terça-feira, 13 de dezembro de 2022

PAI, COMEÇA O COMEÇO

Quando era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
-“Pai, começa o começo!” 
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito. Meu pai morreu há muito tempo e não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho. Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar. O esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes. O enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, minhas “tangerinas” transformam-se em abacaxis. Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo meu pai quando lhe pedia para “começar o começo”, era o que me dava a certeza de que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta. Além da atenção e carinho que eu recebia, ele também me ensinou a pedir ajuda a Deus, Pai do céu. Meu pai terreno me ensinou que Deus é eterno, que está sempre ao nosso lado e que Seu amor é a garantia das nossas vitórias. 
* * * 
Quando a vida parecer muito difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembremo-nos de suplicar o auxílio Divino. 
Deus nos indicará o caminho e não só começará o começo, mas pode ser que, em algumas ocasiões, resolva toda a situação. 
Não sabemos o tipo de dificuldade que encontraremos na nossa caminhada, mas amparemo-nos no amor eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: 
-Pai, começa o começo! 
* * * 
A sensibilidade de enxergar as dificuldades dos filhos e oferecer o apoio necessário, no momento certo, é essencial. 
Tem o poder de curar feridas e se transforma em bálsamo para a dor.
Devemos saber o quanto é importante dizer ao filho: 
-Se você tem medo, venha aqui. Se você cair, falhar, estarei ao seu lado. Amo você. 
Devemos saber valorizar toda atitude positiva. 
O abraço e o beijo fazem a criança se sentir querida e consolidam a segurança e o amor. 
Demonstrarmos a confiança de que somos constantemente amparados por Deus oferece aos filhos um caminho para a construção da fé. 
Todo o carinho e afeto demonstrados pelos pais aos filhos, durante a infância, se transformarão em direcionamento seguro e formarão base sólida para o enfrentamento das dificuldades na vida adulta.
Redação do Momento Espírita, com base no texto Pai, começa o começo, de autoria desconhecida. 
Em 13.12.2022.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

TEMPOS DO MUNDO, TEMPO DE DEUS

CAMILO CASTELO BRANCO
E
RAUL TEIXEIRA
Sem dúvida, há na Terra a mais variada gama de pessoas, abraçando ideias, propostas e objetivos diferenciados. 
Sintonizamos, cada um de nós, em um tempo próprio, coerente com os valores e ideais que agasalhamos na intimidade com uns ou com outros. 
Há cientistas aplicando seu intelecto, capacidades e recursos, a fim de desenvolver aparatos bélicos e armas de destruição em massa. 
Ao mesmo tempo, encontramos outros que se aplicam no desenvolvimento de vacinas, na busca da cura de doenças. 
Há filósofos e escritores que, através de seus textos, provocam a discórdia, a desavença, fomentam os antagonismos, exacerbam os preconceitos. 
Porém, há outros que utilizam sua inspiração e imaginação para propor reflexões oportunas, trazendo compreensão, empatia e entendimento mútuo em seus textos e falas. 
Encontramos líderes políticos desvirtuados em suas obrigações públicas, preocupados apenas com interesses mesquinhos e enriquecimento próprio. 
No entanto, encontramos, também, aqueles que se servem do cargo político para concretizar ideais pelo bem comum, servindo à população com dignidade e honra. 
Cada um na exata sintonia do seu próprio tempo. 
Outros, ainda, sintonizam apenas o tempo do mundo, do imediato, do agora. 
Creem que devem se servir do mundo a fim de atingir seus ideais egoístas e exclusivos. 
Muito embora carreguem um cabedal intelectual respeitável, trazem no seu íntimo uma visão estreita da vida e do mundo.
Felizmente, existem aqueles que sintonizam com o tempo de Deus.
Esses produzem e oferecem ao mundo valores nobres, que vencem os interesses imediatistas. 
Conseguem perceber que viver no mundo é doar-se e contribuir para que a vida seja melhor e mais justa. 
* * * 
Cada um de nós tem a oportunidade de escolher com que tempo quer sintonizar. 
Importante identificarmos em qual desses tempos nos colocamos profissionalmente. 
Agimos de maneira a sempre tirar vantagens e ganhos, não importando como, ou entendemos que o certo e o justo devem prevalecer em nossas ações? 
Será que educamos nossos filhos para serem vencedores, campeões, os melhores a qualquer preço? 
Ou, ao educá-los, nos preocupamos em falar de empatia, respeito, que se sensibilizem com as dores e carências alheias, entendendo que esses valores são eternos e compatíveis com o tempo de Deus?
No trato com nossos vizinhos, no trânsito, no transporte público, como temos nos comportado? 
Somos guiados pela indiferença, pelo descomprometimento com o coletivo, com as regras e leis postas para a ordem geral? 
Ou entendemos que viver coletivamente é obedecer regras, leis, sabendo que nosso direito deve respeitar os limites do direito do outro? 
Importante refletirmos sobre o tempo em que situamos nosso coração. 
Embora tenhamos compromissos e obrigações com o tempo do mundo e com as necessidades imediatas, partiremos daqui, algum dia. 
E então, nos restará apenas aquilo que investimos no tempo de Deus, que transcende as preocupações imediatas e valem pelo todo.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 9, do livro O tempo de Deus, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 12.12.2022.

domingo, 11 de dezembro de 2022

INTERCONECTADOS

Elizabeth Kübler-Ross
Depois de sofrer o acidente, que lhe deixou sequelas emocionais e físicas, o cineasta americano Tom Shadyac teve uma grave depressão e pensava em morrer. Quando, finalmente, conseguiu superar essa crise, realizou um documentário intitulado Eu sou, em que perguntou a pensadores, poetas, escritores, cientistas e filósofos da atualidade o que está errado no mundo e o que podemos fazer a respeito disso. As respostas o ajudaram a perceber o quanto nos iludimos e nos distanciamos de nossa essência. Segundo seus entrevistados, a ciência descobriu que tudo o que vive no planeta está interconectado. O que acontece com um ser, não importa quem ou o que seja ou onde esteja, afeta os demais. Também ouviu a afirmativa de que faz parte da essência humana amar e cooperar uns com os outros. Muitas experiências apontam que cenas de altruísmo despertam o desejo de ajudar, de melhorar, e fazem aflorar um sentimento de amor ao próximo e a vontade de colaborar. Porém, como vivemos em um mundo que nos distancia dessa premissa, fomentando a competição, o consumo, a posse, o poder, a cultura de aparências, deixamos de amar e cooperar para competir. Esse afastamento da real essência humana nos torna infelizes e gera problemas de diferentes ordens. Os entrevistados concluíram que o amor é a solução.
* * * 
Há dois mil anos, Jesus Cristo deixou o ensinamento de que deveríamos amar uns aos outros. 
Falou em amor, perdão, reconciliação. 
Enfim, Ele nos deu a chave para uma vida feliz. 
Ao longo dos séculos, fomos criando muitas necessidades e parâmetros materiais para a obtenção da felicidade, distanciando-nos desses ensinamentos e acreditando que a riqueza e a posse de bens nos fariam felizes. 
Quando deixamos de nos ver como partes de um grande todo, considerando-nos oponentes, competidores, criamos para nós um mar de sofrimentos. 
O egoísmo e o orgulho ganharam força, predominaram e, ao longo do tempo, vêm sendo reforçados por mentes que têm interesse em manter as diferenças por meio da opressão, do medo, da subjugação, das guerras, da segregação. 
No entanto, muitos resistimos a essas influências e nos esforçamos para vencer o egoísmo e o orgulho, males que geram tantos outros.
Artistas, cientistas, poetas, escritores, filósofos, ao redor do mundo, usam suas habilidades e aptidões para influenciar as pessoas a manter acesa essa centelha que Deus colocou no coração do homem quando o criou: o amor. 
A capacidade de amar é inata no ser humano. 
Nasce conosco. 
Faz parte de nossa alma imortal. 
Quando amamos, quando fortalecemos o amor, seus efeitos se espalham ao nosso redor, em ondas, beneficiando todos os que estão conectados a nós. 
E assim podemos fazer a diferença no mundo, espalhando para todos os seres viventes o que gostaríamos de receber também. 
* * * 
A única finalidade da vida é crescer. 
A suprema lição é aprender como amar e ser amado incondicionalmente. 
As maiores recompensas da vida inteira vêm do fato de abrirmos os nossos corações para os que necessitam. 
As maiores bênçãos vêm sempre de ajudar os outros. 
Redação do Momento Espírita, com base no documentário I am, de Tom Shadyac, datado de 2011 e com frases finais do livro A roda da vida – Memórias do viver e do morrer, de Elizabeth Kübler-Ross, ed. Sextante. 
Em 13.4.2016.

sábado, 10 de dezembro de 2022

QUANDO ELE CHEGOU

Ele nasceu durante o império de Caio Otávio César Augusto, o primeiro imperador de Roma. 
Exatamente como narra o Evangelho de Lucas Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens de boa vontade. 
Foram pastores no campo que, orientados pelo mensageiro dos céus, O visitaram. 
Em distantes terras, sábios da época, que estudavam antigos escritos e O aguardavam, viram a estrela anunciando-lhe o nascimento. 
E se puseram a caminho, por meses, até encontrá-LO, em uma casa, levando-lhe preciosos presentes. 
O Pastor viera para conviver com Seu rebanho. 
E o fez por pouco mais de três décadas. 
Único Espírito Perfeito que a Terra já recebeu, entre a Sua Humanidade, exemplificou o amor na sua mais pura essência. 
Na poeira das estradas, encontrou enfermos do corpo e da alma. 
A uns, liberou da enfermidade. 
A outros, falou das venturas dos céus, reservadas a quem conduz sua cruz, seguindo Seus ensinos. 
Soube conviver com os favorecidos da sociedade, aceitando convites para estar em suas casas, quando lhes falava do reino de Deus, que deveria ser implantado no coração de cada um. 
A ninguém desprezou. 
A ninguém agrediu. 
Perseguido desde os dias da infância, viveu em terra estranha, demonstrando, dessa forma, como deve ser acolhido o estrangeiro que busca refúgio. 
O mundo era um imenso rebanho desgarrado, quando Ele aportou no planeta. 
Apascentou Suas ovelhas, confortou a alma aflita de um povo que esperava um conquistador, que assumisse as rédeas do poder e os libertasse do jugo romano. 
Nem todos O entenderam. 
Os que O seguiram, iluminaram a própria vida. 
Sua palavra, mansa e generosa, reunia infortunados e atraía os que viviam à margem da sociedade, desprezados como se fossem coisa alguma. 
Garantiu que somos todos filhos de Deus, e no-lO apresentou como Pai de Supremo Amor e Bondade. 
Um Pai que cuida dos Seus filhos, que criou mil belezas, em meio às agruras do planeta. 
Que criou fontes de água límpida, para atender a sede do corpo e enviou Seu filho para oferecer a água viva para que aqueles que dela bebessem, nunca mais tivessem sede de amor e justiça. 
Um Pai que providencia o alimento às aves do céu. 
Um Pai que domina os ventos, a tempestade, e aconchega em Seu seio os filhos feridos. 
Um Pai que se esmera na obra da Criação contínua. 
Um Pai que ama e a quem podemos clamar por auxílio e misericórdia. 
Um Pai justo e bom que concede a cada um segundo as Suas obras. Privilégios para ninguém. 
Bênçãos generosas para todos, bons e maus, justos e injustos. Jesus, entre nós, demonstrou quanto é poderoso o amor que renuncia às estrelas para conviver entre Seus irmãos. 
Que aceita todas as dores para ensinar que o reino de Deus está dentro de cada coração e que os tempos são chegados, de nos ajustarmos ao bem. 
Ele colocou o amor em ação. 
Com Ele, foi estabelecido, com atos e fatos, o significado da solidariedade, da fraternidade, da tolerância, do amor que rege os nossos destinos. 
Redação do Momento Espírita 
Em 10.12.2022.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

Vivemos na Terra uma grave emergência espiritual. 
 As conquistas do conhecimento nos fizeram chegar até o instante em que se percebe, claramente, que inteligência sem moralidade produz apenas o caos. 
Das simplórias cavernas até as casas inteligentes de milhões de dólares; dos primeiros meios de transporte aquático usando canoas de madeira até os atuais trens de levitação magnética; desde os primeiros cálculos da astronomia até a visão potente do telescópio James Webb, tudo mudou. 
Estamos muito mais avançados do que nossos ancestrais. 
Gabamo-nos de ter explorado o planeta e seus recursos de forma tão eficaz. 
No entanto, temos que nos perguntar: 
-Será que tudo isso nos fez melhores? Será que tudo isso nos deu uma melhor compreensão do nobre, do justo e do bom, conforme a proposta de Platão? Será que não nos perdemos, nos encantando com acessórios, deixando bastante de lado o que seria o principal? 
A proposta cristã é muito clara: 
-Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e Sua justiça e todas essas outras coisas vos serão acrescentadas. 
Jesus propunha a busca da essência divina em todos nós, propunha a lei do amor como regente maior dos pensamentos, sentimentos e atos do homem. 
Todas as outras coisas, que são menores, que dizem respeito à vida material, à sobrevivência do corpo, essas nos seriam acrescentadas.
Não estava propondo a inércia, nem negando o valor do trabalho, mas simplesmente estabelecendo hierarquia de valores. 
E o que aconteceria se invertêssemos essa hierarquia? 
Se deixássemos a busca do reino de Deus de lado ou para as horas vagas ou, ainda, para quando der? 
Bem... Nem precisamos descrever quais as consequências, pois as vivemos nesse instante de emergência espiritual. 
Estamos imersos em um sentimento de vazio existencial, de desamparo, de falta de objetivos que nos preencham a alma de verdade. 
Não é tarde, porém, para mudar. 
Muitos já encontraram essa via segura e estão se reconstruindo.
Agora é a nossa vez. 
O que temos feito pela construção do reino de Deus em nós? 
Quais as nossas primeiras iniciativas dentro da Lei Maior do Amor?
Temos a razão como instrumento calibrado, o conhecimento das eras como manual de instruções e o exemplo de Jesus como guia. 
O que temos feito ou podemos fazer em nossos dias para educar as nossas emoções? 
O que podemos fazer pelo bem comum em nossa família e em nossa sociedade? 
Já conseguimos nos perceber como parte da cura de uma sociedade doente? 
Ou ainda estamos entre os pacientes em atendimento? 
Talvez estejamos nos dois lados. 
Hora aqui, ora ali. 
Muito natural, compreensível. 
Importante é começar, importante é persistir. 
É não perder o foco. 
Perguntemo-nos, todas as manhãs: 
O que podemos fazer de nobre, justo e bom, neste dia? 
Nos versos de uma prece sincera e feita com regularidade, peçamos sempre ajuda: que possamos ser um instrumento da paz, da cordialidade, do entendimento ao nosso redor.
É assim que iremos atender a emergência espiritual e que sairemos todos vencedores. 
Comecemos hoje. 
Redação do Momento Espírita 
Em 09.12.2022.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

INTENSAMENTE DESEJADO

Aqueles eram dias acabrunhadores. 
Aproximava-se a festa dos ázimos, ou seja, a Páscoa. 
A hora era de intranquilidade. 
Os sacerdotes arquitetavam o melhor plano para prender o Nazareno.
Desejavam tê-lO em suas mãos, julgá-lO e fazer com que desaparecesse. 
A Sua presença punha em risco toda a hierarquia sacerdotal. 
Eles sentiam que, dia a dia, perdiam seu status. 
O povo seguia aquele Mestre que nada pedia senão que amassem a Deus e ao seu próximo. 
Não exigia dinheiro para ser ouvido, seguido ou oferecer as Suas bênçãos. 
Jesus, o Mestre, de tudo estava ciente. 
Não somente por conhecer as escrituras, o que haviam falado os profetas a respeito do Messias. 
Mas, sobretudo, por estar plenamente cônscio do preço que deveria pagar, nas mãos de homens que não desejavam a Sua mensagem.
Então, Ele pediu a Pedro e João que entrassem na cidade de Jerusalém e preparassem o lugar para a celebração da Páscoa.
Quando Ele se encontra no aposento, junto aos doze, afirma: 
-Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. 
São palavras que expressam um grande desejo. 
Era a última Páscoa em que estaria com eles. 
O Cordeiro sabe que logo mais haveria de ser sacrificado. 
Sua doação derradeira é estar com os Seus. 
Todos sabemos como aquela noite se fez de importância, pelas recomendações apontadas, por todas as revelações apresentadas.
Uma noite inesquecível para aqueles corações. 
* * *
O calendário terreno nos anuncia que o Natal se aproxima. 
A data em que nós, os humanos, elegemos, para recordar a vinda do Rei. 
O Rei Solar, o Governador Planetário, nosso Mestre e Senhor. 
A pessoa mais ilustre que esta Terra já abrigou, em suas estradas.
Muito importante que imitemos o Nazareno, parafraseando a Sua expressão daquele dia: 
-Desejo ardentemente comemorar este Natal convosco. 
Que  possamos dizer aos nossos familiares, nossos amigos, aos que passam pela nossa vida. 
E nos preparemos para a data, desde agora. 
Preparemos a sala do nosso coração, para recepcionar os que amamos e lhes oferecer nosso abraço, no natalício do Mestre.
Preparemo-nos para a data, colocando flores nos vasos do nosso carinho e envolvendo com laços de ternura os pacotes que iremos oferecer. 
Pacotes pequenos, minúsculos, grandes, valiosos todos porque trabalhados pela nossa afeição. 
Preparemos a mesa com o que possamos ofertar, em nome do amor.
E que a nossa noite seja, como aquela longínqua Páscoa, recheada de preces, de hinos, de pão repartido. 
A data se aproxima. 
Apressemo-nos e desejemos ardentemente estar com quem amamos.
Recordemos: na oferta do pão à mesa da confraternização, quem sabe possamos ter um gesto de perdão a quem nos feriu e o possamos incluir à mesa. 
Quem sabe instalemos uma mesa em casa alheia, oferecendo um banquete. 
Um banquete de luz que ofereça pratos de desculpas, doces de perdão, frutas de ternura e paz. 
Apressemo-nos. 
O Natal se aproxima. 
Desejemos ardentemente comemorá-lo com Ele, o Celeste Amigo.
Redação do Momento Espírita, com transcrição do Evangelho de Lucas, cap. 22, versículo 15. 
Em 17.12.2021.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Daniel Goleman
Era verão em Nova York. 
Fazia um calor sufocante, quase insuportável. 
As pessoas andavam pelas ruas mal-humoradas, em visível desconforto. 
Daniel Goleman, doutor em psicologia, aguardava o ônibus que o levaria de volta ao hotel. Ao entrar no ônibus foi surpreendido com a saudação do motorista: 
-Oi, como vai? 
Era um homem de meia-idade e largo sorriso, que repetia a mesma saudação a todos os passageiros que iam adentrando, durante o longo percurso, no denso tráfego. Todos, como Daniel, se surpreendiam mas, porque estavam com o humor comprometido pelas condições climáticas, poucos retribuíam o cumprimento. À medida que o ônibus se arrastava pelo centro da cidade, porém, uma transformação mágica foi ocorrendo. Para deleite de todos, o motorista começou a fazer animados comentários sobre o cenário que os envolvia. 
-Há uma sensacional liquidação naquela loja. Uma exposição maravilhosa naquele museu. Estreou um novo filme no cinema ali da esquina... 
Ele falava com prazer e as possibilidades que a cidade oferecia contagiaram a todos. Ao descerem do ônibus, as pessoas haviam se despido da couraça de mau-humor com que tinham entrado. E, quando o motorista lhes dirigiu o sonoro :
-Até logo, tenham um ótimo dia!
Todas lhe deram uma resposta sorridente. 
 * * *
Um único homem, sem fazer qualquer discurso inflamado, ou sem buscar argumentos mirabolantes, conseguiu, por meio de seu próprio comportamento, mudar o estado de espírito de diversas pessoas.
Aquele motorista, mesmo sem se dar conta disso, pacificava os corações daqueles desconhecidos que se faziam companheiros de um curto trajeto. 
 * * * 
As emoções são inatas aos seres humanos. 
Desde os mais remotos tempos há registros de que o homem sofre forte influência dos sentimentos, nobres ou não, em variadas situações. 
Ora são motivos de crimes e de barbáries.
Quando o ciúme, o ódio e a inveja invadem corações, manipulando seres e destruindo vidas. 
Ora são causas de grandes conquistas e de inenarráveis feitos. 
Isso porque o amor, o perdão e a compaixão superam as fraquezas do ser e o impulsionam pelos caminhos do bem. 
As emoções fazem parte da Humanidade e não podem ser negadas. Elas precisam, no entanto, ser conhecidas e reconhecidas pelos seres humanos, para que possam ser educadas e desenvolvidas. 
Cada um de nós pode transformar o meio em que está inserido, através da própria postura emocional, tal como esse motorista.
Podemos oferecer sorrisos sinceros e desinteressados, diálogos edificantes, capazes de alterar o humor daqueles que nos cercam. 
Ou podemos optar por fechar a cara e nem sequer cumprimentar aqueles que se aproximam. 
Os resultados de cada uma dessas escolhas serão colhidos por nós próprios, imediatamente ou não. 
No entanto, sempre seremos os mais rapidamente beneficiados quando a nossa conduta estiver voltada para o bem-estar de todos.
Essa capacidade de controlar impulsos e educar emoções também é natural em todos os seres humanos. 
Basta, apenas, disposição e vontade para efetivamente desenvolvê-la.
Redação do Momento Espírita, com base no Prefácio, do livro Inteligência emocional, de Daniel Goleman, ed. Objetiva. 
Em 3.5.2016.