sábado, 28 de fevereiro de 2026

A MULHER PERFEITA

PAULO COELHO
Conta-se que um mestre, chamado Nasrudin, conversava com um amigo, que lhe fez a seguinte pergunta: 
-E então, mestre, nunca pensaste em casamento? 
-Já pensei, respondeu Nasrudin. Em minha juventude, resolvi conhecer a mulher perfeita. Atravessei o deserto, cheguei a Damasco e conheci uma mulher espiritualizada e linda. Mas ela não sabia nada das coisas do mundo. Continuei a viagem e fui à cidade de Isfahan. Lá encontrei uma mulher que conhecia o reino da matéria e do Espírito, mas não era bonita. Então, resolvi ir até o Cairo, onde jantei na casa de uma moça bonita, religiosa e conhecedora da realidade material.
Intrigado, o amigo indagou: 
-E por que não casaste com ela? 
-Ah! Meu companheiro! Suspirou Nasrudin. Infelizmente ela também procurava um homem perfeito.
* * * 
O ensinamento do sábio aplica-se perfeitamente aos dias de hoje. 
É comum ouvirmos as exigências das pessoas, no que diz respeito à amizade, ao namoro e casamento. 
Os jovens e as jovens trazem em suas mentes sonhadoras a idealização de como deverá ser aquele, ou aquela, que conquistará seu coração. 
Ingenuamente, procuramos a perfeição no outro, desde que não podemos encontrá-la em nós mesmos. 
Não há mal, de forma alguma, em ser exigente na escolha de nossas amizades ou de um futuro esposo ou esposa. 
Isso é saudável, desde que não cheguemos ao exagero, é claro. 
O problema está em sempre querer que o outro seja especial, que tenha diversas virtudes, esquecendo de que ele, ou ela, também tem suas exigências, suas idealizações. 
Assim, poderíamos questionar: 
-Será que eu tenho essas características, essas virtudes que procuro no outro? Será que ele não tem uma lista de exigências como a minha? Eu preencho os meus próprios requisitos? 
Exemplificando: sonhamos com alguém que seja companheiro, que seja sincero, e em quem possamos confiar.
Agora, já paramos para analisar se estamos dispostos a ser assim para com o outro? 
Se a virtude da sinceridade está em nosso coração, ou se somos dignos de inspirar confiança? 
Vejamos como a racionalidade nos ajuda a entender melhor as coisas da vida. 
Ela nos ensina a perceber que, antes de exigir qualquer virtude dos outros, é preciso verificar se nós a temos. 
Assim, é importante o esforço para nos melhorarmos, para agradar os outros, buscando a perfeição em nós primeiramente. 
Ainda estamos longe da sublimidade, é certo, mas é preciso caminhar rumo a ela todos os dias. 
* * * 
É belo sonhar. 
É necessário almejar a felicidade. 
Mas, enquanto procuramos por ela apenas no quintal vizinho, continuaremos a viver decepções e frustrações em nossos dias. 
Vamos habituar nossa mente a pensar em como poderemos fazer felizes aqueles que estão à nossa volta, ao invés de apenas exigir atitudes e sentimentos dos outros. 
É belo sonhar. 
É necessário almejar a felicidade. 
Mas atentemos sempre para o fato de que, para sermos felizes em nosso lar, precisamos levar a felicidade ao quintal de alguém. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A mulher perfeita, do livro Histórias para pais, filhos e netos, de Paulo Coelho, ed. Globo. 
Em 20.08.2019.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A MULHER NO MUNDO

Durante longos séculos a mulher foi relegada a plano secundário, inferior mesmo. 
Menosprezada, muitas vezes, e excluída de áreas consideradas de exclusividade masculina. 
Foi-lhe negado o direito de decidir sobre sua própria vida, de enriquecer o intelecto pelo estudo, de tantas coisas mais. 
O Mestre de Nazaré deu exemplo de respeito à mulher, tratando-a com dignidade e valorizando sua missão na Terra.
Acolheu a equivocada de Magdala, concedeu oportunidade de regeneração à adúltera, que lhe foi trazida para julgamento.
Na Samaria, é para Fotina, a mulher que vai ao poço de Jacó buscar água que Ele se apresenta como o Messias, 
Aquele que tem a água viva. 
Ele mesmo, Espírito de superior grandeza, serviu-se de uma mulher para vir à Terra. 
E demonstrou o quanto a amava ao confiá-la ao Apóstolo João, enquanto Ele se despedia do mundo material, na agonia da crucificação. 
A mulher é cocriadora com Deus, na tarefa de ofertar corpos para os filhos dEle, Espíritos imortais, se materializarem sobre o planeta, atendendo à lei do progresso. 
A mulher é o vaso eleito para a luz da reencarnação. 
Nela a vida se acolhe e se sustenta. 
Também a regeneração do homem, considerando que ela o nutre com seu amor e lhe dá as primeiras lições de vida. 
O colo maternal, as palavras de carinho, o direcionamento moral, o sorriso delicado são predicados inerentes à função da mulher. 
Ela avança no intelecto, dirige empresas, assume altos cargos públicos, comanda homens e mulheres, mas será sempre a face da ternura, onde quer que se encontre. 
No terreno das crenças, a presença da mulher sempre se fez constante. 
Na Antiguidade, a vemos ligada aos cultos religiosos. Na Grécia, eram as pitonisas, que traziam ao povo as mensagens do deus Apolo. 
Em Roma, eram as vestais, dedicadas à deusa Vesta.
Iniciavam seu ofício entre os sete e os dez anos e assumiam um compromisso por três décadas, devendo manter aceso o fogo sagrado. 
Ainda hoje, em todas as religiões, a mulher engrandece de sentimentos elevados os corações. 
Atende seu lar, como esposa, mãe, educadora e se doa, na assistência ao próximo, em múltiplas atividades. 
Mulheres corajosas existem em toda parte, alavancando a família, sustentando o trabalho social nos templos de variadas crenças, cuidando dos enfermos, enfrentando adversidades.
Mulheres que não medem esforços para servir. 
Trabalham arduamente, no setor profissional. Enfrentam as tarefas do lar. 
E se doam, com amor e alegria, em benefício alheio, sempre que preciso for. 
Mas, de todas as tarefas da mulher, sobressai a maternidade como a plenitude do coração feminino. 
Enquanto mãe, guarda a mulher a chave do controle do mundo. 
Afinal, ela é a mãe do sábio, do cientista, do professor, do político, de todos os grandes homens. 
Também é a mãe do infeliz que sucumbe no crime, na droga, no mal. 
Maternidade é missão e alegria, é prova e sofrimento. 
Mas traduz o grande amor de Deus, ensejando o burilamento das almas na ascensão dos destinos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 50, do livro O Espírito da Verdade, de autores diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. FEB. 
Em 22.04.2017.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

UMA GOTA NO OCEANO...

DIVALDO PEREIRA FRANCO(✝︎)
Como poderia surgir algo de bom de um jovem rico, acostumado a ser servido, dormir em lençóis de seda, não fazer nada na vida além de usufruir de regalias e mais regalias? 
E se juntarmos um carpinteiro, cujo sonho era ter uma casa com muitos filhos e, depois de anos e anos de espera, acabou sozinho, numa floresta gelada? 
Somemos a isso que a cidade próxima vivia o caos da maldade, onde o prazer de cada um era criar dificuldades para o outro. 
Lemos em obra de inigualável valor que o esforço é lei da vida e todos os seres, de uma forma ou outra, não se podem furtar a ele. 
O esforço expressa-se pelo trabalho aplicado em favor do crescimento pessoal, na busca dos painéis intelecto-morais.
Onde viceja, enfloresce a paz e, no lugar no qual a ação, movimenta o progresso, estua a alegria. 
Num lugar tão caótico, como a ação de uma pessoa poderia fazer a diferença? 
Como transformar algo tão ruim em civilizado? 
Como transformar uma sociedade em que cada um somente vê o outro como inimigo? 
A sabedoria de nosso Pai, no entanto, não tem limites. 
Uma garota faz um desenho expressando a tristeza de estar tão só. 
E a Divindade contrata um vento brando para levar aquele desenho até as mãos do homem solitário. 
Um homem que, enquanto esperava que lhe nascessem os filhos, construiu os mais belos brinquedos. 
Então, a menina recebeu um presente em sua casa, enchendo-se de alegria. 
E como alegria não consegue ficar oculta, porque deseja espalhar os seus benefícios, logo a garotinha divulgou a notícia a outras crianças. 
Assim, o jovem, que nunca fizera algo em sua vida, se empenhou em falar àqueles pequenos, acostumados a maldades, desde o berço, que poderiam ganhar brinquedos.
Bastava que e
O objetivo era praticar uma ação positiva a cada dia. 
E todos os meninos e meninas buscaram a escola, que precisou ser reaberta para que aprendessem o segredo das letras e da elaboração das frases. 
Logo começaram os relatos, nas cartas, intensos e verdadeiros: 
-Meus irmãos e eu, em vez de roubarmos as frutas de Dona Runa, as colhemos e levamos em uma cesta para ela. Dona Runa fez uma torta e trouxe para nossa mãe, que fez um doce e levou para ela. 
Fora criada a corrente da gentileza. 
As armas foram desaparecendo, sendo substituídas por brinquedos. 
Os vizinhos passaram a falar uns com os outros. Logo a cidade se transformara. 
Gentileza gera gentileza.
Em poucos meses, deixou de ser absolutamente cinzenta. 
As casas foram arrumadas e todos começaram a colaborar uns com os outros. 
Surgiram o Clube do Livro, churrascos e cafezinhos como motivos para encontros e reencontros. 
Eles haviam descoberto a alegria de viver bem, de conviver, de se auxiliar. 
Deus não é mesmo incrível? 
Como poderia conduzir aquele jovem preguiçoso para um local tão ruim, para encontrar um coração solitário de um carpinteiro e realizar uma transformação que ninguém acreditava possível? 
Bem verdade é que uma gota faz toda diferença na imensidade do oceano. 
Redação do Momento Espírita, com descrição de cenas do filme Klaus, disponível na Netflix; com base na terceira parte, cap. XII, questão 909 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB e no cap. 13, do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. 
Em 26.02.2026

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A MULHER MÃE

Anna Jarvis
O mês de maio é dedicado às mães. 
Tudo começou nos Estados Unidos, com Anna Jarvis. 
No segundo domingo de maio de 1907, ela resolveu transferir para todas as mães do mundo a homenagem que seus amigos prestavam para sua própria mãe, Anna Reeves Jarvis.
A ideia foi abraçada em nosso país em 1919, mas somente em 1932, por Decreto Presidencial, passou a se dedicar o segundo domingo de maio para se homenagear as mães. 
O interessante, no episódio, é que alguns de nós nos recordamos que temos mãe somente no dia em que o calendário assinala. 
E, contudo, mãe é uma personagem fundamental em nossas vidas. 
Pedro Almodóvar
O cineasta espanhol Pedro Almodóvar narra suas experiências com sua mãe. Diz se lembrar dela em todos os momentos de sua vida.
Recorda como ela era extremamente criativa. Uma pessoa de iniciativa.
Em uma época que viveram num pequeno povoado espanhol onde a vida era difícil, porém barata, sua mãe começou a trabalhar como leitora e escrevedora de cartas. 
Com o que ganhava complementava o salário do marido.
O menino Pedro, à época com oito anos, começou a observar que o texto que a mãe lia não correspondia ao que estava no papel. 
Parte ela inventava. 
As vizinhas nem tomavam conhecimento disso, porque o inventado era algo que preenchia aquelas vidas. 
Ela acrescentava uma observação de carinho, de afeto que a carta não trazia. 
Era como se ela preenchesse as lacunas das cartas para tornar aquelas vidas sofridas mais alegres. 
Os improvisos passaram a falar mais alto para o menino Pedro. 
Continham uma grande lição. 
Estabeleciam a diferença entre a ficção e a realidade e o quanto a realidade necessitava da ficção para ser completa, mais agradável, mais fácil de se viver. 
Possivelmente por passar a olhar a vida por este ângulo, escolheu a carreira de cineasta. 
Todos nós percebemos, às vezes somente depois que elas se vão, que as mães são extremamente importantes.
Não necessitam, verdadeiramente, fazer nada de especial para serem essenciais, importantes, inesquecíveis, didáticas.
Elas simplesmente o são. 
Quem não se recordará das primeiras lições aprendidas com aquela personagem única? 
Quem não haverá de se lembrar com emoção das noites de mal estar em que ela ficou sustentando-nos o corpo contra o seu, num aconchego de carinho? 
A primeira ida ao colégio, a mão protetora. 
O afago no dia da desilusão da perda de um jogo na escola. 
O enxugar das nossas lágrimas no dia do insucesso na peça teatral, em que esquecemos o texto e vimos a turma toda a nos olhar, em expectativa. 
* * * 
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Há sempre renúncia na mulher que opta por ser mãe. 
No anonimato da sua abnegação, ela permanece vigilante aos deveres assumidos com alegria junto ao filho. 
Frutos do seu devotamento, conseguimos vencer a noite do tempo e brilhar no mundo. 
Enquanto as mães se multiplicarem no mundo podemos guardar a certeza do descortinar de um futuro melhor para a Humanidade. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo O último suspiro, de Pedro Almodóvar, publicada em Seleções Reader´s Digest, maio.2000 e no cap. 2 do livro Terapêutica de emergência, de Espíritos diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Disponível no Cd Momento Espírita, v. 18, ed. FEP. 
Em 18.07.2013

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

RECEITA INFALÍVEL

ALBINO TEIXEIRA(espírito)
CHICO XAVIER(✝︎)
Uma receita para tratamento de determinada enfermidade é um conjunto de orientações e instruções detalhadas. 
Nela estão incluídos os nomes dos medicamentos, dosagens, via de administração e tempo de utilização. 
Analisando a etimologia da palavra receita, encontraremos o imperativo récipe, que tem o sentido de receba ou tome, referindo-se a ingredientes para se manipular um medicamento. 
Os ensinamentos de Jesus devem ser recebidos assim, como medicamentos de tratamento, alguns buscando tratar enfermidades implantadas na alma, outros como profilaxia, evitando que a saúde se altere. 
Lembremos de alguns itens dessa receita: Para pensamentos sombrios, alguns instantes de prece. 
Importante mudar os hábitos mentais e, quando invadidos por ideias deletérias, pensamentos que inclusive parecem não ser nossos, mudar a sintonia, buscando momentos de oração. Na oração, pedimos auxílio. 
Na oração, mudamos a vibração dos pensamentos. 
Para irritação: silêncio de meia hora, pelo menos. 
Todos nos irritamos, em algum momento. 
Indispensável que avaliemos nossa irritação, jamais fazendo de conta que ela não existe. 
Alguns a contornamos com bom humor. 
Alguns saímos para uma caminhada ao ar livre. 
Outros permanecemos em silêncio, sabendo que qualquer coisa que possamos falar será dita de forma inadequada. 
Para tristeza: ampliação voluntária da quota de trabalho habitual. 
A tristeza é também um sentimento natural. 
Precisamos dar espaço para ela, analisá-la, escutá-la. 
O perigo se encontra quando ela permanece por tempo dilatado, quando se torna desânimo constante e falta de vontade de tudo. 
O trabalho nos coloca na condição de sermos úteis, mantendo ocupada a vida mental, evitando a hora vazia e os pensamentos melancólicos. 
Para a solidão: auxílio a alguém que, em relação a nós, talvez se encontre mais sozinho. Curioso, mas nos momentos em que nos sentimos pequenos, abandonados, vítimas, esquecemos que a dor é partilha de muitos. 
Experiências como essas que atravessamos são comuns no mundo em que vivemos. 
Podemos ter sido abandonados por esse ou aquele, sofrido decepções aqui ou ali, mas esse abandono ou solidão que mencionamos nunca é tão drástico como o que pensamos estar vivendo. 
Por vezes, nós mesmos nos colocamos nesse estado. 
De outras, falta-nos observar ao redor, perceber quantos nos amam e estão de braços abertos a nos esperar. 
Por fim, sós, realmente sós, nunca estaremos. 
Temos um Espírito protetor, designado pelas leis divinas para nos acompanhar desde o início da encarnação. 
Um companheiro desvelado que está ao nosso lado. 
Além disso, estamos mergulhados no amor de nosso Pai, abraçados por Ele. 
A receita segue, basta que estudemos os passos do Mestre.
Cada exemplo, cada palavra dita ou não dita nos serve como medicação indispensável para nossos dias. 
Sigamos a prescrição com atenção, diariamente, e evitemos esquecer a receita em qualquer canto da casa mental.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 18, do livro Caminho Espírita, pelo Espírito Albino Teixeira, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. IDE. 
Em 24.02.2026

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

A MULHER IDEAL

RAUL TEIXEIRA
Afixado em um mural, estava o cartaz chamativo: Procura-se uma mulher. 
Que mulher seria?
O autor colocou em prosa o seu anseio nos seguintes termos:
-Minha procura não é algo fácil. Em meu caminhar por este mundo tenho conhecido todo tipo de pessoas, de todas as condições sociais. Mas, no final das contas, somente tem-se tratado de pessoas e o que eu procuro é uma mulher. Uma mulher que não tema ser forte, segura e independente, porque com isso não perde sua feminilidade, pelo contrário, toma o lugar que lhe corresponde na evolução do casal humano. Uma mulher disposta a descobrir e desenvolver todos os seus valores em potencial porque nós, os homens, jamais amadurecemos emocionalmente se temos companheiras, mães, ou irmãs que dão pouca importância ao crescimento como pessoas. A evolução supõe um crescimento compartilhado. Uma mulher preparada e decidida, que não somente saiba o que fazer, mas como e quando fazer, porque assim será um respaldo para mim como eu, com prazer, o serei para ela. Uma mulher que me ajude a ver-me como sou, não como acredito que sou. Que tenha tato para dizer meus defeitos no momento em que estou mais receptivo, para que aceite a crítica construtiva e possa, assim, florescer como pessoa. Uma mulher que seja terna, sem perder a firmeza. Séria, sem chegar a ser solene. Desejosa de superar, sem sentir-se superior. Doce, sem ser melosa. Uma mulher que seja minha companheira em tudo, desde estender a cama juntos até o adentrarmos em uma aventura intelectual, passando pela experiência de trabalhar ombro a ombro e percorrer um parque de bicicleta. Uma mulher que não se alarme se alguma vez me vir chorar. Quero recuperar essa capacidade de expressão reprimida. Que me anime a permitir-me ser frágil e a pedir ajuda mesmo sendo um homem forte. Uma mulher que não se deixe utilizar e que nunca manipule outro ser humano incluindo seu companheiro, pois não tem fundamento cair em uma dependência destrutiva, quando existe a alternativa luminosa de um enriquecimento recíproco. Uma mulher que saiba que o homem foi denominado o ser mais elevado dos viventes, mas que ela, como mulher, foi concebida como a mais sublime das criações do Universo.
* * * 
Sem dúvida, à mulher cabe uma importante quota de contribuição com a obra de Deus, oferecendo a sua sensibilidade e a sua inteligência em favor da vida. 
Muito a propósito é a afirmação do Espírito da Verdade, na obra O Livro dos Espíritos, quando alerta que a tarefa delegada para a mulher é mais importante que a do homem.
Isso porque cabe a ela conduzir os homens, dando-lhes as primeiras noções de vida. 
Quando a mulher se decidir a educar e amar, instruir e orientar com firmeza e disposição, o mundo, mais rapidamente, mudará para melhor. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Uma mulher, de Rafael Martin del Campo, do livro Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana e no cap. 13 do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.01.2011.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

TRÊS ANOS!

EMMANUEL - ANDRÉ LUIZ
E CHICO XAVIER
Foram três anos incompletos para Ele mudar o curso da vida no planeta. 
Tempo marcado a partir do início de Seu ministério, quando se apresentou a João Batista às margens do rio Jordão, até os instantes derradeiros na crucificação. 
São estimativas, naturalmente.
Mas tomemos a simbologia do período para uma análise necessária para todos nós. 
Foi nesse período que Simão Pedro deixou de ser um pescador comum, e foi convidado a se tornar um pescador de almas. 
Mesmo com dificuldades e um ato de invigilância antes da partida do Mestre, tornou-se a pedra fundamental do que seria construído.
Foi nesse período que João, ainda adolescente, juntou-se ao grupo que estava sendo formado por Jesus, e vivenciou experiências inigualáveis. 
Falaria delas em seu evangelho, com doçura e saudade. 
O único dos apóstolos a estar com Ele aos pés da cruz. João construiu muito ao longo da existência. 
Desencarnou em idade avançada, dando continuidade ao trabalho de amor proposto por Jesus. 
Tudo graças àquele período com Ele. 
E certa Maria, da cidade de Magdala, nessa mesma etapa, repensou seus caminhos, e se tornou outra pessoa.
Transformou-se na trabalhadora de Jesus, acolhendo sofredores e levando-lhes as lições do Evangelho. 
Sobram exemplos. 
Pouco menos de três anos. 
Quantas vidas transformadas. 
Quantos seareiros multiplicados. 
* * * 
E nós? Como estamos nos últimos três giros da Terra em torno do sol? 
São cerca de mil e noventa e cinco dias. 
Mil e noventa e cinco oportunidades de transformação, de construção de algo de valor. 
Pensemos. 
Nesses últimos três anos: 
Estamos mais calmos, afáveis, compreensivos? 
Trazemos o Evangelho mais vivo em nossas atitudes?
Demonstramos mais disposição para servir? 
Andamos um pouco mais livres da influência e do anseio pelas posses terrestres? 
Usamos mais intensamente os pronomes nós, nosso, nossa e menos os determinativos eu, meu e minha? 
Temos orado realmente? 
Os nossos ideais evoluíram? 
E a lista continua... 
Um exame importante e necessário, que precisa ser realizado de tempos em tempos por todo cristão. 
Trata-se de uma disciplina fundamental a ser adotada por aqueles que nos propomos a melhorias, a mudanças. 
Como saber no que estamos indo bem e no que precisamos de mais atenção sem realizar qualquer medição, qualquer controle? 
Não se trata de buscar a perfeição em poucos anos nem de nos frustrarmos e desanimar cada vez que percebemos que não estamos evoluindo muito bem na caminhada. 
Trata-se de assinalarmos pontos de urgência, de atenção, de necessidade. 
Caso contrário certas questões irão ficando, se solidificando.
Daqui a pouco, estaremos adoecidos. 
As lições do Cristo são um tesouro. 
Devemos estudá-las e aprofundar nosso conhecimento, mirando em seu exemplo magnífico e de todos aqueles que lhe seguiram os passos. 
Por fim, ainda um ponto de destaque dos itens a serem verificados: 
Evangelho é alegria no coração: 
Estamos, de fato, mais alegres e felizes, intimamente, nesses últimos três anos? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Opinião Espírita, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, ed. CEC. 
Em 20.02.2026

sábado, 21 de fevereiro de 2026

A PROMESSA DO AMANHECER

Quando rompe esplendorosa a madrugada, tudo sinaliza um recomeço. 
E é dessa maneira que devemos tecer nosso hino de gratidão à vida. 
A vida é a mais sublime das concessões, um poema épico escrito na luz das novas horas que nos são oferecidas. 
É uma melodia que se renova, uma sinfonia que jamais se exaure, tocada no compasso perfeito do tempo, na qual cada nota é uma bênção incalculável. 
Nosso Pai, com Seu amor terno e grandioso, nos oferece a dádiva da existência, um milagre complexo e frágil, revestido de beleza e de esperança, que resiste a todas as noites. 
É preciso um momento de silêncio contemplativo para verdadeiramente apreender a magnitude do amanhecer de um novo dia. 
Momento de oração em que a alma, genuflexa, alcança os céus em louvores de gratidão. 
E somente então nos erguermos, decididos a viver essas vinte e quatro horas em plenitude. 
Aproveitar cada toque de carícia do vento, de brisa delicada, o calor do sol, a delicadeza da chuva que cai lenta e silenciosa.
A vida é a soma de nosso sim ao despertar, ao respirar, ao amar e ao errar, pois, até no tropeço reside a oportunidade de um aprendizado que forja a alma. 
Somos peregrinos de uma jornada tecida em luz e sombra, mas é o fio dourado da esperança que costura o tecido da nossa passagem. 
O otimismo não é uma negação ingênua da dor, mas uma fé inquebrantável na capacidade inerente da vida de se regenerar, de se reinventar, de reflorescer, mesmo após a mais rigorosa das geadas. 
A bênção da vida reside no inusitado de cada hora, na certeza de que tudo se move, tudo se transforma, e que o rio do tempo leva consigo a tristeza do ontem e traz a promessa de um inexplorado amanhã. 
Pensemos nesses dias de um novo ano como um vasto oceano, uma ilha virgem que emerge das águas, intocada e repleta de recursos. 
Não são meras horas repetidas. 
São horas singulares, dotadas de um potencial que nunca existiu e nunca mais se repetirá. 
Porque a criatividade divina é infinita. 
Em cada amanhecer, permitamo-nos dissolver as culpas da noite, desfazer os nós do passado e limpar a lousa para escrever o presente com a caligrafia do nosso potencial.
Sintamos esse recomeço cíclico como se a vida, com a voz suave de uma mãe amorosa, sussurrasse: 
-Não importa o quão errado tenha sido o ontem, aqui está a chance de recomeçar, com o fôlego renovado. 
Os novos dias que se anunciam carregam o eco dos nossos sonhos e a vibração dos anseios mais recentes. 
Eles são a materialização da nossa capacidade de sonhar e de construir. 
Em cada amanhecer, recebemos as ferramentas: a vontade para iniciar, a disciplina para prosseguir, e a convicção de que somos fortes o suficiente para enfrentar o que vier. 
E, mais importante, a certeza de que a luta em si tem um valor intrínseco, que nos lapida e nos eleva. 
A poesia da vida reside na transmutação da adversidade em força, do desafio em crescimento. 
O novo dia nos oferece o palco para essa alquimia da alma.
Abracemos a promessa do próximo amanhecer. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.02.2026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

MULHERES

MARTHA MEDEIROS
No mundo, existem diversos tipos de mulheres. 
Existem as que curam com a força do seu amor e as que aliviam dores com a sua compaixão. 
Foram exemplos Irmã Dulce, na Bahia, e Madre Teresa, na Índia. 
Existem mulheres que cantam o que se sente e as que escrevem. 
Há mulheres glamourosas, como foi Lady Di e mulheres maravilhosas que deixam lições eternas, como Eunice Weaver e Madame Curie. 
Existem mulheres que fazem rir, e mulheres talentosas no teatro, nas telas dos cinemas, nos palcos do mundo. 
Entre tantos tipos de mulheres existem as que não são conhecidas ou famosas. 
Mulheres que deixam para trás tudo o que têm, em busca de uma vida nova. 
Lembramos das nossas nordestinas e sua luta constante contra a adversidade, para que os filhos sobrevivam. 
Mulheres que todos os dias se encontram diante de um novo começo, que sofrem diante das injustiças das guerras e das perdas inexplicáveis, como a de um filho amado, pela tola disputa de um pedaço de terra, um território, um comando.
Mães amorosas que, mesmo sem terem pão, dão calor e oferecem os seios secos aos filhos famintos. 
Mulheres que se submetem a duras regras para viver.
Mulheres que se perguntam, ante a violência de que são vítimas, qual será o seu destino, o seu amanhã. 
Mulheres que trazem escritos nos sulcos da face, todos os dias de sua vida, em multiplicadas cicatrizes do tempo. Todas são mulheres especiais. 
Todas, mulheres tão bonitas quanto qualquer estrela, porque lutam para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Entre essas, as que pegam dois ônibus para ir para o trabalho e mais dois para voltar. 
E quando chegam em casa, encontram um tanque lotado de roupa e uma família morta de fome. 
Mulheres que vão de madrugada para a fila a fim de garantir a matrícula do filho na escola. 
Mulheres empresárias que administram dezenas de funcionários de segunda a sexta e uma família todos os dias da semana. 
Mulheres que voltam do supermercado segurando várias sacolas, depois de ter pesquisado preços e feito malabarismo com o orçamento. 
Mulheres que levam e buscam os filhos no colégio, os colocam na cama, contam histórias, dão beijos e apagam a luz. 
Mulheres que lecionam em troca de um pequeno salário, que fazem serviço voluntário, que colhem uvas, que operam pacientes, que lavam a roupa, servem a mesa, cozinham o feijão e trabalham atrás de um balcão. 
Mulheres que criam filhos, sozinhas, que dão expediente de oito horas e ainda têm disposição para brincar com os pequenos e verificar se fizeram as lições. 
Mulheres que arrumam os armários, colocam flores nos vasos, fecham a cortina para o sol não desbotar os móveis, mantêm a geladeira cheia. 
Mulheres que sabem onde está cada coisa, o que cada filho sente e qual o melhor remédio para dor de cotovelo do adolescente. 
Podem se chamar Bruna, Carla, Teresa ou Maria. 
O nome não importa. O que importa é o adjetivo: mulher. 
* * * 
A tarefa da mulher é sempre a missão do amor. 
Onde quer que ela esteja, ali se encontrará um raio de luz, uma pétala de flor, um aconchego, um verso, uma canção.
Redação do Momento Espírita, com base nas crônicas Mulherão, de Martha Medeiros e Mulheres, de autoria ignorada. 
Em 09.02.2015.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

MULHER ESPECIAL

RAUL TEIXEIRA
Há mulheres que são especiais. 
Em dadas circunstâncias, parecem princesas ou mesmo rainhas, pois encantam, fascinam e mostram ter poderes de tal modo expressivos, diante dos quais dobramos a cerviz. 
Há ocasiões em que são como administradoras ou economistas, quando se põem a organizar a vida do lar, seus movimentos e despesas, tudo aquilo que se compra e o que se põe na mesa, para a fruição de todos. 
Conseguem, muitas vezes, ajuntar alguma quantia que sobra para momentos mais difíceis. 
Quantas vezes se mostram como agentes de disciplina?
Alteiam a voz, como quem dá voz de comando, ordenam, impactam com o tipo de inflexão que utilizam, e põem, dessa maneira, tudo e todos em seus devidos lugares, dentro de casa. 
São quais colegas, quais colegiais, variadas vezes. 
Envolvem-se com os pequenos, brincam, jogam com eles; riem-se deles e com eles, até o momento justo de estancar a brincadeira. 
Mulheres há que se tornam médicas ou enfermeiras, diante das necessidades dos seus filhos. 
Acolhem-nos, preparam-lhes poções e chás diversos, e, muitas vezes contrariando as instruções formais, dão-lhes xaropes e pastilhas. 
Se enfermos, banham-nos, põem-nos em seus leitos, recobrem-nos, acalentam e vigiam, dias ou noites, dias e noites, até que retornem à saúde. 
Mas, dentre essas mulheres incríveis, especiais de verdade, temos aquelas que reúnem todas essas habilidades: 
São mestras, são agentes disciplinares; são administradoras e economistas, enfermeiras, psicólogas, são médicas. 
São cozinheiras, lavadeiras, artesãs e fiandeiras. 
Conseguem ser governantas, serviçais e chegam a ser santas. 
Essas almas geniais de mulher são alimentadas pelo estranho ideal de sempre entender, de atender e de sempre servir. 
São companheiras próximas dos anjos, são servidoras de Deus e mensageiras da vida. 
São nossas fãs, amigas extremadas para quem nunca há nada impossível, quando se trata de atender-nos, de alegrar-nos, de ajudar-nos. 
São mulheres sem igual. 
Perfumam como flores, são ardentes como a chama e brilham como estrelas. 
Nada obstante todos os elogios que lhes possamos dirigir, o que é mais tocante, mais comovente, é saber que uma dessas mulheres, incumbidas por Deus para mudar o mundo, ajudando-o a ser melhor, a ser um campo bom de se viver, tem uma missão particular. 
IVAN DE ALBUQUERQUE
Há uma mulher para quem o Criador entregou a missão de cuidar-me, de fazer-me estudar para entender, de ensinar-me a orar e a crescer, a respeitar a todos e a servir para o bem.
Essa mulher é um encanto em minha vida, e não há ninguém que se lhe assemelhe. 
Ao vê-la, meus olhos marejam e bate forte o meu coração. Ela é tal qual mistura de ouro e brilhante... 
Ela é, por fim, a luz que torna meu caminho cintilante. É aquela a quem chamo de minha mãe. 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Ivan de Albuquerque, psicografada por Raul Teixeira, em 08/03/2006, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

APESAR DOS LIMITES

Quando era estudante de medicina numa Universidade dos Estados Unidos da América, Dr. Marlin nutria a preocupação com um mundo cheio de pessoas portadoras de deficiências e de doentes sem esperança de cura. Por essa razão, era partidário da eutanásia. 
Costumava travar calorosas discussões com os colegas que pensavam de maneira diferente da sua. 
Aos seus inflamados argumentos, os companheiros respondiam: 
-Você não vê que estamos estudando medicina, precisamente para cuidar das pessoas com qualquer deficiência física ou mental? 
-Os médicos existem neste mundo para curar os doentes. 
Era a resposta que ele dava. 
Se nada podemos fazer em seu benefício, o melhor para eles é a morte. 
Certa noite, quando prestava serviço como interno, no último ano do curso, Marlin foi chamado para assistir a uma parturiente, que morava num bairro miserável da cidade. 
Era o décimo filho que ela dava à luz. 
O bebê entrou neste mundo com uma das perninhas bem mais curta do que a outra. 
De imediato, acudiram à mente de Marlin: 
-Este pequeno vai passar a vida inteira arrastando esta perna. Para que hei de obrigá-lo a viver? O mundo nunca dará pela falta dele. 
Apesar desses pensamentos, não decretou a morte do pequeno. 
Cumprido o dever, foi embora censurando o próprio procedimento: 
-Não posso compreender por que fiz isto! Como se não houvesse filhos demais naquele antro de miséria. Não entendo por que deixei viver mais aquele. Ainda por cima estropiado. 
* * * 
Os anos correram. 
Dr. Marlin consagrou-se como médico e se dedicava verdadeiramente a salvar e conservar vidas. 
Um dia, seu filho único e a esposa morreram num acidente de automóvel. 
Na qualidade de avô, ele adotou a netinha.
Quando completou dez anos, a menina acordou, certa manhã, queixando-se de torcicolo e de dores nas pernas e nos braços. 
Verificou-se que era uma raríssima infecção causada por vírus pouco conhecido, que causava paralisia. 
Os neurologistas procurados foram unânimes em afirmar que não se conhecia remédio nem tratamento algum para aquela enfermidade. 
Porém, existe um médico no Oeste que escreveu recentemente sobre o êxito que tem obtido em casos como este, observou um dos neurologistas. 
Dr. Marlin tomou a menina e se dirigiu para o hospital indicado. 
Quando ficou frente a frente com o médico, único capaz de salvar a neta tão querida, observou que o jovem colega coxeava acentuadamente. 
Esta perna curta faz de mim um igual dos meus doentes, observou o dr. T. J. Miller, ao notar o olhar do dr. Marlin. 
-Meu nome é Tadeu. Sempre me pareceu um tanto pomposo. Como a tantos outros meninos, deram-me o nome do moço interno que uma noite me ajudou a -vir ao mundo. 
Dr. Tadeu Marlin empalideceu e engoliu a seco. 
Por alguns minutos, lembrou-se dos pensamentos que lhe acorreram naquela noite distante: 
-O mundo nunca dará pela falta dele. 
Estendeu comovidamente a mão ao colega graças ao qual a neta ia poder andar outra vez. 
E pensou: 
-Sempre é melhor ser pessoa coxa do que pessoa cega, como eu fui, por muito tempo. 
Redação do Momento Espírita, a partir de artigo de Seleções Reader’s Digest, de fevereiro/1948. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. FEP. 
Em 18.02.2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

AS MULHERES E O MUNDO

Isabel Allende
Isabel Allende, jornalista e escritora chilena, ao abordar a questão das mulheres no mundo, narra algo que ocorreu no ano de 1998, num campo de concentração para refugiados Tutsi, no Congo, África. 
Os protagonistas são uma jovem mulher, de nome Rose Mapendo e seus filhos. 
Viúva e grávida, de alguma forma ela consegue manter suas sete crianças vivas. 
Depois de alguns meses, ela dá à luz a gêmeos prematuros, dois minúsculos meninos.
Corta o cordão umbilical com um graveto e os amarra com seu próprio cabelo. 
Ela dá a seus filhos os nomes dos comandantes do campo, com o objetivo de ganhar a bênção deles e, com isso, poder alimentá-los com chá preto, já que o seu leite não poderia sustentá-los. 
A família sobrevive por dezesseis meses e então, graças ao ato de boa vontade de um soldado americano, Sasha Chanoff, Rose é salva, pois ele consegue colocar sua família em um avião de resgate. 
Rose Mapendo e seus nove filhos pousam em Phoenix, Arizona, onde agora vivem e prosperam. 
O nome Mapendo, em Suaíli, idioma oficial da África Oriental, significa grande amor. 
Outra história que a autora nos conta se passa no ano de 2005. 
O lugar é uma pequena clínica para mulheres em Bangladesh, país asiático. Jenny é uma jovem higienista bucal, voluntária americana. 
Ela foi para a clínica preparada para limpar dentes. 
No entanto, descobre que ali não há médicos, não há dentistas e que a clínica é somente uma cabana cheia de moscas. 
Do lado de fora há uma fila de mulheres que esperam horas para serem atendidas. 
A primeira paciente sente dores lancinantes, seus molares estão em péssimas condições. 
Jenny percebe que a única solução seria removê-los. 
Ela não tem licença para isso e nunca fez esse procedimento antes. 
Apavorada, ciente de que nem ao menos tem os instrumentos adequados, sente-se confortada ao certificar-se que tem como recurso um pouco de anestesia. 
Movida pela coragem e por um coração carregado de amor, ela murmura uma prece e segue em frente com a operação.
Ao final, a paciente aliviada beija suas mãos. 
Naquele dia, a higienista repetiu muitas vezes idêntico procedimento. 
* * * 
No mundo de hoje, grande parte das mulheres sofre, vivendo em condições precárias. 
Forçadas a casamentos prematuros, não têm controle sobre suas vidas, têm filhos que não conseguem alimentar, não têm acesso à educação, à saúde e à liberdade. 
Olhamos em volta e vemos protagonistas como essas por toda parte. 
Mulheres que, apesar das circunstâncias desfavoráveis, lutam com o coração cheio de amor, pelos seus próprios direitos e pelos direitos do próximo. 
Mulheres que, apesar de todas as adversidades, se mostram dispostas, confiantes, carregadas de fé e esperança, que nunca se deixam abater, que lutam diariamente, seguindo em frente sem desanimar. 
Mulheres que, como essas das histórias citadas, movidas pelo amor, colocam o coração à frente da razão. 
E Jesus nos ensinou que onde estiver o nosso tesouro, estará o nosso coração.
E o nosso tesouro onde está? 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em palestra da escritora Isabel Allende, em março de 2007. 
Em 06.12.2018.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A CRUEL INDIFERENÇA

Basta um olhar nas grandes cidades e lá está o retrato da indiferença. 
Gente maltratada, infeliz, doente, paupérrima se esgueirando pelas ruas, estendendo as mãos, pedindo, suplicando. 
Do interior dos carros, vidros fechados, refrescados pelo ar-condicionado, perfumados e alimentados, olhamos essas cenas como se estivéssemos vendo um filme. Alguns até reagimos com certa irritação. 
Culpamos o governo, reclamamos das diferenças sociais.
Olhamos, simplesmente olhamos os andrajosos que nos observam com ar cobiçoso ou infeliz. 
Chegamos a tomar outros caminhos a fim de não contemplar o espetáculo da miséria e do abandono. 
Por vezes, nos compadecemos. 
Contudo, temos medo de abrir a janela do carro, de estender a mão, de sorrir.
E, de uma maneira geral, esquecemos dos espetáculos da pobreza tão logo chegamos em casa, ao escritório ou aos locais de lazer. 
Nos restaurantes, quem de nós lembra dos famintos? 
Diante dos pratos cheirosos e meticulosamente arrumados, quem recorda das crianças esqueléticas, das mães famélicas?
Nos cinemas, lágrimas nos vêm aos olhos diante de filmes que retratam a desigualdade social avassaladora. 
Mas saímos de lá impassíveis ante o homem torturado que sofre ao nosso lado. 
Que fizemos de nossa sensibilidade diante da dor alheia? 
Em que ponto de nossa vida a indiferença se instalou em nosso peito e, com mãos de gelo, nos segurou o coração?
Certamente, a caridade não exclui a prudência. 
E, naturalmente, não devemos nos responsabilizar por todas as dores do mundo. 
Mas reflitamos: 
Estaremos fazendo, de fato, tudo o que é possível? 
Vez ou outra, ou de maneira mais ou menos regular, providenciamos alguns itens para as cestas básicas distribuídas por essa ou aquela instituição. 
Vez ou outra, realizamos uma vistoria em nosso guarda-roupa e separamos roupas usadas para doação. 
Ofertamos valores para instituição benemérita. Tudo muito louvável. 
Porém, estaremos mesmo contribuindo para reduzir a desigualdade aterradora que se vê no mundo? 
Cada um de nós, no papel que desempenha, no ambiente profissional, pode contribuir para mudar esse estado de coisas. 
Quem de nós vive tão isolado que não possa estimular alguém ao estudo, ao trabalho? 
Quem de nós, de excelente condição financeira, apadrinha uma criança e lhe dá a chance de estudar em uma boa escola? 
Quantas vezes temos a chance de mudar a vida de alguém e nos calamos, omitimos, encolhemos? 
Para aqueles que temos vontade real de contribuir, a vida oferece oportunidades ímpares de fazer a diferença. 
Por isso, abramos nosso coração para o amor. 
Desde hoje, deixemos que nossos olhos contemplem o mundo com muito mais bondade. 
Procuremos descobrir em cada criatura sofrida um irmão que tateia, em busca da mão amiga que lhe ofereça apoio e segurança. 
A indiferença é a escuridão da alma. 
Acendamos a candeia de um coração sensível e façamos luz em nossa vida, estendendo-a para um companheiro de jornada. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.02.2026

domingo, 15 de fevereiro de 2026

MULHERES DE HEROIS

Baronesa do Serro Azul
Os homens vão para a guerra, alimentam as revoluções com sua coragem e seu sangue. 
Doam suas vidas por amor à nação, à pátria, à causa que defendem.
Para as mulheres são reservadas as lágrimas, os filhos órfãos, a dor da saudade e, por vezes, o abandono total daqueles mesmos a quem seus maridos deram a própria vida. 
Assim aconteceu com Maria José Correia, nascida no litoral paranaense e que se tornou a esposa do Barão do Serro Azul.
Quando da Revolução Federalista, que envolveu em sangue a nação brasileira, com desmandos da parte de governistas e de revolucionários, ele se destacou. Homem de fibra, o Barão tomou a si o governo da Província, quando o então Governador, covardemente, a abandonou, deixando-a sem nenhum amparo, um único policial. 
Com sacrifício de sua saúde e de seus interesses, ele se pôs à frente de uma comissão para estabelecer a ordem e a tranquilidade para uma população temerosa de saques, violações e mortes. 
Enquanto Curitiba esteve entregue à revolução triunfante, foi o Barão o elemento principal da grande força que zelou pela escola, pelo comércio, a indústria, a imprensa, sobretudo pela família curitibana. 
Tudo fez de coração aberto, sendo o primeiro a abrir os cofres para o acordo que se estabeleceu com os revolucionários.
Alma generosa, teve a seu lado a esposa, que em tudo o apoiou. 
Quando as tropas governistas entraram na capital, ele aguardou que representantes do Governo Federal lhe viessem agradecer pelo que fizera. 
Quantas vidas preservara, quantos sacrifícios empreendera para que os saques e abusos não ocorressem. 
O que recebeu foi a traição, a prisão e uma morte vergonhosa, que permaneceu sem investigação alguma, durante décadas.
A Baronesa, grávida de sete meses, viria dar à luz uma criança morta. 
Quanta dor naquele coração amoroso! 
Como ela mesma escreveu ao Barão de Ladário, em carta que foi lida no Senado Federal, se estabeleceu o luto eterno em seu lar, para sempre deserto das alegrias que eram para seu coração de esposa e para a inocência dos filhos, agora órfãos de pai, o único e grato conforto na vida. 
Essa extraordinária mulher, cuja coragem nascia da própria imensidade do seu sofrimento, ficou a enxugar as lágrimas das três crianças órfãs. 
Aguardou que a justiça se fizesse. 
Ela acreditava que o martírio não dormiria eternamente, porque eterna na Terra só há de ser a divina soberania do direito e da verdade. 
Era, ademais, uma mulher de fé. 
Por isso mesmo, continuou a semear generosidade enquanto as posses lhe permitiram. 
Um dos exemplos foi a doação de quatro terrenos, situados na Villa Ildefonso, atual bairro do Batel, para a construção de um hospital pela Sociedade Portuguesa Beneficente Primeiro de Dezembro. 
Doou ainda mobília à Sociedade, cujo objetivo era o amparo aos imigrantes portugueses e suas famílias. 
Nos lotes foram construídas seis casas de madeira, que serviram como ambulatórios e sede para a Sociedade. 
O que se deve ressaltar é o desprendimento de um coração ferido, mortalmente, pela mais torpe traição sofrida por seu marido. 
Um coração que, angustiado, jamais deixou de amar o seu semelhante. 
E se o coração se enchia de dolorosa saudade, ainda guardava espaços para sentir a dor do próximo. 
Com certeza, um exemplo de alma cristã. 
Um exemplo a ser seguido.
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos e em carta da Baronesa do Serro Azul, datada de 8 de julho de 1895, endereçada ao Barão de Ladário, do Senado Federal. Disponível no CD Momento Espírita, v. 32, ed. FEP. 
Em 26.3.2018.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

DEUS EM MEU QUINTAL!

Emily Dickinson
Alguns guardam o domingo indo à igreja.
Eu o guardo ficando em casa 
Tendo um sabiá como cantor 
E um pomar por santuário. 

Alguns guardam o domingo em vestes brancas. 
Mas eu só uso minhas asas 
E ao invés de repicar dos sinos da igreja
Nosso pássaro canta na palmeira. 

É Deus que está pregando, pregador admirável. 
E o Seu sermão é sempre curto.
Assim, ao invés de chegar ao céu, só no final 
Eu O encontro o tempo todo no quintal. 

Emily Dickinson, autora deste poema, reveste de beleza singela uma ideia muito profunda e importante, a respeito de nossa adoração a Deus.
Haverá lugar específico para adorar a Deus? 
Haverá tempo certo, posição mais adequada, formas, vestimentas? 
Estudemos a orientação primordial de Jesus, que foi bastante claro em dizer que Deus é Espírito, e deve ser adorado em Espírito e verdade. 
O Espírito não tem forma, não é corpo, não é matéria. 
 Assim, o que o Mestre deseja dizer com adorá-lO em Espírito, é que tal adoração deve ser interior, e que não precisa das formas exteriores. 
A adoração deverá ser sempre de Espírito para Espírito, de nossa alma para o Criador, independente de onde estivermos, independente das formas exteriores utilizadas. 
Há de se considerar as crenças humanas arraigadas, que trouxeram para as formas externas muitos hábitos, muitos rituais envolvendo o contato com Deus. 
Porém, a alma madura, esclarecida, conhecedora da verdade, da mesma verdade da qual Cristo fala nesta passagem, precisa ir mudando seus costumes gradativamente. 
A adoração a Deus em Espírito abre-nos mil possibilidades inigualáveis. Independente se estamos nesta ou naquela crença religiosa, se neste ou naquele local, se usando destas ou daquelas palavras, podemos nos comunicar com Ele.
Quando o pensamento está elevado, quando se reveste do bem, da caridade, da poesia, ele está em contato com o Criador. 
Quando admiramos a natureza num fundo de quintal, e percebemos a grandeza da Criação, nos sentindo parte de algo grandioso e maravilhoso, estamos adorando o Criador.
Quando praticamos as leis de Deus, inscritas em nossa consciência, colocamo-nos em comunhão com Ele. 
Basta a sintonia mental positiva. 
Basta a alegria de viver. 
Basta a gratidão pela existência, pelos seres amados, e lá estamos nós sintonizados com o Pai. 
Adorar a Deus em Espírito e verdade, é conhecer a felicidade no caminhar, é despertar para a verdadeira vida todos os dias. Pense nisso. 
* * * 
Você sabia que Allan Kardec, na terceira parte de O livro dos Espíritos, trata sobre a lei de adoração? Na questão 654 ele pergunta: Deus dá preferência aos que O adoram desse ou daquele modo? Ao que os Espíritos lhe respondem: Deus prefere os que O adoram verdadeiramente com o coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal. 
Redação do Momento Espírita, com base na pt. 3, cap. II, q. 654, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB, e versos da poetisa americana Emily Dickinson, do livro Complete Poems, ed. Backbay books. 
Em 14.2.2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

OCEANO DE SABEDORIA

DALAI LAMA
Dalai Lama é o título dado a uma linhagem de líderes religiosos do budismo tibetano. 
Dalai significa oceano, na língua mongol e lama é a palavra tibetana para mestre, podendo se referir à pessoa que recebe esse título, como sendo um oceano de sabedoria. 
Certa vez, perguntaram ao monge budista tibetano, o Dalai Lama, o que mais o surpreendia na Humanidade e ele respondeu: 
-“Os homens. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer. E morrem como se nunca tivessem vivido.” 
* * * 
Estas poucas palavras são realmente de grande sabedoria.
Muitos adultos da atualidade vivem o presente com o pensamento voltado somente para o futuro. 
Buscam construir uma carreira profissional sólida e certa estabilidade financeira que lhes ofereçam segurança, porém, fazem tudo isso em detrimento das pessoas que têm grande valor em suas vidas. 
Quando se dão conta, os filhos estão crescidos e eles constatam que perderam preciosas oportunidades de desfrutar momentos únicos da infância deles. 
Por terem se dedicado a horas intermináveis de trabalho, a reuniões e a viagens de negócios, se ausentaram em importantes momentos de convívio familiar. 
Sem perceber, se afastaram gradativamente. 
Entre as pessoas com as quais escolheram partilhar a vida, formou-se uma grande distância provocada por todos os momentos em que não se permitiram parar e desfrutar intensamente da companhia do outro. 
Veem seus próprios pais já idosos e sentem que o tempo ao lado deles já não será mais tão longo. 
E por todas as preocupações excessivas, pelas horas de sono perdidas, pela falta do tempo dedicado ao lazer e ao descanso merecido, constatam que comprometeram a saúde. 
O corpo físico dá o sinal. 
Começam a aparecer alterações orgânicas ou doenças relacionadas com a maneira como conduziram sua vida.
Chega a hora de consultar médicos, procurar tratamentos, refletir e buscar possíveis mudanças de hábitos e atitudes na tentativa de reconquistar e preservar a saúde. 
* * * 
Não nos deixemos ser levados pelo turbilhão de preocupações da vida moderna. 
É possível dedicarmo-nos com qualidade à atividade profissional sem deixarmos de cuidar da saúde. 
O tempo do descanso, desde que seja sem excessos e com qualidade, é muito benéfico. 
Trabalhemos com responsabilidade, mas não nos esqueçamos jamais que as almas queridas que dividem conosco a caminhada terrena - filhos, pais, cônjuges e amigos - não estarão eternamente ao nosso lado. 
Saibamos valorizar o tempo presente e equilibrar as horas gastas entre o trabalho, o lazer, os cuidados com a saúde e a dedicação aos nossos amores. 
Não nos permitamos levar a vida como se nunca fôssemos deixá-la. 
Preparemo-nos para que, quando essa hora chegar, tenhamos a sensação de termos vivido em plenitude.
Redação do Momento Espírita.
Em 13.02.2026

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MULHER E DEDICAÇÃO

Em uma de suas mais famosas canções, o ex-Beatle John Lennon cantou a opressão que vitimava mulheres em todo o Mundo. 
Lennon foi assassinado em 1980, mas suas palavras ainda são atuais, nesses dias em que vivemos. 
No Brasil, na Arábia ou na Índia. 
Na Antiguidade ou nas metrópoles de hoje. 
Em todas as épocas e povos, a mulher sempre teve sua posição atormentada pelas dificuldades do não reconhecimento do seu valor e do seu papel. 
Esforça-se, rompe barreiras, mas continua assombrada por um certo desprezo, nascido da aparente fragilidade que carrega.
Em alguns locais o estigma é forte, bem visível, e oprime, fere, humilha. 
Em outros, a vida parece um pesadelo com a violência que assusta, com o terror que espalha. 
Basta ligar a TV, ou abrir jornais e revistas para ter notícias dos abusos impostos às mulheres. 
Vilipendiadas, desrespeitadas, caladas à força, elas prosseguem. 
Carregam famílias, assumem tarefas, adoçam os dias com o mel que só um coração delicado pode oferecer.
Mesmo nos países em que é valorizada, facilmente se percebe um certo desrespeito, um preconceito camuflado em piadas e risos irônicos. 
Sem falar nos salários mais baixos, nas avaliações que consideram mais o corpo que a inteligência. 
Ou você nunca notou? 
Por toda a parte em que se vai, basta abrir os olhos e ver as mulheres assinaladas pelo signo da generosidade. 
Por mais que trabalhem, sejam bem sucedidas, realizadas, o selo feminino é o da dedicação que não conhece limites. 
Quer prova disso? 
Observe as mães e esposas de atletas e artistas. 
Quem na maioria das vezes os estimula, torce, sacrifica as horas? 
Quem está, invariavelmente, ao lado deles, quando ninguém quer sonhar junto? 
Quem sempre acredita? 
E os filhos deficientes? 
Você já percebeu a presença materna ali ao lado?
Onipresente, forte, protetora. 
Todos os estudos na área de deficiência física ou mental revelam que a figura materna, na maioria dos casos, é quem apoia o filho e vai em busca de alternativas, terapias, equipamentos, médicos. 
Mão estendida, voz cariciosa, presença constante. 
Mães, irmãs, avós, esposas, namoradas. 
Sempre ao lado, de mãos dadas, com brilho nos olhos e força nos braços. 
Tanta dedicação muitas vezes tem um preço caro demais. 
A mulher acostuma-se ao sacrifício o tempo inteiro. 
E fica invisível. 
Passa a fazer parte da paisagem. 
Ninguém lembra de agradecer, acarinhar, sorrir de volta. 
Mas quem disse que ela se abate? 
Mulher é entidade forte, cheia de graça e de poder, capaz de fazer nascer borboletas. 
Capaz de fazer brilhar o sol. 
* * * 
CHICO XAVIER
Se nos cabe reconhecer no homem o condutor da civilização e o mordomo dos patrimônios materiais, na Terra, não podemos esquecer de identificar na mulher o anjo da esperança, ternura e amor. 
A missão feminina é espinhosa. 
Mas, efetivamente, só a mulher tem bastante poder para transformar os espinhos em flores. 
Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, Redação do Momento Espírita, com pensamento final do verbete Mulher, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP.
Em 07.07.2025.