quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

2026 - FELIZ ANO NOVO!

JOANNA DE ÂNGELIS
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Enfim, quem quer um Ano Novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo. Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.



VIRTUDES PARA O ANO NOVO - 2026

Quando estamos próximos a um novo ano, muitos temos o hábito de fazer uma lista do que pretendemos alcançar nessa nova etapa de nossas vidas. 
Pensando nisso, imaginamos que poderíamos elaborar uma lista de virtudes para desenvolvermos no Ano Novo. 
Podemos começar com a benevolência. 
A benevolência é a virtude daquele que demonstra afeto, que é bondoso, que pratica a caridade, que tem empatia para com o outro. 
Podemos incluir também, a paciência. 
Ser paciente significa ser sereno e tolerante com os demais, compreender que não podemos controlar tudo que acontece em nossas vidas. 
Significa, em essência, fortalecer nosso autocontrole e nossa autoconfiança. 
E o otimismo? 
Essa virtude nos permite olhar para a vida com alegria, ampliando a confiança em Deus e em Sua justiça. 
Podemos exercitar o otimismo em nossas ações, estimulando o trabalho, os bons pensamentos e a esperança. 
Podemos acrescentar, em nossa lista, o contentamento, virtude que nos ensina a aproveitar as boas coisas que acontecem conosco e a ficarmos felizes nessas circunstâncias. 
Algo que também podemos colocar em nossa lista é a reflexão. 
Refletir significa aprofundar o pensamento, buscando analisar todas as conexões que conseguimos identificar sobre um fato ou um tema. 
Para que possamos desenvolver a reflexão é preciso sabermos nos tranquilizar. 
É preciso destinar um tempo, para nos desligarmos da agitação do dia a dia. 
A partir da reflexão podemos alcançar a harmonia, a sabedoria e o esclarecimento. 
Algo mais que podemos integrar nas nossas propostas para o próximo ano é a generosidade. 
Essa virtude está relacionada com o compartilhamento. 
Ser generoso é exercitar a doação ao próximo de tudo que tenhamos a ofertar: uma palavra amiga, um olhar carinhoso, um alimento para quem tem fome, a mão para quem precisa se reerguer. 
Podemos ainda acrescentar a resiliência nesse planejamento.
Ser resiliente é compreender que situações ruins podem acontecer, mas que delas podemos extrair lições preciosas em vez de ficarmos presos ao sofrimento. 
Por fim, podemos incluir a disciplina no rol das virtudes que pretendemos cultivar no próximo ano.
Essa é uma virtude que pode nos ajudar, e muito, na concretização de todas as demais pretensões. 
Consiste nessa força interior que nos permite a alteração de velhos hábitos. 
Não se trata apenas de decidir melhorar, mudar, mas de colocar em prática o que decidimos. 
Virtude fundamental para que as transformações possam ser alcançadas. 
A disciplina está de mãos dadas com a perseverança e o progresso. 
Nessa lista, necessário analisarmos o que seja mais importante para nossa vida e escrever em primeiro lugar, relacionando as demais, de forma sequencial. 
Esmeremo-nos na relação das conquistas a serem empreendidas no ano que se esboça à frente. 
Pensemos nisso.
Façamos a nossa lista individual. 
Depois, nos bastará sair do simples planejamento, e colocar nossa vontade em ação! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 29.12.2025

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

ESPERANÇA NO ANO NOVO

MÁRIO SÉRGIO CORTELLA
Podemos comparar nossas vidas a um livro. 
Somos os protagonistas e os escritores da história que nele será contada. 
Vamos escrevendo lindos versos, pequenos poemas, longas prosas, dramas e comédias. 
Cada dia podemos registrar, nesse livro, grandes conquistas que alcançamos, a partir de nosso esforço e dedicação.
Também as nossas falhas, decorrentes de descuidos e ações muitas vezes impensadas. 
Registramos nossos amores, lembranças queridas de nossos pais, momentos alegres com nossos filhos, períodos felizes com nossos amigos... 
Escrevemos páginas sobre o que fazemos, a dedicação que temos na profissão, os bons colegas com os quais convivemos. 
Em algumas delas, registramos as nossas tristezas, momentos de dor e sofrimento, de despedida e desfazimento de laços. 
Capítulos e mais capítulos. 
Uma infinidade de palavras e de frases grafadas nesse livro pessoal. 
A cada novo ano que surge, podemos reflexionar sobre os meses passados, o que estamos grafando nesse período. 
É oportunidade de pensar em novos desejos, novos sonhos, realizações que pretendemos alcançar. 
Nesses momentos, nos sentiremos bem se relermos algumas páginas. 
Aquelas que nos fizeram felizes, em que nos sentimos realizados. 
E quando verificarmos as anotações dos erros cometidos, eis a oportunidade de pensar em reescrever, sem tantos equívocos. 
Podemos começar nos propondo a realizar mudanças em nosso comportamento, em nossas palavras, em nossas ações, em nossas ideias. Importante é mudar para melhor.
Quem sabe possamos nos servir de um verbo diferente nas páginas do novo ano: esperançar. 
Não se trata de nada que signifique simplesmente ficar esperando. 
Esperançar no sentido de nos reerguermos. 
De perseguir um sonho ainda não sonhado. 
De construir. 
De não desistir. 
Esperançar no sentido de levar adiante o projeto apenas esboçado. Juntar-se a outros para fazer de outro modo...
Pensemos no novo ano como a oportunidade de escrever muitas vezes esse verbo, no livro da nossa vida. 
Trabalhar pelo planejado, concretizar os propósitos ainda não alcançados, conquistar a felicidade almejada tantas e tantas vezes. 
Buscar ações que contribuam para um mundo melhor, com mais gentileza, mais gratidão, mais amor. 
Não pensar em desistir quando a dor surgir, quando algo não der certo, quando muitas coisas pareçam estar somando contra.
Vamos seguir em frente, sem nos deixarmos ficar presos ao passado com mágoas ou lamentações. 
O que ficou nas páginas mal escritas deve nos servir como lições, jamais como correntes que nos possam aprisionar em situação desagradável. 
Façamos o propósito de escrever lindas páginas. 
O Ano Novo nos acena com a possibilidade de trezentas e sessenta e cinco páginas, em branco. 
Nelas podemos escrever poemas de amor, contos de alegria e realização. 
Belas histórias com as pessoas que compõem a nossa família, o nosso círculo de amizades, o ambiente do nosso trabalho. 
Esperançar, desde agora. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A resignação como cumplicidade, de Mário Sérgio Cortella, do Jornal Folha de São Paulo, de 8.11.2001. 
Em 30.12.2025

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

ANO NOVO ESPERANÇOSO

Percebemos um passar tão rápido do tempo que, por vezes, quase nos assustamos. 
Ainda ontem, adentramos um ano novo. 
Mas, estamos novamente prestes a vivenciar o mesmo fato.
Olhamos para aquele bebezinho que veio alegrar nosso lar, e o pequerrucho já está a correr por todos os cantos, nos exigindo mais cuidados. 
Nossa adolescente cheia de vontades e ciosa de suas coisas, passou no vestibular, e terá que residir longe de nossos olhos cuidadosos. 
Olhamo-nos no espelho e notamos novas rugas que se juntam às existentes, nos fazendo sentir o passar dos dias, no mapa da nossa face. 
A semana mal começa e estamos caminhando para o sábado e domingo, preocupados com o novo período de trabalho ou de estudo. 
Nessa corrida que parecemos empreender, é muito bom guardarmos a esperança de alguns dias mais tranquilos na rotina acelerada. 
Esperança de ver nosso bebê crescer, nossa adolescente se formar, nossa família permanecer unida, embora cada qual tenha que seguir seu rumo. 
Esperança de um ano novo repleto de experiências novas, realizações desejadas, cumprimento de deveres. 
Esperança de realizações gerais em nível social, onde possamos respirar a paz, a fraternidade, a concórdia. 
* * * 
Esperar é uma virtude essencial que necessitamos cultivar em nossos corações, em nossas mentes, em nossas vidas. 
Não simplesmente aguardar. 
Também agir, realizando nossa parte, por mais singela que seja, em benefício geral. 
Uma gota d'água pode parecer uma quantidade irrisória aos nossos olhos, mas poderá ser aquela que transborde o copo e irrigue ao seu redor. 
Um aperto de mão pode ser um gesto simples, no entanto, desde que seja um aperto firme e sincero, pode transmitir aquela energia que encoraja e levanta um coração titubeante e inseguro. 
Um abraço pode nada significar para quem o vê acontecer de longe. 
Porém, para quem sente o bater de outro coração junto ao seu, pode representar o impulso do recomeço. 
Um sorriso pode ser interpretado e sentido de mil e uma formas. 
No entanto, pode representar a injeção de confiança a alguém desalentado. 
Alimentar a esperança é dever de todos nós, filhos de Deus, que sempre nos permite o melhor, assinalando a Sua Providência e a Sua Misericórdia. 
O ditado popular assinala que a esperança é a última que morre. 
Contudo, basta querermos alimentá-la para que seja também, a primeira a renascer. 
Não desistamos dela em circunstância alguma porque ela facilita o nosso entendimento sobre as possíveis dificuldades que enfrentamos. 
Ela nos permite olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores das que desfrutamos no presente. 
A esperança responde pela aspiração de felicidade e de realização de nossos corações, mantendo o desânimo à distância. 
Que seja sempre mais e mais esperançoso o nosso ano novo, com fortes impulsos de solidariedade, fraternidade e caridade.
Que sejam trezentos e sessenta e cinco dias de trabalho, de realizações, de paz, de alegria contagiante. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 28.12.2024

domingo, 28 de dezembro de 2025

MOVIMENTO PELA PAZ

Éder Favaro
Muitos homens têm dedicado suas vidas para uma cultura de paz e não violência. 
Instituições religiosas e escolas têm promovido concursos, caminhadas, encontros em prol da paz. 
Muita gente pensa que isso é coisa de sonhador, uma missão impossível. 
Contrariando o pessimismo desses, o mundo de paz vem sendo construído a pouco e pouco. 
Multiplicam-se pelo planeta homens, mulheres e crianças decididos a realizar o sonho. 
A UNESCO, criada em 1945, e cujo objetivo é a promoção da paz e dos direitos humanos, prescreve, em seu ato constitutivo: 
"Se as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz."
No ano 2000 lançou o manifesto, de cuja elaboração participaram reconhecidos defensores da paz e que formaliza o convite ao seguinte compromisso: 
"Eu me comprometo em minha vida cotidiana, na minha família, no meu trabalho, na minha comunidade, no meu país e na minha região, a: Respeitar a vida – respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminar nem prejudicar; Praticar a não violência de forma ativa, rejeitando a violência em todas as suas expressões: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular ante os mais fracos e vulneráveis, como as crianças e os adolescentes; Ser generoso - compartilhar o meu tempo, meus recursos materiais, cultivando a generosidade, a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica; Ouvir para compreender – defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo, sem ceder ao fanatismo, nem à maledicência e o rechaço ao próximo; Preservar o planeta – promover um consumo responsável e um modelo de desenvolvimento que tenha em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta; Redescobrir a solidariedade – contribuir para o desenvolvimento de minha comunidade, propiciando a plena participação das mulheres e o respeito aos princípios democráticos, com o fim de criar novas formas de solidariedade." 
 A fórmula não é nova, somente revestida de roupagem atual.
O convite à paz se faz insistente, desde os dias da Galileia.
A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou. Eu não a dou como a dá o mundo... Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus. Não resistais ao mal que vos queiram fazer... 
* * * 
Martin Luther King
-Ainda sonho, dizia Martin Luther King, Jr., que um dia a guerra chegará ao fim, que os homens transformarão as espadas em arados e as lanças em machados. As nações não mais se levantarão contra outras nações, nem se estudará mais a arte da guerra. Sonho que com fé, apressaremos a chegada do dia em que haverá paz na Terra e boa vontade para com todos os homens. Será um dia de glória. As estrelas da manhã cantarão em coro e os filhos de Deus gritarão de alegria. Transformemos o sonho em realidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Paz, um tema sempre atual, de Éder Favaro, da Revista Harmonia, setembro/2003 e cap. Um sermão de Natal sobre a paz, do livro O grito da consciência, de Martin Luther King, Jr., ed. Expressão e Cultura. 
Em 01.12.2015.

sábado, 27 de dezembro de 2025

FALANDO AO OCEANO

Algumas folhas de papel, caídas sobre a areia de uma praia pouco visitada, traziam as seguintes linhas: 
Quando abraço o oceano com o olhar, volto a questionar milhões de coisas, tantas quanto as ondas que ganham a areia. 
Volto a questionar: 
Como alguém pode sentir-se só na presença do mar? 
Na presença desta brisa incessante? 
Na companhia deste perfume raro?! 
Como ainda posso me sentir só, sabendo que os braços do invisível me abraçam, que aqueles que partiram continuam existindo, e que todos nós, sem exceção, somos amados por alguém?!
Como ainda posso me sentir só? 
Talvez seja porque eu me isole do mundo, e seja exigente demais com as pessoas.
Pode ser isso. 
Talvez seja porque eu não permita que os outros conheçam minha vida, meus sonhos, minhas dificuldades. 
Acho que há um pouco de orgulho nisso. 
Quem sabe seja porque eu procure a solidão, e não ela que me persiga, como eu imaginava. 
É... Talvez eu precise conversar mais com as pessoas, me interessar mais por suas vidas, ouvir. 
Há tempos que não ouço alguém; um desconhecido relatando os acontecimentos corriqueiros do dia a dia; um colega de trabalho falando das peripécias de seus filhos. 
Meus irmãos: há tempos não converso com eles sobre assuntos profundos, como planos para o futuro, lembranças boas do passado. 
É curioso, pois lembro-me de que há algumas semanas ouvi uma mensagem de cinco minutos, num programa de rádio, que falava sobre isso, sobre como as pessoas se isolam umas das outras, e do quanto isto é prejudicial para a saúde mental e física, já que uma é consequência da outra. 
O locutor dizia que quem ama não se sente só, pois está sempre se doando, se envolvendo com os corações mais próximos, na intenção de ajudar. 
Dizia ainda que, quando nos sentimos úteis, e concluímos que muitos dependem de nossa dedicação, de nosso amor, também esquecemos da solidão. 
Acredito que ele tenha razão, pois lembro que naquele dia fui visitar uns tios que não via há muito tempo, e aquela visita fez-me tão bem! 
Falamos de assuntos comuns, como notícias de televisão, notícias da família, mas ao final saí de lá menos tenso, menos preocupado com a solidão. 
Abracei minha tia, e a ouvi dizer, por entre lágrimas discretas:
-Gostamos muito de você, viu? Venha mais vezes! Não é sempre que recebemos visitas! 
Ela está certa. 
Não é sempre que recebemos visitas, pois não é sempre que visitamos os outros, creio eu. 
Naquela tarde, vi que poderia ser útil em pequenas coisas, e que aquilo me afastava um pouco da solidão. 
Dentro do carro, voltando para casa, observando o movimento intenso nas ruas, lembro de fazer estas mesmas perguntas:
-Como pode alguém sentir-se só na presença de tanta gente, de tanta vida!? 
Quantos desses corações esperam apenas por uma visita? 
E quantos deles estão dispostos a fazer uma? 
E aqui está você, amigo oceano, à minha frente, ouvindo todas estas minhas divagações. 
Acho que foi sua presença, rei das águas, que me ajudou a entender melhor o que se passa em meu íntimo. 
Agradeço profundamente por sua companhia, por conseguir me ouvir, e por me dizer, mesmo sem falar, que o que preciso fazer é visitar mais o coração de meu próximo. 
Muito obrigado. 
Redação do Momento Espírita, com base em narrativa de autor ignorado pela equipe. 
Em 27.12.2025

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

DOCE CRIANÇA

Andrey Cechelero
Dizem que um dos magos que veio de outra parte do Oriente, além de entregar o seu presente singular e valioso, endereçou as seguintes palavras ao Menino Jesus: 
Doce criança, 
Que há de inspirar o mundo a ser mais, 
Que há de movimentar séculos de história 
E ainda dividir as areias do tempo. 
Que aqueles que te escutarem, 
Que aqueles que estiverem perto de Ti, 
Saibam aproveitar tal honra. 
Saibam calar e saibam ouvir. 
Doce criança, 
Que há de acalmar as dores, 
Atender corações aturdidos por séculos de dissabores, 
Que sejam abençoadas as Tuas mãos, 
Escultor do planeta e maior de todos os nossos irmãos. 
Que aqueles que te enxergarem, 
Mirem no Teu exemplo e no Teu poder de guiar. 
Que agradeçam a Deus a bondade 
Pois o Universo é bom, e tudo isso nos vieste ensinar. 
***
Tudo isso parece tão longe no tempo.
Por vezes, falar do nascimento de Jesus, em Belém, no outro hemisfério, numa outra época, pode nos soar algo distante, que quer se dissipar, que pede para ser trocado, atualizado...
Os dias atuais nos mudaram tanto. 
O que temos a ver com aquele passado? 
Eram outras pessoas, talvez possamos dizer. 
Bem, se fosse para ser assim, essa mensagem não estaria chegando ao nosso coração mais uma vez, como um eco de algo íntimo, dentro de nós, algo que não pode ser esquecido.
A mensagem de Jesus não foi um simples momento histórico. Ou uma lenda da antiguidade, como creem alguns relutantes.
Estamos diante de um marco moral para a Terra, e arriscaríamos dizer que se tratou do momento mais grandioso do planeta desde a sua criação. 
A visita do Arquiteto, do Engenheiro da Terra, Ele mesmo, envergando uma veste semelhante à de todos os Seus irmãos, um corpo de carne. 
Aquele que moldou o planeta para que ele se tornasse nossa casa provisória ofereceu-se para uma visita breve para nos trazer lições importantíssimas. 
E Ele as resume em pouco menos de três anos do tempo terrestre. 
Um Espírito que alcançou o patamar de Espírito perfeito;Alguém que chegou ao cume da montanha que nós ainda estamos escalando. 
E não vislumbrando senão o sopé. 
Como não aproveitar essa oportunidade de conviver com uma alma dessas? 
Como não ouvir? 
Como não anotar? 
Como não perceber tudo, analisar, estudar o mais simples gesto? 
Que o Natal seja essa lembrança, esse despertar em cada um de nós. 
Que nos remeta internamente a um questionamento: 
O que Jesus nos ensinou em mais este ano? 
Ou quem sabe melhor nos perguntarmos: 
O que aprendemos com esse Mestre nesses doze últimos meses? 
Sempre existe algo novo para o humilde aprendiz.
Recordemos do louvor do mago sábio, que não estava ali para endeusar ou transformar Jesus num ídolo distante, mas para ouvi-lO como quem escuta atento a aula de um grande professor: 
Que aqueles que te escutarem, 
Que aqueles que estiverem perto de Ti, 
Saibam aproveitar tal honra. 
Saibam calar e saibam ouvir.
Que aqueles que te enxergarem, 
Mirem no Teu exemplo e no Teu poder de guiar. 
Que agradeçam a Deus a bondade 
Pois o Universo é bom, e tudo isso nos vieste ensinar.
Redação do Momento Espírita, com versos de Andrey Cechelero. 
Em 25.12.2025

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

NATAL DE JESUS

Toda vez que o Natal retorna, Sua figura é lembrada com maior vigor. 
Alguns permanecem na tentativa de negar-Lhe a existência, afirmando que tudo é fruto de lenda. 
Outros, que na Sua existência acreditam, perdem-se em datas e números, tentando descobrir quando Ele verdadeiramente nasceu. 
O que se sabe é que até o século IV, os cristãos do mundo comemoravam o Seu natalício em diferentes meses e dias, motivo pelo qual a igreja optou por determinar a data de vinte e quatro de dezembro, a fim de que todos os Seus seguidores se unissem para o mesmo evento, como um único coração.
Estranham alguns que tudo que se refira à figura humana do Cristo seja tão obscuro.
Não se sabe com exatidão quando e onde nasceu, quase nada se tem a respeito de Sua infância e adolescência.
Mesmo após a Sua morte, não nos legou senão uma tumba vazia, tendo desaparecido Seu corpo, sepultado em lugar ignorado talvez. 
Exatamente porque, desde o primeiro dia entre nós, Ele, Jesus, insistiu em afirmar que a mensagem é mais importante do que o homem. 
Contudo, algo existe em torno do qual ninguém discute. Todos se irmanam. 
Ele legou à Humanidade o mais belo tesouro de todos os tempos: a lição do amor, o amor por excelência que foi. 
Desde Seu nascimento, na calada da noite à Sua morte na cruz, Sua foi a vida dos que amam em totalidade. 
Por isso mesmo é que não temos as notícias de Jesus no seio de Sua família, convivendo com os Seus.
A Sua família era a Humanidade e com ela esteve ao longo de Sua missão. 
Amou a multidão e a serviu. 
Falou de coisas profundas, utilizando figuras e linguagem acessíveis ao povo, que desejava uma mensagem diferente de todas as que ouvira até então. 
A Sua voz tinha especial entonação e quando se punha a declamar a poesia dos céus, extasiava as almas. 
Os simples O seguiam, os desejosos de aprender e os que ansiavam pelo consolo de suas feridas morais O ouviam atenciosos. 
Sua mensagem era dirigida a todos os seres, nos diferentes estágios evolutivos, para as diferentes idades. 
Dirigiu-se à criança, convidou os moços a segui-lO, arrebanhou homens e mulheres em plena madureza, alentou a velhice. Sua vida foi um contínuo servir. 
Ninguém antes dEle e ninguém depois realizou tamanha revolução no campo das ideias, semeando na terra dos corações, em tão pouco tempo. Menos de três anos... 
Sua mensagem, impregnada do perfume de Sua presença, prossegue no mundo, conquistando as almas. 
Definindo-se como o caminho, a verdade e a vida, Ele é também o consolo dos aflitos, a luz para os que andam em trevas densas, o amparo dos que se sentem desalentados e sós. 
Seu nome é Jesus. 
Sua mensagem é do amor perene. 
Seus ditos e Seus feitos constituem os Evangelhos. A comemoração do Seu natalício a todos nos motiva a amar, doar e perdoar. 
E só há Natal porque Ele veio para os Seus irmãos, para nós e nos legou a mensagem divina que fala de paz, de harmonia e de belezas espirituais. 
Aproveitemos o clima de Natal para meditar a respeito dos ensinos de Jesus. 
Aproveitemos mais. 
Coloquemos em prática ao menos alguns deles. 
E, entre os presentes e mimos que distribuiremos em nome dEle, não nos esqueçamos de colocar uma parcela do nosso coração. 
Não esqueçamos. 
É Natal! 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita v. 12 e no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. 
Em 21.12.2024.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O NATAL É...

O Natal é uma data que está enraizada na História e na nossa cultura. 
A palavra, em si, pode ser utilizada para designar o local de nascimento de alguém ou de algo. 
Tem origem na palavra natalis, do latim, que significa relativo ao nascimento. 
Nós a escolhemos para assinalar o nascimento de Alguém que morreu há mais de dois milênios. 
Alguém que esteve entre nós, que para Si somente desejou o título de Mestre. 
Porque era. Mestre do amor, Mestre da sensibilidade, Mestre da compaixão. 
E, o mais importante, todo ano nós O lembramos com muitas luzes, cores, canções, comemorações. 
Mas Natal é muito mais do que isso. 
É época em que ocorrem muitas doações, que vão de somas em dinheiro, brinquedos para as crianças a cestas básicas para famílias em vulnerabilidade social. 
Há os que criticam toda essa movimentação com tantas campanhas para as crianças dos Centros de Educação comunitários, para os que vivem em barracos pendurados em morros ou em bairros afastados, quase esquecidos. 
No entanto, convenhamos que se trata de um salutar exercício de amor. 
Mesmo que se repita somente uma vez ao ano. 
Alguns se sentem tão bem com o exercício, que resolvem adotá-lo como norma para suas vidas. 
Natal é isso. 
É algo que nos remete à transformação que inicia com a reunião da família, uma oração, uma canção. 
Uma alegre comemoração que fala de reencontro, recheado com abraços e atualizações de acontecimentos de cada um.
Para muitos, troca de presentes que podem ser adquiridos em lojas, em sites, encomendados com muita antecedência ou comprados às pressas, no quase último minuto. 
Alguns nos esmeramos confeccionando mimos delicados que falam do nosso carinho para com nossos pais, avós, tios, amigos. 
Tudo isso em nome do aniversário de um menino que reformulou os conceitos do relacionamento entre os homens.
Por Ele e em nome dEle, nos detemos a olhar nos olhos daqueles que convivem conosco e buscar entender, perdoar, envolver com carinho esses seres humanos que trilham a nossa mesma estrada. 
Em nome dEle, nós nos detemos diante de uma criança e buscamos descobrir o que dizem os seus olhos. 
Em nome dEle, nos propomos a sentir compaixão pelo mais perverso criminoso, entendendo que Ele é nosso irmão e que se faz violento porque desconhece a paz. 
Lembrando Sua Celeste Conduta, vamos ao encontro de alguém que tenhamos ferido, mesmo sem intenção, para o salutar pedido de desculpas. 
Por Ele, esquecemos de nós por um breve momento que seja, deixando nosso irmão em destaque e atenção. 
O Natal é tudo isso. 
ambém para ser vivido depois que a data se vai, consumida pelo calendário, que aponta novos dias. 
Afinal, Jesus, o Celeste Aniversariante, veio à Terra para nos ensinar a viver, a amar, a nos sentirmos verdadeiros irmãos.
Sua vida foi o maior exemplo de grandeza e sabedoria. 
Por isso, o Seu Natal significa vida, e vida abundante... 
E por causa disso todos os demais dias deverão ser, em nossa alma, de perene paz, de bênçãos, de trabalho no bem, de esforço de renovação. 
Feliz Natal, hoje, amanhã e sempre. 
Com Jesus em nossas vidas. 
Redação do Momento Espírita 
Em 25.12.2024

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

UM NATAL DIFERENTE

ALICE GRAY
Naquele escritório era assim. 
Todos os anos, eles procuravam uma família que necessitasse de assistência para comemorar o Natal. 
Para o dia que se aproximava, eles localizaram uma que havia sofrido várias tragédias nos dois anos anteriores. 
O Natal deles seria magro e triste.
Então, durante um mês, todos no escritório foram colocando as doações em dinheiro dentro de uma lata decorada. 
Depois, se divertiram muito escolhendo os presentes para o pai, a mãe e os seis filhos, imaginando a expressão de felicidade deles, ao receberem os presentes. 
Para os meninos, luvas para o inverno e aviões em miniatura.
Para as meninas, bonecas e bichinhos de pelúcia. 
Para a mais velha, já adolescente, perfume e um relógio.
Evidentemente, aquela família não deveria saber quem eram os doadores e, por isso, eles combinaram que o pastor da igreja rural seria o portador dos presentes. 
Na sexta-feira anterior ao Natal, a mãe da família voltou mais cedo para casa, após o trabalho. 
Ela recebera uma gratificação extra do seu patrão. 
O marido ficou feliz com a notícia. 
Agora eles tinham dinheiro para comprar presentes de Natal para os filhos. 
Sentaram-se e juntos fizeram uma lista, procurando combinar o querer com as necessidades. 
Mas, então, eles ficaram sabendo que um amigo estava prestes a ser submetido a uma cirurgia. 
Ele estava desempregado e não poderia pagar as despesas médicas. 
Mais do que isso, nem tinha o que comer em casa. 
Condoídos com a situação, marido e mulher convocaram os filhos para uma reunião de família e decidiram entregar a gratificação de Natal ao amigo. 
Comida e despesas médicas eram mais importantes do que brinquedos de Natal. 
Algumas horas depois de tomada a decisão, o pastor foi fazer uma visita para a família. 
Antes que ele tivesse tempo de explicar o motivo da visita, eles contaram que gostariam de doar o dinheiro ganho e lhe pediram que entregasse o cheque para o amigo necessitado.
O pastor ficou muito surpreso diante de tanta generosidade e concordou em entregar o cheque, com uma condição: todos eles deveriam acompanhá-lo até seu carro. 
Sem entender muito bem o porquê da exigência do pastor, eles concordaram com o pedido. 
Quando atravessaram o portão da casa, viram o carro do pastor abarrotado de presentes de Natal. 
Presentes que o pessoal daquele escritório lhes havia mandado, como expressão de amor natalino. 
Que Natal esplêndido foi aquele para as duas famílias necessitadas, para o coração do pastor e para todo o pessoal do escritório! 
* * * 
Num dia distante, há mais de vinte séculos, o Divino Pastor nasceu entre as Suas ovelhas. 
Veio manso, numa noite silenciosa, somente deixando-se anunciar por um coro de mensageiros espirituais, aos corações dos homens de boa vontade. 
Até hoje, Ele continua assim: falando aos homens que se dispõem a ter boa vontade para com os outros homens. 
Boa vontade para doar-se, para dar-se, para amar.
Este é o sentido do verdadeiro Natal: o amor de Deus para com os homens. 
O amor dos homens uns para com os outros, em nome do Divino Amor que se chama Jesus. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Uma tradição de Natal, de Pat A. Carman, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press. 
Em 10.12.2012.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

E SE ESSE NATAL FOSSE DIFERENTE!

Chega o Natal e quase tudo se repete: as mesmas rotinas; as mesmas preocupações com presentes; a mesma falta de tempo; as mesmas reuniões familiares; as mesmas conversas. 
Tudo muito igual. 
Mas e se esse Natal fosse diferente? 
E se, nesse Natal, ao invés de os presentes serem comprados prontos, nós nos dispuséssemos a fazê-los? 
Os famosos amigos-secretos familiares poderiam propor que cada um oferecesse algo de si, utilizando uma habilidade que tem. 
Nesse processo, que demoraria mais tempo do que uma simples compra de loja, teríamos a chance de pensar naquela pessoa, colocando na pequena lembrança o que realmente desejamos para ela nesse Natal. 
O presente teria muito mais de nós. 
Muito mais valor. 
Se nos falta habilidade, poderíamos nos propor a aprender algo apenas para nos doarmos naquele mimo específico. 
Os resultados seriam surpreendentes. 
E se, nesse Natal, as reuniões em volta da mesa fossem mais simples? 
Que tal dar prioridade ao encontro e às conversações ao invés de gastarmos altos valores e grande quantidade de tempo nas preparações? 
Quanto desperdício vemos nas mesas natalinas, quantos exageros. 
E se, nesse Natal, além de passar momentos felizes com nossos amores, nossa família, também nos propuséssemos a ser a família temporária de alguém? 
Poderia ser numa visita, num passeio, numa refeição que nós mesmos preparássemos e doássemos para aqueles que, muito provavelmente, passarão a data sozinhos. 
E se, nesse Natal, as conversas também fossem diferentes?
Que tal convencionarmos que temas nevrálgicos não pudessem ser abordados? 
Poderíamos combinar e darmos prioridade aos temas felizes, amenos, às alegrias da família, ao balanço positivo do ano, aos elogios, aos planos para o futuro. 
Detalhe importante: que sejam totalmente proibidas a maledicência e a fofoca. 
E se esse Natal fosse diferente também no que diz respeito a Jesus? 
Afinal, não é possível que celebremos a data, chamemos de Natal e nem sequer lembremos do Aniversariante. 
Não se trata de uma questão de religiosidade, mas de coerência. 
Se é uma reunião natalina, pelo menos uma citação, alguma lembrança, uma pequena homenagem a Quem está aniversariando. 
Alguns realizamos preces, o que já é um bom começo. 
Mas que tal relembrar alguma de Suas excelentes lições? 
Um dos Seus feitos bastaria. 
Perceberemos que os ares domésticos mudarão, que algo dentro de nós irá querer despertar. 
Sim, pois tanto Jesus quanto Seus inúmeros trabalhadores do mundo dos Espíritos se alegram quando encontram essas pequenas oportunidades de nos falar ao coração. 
Em momentos como esses, eles nos relembram de compromissos que assumimos antes do berço, que reforçam em nós princípios valorosos. 
Muitas vezes, eles se servem dessas ocasiões para nos despertar do sono materialista em que nos encontramos.
Proponhamo-nos a um Natal diferente. 
Proponhamo-nos sermos diferentes. 
Não nos deixemos levar pelas rotinas hipnotizantes, pela balbúrdia do mundo.
Natal é convite para nascer de novo, para fazer de novo. 
E por que não... diferente? 
Redação do Momento Espírita 
Em 22.12.2025

domingo, 21 de dezembro de 2025

O NATAL DAS SAUDADES

Manuel Bandeira
Lembro com carinho dos Natais de minha infância. 
A família era numerosa, as dificuldades muitas. 
E havia uma época do ano muito especial: o Natal. 
Algumas semanas antes do 25 de dezembro, meu pai trazia para casa um belo pinheiro. 
Era dever de nós todos, contando com a ajuda de mamãe, enfeitar a bela árvore. 
Depois, meus pais colocavam embaixo do pinheiro os tão esperados presentes, que somente poderiam ser abertos no Natal. 
No aguardado dia, preparavam uma bela ceia. 
Porém, antes da refeição, nos reuníamos em torno da mesa e papai narrava como se dera o nascimento de Jesus.
Emocionados, nos uníamos em prece de agradecimento, conduzidos por minha mãe. 
Cantávamos Noite feliz, um tanto desafinados, é verdade. 
A refeição era servida para depois, em torno do pinheiro, recebermos os presentes de Natal: chinelinhos de dedo, lápis, cadernos escolares, suéteres que mamãe havia tricotado. 
Era uma alegria só. 
E, na hora de dormir, eu deixava os chinelinhos atrás da porta, pois, ao amanhecer, é certo de que lá estaria, sobre eles, um delicioso chocolate para alegrar a manhã... 
* * * 
Hoje, sou pai, avô e bisavô. 
É Natal. 
Estão todos, filhos, netos, bisnetos, reunidos em minha casa, em torno de um pinheiro que, anualmente, faço questão de enfeitar. 
Eu os contemplo, assim, felizes, e lembro-me de meus pais e alguns de meus irmãos, que já partiram. 
O Natal é uma época que sempre nos enche de saudades.
Então Pedro, meu bisnetinho de seis anos, trazendo os brinquedos modernos que ganhou, se aproxima e pergunta:
-Vovô, o que o senhor ganhava de presente de Natal quando era criança, assim como eu? 
-Ora, meu filho, eu ganhava chinelinhos de dedo e os colocava atrás da porta, para que, no dia seguinte, ganhasse um chocolate. 
-Vovô, eu tenho chinelinhos! Olha, vovô! 
-Então corra! Vá, coloque seus chinelinhos atrás da porta e quem sabe o que você vai encontrar sobre eles amanhã...
Anos e anos se passaram. 
A tecnologia e os recursos avançaram. 
Ontem fui eu um menino, hoje sou bisavô. 
E a simplicidade de um chinelinho é ainda capaz de fazer o menino de ontem e o de hoje sorrir e ser feliz! 
* * * 
Espelho, amigo verdadeiro, tu refletes as minhas rugas, os meus cabelos brancos, os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro, mestre do realismo exato e minucioso, obrigado! 
Mas se fosses mágico, penetrarias até o fundo deste homem, descobririas o menino que sustenta esse homem, o menino que não quer morrer, que não morrerá senão comigo, o menino que todos os anos na véspera de Natal, pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta. 
* * * 
Ao celebrarmos o nascimento do Embaixador do Amor, lembremos da simplicidade na qual Ele nasceu e viveu. 
O Natal não são os presentes caros, as ceias fartas, as ostentações materiais. 
Onde se cultiva o amor é onde nasce Jesus. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com versos do poema Versos de Natal, de Manuel Bandeira, do livro Lira dos Cinquent'anos, ed. Global. 
Em 23.12.2023

sábado, 20 de dezembro de 2025

A MÃE DE JESUS

MARIA HELENA MARCON
Ela crescera, tendo o espírito alimentado pelas profecias de Israel. 
Desde a meninice, quando acompanhava a mãe à fonte de água, para apanhar o líquido precioso, ouvia os comentários.
Entre as mulheres, sempre que se falava a respeito, perguntavam-se umas às outras, qual seria o momento e quem seria a felizarda, a Mãe do aguardado Messias. 
Nas noites povoadas de sonhos, era visitada por mensageiros que lhe falavam de quefazeres que ela guardava na intimidade d’alma. 
Então, naquela madrugada, quase manhã do princípio da primavera, em Nazaré, uma voz a chamou: 
-Miriam. 
Seu nome egípcio-hebraico, significa Querida de Deus
Ela despertou. 
Que estranha claridade era aquela em seu quarto? 
Não provinha da porta. 
Não era o sol, ainda envolto, àquela hora, no manto da noite quieta. 
De quem era aquela silhueta? 
Que homem era aquele que ousava adentrar seu quarto? 
-Sou Gabriel-identifica-se, um dos mensageiros de Yaweh- Venho confirmar-te o que Teu coração aguarda, de há muito. Teu seio abrigará a Glória de Israel. Conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo e o Seu reino não terá fim. 
Maria escuta. 
As palavras lhe chegam, repassadas de ternura e, pela 
Sua mente, transitam os dizeres proféticos. 
Sente-se tão pequena para tão grande mister. 
Ser a Mãe do Senhor. 
Ela balbucia: 
-Eis aqui a escrava do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra. 
O mensageiro se vai e Ela aguarda. 
O Evangelista Lucas lhe registraria, anos mais tarde, o cântico de glória, denominado Magnificat
A minha alma glorifica o Senhor! 
E o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu salvador!
Porque, volvendo o olhar à baixeza da Terra, para a minha baixeza e humildade atentou.
E eis, pois, que, desde agora, e por todos os tempos, todas as gerações me chamarão bem-aventurada! 
Porque me fez grandes coisas o Poderoso e Santo é o Seu nome! 
E a Sua misericórdia se estende de geração em geração, sobre os que O temem. 
Com o Seu braço valoroso, destruiu os soberbos, no pensamento de seus corações. 
Depôs dos tronos os poderosos e elevou os humildes. 
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos.
Cumpriu a palavra que deu a Abraão, recordando-se da promessa da Sua misericórdia! 
Ela gerou um corpo para o Ser mais perfeito que a Terra já recebeu. 
Seus seios O alimentaram nos meses primeiros. 
Banhou-O, agasalhou-O, segurou-O fortemente contra o peito mais de uma vez. 
E mais de uma vez, deverá ter pensado: 
-Filho meu, ouve meu coração batendo junto ao Teu. Dia chegará em que não te poderei furtar à sanha dos homens. Por ora, Amado meu, deixa-me guardar-te e proteger-te. 
Ela lhe acompanhou o crescimento. 
Viu-O iniciar o Seu período de aprendizado com o Pai, que lhe ensinou os versículos iniciais da Torá, conforme as prescrições judaicas, embora guardasse a certeza de que o Menino já sabia de tudo aquilo. 
Na sinagoga, O viu destacar-se entre os outros meninos, e assombrar os doutores. 
O Seu Jesus, Seu filho, Seu Senhor. 
Angustiou-se mais de uma vez, enquanto O contemplava a dormir. 
Que seria feito dEle?
Maria, Mãe de Jesus. 
Mãe de todos nós. 
Mãe da Humanidade. 
Agradecemos-te a dádiva que nos ofertaste e, ao ensejo do Natal, te dizemos: 
-Obrigado, Mãe. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A mãe de Jesus, do livro Personagens da Boa Nova, de Maria Helena Marcon, ed. FEP. 
Em 20.12.2025

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O MENINOZINHO NAS SUAS PALHAS

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades.
Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.
As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência. 
Tudo isso para celebrar um meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.
* * * 
Cecília Meirelles apresenta um cenário muito comum, ainda nos dias de hoje, na época de Natal. 
As ruas, o comércio, as pessoas, todos se enfeitam, sem saber muito bem o porquê – a bem da verdade. 
Se pararmos para pensar, pensar profundo, encontraremos poucas ligações reais entre toda essa balbúrdia, todos os badulaques e ornamentações, e o meninozinho envolto em pobres panos e palhas – como lembra a escritora. 
Será que paramos para pensar, refletir, sobre o significado desse nascimento? 
É apenas um fato histórico que celebramos? 
Pois se for apenas isso, nem mesmo estamos fazendo direito, uma vez que a data é apenas uma convenção. 
Estudos mais elaborados mostram outras datas bem mais prováveis para a chegada do menino à Terra. 
Não... Não pode ser apenas isso. 
O nascimento dEle é algo muito maior. 
É um marco para a Humanidade. 
Não por dividir o tempo, mas por ser o início da era do amor na face da Terra. 
Antes dEle, não compreendíamos o amor, e Ele nô-lo mostrou de uma forma inesquecível. 
Não... 
Todos esses brilhos externos, essas suntuosidades estranhas não representam o meninozinho em suas palhas. 
Os panos, a palha significavam o recolhimento e a simplicidade – esses os verdadeiros símbolos do Natal.
Recolhimento – a viagem para dentro de si, para dentro de suas virtudes e imperfeições, conhecendo o que se precisa burilar e conquistar. 
O recolhimento da paz, da tranquilidade perante os obstáculos, da confiança em Deus
Simplicidade – despir-se das complicações, dos excessos, dos supérfluos que escravizam. 
Despir-se do orgulho e do egoísmo, que tanto alarde fazem em nosso coração, sufocando nossa verdadeira voz e encobrindo nosso real brilho – brilho de deuses. 
Sim... 
O recolhimento e a simplicidade são os verdadeiros símbolos do Natal, como tão bem percebeu nossa poetisa: São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. 
Pagamos por essa graça delicada da ilusão. 
E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. 
Durável — apenas o meninozinho nas Suas palhas, a olhar para este mundo. 
Redação do Momento Espírita, com base em capítulo do livro Quatro Vozes, de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Manuel Bandeira e Raquel de Queiroz, ed. Record.
Em 19.12.2025

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O CARTÃO DE NATAL

Sir Henry Cole
O cartão de Natal Os cartões de Natal já foram parte de uma importante tradição entre amigos e familiares durante a época das festas. Acredita-se que o primeiro cartão de Natal a ser impresso e copiado para uso de outras pessoas foi criado em 1843 por Sir Henry Cole, que era funcionário público e, três anos antes, havia reformado todo o sistema postal britânico.
Naquele ano, Cole teve a ideia de criar um cartão para enviar seus cumprimentos de Natal a amigos e familiares e dar um toque alegre e carinhoso à ocasião. 
Mil cópias do cartão foram impressas e criadas por Callcott Horsley, um pintor e ilustrador britânico.
A imagem apresentava a família celebrando as festas, unida. Na mesma arte, ainda podiam se ver algumas cenas com atos de caridade material, por exemplo: no lado direito, havia pessoas doando roupas aos necessitados e, no lado esquerdo, outras distribuindo alimentos. 
Por fim, em destaque, na parte inferior, a inscrição: 
Feliz Natal e Feliz Ano Novo para você. 
Além disso, dois espaços em branco para que as pessoas personalizassem a correspondência. 
Foram-se os anos. 
Talvez muitos de nós ainda nos lembremos dos cartões que escrevemos e recebemos. 
Era um momento de abrir o coração, de escrever o que vinha na alma, embalados pela emoção da lembrança do Nascimento de Jesus. 
Para quem gostava de escrever, os melhores cartões eram aqueles que vinham em branco na parte de dentro, deixando que a criatividade e o amor pudessem fluir livremente. 
Talvez alguns de nós guardemos cartões especiais até hoje, com a letra de amores que já não estão mais conosco. 
Outros lembremos dos pés das árvores de Natal, repletos deles, como adereços. 
Outros ainda, das prateleiras e balcões de casa, com os cartões semiabertos – lembranças dos carinhos que recebíamos a cada final de ano. 
Os mais novos possivelmente não saibam o que é isso. 
Na era da internet, o mundo inventou os cartões digitais, enviados por e-mail ou mensagem, mas podemos dizer que nada substitui aquelas palavras escritas de próprio punho, que no final vinham com uma bela assinatura e uma data. 
Quem sabe alguns de nós não tenhamos mais nenhum desses costumes, nem mesmo as breves mensagens pelo smartphone... 
Que tal, neste Natal, fazer algo diferente, um pouco saudosista? 
Uma experiência? 
Mandar alguns cartões de Natal! 
Eles ainda existem! 
Escolhamos umas artes bem bonitas, de preferência aquelas que lembrem o Nascimento de Jesus, pois andamos precisando de mais Jesus em nossos Natais. 
Escrevamos algumas palavras de próprio punho, e enviemos ou entreguemos em mãos. 
Com certeza essa nossa atitude valerá mais do que qualquer lembrancinha de Natal que ofereçamos a um ou outro.
Tratemos isso como um desafio, um experimento social, se quisermos chamar assim. 
E aguardemos os resultados. 
Precisamos de mais carinho. 
Nossos Natais precisam de sentimento, do resgate das relações, do cultivo do amor em todas as suas expressões.
Tenhamos certeza de que o Aniversariante ficará muito feliz com essa atitude. 
Redação do Momento Espírita com base em matéria publicada no site 
Em 18.12.2025

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

NA ANTECIPAÇÃO DO NATAL

Aproxima-se o Natal. 
Momento de luz, de reflexão, de olhar para dentro. 
Momento de sentir a melodia da esperança tocar nossos corações. 
Deixemos de lado, por um instante, a corrida pelos presentes, a ansiedade pela ceia perfeita ou pela roupa nova. 
A verdadeira magia do Natal reside na simplicidade, na essência de nos conectarmos uns com os outros. 
Para esse Natal, que tal nos propormos a empatia.
Colocarmo-nos no lugar do nosso vizinho, do nosso familiar, do colega que talvez não esteja vivendo bons momentos. 
Um gesto de carinho, um ombro amigo, valem mais que qualquer ouro. 
Proponhamo-nos a exercitar o olhar gentil, aquele que enxerga a dor e a dificuldade do outro sem julgamentos, apenas com pura e simples compaixão. 
É a partir dessa atitude que a verdadeira paz começa a florescer, dentro de nós, espalhando-se para o mundo.
Preparemos a festa de Natal menos barulhenta por fora, e muito mais sonora na alma. 
Silenciemos as discórdias, deixemos de lado as picuinhas e velhas mágoas que só nos prendem. 
Libertemo-nos para a leveza e a alegria do perdão.
Promovamos a harmonia em nossa casa, na nossa mesa de Natal, no abraço apertado para quem amamos. 
Que as conversas sejam recheadas de afeto e reconhecimento, e que cada palavra dita seja um bálsamo para quem a recebe. 
Reservemos esse Natal para um respiro consciente.
Desaceleremos, apreciemos a companhia, o sabor da comida, o brilho das luzes. 
Enviemos uma mensagem sincera para aquela pessoa que não vemos há tempos. 
Telefonemos para o parente distante e digamos o quanto ele é importante. 
Pequenas atitudes são como gotas no oceano. 
Juntas, formam a imensidão de um mar de boas palavras.
Que neste Natal nossa melhor decoração seja o sorriso, e nossa melhor melodia seja o riso das pessoas que amamos.
Afinal, nosso maior tesouro é a família que construímos, o laço de afeto que nos une e nos fortalece a cada dia. 
Se possível, estendamos a mão a quem precisa, mesmo que de longe. 
Uma doação, um voluntariado, ou simplesmente um ouvido atento. 
A solidariedade é a essência do espírito natalino, é a prova de que o amor de que tanto falamos é, de fato, uma ação.
Façamos um pacto de gentileza para o final de ano: tratar a todos com o respeito e a dignidade que merecem, desde o atendente da loja até o motorista no trânsito. 
Que a luz do Natal ilumine a nossa maneira de conviver.
Usemos esta data em que lembramos o nascimento do Mestre Jesus para nos amarmos, para nos cuidarmos, para nos perdoarmos.
Permitamos que a energia da noite de Natal nos recarregue de esperança, para que o ano que se aproxima seja construído com mais fé e propósito. 
Lembremos: o verdadeiro milagre do Natal é a nossa capacidade de recomeçar, de amar e de sonhar. 
Vivamos, portanto, este Natal diferente, de coração aberto e alma leve. 
Que a paz de Cristo habite nosso lar, a harmonia guie nossos passos e as boas palavras transformem nosso dia e o de quem está ao nosso redor. 
Um feliz e perene Natal a todos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 16.12.2025

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

NOSSAS SAUDADES

Em algumas manhãs, a saudade canta sonoridades estranhas. 
Parece que a alma despertou de um passeio, em que comungou com os amores do lado de lá. 
Nesses dias, é bom recordarmos dos momentos de alegre convivência. 
Lembrar dos dias felizes, dos abraços demorados, das surpresas arquitetadas em datas especiais. 
Recordar do irmão querido, mais velho, que costumava nos pregar peças de agradáveis desfechos. 
Da irmã amada que nos levava consigo em passeios, que nos lecionava boas maneiras, que nos ensinava a pronunciar corretamente palavras difíceis. 
Recordar a alegria de nosso pai nas festas familiares, do seu bom gosto pela música, da sua maneira peculiar de narrar histórias ou fatos observados em suas viagens de negócios.
Tantas coisas boas para trazer de retorno à memória. 
Nada de lúgubre, triste ou desagradável. Somente coisas boas. 
Coisas que alimentem nossa alma, conduzindo-a a uma suave comunhão. 
Como um revivenciar de dias doces e amigos. 
Lembrar do bolo especial de nossa mãe, para os aniversários.
Massa de pão de ló, camadas recheadas de frutas, de cremes de baunilha e chocolate. Cobertura branca lisinha, sem nenhum desnível. Cobertura que requeria claras batidas em neve, com adição delicada e gradual de açúcar refinado e peneirado. 
Tudo feito no capricho, sem pressa, desejando algo verdadeiramente especial. 
Por vezes, para ser diferente, coco ralado polvilhado por cima, imitando minúsculos flocos de neve. 
Neve que não chegamos a conhecer, senão depois de adultos, em rara e peculiar nevasca em nossa cidade.
Lembranças de carinho que nos alimentam a alma e arrefecem a canícula da saudade. 
Acreditemos: para eles também, os amores que partiram, o efeito é o mesmo. 
Eles, como nós, sentem saudades de momentos ricos de sentimentos. 
Vivem em outra dimensão, têm suas tarefas e seus afazeres. Porque todos trabalham em qualquer das moradas do Pai.
Mas sentem nossa falta. 
Desejam, como nós, reviver o aconchego da ternura partilhado durante anos. 
Esse rememorar é um momento de especial convívio. Que os saibamos aproveitar com doçura, com recordações felizes.
Pensemos que, no rememorar dessas lembranças felizes, eles estão conosco para sorrirem, se felicitarem. 
Doces oportunidades de reencontro.
Saibamos aproveitá-las para nossa felicidade. 
E dos nossos amados, onde quer que estejam, nesse imenso Universo de Deus. 
*** 
Não há adeus definitivo para o que é imortal. 
Nossos amados não se foram para longe. 
Apenas se transformaram na mais pura e radiante das lembranças, na força gentil que nos guia. 
Eles estão no sol que nos aquece, no perfume da flor preferida, e, sobretudo, na alegria que escolhemos cultivar.
Por isso sorrimos. 
Não para disfarçar a dor da ausência, mas para atrair a essência alegre de quem partiu. 
Esse amor, que a morte tentou calar, apenas elevou-se. 
É a certeza de um laço inquebrável, um para sempre bordado com saudade e carinho, que vive em cada batida do nosso coração e em cada raio de luz das nossas melhores recordações. 
É assim que o amor triunfa e a saudade é alimentada. 
Redação do Momento Espírita
Em 15.12.2025

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

OS MORTOS VIVEM

A comemoração dos mortos, hoje denominada dia de finados, tem origem na Gália antiga, no território europeu. 
É comum no dia de hoje a intensa visitação aos túmulos. 
E se observam cenas interessantes. 
Existem os que se sentam sobre os túmulos dos seus amados, e ali passam o dia. Para lhes fazer companhia. 
Como se, em verdade, eles ali estivessem encerrados. 
Outros lhes levam comidas e bebidas. Para que se alimentem.
Como se o Espírito disso necessitasse. 
Outros ainda gastam verdadeiras fortunas em flores raras e ornamentações vistosas.
Decoram o túmulo como se devesse ser a morada do seu afeto. 
Tais procedimentos podem condicionar o Espírito, se não for de categoria lúcida, consciente, mantendo-o ligado aos seus despojos, ao seu túmulo. 
Como cristãos, aprendemos com Jesus que a morte não existe. 
Assim, nossos mortos não estão mortos, nem dormem.
Cumprem tarefas e distendem mãos auxiliadoras aos que permanecem no casulo carnal. 
Prosseguem no seu auto-aprimoramento, construindo e reformulando o mundo íntimo, na disciplina das emoções. 
E continuam a nos amar. 
A mudança de estado vibratório não os furta aos sentimentos doces, cultivados na etapa terrena.
São pais e mães queridas, arrebatados pelo inesperado da desencarnação. 
Filhos, irmãos, esposos - seres amados. 
O vazio da saudade alugou as dependências de nosso coração e a angústia transferiu residência para as vizinhanças de nossa alma. 
É hora de nos curvarmos à majestade da lei divina e orarmos.
A prece é perfume de flor que se eleva e funde abraços e beijos, a saudade e o amor. 
Para os nossos afetos que partiram para o mundo espiritual, a melhor conduta é a lembrança das suas virtudes, dos seus atos bons, dos momentos de alegria juntos vividos. 
A prece que lhes refrigera a alma e lhes fala dos nossos sentimentos. 
Não há necessidade de se ter dinheiro para honrar com fervor cristão os nossos mortos. 
Nem absoluta necessidade de nossas presenças ao lado das suas tumbas. 
Eles não estão lá.
Espíritos libertos, vivem no mundo espiritual tanto quanto estão ao nosso lado, muitas vezes, nos dizendo da sua igual saudade e de seu amor. 
* * * 
Você sabia que foi no ano de 998 que o dia de finados começou a ser comemorado nos mosteiros beneditinos, na França? 
E você sabia que somente no ano de 1915 se tornou oficial?
* * * 
Se você deseja honrar seus mortos, transforme em pães e peças de vestuário para crianças e gestantes pobres as quantias amoedadas que gastaria na ornamentação dos túmulos e em flores exuberantes. 
Oferte-as em nome e por seus amados. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 13, ed. FEP. 
Em 02.11.2023.