sábado, 12 de dezembro de 2020

A FESTA DA FRATERNIDADE

Vai haver festa no pomar! 
A notícia se espalhou rapidamente e logo, as frutas se reuniram para decidir quem deveria participar da grande festa. 
O morango, que era o presidente da Comissão pelos direitos das frutas, abriu a sessão e foi relacionando quem seria convidado. Quando chegou a vez do limão, perguntou: 
-Quem estiver a favor de convidar o limão, erga a mão. 
Um grande silêncio se fez. 
Nenhuma mão se levantou. 
Ninguém queria o limão, porque era muito azedo. Ele estragaria qualquer reunião. 
O limão, de longe, observava tudo e ficou ainda mais azedo por não poder participar. 
Foi então que a batata, que por ali passava, fazendo sua habitual caminhada matutina, viu o limão no canto, isolado, e perguntou: 
- Você não vai à festa do pomar? 
Envergonhado, o limão teve que dizer que não poderia ir, porque as frutas o achavam muito azedo. 
Dona batata era uma senhora distinta e esclarecida e o convidou para ir à festa da horta. 
-Vamos fazer uma grande salada, disse. Você vai temperá-la. 
O limão aceitou o convite e foi com ela. 
A festa foi um sucesso, com a alface abraçada à cebola, o agrião enrodilhado na vagem e as ervilhas rolando, felizes. 
Quando a festa ia a meio, deram-se conta de que faltava o jiló. 
- Ah, disse a cenoura. Ele me falou que não viria porque se sentia amargo demais hoje. 
O tomate, corado de dançar, propôs: 
-Se ele está amargurado, não pode ficar sozinho. Vamos buscá-lo. 
Por fim, decidiram que, em vez de buscar o jiló, todos deveriam ir até a casa dele e continuar a festa por lá mesmo. 
Quando viu as hortaliças chegando, jiló se assustou um pouco. 
Eram tantas! 
Entretanto, todos se acomodaram bem na casa dele e a festa se prolongou por todo o dia. 
No final da tarde, o boldo chegou para participar do chá das cinco, junto com a hortelã, o capim limão e a erva cidreira. 
Foi uma verdadeira confraternização! 
* * * 
Assim também acontece em nossas vidas. 
Não há amargura ou mau humor que não se cure com uma boa dose de amor. 
É muito fácil e nos dá prazer conviver com os bons, os meigos e gentis. 
Porém, não nos esqueçamos dos que precisam realmente da nossa presença, do nosso exemplo, do nosso carinho e da nossa compreensão, dia a dia. 
Assim procedendo, estaremos pondo em prática os ensinamentos cristãos que nos convidam a amar não somente os que nos amam, porque isso todos fazem. 
Como cristãos, o nosso deve ser o comprometimento de buscar os que não nos amam e, na convivência fraterna, conquistá-los para o nosso coração. 
* * * 
RAUL TEIXEIRA
No concerto da luz, a fraternidade é excelente virtude. 
É estrela em noite escura que ampara e consola a alma ferida. 
Transforma sombra em clarão e torna ausente o mal. 
Onde quer que se manifeste, possibilita nova impressão aos pilares da vida e impele o coração ao encontro dos seus irmãos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Salada mista, do livro Grãos de mostarda, v. 3, de Leila Fernandes, ed. Grupo de Estudos Espíritas Os Mensageiros e no cap. 1, do livro Vozes do Infinito, por diversos Espíritos, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. 
Em 13.3.2015.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

FERRAMENTAS ESPIRITUAIS

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E JOANNA DE ÂNGELIS
Uma das graves problemáticas da humanidade é a utilização de drogas.
Das drogas pesadas, como heroína, cocaína às drogas socialmente aceitas, como álcool e fumo. Não menos danosas. Drogas que geram dependência e um sem número de outras dificuldades ao corpo e ao espírito. A questão toma conta dos lares e é possível que muitos de nós não utilizemos nenhuma das enumeradas. Mas, é muito certo que alguns usemos antidepressivos, soníferos e estimulantes para estarmos bem humorados. Drogas para emagrecer, para estimular a libido, para dar euforia. Se desejamos erradicar o problema do mundo, devemos iniciar por nós. 
Como? 
Começando.  
Para isso, alguns itens nos podem servir de ferramentas. 
Primeiro: façamos uma lista dos nossos vícios e a coloquemos no espelho, para diariamente olhar e ler. 
Por exemplo: eu gosto de tomar substância alcoólica. 
Ou: gosto de fumar. 
Esta semana vou trabalhar pela minha saúde. 
Aí, iniciemos o trabalho terapêutico. 
Raciocinemos: Sou uma pessoa de consciência. Não vou gastar para me matar de maneira dolorosa. O cigarro causa cânceres na boca, no aparelho respiratório e no aparelho digestivo. O álcool produz degenerescência do aparelho digestivo, do pâncreas, dos pulmões, do fígado. 
Alucina. 
Eu sou inteligente. 
Não vou usar.  
Cada semana trabalhamos um vício. 
Um de cada vez. 
Segundo: afirmemos – eu me amo. 
Se eu me amo, zelo por mim. 
Por isso, devo me melhorar a cada dia. 
Preocupemo-nos em ser melhores. Em vez de perseguir o sucesso do mundo, invistamos no êxito sobre as nossas paixões. 
Terceiro: evitemos dizer: nunca mais. 
Nunca mais eu fumarei. 
Nunca mais tomarei álcool. 
Façamos como recomenda o código dos alcoólicos anônimos: hoje eu não tomarei álcool. 
Só hoje. 
Quando vier amanhã, repetirei: só hoje. 
E assim a cada dia, dia por dia.
Passo a passo, conquista a conquista. 
Quarto: digamos: eu mereço ser feliz. 
Necessitamos melhorar a nossa auto-estima. 
Deixar de se considerar a última das criaturas, aquela para a qual tudo acontece de ruim.
Problemas todos os têm. Somente os alienados não se dão conta de que os têm. 
Com auto-estima, nos acreditamos merecedores de felicidades. 
Têm-se desafios a vencer, porque estamos vivos. 
E, finalmente, quinto item: eu nasci para amar. 
Fui criado por amor, sou sustentado pelo amor de Deus e fui talhado para o amor. 
Para amar, eu necessito viver sem conflitos, sem marcas, livre de quaisquer dependência. 
Acreditemos: podemos mudar o mundo, acabar com as drogas, começando por nós. 
Para mudarmos o mundo é necessário que mudemos a nós mesmos.  
*** 
Diante do arquipélago celular que constitui o corpo, a verdadeira felicidade é, de início, se encontrar vivo. Logo depois, é a inefável alegria de ter consciência da própria fragilidade. Também das infinitas possibilidades de realização moral, que decorre da coragem para conseguir a auto-iluminação. 
Por tudo isso, não deixemos para amanhã a nossa tomada de decisão.
Comecemos hoje a construção do dia melhor do amanhã. 
Texto da Redação do Momento Espírita, a partir do cap. 9 do livro eu me amo. Eu não tenho vícios. Ferramentas espirituais contra os vícios, de Divaldo Pereira Franco, ed Leal e do cap. 9 do livro Iluminação interior, do Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

GRATIDÃO DE FILHO(A)

Faz bem ouvir histórias de gratidão, recheadas de ternura. 
Histórias que mostram criaturas reconhecidas pela existência, pela oportunidade de viver neste bendito planeta. 
Talvez, por isso, as pessoas frequentassem mais aquela lanchonete do que outras, na pequena cidade. O senhor, um homem maduro, tinha um certo ar de filósofo. A cabeleira mal contida por um boné, os olhos atentos, o dinamismo de quem amava o que fazia. Tinha um olhar que lhe permitia, tão logo a pessoa entrasse em seu estabelecimento, descobrir o que lhe ia na alma. Assim, quando a esposa que acabara de se despedir do marido, que partira para uma missão militar, no Exterior, adentrou o local, ele foi até a sua mesa. Antes mesmo dela fazer o pedido, ele ofereceu uma salada de frutas. 
-Bem saudável, frisou. 
-Prefiro um café preto, sem açúcar. – Disse a jovem. 
Ele insistiu, com delicadeza: 
-Acredito que no seu estado deveria começar a tomar menos café e alimentar-se melhor. 
Ela se surpreendeu. 
Como ele poderia saber da sua gravidez se somente há poucos dias ela tivera a certeza? 
E, antes que se recuperasse da surpresa, continuou o senhor: 
-Se resolver doar mesmo o bebê, acredite que ele não irá querer mal a você. Ficará agradecido por tê-lo deixado nascer. 
Aquilo ia além dos limites. 
Ele parecia ter lido na sua mente as tantas ideias que a atormentavam com respeito a ficar ou não com o bebê. 
Algumas lágrimas lhe escorreram pela face. 
Ele continuou, bem humorado, como quem deseja plantar uma semente de esperança: 
-Sabe, eu sou adotado. Digo para mim mesmo que tive duas mães. Tenho certeza de que quando eu decidi que queria nascer nesta Terra, procurei uma mulher para ser minha mãe. Vi uma jovem amorosa, bonita e falei: “Eu vou nascer desta mulher. Quero ser filho dela!” Depois, encontrei outra mulher. Senti o amor que exalava dela e disse: “Esta será a minha mãe.” Então, eu tenho duas mães. A mãe biológica, que me gerou, me deu um corpo, me permitiu nascer. E a mãe que me abrigou em seu colo, me recebeu como filho de sua carne, me aninhou. Ela me alimentou, esteve comigo nos dias da infância, da juventude. Sou muito agradecido a ambas. Cada uma me amou de uma forma e me deu algo precioso: o corpo, o lar, o carinho. Penso que todos os que sejam adotados deveriam ter esse pensamento de gratidão por quem lhes permitiu nascer. E por quem os recebeu nos braços, acompanhando-lhes o dia a dia. 
* * * 
Quanta gratidão havia naquele coração! 
Algo que nem sempre observamos nos filhos, biológicos ou do coração.
Como são preciosas as atuações das mulheres mães. 
Filhos biológicos devemos ser infinitamente gratos pela vida, pelos cuidados recebidos, por todo o amor que nos alimentou. 
Filhos adotados, de igual forma, considerando que a generosidade de um coração materno nos acolheu quando outro coração registrou dificuldades em continuar conosco. 
Gratidão deve ser a palavra gravada profundamente em nossos corações.
Pensemos nessas criaturas que nos devem merecer respeito, carinho, atenção. 
Redação do Momento Espírita, com base em capítulo da série televisiva Os casos de Cedar Cove. 
Em 10.12.2020.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

FERRAMENTAS E INSTRUMENTOS

MARCELO DUARTE
Desde eras primitivas, os seres humanos aprendemos a desenvolver ferramentas e instrumentos para facilitar o trabalho e tornar nossa existência menos árdua. 
Das primeiras lascas de pedra, utilizadas para cortar, desbastar e raspar, até os aparatos tecnológicos mais modernos, que agilizam atividades e operações, vimos empregando nossa inteligência no desenvolvimento e na criação de soluções para problemas e desafios. 
Porém, da mesma forma que criamos essas ferramentas para alavancar o progresso, uma parcela de nós, movidos por ganância, orgulho e egoísmo, nos servimos delas para nos impor sobre os demais, para humilhar, destruir, roubar. 
Criamos o machado para cortar troncos e abrir picadas na mata, possibilitando nos deslocarmos com mais desenvoltura. No entanto, alguns o utilizamos para agredir e matar companheiros de jornada, a fim de lhes roubar os frutos do seu trabalho e esforço. 
Criamos a escrita. 
Com ela escrevemos leis, cânticos, livros e poemas maravilhosos. Outros a utilizam para assinar sentenças de morte e registrar ofensas e injúrias.
Com o avião vencemos os ares e encurtamos distâncias. Contudo, quando nos voltamos para a guerra, vimos nele a ferramenta perfeita para lançar bombas sobre cidades e povoados, matando milhões de pessoas.
Desenvolvemos medicamentos para aliviar dores, curar e diminuir o sofrimento humano. Homens maliciosos utilizam de algumas dessas substâncias para criar mecanismos de fuga da realidade, produzindo-as em larga escala, auxiliando a viciar milhões de seres que se perderam no consumo indiscriminado de drogas. 
A invenção da roda e, posteriormente, do automóvel, facilitou o nosso deslocamento, também o transporte de cargas, impulsionando o progresso. Alguns de nós, inebriados pela velocidade, perdemos a vida em corridas e rachas sem sentido, movidos pelo prazer ilusório que ela proporciona. 
A internet foi criada para resguardar pesquisas e importantes documentos de eventual destruição. Com o tempo, foi aberta ao público para que pudesse ser utilizada na troca e armazenagem de dados importantes. Hoje, vários de nós a transformamos em repositório de inutilidades e coisas sem sentido, que ocupam milhões e milhões de páginas virtuais. 
As redes sociais possibilitaram aproximar pessoas que se encontram fisicamente distantes. Mas, as usamos para veicular notícias falsas, ódio e agressões, frutos da intolerância, preconceitos e fanatismo de todo tipo, afastando familiares e amigos. 
Outras tantas ferramentas e instrumentos estão à disposição da Humanidade para fomentar o progresso. 
De que forma as utilizamos depende do nível evolutivo dos que delas fazemos uso. 
Que possamos estar atentos à forma como nos servimos do que temos, das oportunidades que recebemos para fazer o bem e espalharmos exemplos de amor ao Pai e ao próximo. 
Exatamente como nos foi ensinado há milhares de anos pelo Mestre Jesus. 
Pensemos de que maneira estamos nos servindo desses talentos que a Divindade nos permitiu criar, inventar, obter. E busquemos deles nos servir somente para o bem, para coisas grandiosas, próprias dos que fomos criados por um Deus de amor e paz. 
Redação do Momento Espírita, com base em O livro das invenções, de Marcelo Duarte, ed. Companhia das Letras. 
Em 15.3.2019.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

FRUTOS DA RENÚNCIA

Debbie Macomber
Na pequena cidade, quase todos se conheciam e a comunidade tinha a virtude da solidariedade. O que acontecia a um, atingia aos demais. Assim, quando um incêndio devorou as instalações do ainda nem inaugurado restaurante do jovem casal, a cidade ficou abalada. Todos estavam cientes que o marido de Justine vendera seu barco e ela investira até o seu último centavo para aquisição daquele imóvel. Ainda estavam no período das reformas, quando o sinistro surpreendeu, com suas chamas altas, em plena noite. Às vésperas do Natal, aquela tragédia atingiu não somente o casal, mas parentes, amigos, conhecidos. De forma surpreendente, a mão de obra para a limpeza, retirada de entulhos e consertos possíveis se apresentou. Foi emocionante recepcionarem o casal entre as paredes queimadas, com salgados, tortas, café, chá, dizendo da sua intenção de auxiliar. 
Aquilo serviu de estímulo aos jovens para prosseguirem na perseguição do seu sonho, a abertura do restaurante. Quando a cantora, vinda de outra cidade, desembarcou no cais, teve quem a auxiliasse, indicando o endereço que buscava. 
Grávida, não lhe foi difícil conseguir emprego como garçonete e cantora, na lanchonete mais frequentada da pequena cidade. 
Uma cidade amiga. 
Uma cidade solidária. 
Quando o concurso anual da mais bela decoração natalina foi aberto, o dono da pousada se esmerou. Utilizou os enfeites do ano anterior, adquiriu outros e iluminou o imóvel do telhado ao chão. De longe, podiam ser vistas as luzes de variadas cores. Pelo jardim, espalhou árvores decoradas, laços de fita, renas iluminadas e outras figuras natalinas. Os comentários é de que a pousada, com certeza, seria a escolhida pela comissão de festejos, composta pelas pessoas mais atuantes na comunidade. Os dias avançavam e Bob, o dono da pousada, já se imaginava com o troféu nas mãos, pela oitava vez consecutiva. Então, quando a Comissão estava prestes a decidir, sua esposa fez um comentário. Disse como a quase nonagenária senhora Edna ficaria triste por não ser a premiada. Afinal, disse ela, está idosa, vive sozinha e se esmerou na decoração. 
-Pobre Edna, sua tristeza será muito grande mesmo. 
Ao ouvir isso, Bob olhou o esplendor da sua pousada, as luzes piscando, o colorido imenso que tomava conta do jardim, na noite agradável. 
Pensou em Edna. Há poucos dias, ele a vira se credenciar para compartilhar um jantar com um dos jovens da cidade. 
Uma promoção que visava oferecer alegria à comunidade, alargamento das amizades e, também, recursos para a manutenção da Biblioteca Pública. 
Então, num gesto bem pensado, ele foi até a caixa de força e desconectou os cabos elétricos. 
Repentinamente, todos os enfeites, guirlandas, sinos iluminados desapareceram. 
Com essa atitude, ele se retirava da competição para possibilitar a vitória à idosa Edna. 
Uma renúncia. 
Um ato de compaixão, de bondade, de solidariedade. 
Ele desejava ver aquela senhora sorrir, se emocionar e mostrar o troféu conquistado. 
Um gesto assim massageia o coração de quem o realiza. 
E coloca sorriso nos lábios envelhecidos de uma longa vida. 
Redação do Momento Espírita, com base em capítulos do seriado Os casos de Cedar Cove, do romance homônimo de Debbie Macomber. 
Em 7.12.2020.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

A FÉ QUE NOS CONDUZ

LÉON DENIS
Fé é a confiança da criatura em seus destinos. 
É o sentimento que nos eleva ao Criador, a certeza de que estamos no caminho que nos conduz para a verdade. 
De um modo geral, para adquirirmos a fé inabalável, passamos por tribulações da dúvida e angústias que nos embaraçam a jornada. Se buscarmos respostas, se questionarmos, teremos como resultado a fé profunda porque estará alicerçada em tudo aquilo que a nossa razão aceita como coerente. 
A razão, dizia o Apóstolo Paulo, é Deus em nós. 
É um reflexo da razão eterna. 
Não podemos lhe desconhecer o valor e a utilidade. Se assim fizermos, estaremos menosprezando a natureza humana e ultrajando a própria Divindade. 
A fé, iluminada pela razão, nos abre um campo vasto de ação consciente. Harmoniza as nossas faculdades e nos traz paz interior. 
Não se trata, portanto, de uma simples crença em certos dogmas religiosos. Está na convicção que nos anima e nos arrebata para os ideais elevados. Quando temos fé em nós mesmos e ainda a conjugamos com a fé no Pai de bondade, temos capacidade de realizar grandes obras. 
Foi assim que Francisco de Assis revolucionou o pensamento cristão, na Idade Média, convidando os homens a um retorno ao Cristianismo primitivo. Sensibilizou corações jovens que o seguiram, comungando do seu ideal de amor a Deus e às criaturas. Um grande ecologista à sua época, exemplificando o respeito a todo ser vivente. 
Foi assim que Madre Tereza de Calcutá venceu todas as dificuldades, até mesmo a má vontade de alguns, e fundou a sua obra de assistência aos pobres mais pobres. Atraiu para si pessoas idealistas que lhe secundaram os esforços e suas casas de benemerência se espalharam pelo mundo, instaladas sempre nos lugares mais necessitados. 
Foi assim que Irmã Dulce, na Bahia, ergueu um hospital, na sua fragilidade orgânica mas grande força moral. Conseguiu a adesão de muitos corações, tocados pela sua energia. 
Foi assim que Divaldo Pereira Franco, também na Bahia, ergueu um lar de bênçãos, a Mansão do Caminho. Atendimento à criança, à família, ao idoso. Pão para o corpo, pão para a alma com educação, desde a mais tenra idade. Um projeto para formar homens instruídos, esclarecidos. Homens de bem para o mundo. 
Todos motivados pela fé. 
A mesma fé que move o artista, o pensador, o filósofo. 
Fé que é a visão de algo maior, de um ideal sonhado e que deve se concretizar. 
Fé que repousa na base sólida que lhe oferecem o livre pensar e o livre exame. 
Mãe dos grandes feitos e dos mais nobres sentimentos, torna o homem firme perante tudo que lhe ocorre. 
Detentor de fé, o homem não se permite abalar pelas lutas, pelos revezes.
Ao contrário, firme, a tudo enfrenta. 
Fé em si mesmo, Espírito imortal. 
Fé num poder superior, que a tudo governa, tudo preside. 
Quando todas as almas encarnadas na Terra se unirem nessa fé poderosa, assistiremos à maior transformação moral que a História jamais registrou.  
Iniciemos por nós mesmos, agora, hoje, enquanto é tempo. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. XLIV, pt. 5, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 4.11.2019.

domingo, 6 de dezembro de 2020

FENÔMENO NATURAL

DIVALDO PEREIRA FRANCO
E
JOANNA DE ÂNGELIS
O fenômeno da morte física ainda consegue nos aturdir e surpreender.
Quando ela se apresenta, abala-nos as fibras emocionais ao arrebatar violentamente aqueles que ainda há pouco conosco conviviam. Deixa rastro dolorido quando, lentamente abraça o ser amado, que se vai aos poucos, minado pela doença fatal que, imbatível, vence todas as resistências orgânicas. Aturde-nos quando se faz intensa, retirando do palco da vida centenas de criaturas, pelos desastres naturais, como se a natureza em fúria quisesse se vingar de algo ou de alguém. Chega a nos chocar quando seleciona aqueles que, no vigor da vida física, vão em seus braços, levando consigo sonhos, planos futuros, expectativas e esperanças inconclusas. Desperta indignação, quando não revolta, quando vem abraçada pela violência urbana, ainda mais se atinge crianças, trabalhadores, mães ou pais de família. 
* * * 
A morte é a etapa final da existência física, não da vida. 
É a conclusão do fenômeno biológico, que nenhum de nós se eximirá de experimentar. 
A vida porém, transcende em muito o vaso orgânico por intermédio do qual se manifesta sobre o planeta. 
Assim, analisando o fenômeno da morte, que é unicamente fisiológico, não há por que temê-lo. 
Trata-se de processo natural da vida. 
Também não há por que ignorá-lo, desde que se mostra inexorável para cada um de nós. 
Por tudo isso, não é viável alimentar a revolta ou o inconformismo quando ela chegar para aqueles a quem amamos. Nem tampouco devemos nos permitir o desequilíbrio ou desentendimento das leis da vida, quando ela assaltar a muitos, de forma coletiva. Desaconselhável alimentarmos o inconformismo quando forem vidas infantis ou juvenis aquelas que a morte der por concluídas, mesmo que possamos cogitar de aparente injustiça divina. Melhor será trocarmos o inconformismo, a revolta, o desânimo e a desesperança pela canção da Imortalidade, da vida plena e da libertação que enseja a morte física. 
A existência corporal é veste breve, que logo mais se fará rota para cada um de nós, exigindo que dela nos apartemos, para que a vida plena estue em nós. 
A certeza da imortalidade da alma e o entendimento de que os laços do amor, do afeto e do querer bem não serão por ela desatados, nos permitirão entender a verdadeira dimensão do fenômeno da morte. 
Assim, se hoje ela nos faz apartar de quem queremos bem, ou se nos assusta pela violência com que arrebata a tantos, vejamo-la apenas como processo natural da vida. E tenhamos a certeza, na intimidade do coração, de que dia virá em que também nós receberemos a sua visita, a nos libertar das vestes físicas, para retornarmos à casa, nas asas da Imortalidade, sob as bênçãos de Deus.
* * * 
Ante a morte, guardemos a certeza da Imortalidade e honremos os que partem, deixando-nos mergulhados em saudade, não cedendo ao desespero e à revolta. 
Discípulos do Cristo, recordemos que Ele, o Modelo e Guia por excelência, nos ensinou que a morte é vencida pelo Espírito imortal. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap.13, do livro Momentos de felicidade, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. 
Em 10.02.2012.