuação possível. 
Foi a primeira mulher em duas décadas a formar-se como melhor estudante de física. 
Estagiou na NASA. 
Foi para Harvard. 
Estudou buracos negros, gravidade quântica e a própria estrutura do espaço-tempo. 
Aos vinte e cinco anos, Stephen Hawking citou seu trabalho.
Não como promessa. 
Como referência. 
Chegou a ser comparada a Einstein. 
Aos vinte e sete anos, chegou ao corpo docente no Instituto Perimeter de física teórica no Canadá, um dos centros de física teórica mais importantes do planeta. 
Toda vez que ensina, cada vez que posta, cada vez que acompanha um aluno, deixa a porta um pouco mais aberta para quem vem atrás. 
Para a próxima garota latina. 
Para o filho de imigrantes.
Para quem se atreva a querer o Universo sem pedir permissão. 
O Instituto de Tecnologia não a considerou no início. 
Ela o obrigou a olhar de novo. 
E fez algo mais importante do que ingressar. 
Fez história. 
* * * 
Alguns de nós, ante os reveses, ante os tantos nãos recebidos e as portas que se fecham, desanimamos. 
Os que acreditamos no próprio potencial e temos a firmeza do ideal estampada na vontade, insistimos. 
Isso nos levará a alcançar patamares jamais imaginados e abrir sulcos na terra do sucesso para que outros nos sigam. 
O exemplo de Sabrina demonstra que mesmo a inteligência mais brilhante exige o motor da persistência para traduzir o potencial em descoberta. 
Sua persistência não é apenas a recusa em desistir. 
É a capacidade de sustentar um nível extraordinário de foco e autodisciplina em busca de uma meta que transcende o sucesso pessoal e busca o avanço do conhecimento universal. 
Uma história que merece se tornar exemplo a quantos nos permitimos sonhar com o deslindar de mistérios do imenso Universo de Deus. 
Conhecer, avançar, crescer ao infinito porque, afinal, fomos criados à Sua Imagem e Semelhança. 
Imortais, inteligentes, criadores. 
Redação do Momento Espírita 
Em 14.03.2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

O ESSENCIAL NÃO É O QUE PARECE

CHICO XAVIER
O essencial não será tanto o que reténs. 
É o que dás de ti mesmo e a maneira como dás. 
Não é tanto o que recebes. 
É o que distribuis e como distribuis. 
Não é tanto o que colhes. 
É o que semeias e para que semeias.
Não é tanto o que esperas. 
É o que realizas. 
Não é tanto o que rogas. 
É o que aceitas. 
Não é tanto o que reclamas. 
É o que suportas e como suportas. 
Não é tanto o que falas. 
É o que sentes e como sentes. 
Não é tanto o que perguntas. 
É o que aprendes e para que aprendes. 
Não é tanto o que aconselhas. 
É o que exemplificas. 
Não é tanto o que ensinas. 
É o que fazes e como fazes. 
Em suma, na vida do Espírito 
- a única vida verdadeira – 
o essencial não é o que parece. 
O essencial será sempre aquilo que é.
* * * 
A mensagem nos abre a compreensão para o que mais importa em nossos dias. 
Será que temos focado, colocado as nossas mais preciosas energias naquilo que é realmente essencial? 
Não que o restante não tenha sua importância, mas, quando usamos a palavra essencial, estamos nos referindo à essência, àquilo que nos conecta à essência de nós mesmos, ao mais importante de tudo. 
Prioridades. 
Num mundo que, segundo dizemos, nos pede tanto, nos exige que cumpramos tantos papéis ao mesmo tempo, nunca foi tão importante que estabeleçamos prioridades. 
Falar, então, do essencial, é buscar as prioridades. 
Muitas vezes, na busca de atender aquilo que é supérfluo, secundário e até dispensável na existência, estamos deixando de lado algo essencial. 
Pensemos num exemplo bastante pertinente nos dias de hoje: a dificuldade que têm os pais em saber o que dizer aos filhos, nas lições a transmitir, nos ensinamentos. 
Pais querem ser professores à moda antiga, fazendo os filhos se sentarem em carteiras escolares, em frente a quadros negros, com o giz da autoridade nas mãos, escrevendo ali o que devem e não devem fazer.
Entretanto, o essencial não está no que ensinamos pela palavra, mas pelos exemplos. 
E nesse item: como estão os nossos exemplos dentro e fora de casa? 
Como nós, pais e mães, como casais, como nos tratamos? Como somos como filhos? 
Como tratamos nossos pais, irmãos, a família? 
Que comportamento apresentamos no grupo social em que estamos inseridos? 
O que trazemos para casa nos comentários sobre a vida dos outros? 
O que fazemos pelo próximo? 
Eis o essencial! 
Eis o que nossos filhos levarão para sempre em seus corações: os exemplos. 
O essencial será sempre aquilo que é, e nunca o que parece ser. 
Em tempos de vidas expostas em fotos que mostram realidades incompletas; em tempos de sorrisos e lágrimas fabricados para chamar a atenção, vale a pena pensar sobre o que é essencial em nossa vida. 
Tudo que está ligado à vida do Espírito, que é a vida essencial, a vida que não se destrói, que não se esquece com o tempo. 
Busquemos a nossa essência. 
Busquemos a essência da experiência na Terra e tenhamos a certeza de que nossa encarnação está valendo a pena.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 43, do livro Caminho Espírita, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 13.03.2026

quinta-feira, 12 de março de 2026

UM MUNDO CADA VEZ MELHOR

Rutger Bergman
Quantas vezes ouvimos, ou nós mesmos repetimos que o mundo está cada vez pior? 
Somos nós, várias vezes, os porta-vozes do pessimismo. 
Ou aqueles que assumimos uma postura derrotista. 
Basta uma manchete ruim no noticiário para justificar nossa tese de que tudo vai de mal a pior. 
Dizemos que perdemos a crença na Humanidade, que o mundo não tem jeito.
E outras tantas afirmações de desânimo. 
Porém, será isso mesmo verdade? 
Será que a Humanidade vai de mal a pior, como muitas vezes apregoamos? 
O historiador holandês Rutger Bergman compilou em seu livro, ao qual denominou Utopia para realistas, alguns dados bem interessantes. 
Segundo ele, em 1820, 84% da população mundial vivia em extrema pobreza. 
Cem anos depois o número baixou pela metade. 
No início do Século XXI, menos de 10% da população mundial vive em extrema pobreza. 
Há cinquenta anos, metade da população mundial sobrevivia com menos de duas mil calorias diárias. 
Hoje, corresponde a menos de 3%.
Na atualidade, há mais pessoas sofrendo por obesidade do que de fome. 
Assuntos que eram ficção científica, há pouco tempo, tornam-se realidade: implantes cerebrais que restituem a visão, pernas robóticas que permitem paraplégicos se locomoverem com autonomia, cirurgias de alta precisão feitas por robôs.
A energia solar ficou 99% mais barata nos últimos quarenta anos. 
Desde 1994, o número de pessoas com acesso a Internet saltou de 0,4% para 40%. 
A expectativa de vida global hoje é mais do que o dobro do que era em 1900. 
Desde 1990, a taxa de mortalidade por tuberculose caiu para quase a metade. 
A partir do ano 2000, o número de mortes por malária decresceu 25%, a mesma queda nas mortes por AIDS, desde 2005. 
O número de mortos em guerras despencou 90%, desde 1946. 
Para onde olharmos, vamos perceber que há melhoras significativas no mundo. 
Como essas evoluções acontecem de maneira silenciosa, pois se desenvolvem lenta e constantemente ao longo das décadas, tornam-se invisíveis para nossa percepção. 
Porém, é inegável o quanto o mundo vem evoluindo e se tornando um lugar melhor para se viver. 
Para isso, são inúmeros os cientistas, pesquisadores, profissionais variados, mulheres e homens públicos, que vêm se doando em prol da melhora coletiva. 
Há muito mais gente colaborando para o mundo ser um lugar melhor do que imaginamos ou percebemos. 
São incontáveis os que se sacrificam pelos seus filhos, que fazem o melhor que podem na sua profissão, que atuam voluntariamente em causas nobres. 
É a lei do progresso, prevista nos códigos divinos, se fazendo presente, nos proporcionando melhoria de vida e bem-estar.
Efetivamente estamos cada vez melhores. 
Refletimos isso em um mundo mais justo, mais igualitário, mais humano. 
Cabe, no entanto, lembrarmos sempre que cabe a cada um de nós dar sua cota de colaboração, oferecendo ao mundo o que temos de melhor, na mente e no coração, para o progresso da Humanidade. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com dados extraídos do livro Utopia para realistas, de Rutger Bergman, ed. Sextante. 
Em 22.10.2020.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O PREÇO DA CONSCIÊNCIA

Richard Gere
A coragem se caracteriza em defender o que é certo e justo ou de ser verdadeiro consigo mesmo. 
Etimologicamente, vem do latim cor - coração -, no sentido de agir com o coração.
Foi assim, deixando falar o coração, que, na cerimônia do Oscar de 1993, agiu o ator Richard Gere. 
Ele subiu ao palco com a tarefa de apresentar o prêmio de melhor direção de arte. 
Em vez de seguir o roteiro da Academia, que primava pelo entretenimento puro, Gere transformou o momento em algo que soou como uma grande crítica. 
Amigo pessoal do Dalai Lama, a maior autoridade política e religiosa do Tibete, Gere fugiu do script e fez um apelo emocional e direto, denunciando a ocupação militar do Tibete e as supostas violações dos direitos humanos pelas forças chinesas. 
-Gostaria de aproveitar um segundo, se me permitirem. Com a presença de tantas pessoas poderosas aqui, quero falar sobre a situação indescritível do povo do Tibete, sem esperança de que as coisas melhorem. Por favor, enviem o seu amor e a sua verdade a quem precisa, e aos líderes chineses para que possam retirar as suas tropas daquele país. 
O discurso, embora breve, causou um choque imediato. 
A plateia reagiu com uma mistura de aplausos esparsos e silêncio constrangido. 
O que se seguiu a essa cerimônia foi uma represália discreta, mas eficaz. 
Richard Gere não foi convidado a apresentar ou participar de nenhuma cerimônia do Oscar por exatos vinte anos. 
A  Academia de artes e ciências cinematográficas nunca emitiu uma declaração formal de banimento, mas a ausência do ator por duas décadas foi amplamente interpretada pela imprensa como uma punição direta por seu desvio do protocolo. 
Sua postura teve outras consequências, especialmente no que diz respeito ao seu relacionamento com a China. 
Ele foi proibido de entrar naquele país e passou a ser evitado por produtoras que buscavam financiamento ou distribuição no país asiático. 
O ator confirmou, em entrevistas posteriores, que essa posição política o levou a perder papéis em filmes, pois os investidores chineses o recusavam. 
Apesar do alto custo pessoal e profissional, Richard Gere nunca demonstrou arrependimento pela sua ação. 
Em suas manifestações, ele reiterou sua dedicação à causa do Tibete e aos princípios do Dalai Lama. 
Ele encarou o banimento da Academia como uma consequência natural de sua posição moral, que se baseia no princípio de lutar contra as violações dos direitos humanos.
Não discutimos a questão política. 
O que desejamos ressaltar é o exemplo de um indivíduo que usou sua fama e plataforma em um momento de pico de visibilidade global para defender uma causa que considerava justa, sacrificando potencialmente sua carreira.
* * * 
Quantas vezes, em nossas vidas, deixamos de defender o correto, o moral, o ético com medo de represálias? 
Com medo de perder amigos, posição social, prestígio. 
Em tempos de tantas injustiças, temos a coragem de defender o mais fraco, o excluído?
Estamos atentos que, como cristãos, devemos defender o que é correto, justo e bom? 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Richard Gere. 
Em 11.03.2026

terça-feira, 10 de março de 2026

O MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO

Elisa Correa
A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar. 
Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra. 
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas. 
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por consequência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos. 
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição. 
Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes. 
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados. 
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso. 
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista... 
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás. 
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. 
Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. 
Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis. 
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. 
Em mera imagem. 
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões. 
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer:
-Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar. 
Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira. 
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto. 
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação. 
A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito. 
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre. 
* * * 
Evite o excesso de exigência para com os outros. 
Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo. 
O diferente está ao nosso lado por razões especiais. 
É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008. 
Em 07.12.2017.

segunda-feira, 9 de março de 2026

NÃO DOEU NADA

ADÉLIA PRADO
Pensando em sua morte, de maneira inspirada, escreveu uma poetisa brasileira: 
 Acho que morrer é assim: 
Deus, me passa no pontilhão? 
A pé ou no colo? 
No colo. 
Você fecha os olhos
 e quando abre já passou. 
Não doeu nada. 
* * * 
Já pensamos, alguma vez, em como será o momento da nossa passagem? 
-Não gosto de pensar sobre isso! – Dizem uns. 
-Está muito longe ainda, sou jovem. - Falam outros. 
-Tenho medo de pensar, pois não sei, desconheço. – Afirmam ainda alguns. 
A morte é um fenômeno natural. 
Podemos pensar como uma passagem sobre uma pequena ponte, um pontilhão, que apenas nos leva de um estado de vida para outro. 
Do lado de cá, ficam as bagagens, as coisas, o nome, o corpo. 
Atravessamos nós e nossas conquistas, nossas memórias, nossos amores, nossos sonhos e tudo mais que diga respeito aos valores da alma. 
Como se dará a passagem para cada um de nós? 
Não há regras, pois tudo depende do estado espiritual de cada um. 
Pode não doer nada? 
Pode sim. 
Tudo depende de como foi nossa história antes de chegar a esse momento. 
Um excelente pesquisador e inquiridor francês, no século XIX, atreveu-se a entrevistar exatamente os habitantes desse outro mundo, o espiritual. 
Indagando se seria dolorosa a separação da alma do corpo, recebeu a resposta de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte. 
Inclusive, nos casos de morte natural, aquela que sobrevém pelo esgotamento dos órgãos, em consequência da idade, o homem deixa a vida sem o perceber. 
É uma lâmpada que se apaga por falta de óleo. 
Talvez seja essa a sensação que a poetisa descreve, em seus versos de pura sensibilidade. 
A de saber que, quando abrirmos os olhos, já passou. 
Não doeu nada.
É possível que a separação da alma do corpo não seja instantânea. 
Poderá se alongar naqueles de vida bastante materialista e sensual. 
Quanto mais tenhamos nos apegado à matéria, naturalmente será mais penoso nos desligarmos dela. 
Assim, vemos a importância de nos prepararmos para o desligamento, para a partida. 
Fundamental cultivar o desapego. 
Fundamental entender que tudo que temos não é nosso, mas nos foi emprestado. 
Procurar entender que esse corpo que nos abrigou durante tanto tempo é uma vestimenta. 
Aprendemos a nos identificar com ele, chamá-lo de Eu.
Porém, lembremos de que o Eu é a essência e não a casca.
Desapegar das pessoas, no sentido de que não perderemos ninguém e ninguém nos perderá. 
Seguiremos caminhos distintos por um tempo, como numa viagem. 
O amor não é perdido. 
As memórias não são perdidas. 
Tudo que construímos não se perde. 
Não nos preocupemos. 
Se, mesmo assim, nesses momentos finais, bater aquela insegurança, oremos sinceramente, pedindo ajuda. 
Deus nos carrega no colo, quando precisamos. 
Ele faz isso constantemente, sem percebermos. 
Com absoluta certeza, não nos deixará a sós, nesse momento tão importante da nossa partida. 
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Manuscritos de Felipa, de Adélia Prado, ed. Record, e na pt. 2, cap. 3, q. 154 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 09.03.2026.

domingo, 8 de março de 2026

A MULHER SOL

Não a conheço. 
Jamais a vira antes e, possivelmente, nesta cidade onde transitam milhares de pessoas, todos os dias, jamais tornarei a vê-la. 
Ela transitava pela calçada, no sentido contrário ao da minha caminhada. 
O que me chamou a atenção foram seus cabelos de prata que admirei. 
Seriam tingidos pelos dedos do tempo ou por produtos químicos? 
Ao passar por mim, o rosto dela se iluminou, num sorriso aberto, espontâneo. 
Seus lábios se abriram e disseram com uma agradável entonação: 
-Bom dia! 
Senti uma vibração de paz invadir-me. Uma aura de harmonia abraçar-me. 
E, naquele átimo de segundo em que nos cruzamos, enquanto lhe respondia ao cumprimento, pude lhe ver o rosto. 
As rugas haviam iniciado a desenhar arabescos em linhas suaves, denunciando o passar dos anos. 
Os olhos claros brilhavam na manhã ensolarada. 
Gravei-lhe a expressão na memória. 
Nestes dias de tanto atropelo, tanta pressa, em que as pessoas parecem correr como se desejassem recuperar minutos que já se foram, deparar com um rosto tão tranquilo, realmente, é inusitado. 
Também encontrar alguém que deseje Bom dia! 
Com vontade, com sincero desejo de que seja um dia muito bom. 
Nada mecânico.
Nada convencional. 
Continuei meu caminho quase num enlevo, envolvido nas vibrações harmônicas jorradas daquela expressão fisionômica tão serena. 
Fiquei pensando em quantas pessoas ela haveria de encontrar em seu dia e para quantas a sua presença, o seu olhar, o seu sorriso ou o seu cumprimento fariam a grande diferença. 
Como fizera comigo, em rápido segundo. 
A quantas ela ofereceria aquele cumprimento tão especial. E não pude deixar de indagar a mim mesmo: 
-Terá ela saído de casa com esse propósito de iluminar as horas das pessoas que encontrasse? Ou aquilo lhe seria, simplesmente, a maneira natural de ser em sua vida?
* * * 
Quantos de nós temos essa capacidade de beneficiar alguém com nossa presença? 
Capacidade para iluminar o dia, alegrar as horas de quem caminha ao nosso lado ou de quem, simplesmente, passa por nós. 
Quantos de nós temos esse condão de tornar o dia de alguém muito diferente, melhor? 
Transformar brumas em sol, nuvens em claridade, problemas em soluções. 
Somente pode fazer sol quem tem raios de luz dentro de si.
Somente pode irradiar serenidade quem alcançou a harmonia interior, quem suplantou a si próprio e administra muito bem as dificuldades que se apresentam. 
Alcançar esse estágio deveria ser uma meta para nós.
Destoarmos no mundo. 
Sermos irradiadores do bem, do belo, das coisas positivas e grandiosas. 
Para isso, basta-nos a vontade, o querer. 
Por isso, enquanto o dia canta esperanças, enquanto as horas se renovam, iniciemos nossa campanha particular, individual.
A campanha de fazer sol nas alheias vidas. 
Redação do Momento Espírita.
Em 28.12.2017.

sábado, 7 de março de 2026

A HORA DA MORTE

Michael Tan
Das certezas que podemos ter, neste mundo, a morte é sem dúvida uma delas. 
Nenhum ser vivo pode se furtar a ela. 
Mensageira estranha, por vezes, abraça os mais jovens e os sadios, deixando para trás idosos e doentes. Contudo, sempre chega. 
Paradoxalmente, é um dos assuntos que quase todos evitamos tocar. 
Por isso mesmo, quando chega, surpreende e muitas lágrimas são derramadas. 
Lágrimas que se casam a exclamações como: Se eu soubesse que era o seu último dia! 
-Se eu soubesse que ele iria morrer, não teria sido tão mau! Se eu soubesse que ele partiria tão cedo, teria abraçado mais, dito como o amava, sido melhor para ele. 
É bom considerarmos que nossa existência é efêmera. 
Hoje estamos aqui, amanhã poderemos não nos encontrar mais deste lado da vida. 
O ser amado que se despede para o trabalho diário pode não retornar. 
A criança que corre pela rua, rumo à escola, pode não voltar para casa. 
Como a irmã daquele menino de dez anos. 
Ele entrou em casa e chamou pela mãe. 
Ela estava no quarto, sentada, quieta. 
-Sua irmã morreu esta manhã. – Foi o que ela disse. 
O conceito de morte não tinha um significado concreto para aquele garotinho. 
Durante muito tempo ele perguntava para a mãe: Ela vai voltar? 
Por que ela teve de morrer? 
Por muitos dias, ficava em frente à casa, esperando que o ônibus escolar a trouxesse de volta. 
Entrava no quarto dela e apanhava a sua pasta escolar. 
Tudo estava bem arrumado: os cadernos de um lado, os livros do outro, o estojo de lápis no meio.
A faixa preta de elástico que ela usava nos cabelos quando fora para o colégio naquela última manhã. 
Depois, devolvia tudo no seu lugar. 
Perguntava-se se a irmã ficaria zangada por ele ter mexido em suas coisas. 
O que ele sempre lembraria foi o que acontecera duas noites antes de a irmã morrer. 
Ela chegara em casa preocupada. 
Esquecera de um trabalho de arte que devia entregar no dia seguinte. 
Ele se dispôs a ajudá-la. 
Juntos fizeram doze borboletas coloridas, de antenas enroladas e asas triangulares. 
No dia em que ela morreu, ele estranhamente despertara mais cedo. 
Observou-a se aprontando para a escola e ficou segurando a porta aberta para que ela saísse com tranquilidade. 
Em uma das mãos, ela segurava a pasta, a outra balançava, enquanto descia os degraus. 
Estava de uniforme azul.
Tinha só quatorze anos.
E suas últimas palavras para Michael foram: 
-Até logo, irmão. 
Passadas mais de quatro décadas, Michael ainda guardava a lembrança de sua irmã e de todos esses detalhes. 
Quando vê uma borboleta, recorda de imediato daquele último trabalho que fizeram juntos. 
E espera. 
Porque, um dia, ele também fará essa viagem para o Grande Além. 
Nesse dia, finalmente, ele a verá outra vez. 
* * * 
Amemos muito. 
Usufruamos a companhia dos afetos. 
Quando um deles se for, poderemos acalentar nossos dias com as doces lembranças dos afagos compartilhados. 
E isso amenizará nossa grande saudade até o dia do reencontro. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A despedida, de Michael Tan, da revista Seleções Reader´s Digest, de out/2005.
Em 07.03.2026

sexta-feira, 6 de março de 2026

MULTIPLICANDO O BEM

JOANNA DE ÂNGELIS(espírito)
DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
A cena era comovente. 
Repórteres com seus microfones e câmeras apontados para aquele homem simples e maltrapilho que, um tanto sem jeito, contava a sua história. 
Ele, um mendigo que vivia nos bancos das praças, fora condecorado por ter salvo a vida de três crianças. 
Dizia, comovido diante das câmeras, que só as tinha livrado dos marginais porque teve uma experiência singular. 
Contou que, tempos antes, num cair de tarde como tantos outros, monótonos e sem esperança, resolvera dar cabo da vida. 
Não suportava mais aquela situação miserável em que se encontrava depois que perdera a família num acidente e os poucos bens que possuía, para um sócio corrupto. 
Havia batido de porta em porta à procura de um serviço digno de onde pudesse retirar o próprio sustento, mas a resposta era sempre a mesma: 
-Sentimos muito, mas o senhor está acima da faixa etária para admissão. 
Então resolvera que aquela seria a última noite que contemplaria o céu bordado de estrelas, única companhia daqueles dias amargos. 
-Todavia, dizia ele, Deus possuía outros planos para mim...Naquela, que eu pretendia fosse a minha última noite, apareceu um anjo, digo um anjo porque era uma mulher jovem com expressões de doçura que eu nem imaginava que existissem. Sentou-se ao meu lado naquele banco que, por muito tempo, tinha me servido de lar, e iniciou um diálogo afetuoso. Interessou-se por minha história e condoeu-se com a minha desdita. Falou-me de Jesus, o Sublime Nazareno que a todos ama, inclusive os pobres e aflitos, como eu. Disse-me para que elevasse o pensamento e Lhe pedisse forças para suportar o fardo pesado que me fora colocado sobre os ombros, e eu o fiz. Desisti do suicídio e consegui um serviço de jardineiro. Não ganho o suficiente para morar numa casa confortável, mas consigo pagar um pequeno barraco que me abriga das intempéries e não preciso mais me alimentar de restos colhidos na lixeira. Aquela foi a primeira e única vez que vi aquela jovem senhora, mas suas palavras ainda embalam minhas horas difíceis. E cada vez que o fardo me parece pesado demais, lembro das palavras de Jesus: "Vinde a mim todos vós que sofreis... Meu fardo é leve e meu jugo é suave..." E foi porque alguém me estendeu as mãos e me retirou das portas do suicídio que eu pude salvar essas crianças das mãos dos marginais que as haviam sequestrado. Porque um dia alguém me olhou e me fez ver que também sou filho de Deus é que resolvi multiplicar o bem que me foi feito, tornando-me útil. Hoje eu entendo que não temos o direito de interromper a vida de quem quer que seja, mesmo que seja a nossa. Gostaria de agradecer àquela moça que ousou se aproximar de um mendigo e estender-lhe a mão. 
* * * 
Não esqueças de que o bem que se faz é o único trabalho que faz bem. 
E esse serviço em favor dos outros é a caridade única em favor de nós mesmos, que pode atingir o cerne da alma, libertando-a para o sacerdócio do soerguimento do mundo.
Redação do Momento Espírita, com base no verbete Bem, do livro Repositório de sabedoria, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 10.08.2009.

quinta-feira, 5 de março de 2026

MÚLTIPLAS NOVIDADES

RAUL TEIXEIRA
Constantemente encontramos pessoas indispostas e queixosas, diante dos compromissos que assumiram espontaneamente, ou que tiveram que assumir, obrigadas pela necessidade. 
Muitas delas, tornadas infelizes, passam a não fazer bem feito o que têm aos seus cuidados, sob mil alegações: 
-Não ganho para isso... Ninguém me dá valor... Estou estressado com tantas coisas... Enquanto me acabo, há outros que não fazem nada... 
É verdade que vemos mães e pais de família sobrecarregados diante dos deveres domésticos que lhes pesam. 
Os compromissos de cuidar, ao mesmo tempo, do lar, da família e da profissão, provocam, indiscutivelmente, desgastes e cansaços. 
No entanto, partindo-se do princípio de que Deus não concede um fardo maior do que as forças de quem o vai conduzir, como estabelece a voz popular, constatamos que os aborrecimentos são injustificados. 
Concebendo-se a perfeição das leis Divinas em tudo, também esse rol de atividades e de lutas está dentro dessa Divina perfeição. 
Por outro lado, a adoção das reclamações e do mau humor permanente não solucionará os problemas, nem diminuirá os deveres, antes, ampliará as torturas sob as quais alegamos viver. 
Podemos escolher: fazer o que temos que fazer com raiva, má vontade, e tornar nosso dia terrível, ou, fazer o que temos que fazer conservando a calma, a paciência, e buscando nessas atividades algo que nos ensine sobre a vida. 
Podemos, ainda, verificar se realmente não estamos trabalhando demais, cansando-nos demais, em virtude de querer ter mais coisas, de desejar manter um nível de vida econômico e financeiro melhor. 
Se for por isso, a reclamação é indevida. 
A situação só depende de nós para ser resolvida. 
Se somos obrigados a essas múltiplas atividades, porque são vitais para o equilíbrio social da família, da nossa vida, se não há modo de alterar esse quadro sem graves prejuízos, então, estamos em meio a vicissitudes importantes para o reequilíbrio geral, perante as leis de Deus. 
Se nossa jornada múltipla atende a necessidades intransponíveis, seja numa fase da nossa vida ou durante toda a vida terrena, pensemos na importância disso para o nosso reajustamento espiritual, pensemos na sementeira abençoada para o próximo futuro. 
Vejamos, por outro lado, que trabalhamos muito agora, sim, e censuramos os que nada ou muito pouco fazem, no campo dos seus conhecimentos. 
Avaliemos que a situação que essas pessoas vivem hoje em dia, de modo displicente, cria para elas a necessidade do reacerto com as leis eternas, no futuro. 
A diferença entre elas e nós é que já nos encontramos em franco processo de reajustamento, respondendo pela má utilização do tempo em épocas passadas. 
* * * 
Façamos tudo com alegria íntima porque estamos em rota de libertação. 
O que nos dói não é o trabalho em si, pois o trabalho é lei de Deus. 
O que nos atormenta é o preço do resgate, caracterizado pela indiferença do mundo para com nossa luta particular. 
Da próxima vez que lamentarmos a respeito de nossas muitas atividades, lembremos disso: o trabalho é oportunidade maravilhosa de crescimento interior. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 23, do livro Para uso diário, pelo Espírito Joanes, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 13.09.2014.

quarta-feira, 4 de março de 2026

EU TE VI

AMÉLIA RODRIGUES(espírito)
DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
Bartolomeu é sobrenome hebraico, que corresponde a “filho de Tolmai”, enquanto seu nome, que é Natanael, significa “Deus deu”, ficando, portanto, denominado como “Natanael bar Tolmai”. 
Os livros do Novo Testamento referem-se a ele poucas vezes.
O suficiente para se saber que era de caráter nobre e introspectivo, silencioso, como quem busca algo que deseja ardentemente. e a isso se dedicava com interesse. 
Tinha por hábito consultar os “escritos sagrados”, o que fazia à sombra das figueiras que lhe cercavam a casa modesta. 
O seu relacionamento com Filipe, outro apóstolo de Jesus, era constante. 
Estavam sempre juntos, quando dialogavam sobre aquela expectativa que a ambos afligia: a vinda do Messias. 
Naquela época uma voz procedia do deserto conclamando à penitência, pois que o “reino” estava próximo de ser edificado e o “Messias” já se encontrava na Terra, preparando-o. 
João fizera-se conhecido pela sua pregação e pelo hábito de batizar aqueles que se arrependiam dos erros e necessitavam de uma nova oportunidade para serem felizes. 
Os dois amigos haviam-no escutado e estavam realmente comovidos com a mensagem que lhes banhava a alma de santas emoções. 
Filipe foi o primeiro a conhecer Jesus e ficara fascinado. 
Tudo nEle era especial e incomum. 
Suas palavras eram pérolas luminosas que abrilhantavam o coração. 
Natanael o encontrou em seguida. 
Ficamos a imaginar seu primeiro momento com o Mestre.
Filipe o levou. 
Talvez não tenha dito quem era, deixando que o momento falasse por si mesmo. 
Jesus se antecipa dizendo: 
-Eis aqui um verdadeiro filho de Israel. Este é um israelita sem dolo! 
Natanael tem o semblante transformado. 
Pensa e externa: 
-De onde me conheces Tu? 
E ele ouve o lance genial do Cristo: 
-Vem, Natanael! Eu te vi à sombra da figueira meditando…
Natanael tem um choque. 
Meditava em solitude, isolado. 
Ninguém o sabia. 
Possivelmente, em algumas de suas meditações, deveria ter evocado a presença do Messias aguardado. 
Agora Ele estava ali, à sua frente. 
Podemos aquilatar sua emoção. 
Um verdadeiro homem de fé não torna complexa a vida, não questiona quando a verdade lhe é clara. 
Assim fez Natanael. 
Sua resposta é imediata: 
-Rabi! Tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel. 
Totalmente tocado pela sua beleza e mensagem, desde aquele momento entregou-se-lhe em regime de totalidade. 
A partir de então, discreto e diligente, esteve ao lado do amado Rabi. 
* * * 
É tão belo esse entendimento imediato de cada discípulo quando em contato com Jesus. 
Não se tratava de uma fé cega. 
Tratava-se de uma fé viva, raciocinada e muito bem apoiada por uma força que estava na frente de cada um deles.
Pensando nos dias atuais, em nossa conduta, é de nos perguntarmos: 
-Por que temos complicado tanto? Por que deixamos tanto ruído interferir entre nós e nossa fé viva? Por que demorar tanto tempo para aceitar o convite de Jesus de segui-lO mais de perto? 
Permitamo-nos ouvir também: 
-Vem, filho! Eu te vi meditando… 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 19, do livro O essencial, pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 02.03.2026