domingo, 10 de maio de 2020

VALE À PENA SER MÃE!

Dr. Laércio Furlan
Ela era jovem e cheia de sonhos. Quando a gravidez se confirmou, plenificou-se de felicidade. Ela era amada, tinha um lar, e agora um filhinho viria coroar de maiores alegrias a sua vida. Idealizou, junto com o marido, como seria aquele bebê que se formava, em sua intimidade. Passou a deter o olhar em vitrines com maior vagar. Vitrines com roupas de bebê, carrinhos, berço, enfim tudo que pudesse compor um quartinho especial para o amor do seu amor. Algo, contudo, viria empanar a sua felicidade e colocar cores escuras em seus sonhos. Em um dos exames preliminares, foi-lhe dito que seu bebê apresentava uma dificuldade. Em verdade, uma séria dificuldade. Ele era anencéfalo. Não tinha cérebro. A orientação foi que ela abortasse. Adriana chorou muito. Seu marido também. Embora lhe fosse acenada a possibilidade de abortar, pois ao nascer, o bebê não viveria senão algumas horas, ela hesitou. Portadora da crença na Imortalidade da alma, nas vidas sucessivas, sabedora dos objetivos da reencarnação, tomou uma decisão. Ela não abortaria. Seu bebê viveria o mais possível, a depender da sua disposição e coragem. E se assim decidiu, seu marido a apoiou. Foram noites de muitas lágrimas. Noites de incertezas, de dúvidas, de pesar. Afinal, eles desejavam tanto um bebê, um filho para amar, acarinhar, ver crescer. E seu filhinho não viveria para isso. Surpreendentemente, dois meses depois desse diagnóstico, um novo exame revelou algo diferente: seu bebê não era anencéfalo. O ultrassom detectou o cérebro e apontou que o problema do feto era o não fechamento neural. Um problema que poderia ser corrigido cirurgicamente. Adriana deixou que as lágrimas lhe lavassem as faces e a alma. Foi um alívio momentâneo, porque logo depois veio o outro diagnóstico. A sua filhinha era portadora de uma cardiopatia. Sim, um procedimento cirúrgico poderia resolver. Assim, a jovem grávida foi encaminhada para um hospital e recebeu acompanhamento médico até o final da gravidez. Rafaela nasceu de parto cesariana no dia 1º de janeiro de 2005. Era como se desejasse anunciar um novo ano com sua presença. Nasceu no mesmo dia e no mesmo horário em que seu pai nascera. Era um presente maravilhoso, consideraram os pais. É a própria Adriana que conta, com palavras emocionadas: 
-Fizemos tudo para que ela sobrevivesse. Mas de tudo que esperávamos, foi realmente o melhor da forma como tudo aconteceu. Rafaela ficou no hospital. Só meu marido e eu podíamos entrar para vê-la. E a cada vez que a visitávamos fui percebendo que aqueles eram momentos só nossos de conhecê-la. Rafaela desencarnou no dia 17 de janeiro. De tudo isso aprendi que o amor é o mais importante. Se realmente o diagnóstico mudou, porque mudou, não sei. O que sei é que valeu cada minuto ao lado de minha filha. Hoje, que os dias já acalmaram a dor da separação, tenho sonhado com minha filhinha. Ela me parece uma criança feliz e agradecida por tudo que passou. E eu, eu agradeço a Deus a oportunidade de ser mãe de Rafaela. Minha mensagem a todas as mulheres é que não desistam de serem mães, acima de tudo. Vale a pena! 
Redação do Momento Espírita, baseado em fato narrado pelo Dr. Laércio Furlan, da AME-PR. Disponível no CD Momento Espírita, v. 18, ed. FEP. 
Em 6.5.2020.

sábado, 9 de maio de 2020

O EXEMPLO ARRASTA

Um amigo recém-chegado da Europa contou-nos uma experiência curiosa. Disse que caminhava pelas ruas de determinada cidade européia, em companhia de seu anfitrião, quando resolveu atravessar a rua a alguns metros da faixa de segurança. O anfitrião segurou-o pelo braço, impedindo o gesto e observou: 
-Não faça isso! Crianças podem estar nos observando e fatalmente irão imitar nossa atitude, atravessando a rua fora da faixa de segurança. Não sejamos nós exemplo de indisciplina. 
Se todos pensássemos e agíssemos assim, a disciplina seria uma realidade em qualquer situação. Ao contrário, mesmo conduzindo as crianças dentro do próprio veículo, damos múltiplos exemplos de indisciplina. Avançamos o sinal, paramos em fila dupla, fazemos ultrapassagens perigosas, excedemos os limites de velocidade, entre outras infrações. O que poderemos esperar das crianças que convivem constantemente com essas situações? Não nos iludamos que elas, quando crescerem, agirão de forma diferente, pois o exemplo arrasta. Principalmente o exemplo dos pais que, de maneira geral, os filhos têm como heróis. Esses hábitos observados desde a infância, formarão o caráter dos pequenos, que mais tarde estarão dirigindo pelas ruas e rodovias, tal qual aprenderam com seus pais e outros adultos. Junto a esses exemplos de indisciplina, há outros não menos prejudiciais. A mentira, a corrupção, a preguiça, a acomodação, a violência, a indiferença, entre outros. Alguns pais dirão que, para certos filhos, o exemplo não resolve. Diremos que, embora os resultados não apareçam de imediato, mais tarde germinarão e frutificarão, desde que as sementes foram lançadas. E se reforçarmos, com a nossa má conduta, a rebeldia que já trazem do passado, estaremos deformando ainda mais o seu caráter, e responderemos por isso. Não olvidemos que nossos filhos são Espíritos reencarnados e, como tal, trazem a bagagem de experiências vividas ao longo das existências. Experiências felizes ou não, que cabe aos pais perceber e trabalhar de forma eficiente nessas almas que Deus lhes confia como filhos. Assim, tenhamos em mente que sempre poderá haver alguém mirando-se nos nossos exemplos. Por isso, esforcemo-nos para dar exemplos dignos de serem imitados. Lembremos que somos responsáveis, perante as Leis Divinas, por tudo o que resulte do nosso comportamento.
* * * 
Não basta apenas não praticar o mal, para corresponder às Leis Divinas. Dizem os Espíritos Superiores que é preciso fazer o bem na medida de nossas forças. E que responderemos por todo o mal que resulte do fato de não termos praticado o bem.
Redação do Momento Espírita. 
Em 09.01.2008.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

COMO DEUS ESCOLHE AS MÃES

-Alguma vez pensou como Deus escolhe as mães das crianças deficientes ou ditas especiais? 
-Eu já… Uma vez vi Deus a pairar sobre a Terra, selecionando o Seu instrumento de propagação de amor com grande carinho. Enquanto observava, instruía os Seus emissários a tomarem nota num grande livro:
-“Para a Beth, um menino. Espírito protetor: Matheus.
-Para a Miriam, uma menina. Espírito protetor, Cecília.
-Para a Regina, gêmeos. Espírito protetor: Bernardo, ele já está habituado.” 
Finalmente, ele passou um nome para o emissário, sorriu e disse:
-“Dê a esta mãe uma criança deficiente.” 
O mensageiro, cheio de curiosidade, perguntou:
-“Por que ela, Senhor? Ela é tão alegre!”
-“Exatamente por isso”, disse Ele. “Como poderia eu dar uma criança a uma mãe que não sabe o valor de um sorriso? Seria cruel…” 
-“Mas, será que ela vai ter paciência?” 
-“Eu não quero que ela tenha muita paciência”, disse o Criador, “porque aí ela irá afogar-se no mar da autopiedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passem, ela saberá como conduzir a situação. Eu hoje estive a observá-la. Ela tem aquele forte sentimento de independência.” 
O emissário retorquiu: 
-“Mas ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não será fácil. Além do mais, Senhor, acho que ela nem acredita na Sua existência.” 
Deus sorriu, e disse: 
-“Não tem importância. Eu posso dar um ‘toque’ nisso. Ela é perfeita. Possui o egoísmo no ponto certo.” 
O anjo engasgou-se: 
-“Egoísmo? E isso é, por acaso, virtude?” 
O Criador, sereno, acrescentou: 
-“Se ela não conseguir separar-se da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, esta é uma mulher que abençoarei com uma criança dita ‘menos perfeita’. Ela ainda não faz ideia, mas será, também, muito invejada. Ela nunca irá admitir uma palavra não dita, nunca considerará um passo como uma coisa comum. Quando a sua criança disser ‘mãe’, pela primeira vez, ela pressentirá que está a presenciar um milagre. Quando ela descrever uma árvore com um pôr do sol para o seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a Minha Obra. Eu lhe permitirei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e irei sempre ajudá-la a superar tudo. Eu estarei a seu lado a cada minuto da sua vida, porque ela vai estar trabalhando Comigo.” 
-“Bom”, perguntou o emissário, “e quem o Senhor está a pensar mandar como anjo da guarda?” 
O Criador sorriu e complementou: 
-“Dê a ela um espelho. É o suficiente.” 
* * * 
Essa narrativa nos dá ideia de como são especiais as mães que recebem um filho deficiente, na santa missão da maternidade. Benditas sejam elas. Que possam saber que não estão sós. Também, que o filho que receberam no lar é uma alma irmã, que apenas está numa condição de deficiência nesta encarnação. Somos todos Espíritos rumando para o Pai. Cada um com nossas problemáticas, dificuldades, que vão sendo supridas pelo amor, ao longo da escalada do progresso.  
Redação do Momento Espírita, com base em narrativa de autor ignorado. 
Em 8.5.2020.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

O EXEMPLO

Havia um garoto que, nos seus quase oito anos, adquirira um hábito nada salutar. Tudo para ele se resumia em dinheiro. Queria saber o preço de tudo o que via. Se não custasse grande coisa, para ele não tinha valor algum. Nem se apercebia o pequeno que há muitas coisas que dinheiro algum compra. E dentre essas coisas, algumas são as melhores do mundo. Certo dia, no café da manhã, ele teve o cuidado de colocar sobre o prato da sua mãe um papelzinho cuidadosamente dobrado. A mãe o abriu e leu: 
-Mamãe me deve: por levar recados - três reais; por tirar o lixo - dois reais; por varrer o chão - dois reais; extras - um real. Total que mamãe me deve: oito reais. 
A mãe se espantou, no primeiro momento. Depois, sorriu, guardou o bilhetinho no bolso do avental e não disse nada. O garoto foi para a escola e, naturalmente, retornou faminto. Correu para a mesa do almoço. Sobre o seu prato estava o seu bilhetinho com os oito reais. Os seus olhos faiscaram. Enfiou depressa o dinheiro no bolso e ficou imaginando o que compraria com aquela recompensa. Mas, então, percebeu que havia um outro papel ao lado do seu prato. Igualzinho ao seu e bem dobrado. Ele abriu e viu que sua mãe também lhe deixara uma conta: 
-Filhinho deve à mamãe: por amá-lo - nada. Por cuidar da sua catapora - nada. Pelas roupas, calçados e brinquedos- nada. Pelas refeições e pelo lindo quarto - nada. Total que filhinho deve à mamãe - nada. 
O menino ficou sentado, lendo e relendo a sua nova conta. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Depois se levantou, pegou os oito reais e os colocou na mão de sua mãe. A partir desse dia, ele passou a ajudar sua mãe por amor. 
* * * 
Nossos filhos são Espíritos que trazem suas virtudes e suas paixões inferiores de outras existências. Cabe-nos examiná-las para auxiliá-los na consolidação das primeiras e no combate às segundas. Todo momento é propício e não deve ser desperdiçado. As ações são sempre mais fortes do que as palavras. Na condução dos nossos filhos, cabe-nos executar a especial tarefa de agir sempre com dignidade e bom senso, o que equivale a dizer, educar-nos. Com exceção dos filhos extremamente rebeldes, uma boa dose de amor somada à energia, sempre dá bons resultados. 
* * * 
É no lar que recebemos os primeiros ensinamentos sobre as virtudes. Na construção do senso moral, dos conceitos de certo e errado são muito importantes os exemplos dados pelos pais. É no doce mundo familiar que se adquire o hábito da virtude que nos guiará as ações quando sairmos mundo afora. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto A dívida de Bradley, de O livro das virtudes II – o compasso moral, de William Bennet, ed. Nova Fronteira.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

JESUS ESTÁ CONOSCO

Naquela quinta-feira, reunidos para a comemoração da Páscoa judaica, Jesus ofereceu aos Apóstolos as derradeiras instruções. Instruções que valeriam para as horas seguintes e para a posteridade. São discursos profundos, anunciando dores e aflições. Igualmente acenando com a Sua presença constante, frisando: Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós. E asseverou:
-Tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, Ele vo-lo há de dar. Pedi, e recebereis. 
Nestes dias de insegurança e medo, que nos envolvem, Suas palavras nos constituem certeza de que não estamos sós. Ele, nosso Senhor e Mestre, está a postos. Estas horas de angústia, que nos impulsionam para o caos e para a dor são passageiras. Já vivenciamos outros momentos graves. No século XIV, a peste negra foi das mais devastadoras pandemias na História humana. Os números apontam que entre setenta e cinco a duzentos milhões de pessoas pereceram na Eurásia. Somente na Europa, foi dizimado um terço da população. Mas, superamos. Tornamos a reerguer as cidades, as vilas, e, atestando nossa perseverança, tivemos filhos e netos. Duas guerras mundiais nos mergulharam em pavor. Calcula-se que na Segunda pereceram entre setenta a oitenta e cinco milhões de pessoas. Ainda aí, nos erguemos, demonstrando nossa coragem moral, atestando que somos essência do Pai Criador. E refizemos o panorama do mundo. O terremoto, no Japão, em 2011, seguido de um tsunami, arrasou várias localidades ao longo da costa noroeste. Dezenove mil pessoas morreram ou desapareceram com o avanço da água por terra firme, devastando tudo à sua passagem. A massa de água inundou a Central Nuclear de Fukushima, danificando os reatores, no pior acidente nuclear, desde o registrado na Central Soviética de Chernobyl, em 1986. Superamos. Desenvolvemos técnicas avançadas para prevenir eventuais acidentes de igual ordem. Reerguemo-nos e prosseguimos vivendo. Somos, com certeza, uma raça de infinitas possibilidades. Somos criaturas imagem e semelhança de um Poderoso Senhor. Dessa forma, ergamos nosso olhar. As preocupações que ora nos martirizam, passarão. Tudo passa nesta Terra. Os ventos fortes, a ação destruidora dos vulcões, dos tsunamis. Também a ação nefasta dos vírus passará. Temos a ciência ao nosso lado, conhecimentos que no passado não detínhamos. E nos aprimoraremos sempre mais, em total demonstração da nossa capacidade intelectiva, inventiva e pesquisadora. Redescobrimos formas de comunicação, ante a necessidade de isolamento, na pandemia que se instalou. Aprendemos a nos importar com nosso irmão. Confinados no lar, produzimos máscaras e as oferecemos aos hospitais. Sem poder sair, utilizamos a tecnologia para nos vermos, comunicarmos, orarmos juntos. Não pedimos somente por nós, mas todos os nossos irmãos, que adoecem, que morrem. Jesus, descrevendo essas dores que nos acometeriam, as aflições do mundo, afirmou: 
-Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. 
Confiemos. Seremos vencedores, com Ele, mais uma vez. 
Redação do Momento Espírita, com citações do Evangelho de João, cap. 14, versículo 18 e cap. 16, versículos 23, 24 e 33. 
Em 5.5.2020.

terça-feira, 5 de maio de 2020

QUANDO A DOR É MUNDIAL

Coro Internazionale Lirico Sinfonico
-O que fazemos quando vemos serem atingidos os membros da família humana? 
-Sofrem as nações, os governos. 
Sofremos todos nós porque estamos no mesmo lar Terra, separados apenas por linhas demarcatórias de fronteiras. Quando a pandemia ultrapassou fronteiras, todos nos demos conta disso. Somos uma única e enorme família. E o que é bom para uns é para todos. O que atinge a uns, alcança a todos. Assim, nos vimos envolvidos nas dores de ver enfermar e morrer muitos dos nossos irmãos. Em meio ao caos, percebemos como somos, verdadeiramente, a imagem e semelhança do nosso Criador. Deus acende luzes brilhantes na lava destruidora. Deus renova os ares após a tormenta devastadora. Deus borda a campina de flores e renova as paisagens depois dos furacões avassaladores. Seus filhos, nós, conseguimos acender lamparinas nas trevas. Esperanças em meio à tragédia. Cantamos enquanto as lágrimas abundam em nossos corações. Erguemos nossas preces, em todas as línguas e em todos os credos. Utilizamos a tecnologia para nos unirmos. Apresentamos shows virtuais, encontramos os amigos, organizamos salas de reencontros, de estudos, de compartilhamento de orações. Amenizamos a saudade. Aprendemos a nos abraçar virtualmente, renovando o desejo de tornar a nos encontrarmos, quiçá, em breve tempo. Na Itália, um dos países mais atingidos pelo coronavírus, que se espalhou, de forma rápida, ceifando vidas, o coro Internazionale Lirico Sinfonico deu uma lição de altruísmo e gratidão. Num ensaio virtual, reuniu os componentes do coro e executou Vá, Pensiero, da Ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi. Para os italianos o coro dos escravos hebreus, terceiro ato da Ópera, se tornou símbolo de patriotismo. Isso porque ela foi composta por Verdi, durante a ocupação austríaca, no norte do país, em 1842. Em momentos graves, o coro é lembrado. Possivelmente, quase todos os italianos o tragam na memória e no coração. É um lamento, uma prece que chora a pátria sofrida e perdida. Um clamor aos céus. Nada mais apropriado para os dias atuais. O que emociona, ademais, não é somente o recado de esperança de dias que serão superados, vencidos. É a homenagem e o preito de gratidão que é feito a todos os servidores da saúde. Cremos que jamais eles foram tão homenageados e recordados, como nestes dias. Esses servidores que estão sempre a postos nas tragédias, tanto quanto no cotidiano sofrido dos hospitais, das clínicas, dos lares. Eles formam o pelotão que se encontra no front da batalha. Um front em que utilizam as armas da ciência médica, da sua coragem para diagnosticar, tratar. Eles também têm família e saúde para preservar. Mas estão ali, a postos, lutando cada dia, todos os dias, pelas vidas alheias. Nada mais justo do que recordá-los, envolvê-los em nossas preces. Oxalá esses dias sirvam para todos nós meditarmos na fragilidade da existência e do quanto devemos aproveitar cada minuto que nos é dado sobre a Terra. Que aprendamos que o melhor é ser bom, prestativo, fraterno, útil. Afinal, precisamos e dependemos imensamente uns dos outros, membros da mesma grande família. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 4.5.2020.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

EXEMPLIFICANDO SEMPRE

Mahatma Gandhi
Narra-se que, certa vez, uma jovem indiana, desejando que seu filho tivesse saúde invejável, decidiu que seria importante para ele deixar de comer açúcar. Acreditava que o açúcar era um produto que agredia o organismo. Afinal, ele possibilitava o aparecimento de cáries, além de ser um produto que facultaria à criança uns quilos a mais. Por largo tempo ela falou ao filho para deixar de consumir o produto. Mas, a criança adorava açúcar e não o dispensava, deliciando-se com os doces mais variados. Finalmente, a mãe procurou o Mahatma Gandhi e contou seu problema, pedindo que ele, com sua grande autoridade, falasse ao filho. Com certeza, ele seria ouvido e atendido pelo menino. O sábio não afirmou que ela estava certa, nem errada. Contudo, pediu-lhe um prazo de 15 dias. Decorrido o tempo, ela deveria retornar com o filho até ele. A mulher se foi, com a alma embalada pelas mais suaves esperanças. Os dias demoraram a passar. Até que chegou o dia marcado para pôr fim à ansiedade da indiana. Ela tomou o filho pela mão e o levou até a presença de Gandhi, que se demorou a falar com o garoto, por mais de uma hora. Terminado o diálogo, Gandhi se despediu do pequeno e devolveu-o à sua mãe. A mulher estava muito curiosa. E, assim que pôde, perguntou ao Mahatma porque ele a fez esperar quinze dias, para só depois conversar com a criança. 
- É muito simples, respondeu Gandhi. Há quinze dias eu também consumia açúcar e precisava do prazo para abandonar o hábito, pois se não o fizesse, não teria autoridade moral para lhe pedir que o evitasse.
* * * 
A utilização ou não do açúcar na dieta alimentar não é o mais importante, no caso em pauta. O que se deve levar em conta é o fator exemplo. O ilustre Gandhi não se sentia à vontade para pedir a uma criança que deixasse de fazer alguma coisa, se ele mesmo ainda a fazia. Não desconhecia ele que, enquanto as palavras comovem multidões, o exemplo as arrasta. Pensemos em quantas vezes temos tentado modificar os hábitos dos outros, utilizando-nos simplesmente das recomendações ponderadas, sem nos prendermos ao fato de que não estamos exemplificando corretamente. Assim é no que diz respeito ao uso de drogas como o fumo e o álcool, que afirmamos que agridem e matam, que seu uso é maléfico, sem deixarmos, nós mesmos, do velho cigarro e dos aperitivos de vez em quando. Assim é, ainda, com relação à frequência no templo religioso, nas aulas específicas de evangelização, quando dizemos aos filhos que são importantes, edificantes. Mas, nós mesmos sequer comparecemos ao templo para o estudo e a oração. Dizer e fazer. Duas ações importantes. A segunda, com certeza, de peso seguro para a educação mais acertada. 
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Jesus, o Divino Mestre, lecionando aos homens a Lei do trabalho, esmerou-Se nele, laborando na Sua infância e juventude na carpintaria do pai. Dizendo que deveríamos perdoar setenta vezes sete vezes, perdoou Ele mesmo a todos os que O feriram e O trataram com rudeza e desprezo. Isso porque, excelente pedagogo, Jesus reconhecia o extraordinário valor do exemplo, jamais dispensando-o na tarefa educativa dos seres.
Redação do Momento Espírita. 
Em 27.10.2010.