quarta-feira, 10 de julho de 2019

É POSSÍVEL VENCER O CÂNCER

Karen era sociável, bem-humorada, divertida, supervalorizava seus longos cabelos loiros e tinha um grande sonho, o de ser médica pediatra. Mas era indisciplinada, não estudava para as provas, não lia livros, não tinha garra. Os amigos não davam nenhum crédito a ela quando dizia que ia ser pediatra. Vivia sua vida sem grandes tempestades, até que passou pelo mais dramático vendaval, pela mais angustiante experiência. Sofreu algumas tonturas, desmaios, e começou a ter sintomas que preocuparam seus pais. Feitos alguns exames, diagnosticou-se um tumor cancerígeno. Foi realmente um grande choque. O mundo desabou. Ela precisava lutar contra um inimigo que não via, e que estava dentro dela. Passou por algumas cirurgias, quimioterapia, e seus longos e loiros cabelos começaram a cair. Perdeu o ânimo de se vestir, de se cuidar. Já não sorria, não só pelo medo da doença, mas também por se sentir feia, diminuída e rejeitada. E assim, construiu conflitos que a bloquearam. Perdeu o prazer de ir à escola, se isolou e se deprimiu. Karen não devia se deprimir, pois uma pessoa deprimida cuida menos da sua qualidade de vida, diminui sua imunidade, enfraquece sua resistência para lutar contra o câncer. Precisava de garra para batalhar pela vida. Certo dia, andava muito abatida nos corredores do hospital em que se tratava. De repente, ouviu gritos de alguns meninos dentro de uma sala. Resolveu entrar. Ao entrar teve um choque. Viu seis crianças brincando com bexigas. E o que mais a abalou era que todas estavam com a cabeça brilhante. Todas estavam em tratamento de câncer. Convidaram-na para entrar na brincadeira, porém ela se recusou. Então, uma menina de seis anos, pegando em suas mãos a levou para o centro da sala. Ao ver o sorriso das crianças e a vontade de viver espelhada nos seus rostos, ela finalmente entrou na folia. Pulou e brincou. Parecia que o mundo tinha parado. Ao mesmo tempo em que se divertia, lembrou do sonho de ser pediatra. Começou a frequentar aquela sala, e quanto mais frequentava, mais se sentia fortalecida. As palavras de incentivo que seus pais lhe haviam dito anteriormente, começaram a germinar. Agora ela pedia forças para lutar pela vida e pelos seus sonhos. Fortaleceu-se tanto que, mesmo com a queda de cabelo, resolveu voltar à escola. Antes de entrar na sala, lembrou-se dos tempos que brincava, mexia com os colegas e se divertia sem preocupações... Todavia, ao entrar na sala Karen levou um susto. Ficou perplexa. Não conseguia acreditar na imagem que via. Viu a solidariedade! Viu a maioria de seus amigos e suas amigas, calvos. E eles disseram que rasparam a cabeça para mostrar que estavam juntos nessa luta. Para mostrar que a amavam do jeito que estava, e que ela era linda mesmo sem cabelo. Karen foi abraçada e beijada por todos seus amigos. Estava admirada diante de tanta manifestação de carinho. Raramente o amor foi tão longe. Karen se soltou. Começou a conviver sem medo com as pessoas. Seu ânimo se reacendeu. Por fim, triunfou. Venceu o câncer. Foi disciplinada. Começou a se destacar nos estudos e transformou seu sonho em realidade. Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos chegar, mas produzem a força necessária para tirar-nos do lugar em que nos encontramos. Sonhos são mais que desejos. Um sonho é um projeto de vida. Resiste aos problemas, pois suas raízes se nutrem nos mananciais profundos da personalidade. 
Pense nisso! 
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Filhos brilhantes, alunos fascinantes, de Augusto Cury, Academia de Inteligência.

terça-feira, 9 de julho de 2019

A PALAVRA DE JESUS

O Seu semblante refletia o resplendor do sol. Algo havia em Sua pessoa que emprestava força às Suas palavras. Ele falava como quem tinha autoridade. Autoridade sobre todos: Espíritos e homens. Ninguém que a Ele se comparasse. Os oradores de Roma, de Atenas e de Alexandria eram famosos, mas o jovem Nazareno era diferente de todos eles. E maior. Aqueles possuíam a arte que encantava os ouvidos. Quando Jesus falava, os que O ouviam deixavam vagar o próprio coração por lugares antes nunca visitados. Ele sabia falar de forma adequada a cada um. Foi o mais extraordinário pedagogo da História. Narrava parábolas e criava histórias como jamais haviam sido narradas ou criadas antes dEle. O Seu verbo desencadeava-se ora doce, ora enérgico, tal como as estações primaveris e as invernosas sabem se apresentar. Falava das coisas simples, que todos entendiam, para lecionar as leis divinas e arrebanhar os Espíritos ao reino de Deus. Suas histórias começavam assim: 
-Um semeador saiu a semear...
E enquanto discursava, os que O fitavam podiam assistir, à semelhança de prodigiosa tela mental, o homem, em plena madrugada, indo ao campo, e espalhando as sementes.. Poderiam, inclusive, quase vê-las a brotar, a partir da terra fértil. Ou então era assim que falava: Um pastor contou seu rebanho, ao cair da tarde, e descobriu que faltava uma ovelha. E todos lembravam a figura dedicada do pastor solitário, que passava em torno de nove meses, nos campos, com seu rebanho. Ao anoitecer, colocava todas as ovelhas no aprisco, um abrigo de pedras, e ele mesmo se transformava em porta viva, deitado atravessado no único acesso, protegendo-as. Em Sua fala havia um poder que faltava aos brilhantes oradores da Velha Roma e da Grécia. Quando eles pronunciavam seus discursos falavam da vida aos seus ouvintes. O Nazareno informava da destinação gloriosa do ser, da vida que não perece nunca. Falava de um reino de riquezas imperecíveis. Um reino para o qual todos teriam acesso, porque é do Pai e todos somos Seus filhos. Eles observavam a vida com olhos humanos apenas. Jesus via a vida à luz de Deus e assim a apresentava. Ele era como uma montanha que se dirigia às planícies. Conhecia a intimidade de cada um e individualmente alcançava as criaturas, falando-lhes do que tinham maior carência. Ninguém que O igualasse. Isso porque Jesus é maior do que todos os homens. Sua sabedoria vinha diretamente do Pai, com quem comungava ininterruptamente. Por isso mesmo, por mais de uma vez, expressou-se afirmando: Eu e o pai somos um, o que levou alguns de nós a pensarmos que Ele era o próprio Deus.
 * * * 
KALIL GIBRAN
Se Jesus é tão grande e Sua mensagem tão clara, por que, apesar de mais de dois milênios transcorridos, prosseguimos sem lhe seguir os ensinos? De que mais carecemos para que nossas mentes despertem e nossos corações se afeiçoem ao bem? O tempo urge. As tempestades nos alcançam. Pensemos: Ele é o porto seguro, o Pastor, nosso Mestre. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Assaf, chamado O orador de Tiro, do livro Jesus, o Filho do Homem, de Kalil Gibran, ed. ACIGI. 
Em 9.7.2019.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

A PORTA DO LADO

DR.DRÁUZIO VARELA
Como anda nosso nível de exigência em relação à vida? Somos daqueles que queremos que tudo sempre dê certo, e que não admitimos falhas, aborrecimentos? Em certa entrevista a determinado meio de comunicação, o médico Dráuzio Varella trouxe algumas considerações bastante sábias a respeito desse tema. Afirmou ele que, às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E ficaremos afirmando, a cada passo, que o dia começou mal e continuará assim até o findar da jornada. Ele relatou um exemplo trivial, que acontece com frequência na vida de muitos de nós: É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao nosso, numa garagem qualquer. Ao invés de, simplesmente, entrarmos pela outra porta, sairmos com o carro e tratarmos da nossa vida, nos irritamos, praguejamos, brigamos e estragamos o restante do nosso dia. 
-Penso que essa história de dois carros alinhados – disse ele –impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de alguns de nós melhor, e de outros, pior. Existem pessoas que têm a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entendem porque eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado para eles? Podemos afirmar, com certeza, que sim. Só que para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença. 
Continuou o médico a esclarecer: 
-O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que audácia contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar de saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato. Criam verdadeiros complexos de perseguição. Eu entro muito pela outra porta, e, às vezes, saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria de nossos problemões pode ser resolvido assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um “relevar”. Eu ando “deixando de graça”... Para ser sincero, vinte e quatro horas têm sido pouco para tudo o que eu tenho que fazer, então, não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorado. Se procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes. Também gente irritante. Pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Por isso, uso a “porta do lado” e vou tratar do que é importante de fato. 
Finalmente, concluiu Dráuzio Varella: 
-Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão porque parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado. 
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A indulgência se faz urgente na alma humana. A indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita. Na indulgência estão as cores da caridade, que procura ver no outro o que tem de bom, e não permite que suas sombras, que suas imperfeições, falem mais alto do que a sua luminosidade crescente. Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que sejam; não julgueis com severidade senão as próprias ações. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto do site pensador.info e no cap. X, itens 16 a 18, do livro O evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB. 
Em 8.7.2019.

domingo, 7 de julho de 2019

É POSSÍVEL SER BOM

Há no mundo pessoas cuja bondade causa encantamento geral. São exemplos: madre Teresa de Calcutá, irmã Dulce, Francisco Cândido Xavier, dentre outros. Não há nada como a grandeza alheia para fazer a criatura perceber a própria pequenez. Assim, o altruísmo dessas grandes almas torna as pessoas conscientes da necessidade de burilarem o próprio caráter. Ao mesmo tempo, exemplos de virtudes tão transcendentes parecem demasiado longínquos às criaturas comuns. Realmente, ninguém vira missionário do amor de um momento para outro. Ocorre que o bem possui infinitas formas. Não é necessário ser sublime para ser bom. As virtudes são conquistas graduais do espírito, que lentamente as incorpora em seu modo de ser. A criatura aprende a amar em um círculo restrito, composto de familiares e amigos. Paulatinamente, ela expande o sentimento, que por fim abarca a humanidade toda. Jesus é o perfeito exemplo do amor universal. Malgrado as fissuras morais que ainda caracterizam a humanidade, ele nos ama profundamente. Ainda estamos muito longe de tão sublime sentimento. Mas em algum momento é preciso que nos decidamos pelo bem. A vaidade faz com que o homem vincule a idéia de virtude a atos retumbantes. Ele imagina que somente assim todos perceberiam o seu valor e o admirariam. Nessa ótica, pequenas coisas não teriam qualquer valor. Mas é a soma de diminutos esforços que conduz a um grande resultado. Ademais, a felicidade, que constitui a meta real da humanidade, não se identifica com a aclamação pública. Esse sentimento de plenitude relaciona-se com a paz de quem possui a consciência tranqüila. Ante a exortação do cristo: “amai-vos”, torna-se evidente nosso dever de colaboração mútua. Somente quem procura auxiliar o progresso geral realiza sua missão na terra. E não há como viver em paz traindo o próprio destino. Na verdade, todos no mundo têm oportunidade de ser úteis. Apenas o egoísmo impede a prática do bem. Talvez ainda não tenhamos estofo moral para atos de genuíno desprendimento. Quiçá, dedicar a vida ao bem coletivo ainda não esteja ao nosso alcance. Mas podemos fazer o bem em nosso restrito círculo de atuação. Embora certas atitudes sejam singelas, elas constituem os primeiros passos na direção ao sumo bem. Por exemplo, ser bom pai, filho ou irmão. Não é preciso ostentar virtudes angelicais para tratar bem os subordinados, para ser um bom profissional. A gentileza com o próximo, qualquer que seja a sua situação, não demanda grande esforço. Ser pontual, honesto e confiável também nada tem de excepcional. Contudo, tais características são preciosas na vida em sociedade. Imagine-se um ambiente composto exclusivamente de seres gentis, íntegros e cumpridores de seus deveres. Não é difícil conceber o quão prazeroso seria viver nele. O clima psíquico da terra compõe-se da vibração de todas as pessoas que a ela se vinculam. Está em nossas mãos colaborar para que nosso planeta gradualmente se converta em um paraíso. Para tal, não são necessários atos grandiosos. Basta fazermos o bem na medida de nossas possibilidades. 
Pensemos nisso.
Equipe de Redação do Momento Espírita.

sábado, 6 de julho de 2019

E O SEMEADOR SAIU A SEMEAR

No Evangelho de Mateus, cap. XII, vv. 1 a 9, encontramos o relato de um belo e profundo ensinamento de Jesus. O Apóstolo conta que 
“Naquele mesmo dia, tendo saído de casa, Jesus sentou-se à borda do mar... Em torno Dele logo reuniu-se grande multidão. Jesus entrou numa barca e sentou-se, e todo o povo permaneceu na margem. Disse então muitas coisas por parábolas, falando-lhes assim: 
-‘Aquele que semeia saiu a semear...’” 
Ficamos, então, a imaginar como seria um semeador. Seria um santo, um profeta, alguém especialmente escolhido? Não. Um semeador é alguém que arregaça as mangas, toma as sementes e sai para o plantio. Feita a sua parte, o semeador confia no solo fértil que favorecerá a germinação, a floração e a frutificação. Ele sabe que muitas sementes poderão se perder, mesmo assim ele semeia. A história da Humanidade teve muitos semeadores, que espalharam as sementes de idéias nobres... Mas, por descuido, indolência ou má-vontade daqueles que as receberam, muitas não germinaram... Outras, todavia, nasceram e deram bons frutos, possibilitando a muitas pessoas a oportunidade de receber novas e promissoras sementes. Descobrimos um desses semeadores nos dias atuais. Que religião ele professa? A que nível social pertence? Qual é seu grau de escolaridade? Bem, isso tudo não importa. Ele é apenas um semeador... Iniciou há alguns anos, contando com a ajuda de um amigo, o movimento intitulado Você e a paz. Ao concluir mais um desses eventos, ele nos contou um pouco sobre essa experiência: 
- “Quando o iniciamos tateávamos nas incertezas... Tanta violência declarada e oculta! Seria lícito o silêncio, em nome da humildade, da confiança em Deus, transferindo aos céus a tarefa? Depois de reflexionar, por mais de um ano, ter visitado mais de 30 penitenciárias pelo mundo e mais de 50 cadeias... Vivendo em um bairro miserável e agressivo, lidando com crianças que só conhecem a agressividade, o abandono e o sofrimento, resolvi, com um amigo que se predispôs a ajudar-me, a iniciar o Movimento. Você e a paz, porque a violência está embutida no indivíduo e, na hora em que ele melhorar, o mundo a sua volta será melhor. Segui adiante. Houve grande repercussão pública na praça. Mas era a classe média, em geral, que se fazia presente. Resolvi visitar também os bairros periféricos e violentos. A receptividade dessas comunidades foi comovedora. Já visitamos 32 bairros nos últimos anos, falando-lhes em palanques armados nas pequenas praças. Entrevistas em televisões, rádios e jornais, levaram mais de 15.000 pessoas ao 9º Movimento que recém realizamos. Um notável cristão, orador clássico, na lucidez dos seus 86 anos, vem-nos acompanhando nos 4 últimos anos, em nosso desejo de tornar o evento neutro, sem caráter político ou religioso. Aprendi que a proposta do Cristo é desafiadora, não conformista, não hipócrita, com fala mansa para parecer elevado, nem com hipocrisia para disfarçar inferioridade. Recordando-me de Jesus, nas praças públicas, tenho-O levado também ao povo humilhado e esquecido.”
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DIVALDO PEREIRA FRANCO
Esse semeador viaja pelo Mundo há mais de 60 anos levando a boa semente. Ele sabe que a conquista da paz é um desafio que requer urgência e mãos operosas. E o semeador saiu a semear... Seu instrumento de trabalho é a sua voz, clara e suave como a brisa da primavera que leva as sementes e as deposita no solo, sem alarde... Seu alforje é seu coração terno e compassivo, fonte viva de sementeira inesgotável... Seu ideal é o amor sem fronteiras... o amor incondicional que, semelhante a um botão de rosa, se abre e exala seu perfume para toda gente... Seu nome? Ele não faz questão, mas é justo que seja dito: Divaldo Franco. Quando você ouvir esse nome, saiba que se trata de um incansável semeador da paz. 
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. XVII, item 5 de O evangelho segundo o espiritismo, ed. Feb.
http://momento.com.br

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A OPÇÃO IDEAL

ALBERTO ALMEIDA
Narra uma lenda que um príncipe poderoso caiu em mãos inimigas que decidiram tirar-lhe a vida, condenando-o à forca. Dada sua linhagem nobre, o rei dos inimigos lhe propôs um acordo. Se ele conseguisse decifrar um certo enigma, sua vida seria poupada. Para isso, concedeu-lhe a liberdade de procurar a resposta por três dias. Com a pergunta lhe fervendo na cabeça, o príncipe começou a buscar, entre os habitantes do lugar, quem o pudesse ajudar a encontrar a solução. A pergunta era: 
-O que mais deseja uma mulher? 
Ao final do terceiro dia, já desanimado e antevendo sua morte na forca, o príncipe encontrou uma mulher muito feia. Na boca, somente dois dentes. Os cabelos desgrenhados. As vestes sujas. Era chamada por todos, pelo seu aspecto horrível, bruxa. Ela disse que tinha a resposta. Mas exigia que, tendo salva a vida, ele voltasse e casasse com ela. Não desejando morrer, ele consentiu e ela lhe disse: 
-O que mais deseja uma mulher é ter soberania sobre a sua vida. 
Com a resposta, o príncipe teve poupada a sua vida e voltou para casar com a bruxa. Não queria, mas tinha prometido. Triste destino o meu, pensava. Casar com uma bruxa. Entristecido, na noite de núpcias, sentou-se na cama aguardando a noiva de horrível aspecto. Qual não foi sua surpresa quando ela se apresentou belíssima, num vestido branco, com cabelos louros, olhos azuis brilhantes e um sorriso perfeito. 
-Como pode? - Perguntou o príncipe. 
-Esqueci de lhe falar que, durante o dia, eu sou bruxa e à noite viro uma linda mulher. Agora, você pode escolher: quer que eu seja bruxa de dia ou de noite? 
Ele olhou para aquela figura maravilhosa e disse: 
-Deixo à sua escolha.
A noite foi extraordinária. No dia seguinte, ao raiar do sol, o príncipe abriu os olhos e surpreso, viu deitada ao seu lado, a jovem maravilhosa da noite anterior.
-Como? - Perguntou ele. Você não disse que durante o dia virava bruxa? 
-Meu amor, falou ela, como você deixou que eu decidisse sobre o que quisesse ser e quando quisesse, eu decidi ser donzela de dia e de noite. Lembra que eu lhe falei que o que mais deseja uma mulher é a soberania sobre a sua vida? 
 * * * 
No mundo existem pessoas assim. Fora do lar, no contato com as pessoas são excelentes. Gentis, atenciosas, ponderadas. Basta que adentrem o lar para se tornarem déspotas. Gritam, exigem, magoam. Acreditam que o seu lar é seu reino e ali tudo podem fazer, sem limites. Também existem as criaturas que no campo profissional, no trato social são ríspidas, grosseiras, exigentes em demasia. E, no entanto, com a esposa, os filhos são dóceis, educados, prestativos. O que ser, como ser e quando ser é decisão individual. Mas quando optarmos por sermos bons o dia todo, em todo lugar, com todas as pessoas, o mundo se tornará um lugar muito melhor para viver, amar e ser feliz.
Redação do Momento Espírita, com base na Apologia da bruxa, do Seminário de Alberto Almeida – Superando a culpa pelo autoperdão. 
Em 5.7.2019.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

ENVELHECER SORRINDO

VERA BRANT
Dizem que uma das bênçãos da vida é envelhecer. Talvez seja esse o motivo pelo qual se observam tantas criaturas que envelhecem sorrindo. Ao longo dos anos, elas venceram, semearam a boa semente. Aprenderam que o segredo da vida é amar sem querer a posse. É como jogar um bumerangue e deixar que se vá, sem aguardar o retorno. Lembramos de uma brasileira nesses moldes.
Eunice Weaver
Seu nome é Eunice Weaver. Moça de olhos brilhantes e personalidade incomum, fez curso de Sociologia e sentiu-se feliz com o seu diploma. Com ele se sentia capaz de consertar o mundo, saltar todas as barreiras. Um dia, ela foi chamada pelo Presidente Getúlio Vargas para promover a instalação de educandários, em todo país, a fim de receber os filhos dos hansenianos que viviam, naquela época, à beira das estradas, jogados como lixo, porque a sociedade não os aceitava nas suas proximidades. Montada no cavalo, Eunice saiu para a sua missão sem pensar, com certeza, que aquele momento significava o início de uma caminhada que duraria toda uma vida. Sua primeira tristeza foi quando teve que convencer os filhos das mulheres hansenianas que eles deveriam se separar de suas mães para que pudessem crescer em ambiente são, livres da moléstia tão rude. Sua segunda tristeza surgiu quando ela pediu às mães que a deixassem levar os seus filhos para que pudessem, livres da doença, conviver com a sociedade e serem úteis a ela, àquela mesma sociedade que as havia expulsado de seu convívio. Eram tempos de muita ignorância a respeito da hanseníase. Eunice sentiu suas primeiras lágrimas brotarem quando essas mulheres, com as fisionomias de um sofrimento que ela não sonhava existir, abraçando com amor seus pequeninos filhos, abriam os braços, permitindo que ela os levasse. Eles, os seus filhinhos queridos, a única alegria naquele mundo de pesadelos, de isolamento e de dor. Ela construiu casas para receber essas crianças. Construiu um mundo novo para que elas pudessem ter o mínimo que uma criatura humana merece ter: saúde e um lar. Onde ela passava, deixava o seu rastro de bondade. Foi recolhendo seres humanos que se comoviam com o seu trabalho e passavam a fazer parte da sua equipe. Um dia, já de cabelos grisalhos, Eunice recebeu a carta de um hanseniano. Ele agradecia a acolhida que seus filhos tiveram num dos educandários. Falava da boa alimentação, da educação, do carinho com que foram recebidos e, muito especialmente, agradecia o amor que os havia tornado bondosos e generosos. Engasgada de emoção, ela sorriu. Sorriu recordando as outras cartas de engenheiros, aviadores, advogados, professores, todos filhos de hansenianos por ela encaminhados na vida, narrando as suas vitórias, as suas conquistas, os seus trabalhos, que deram às vidas deles as alegrias sadias dos que são acolhidos no amor. Envelhecer sorrindo. Envelhecer semeando dádivas de amor. Curiosidades Eunice Weaver foi assistente social e jornalista diplomada nos Estados Unidos. Para realizar o seu trabalho de abnegação junto aos hansenianos, ela estagiou nas Ilhas Sandwich, no Pacífico, no Egito, na China, no Japão e na Índia. Seu lema era: O Senhor sempre está poderoso ao lado daqueles que nEle confiam e esperam. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto Eunice Weaver, uma vida para o bem, de Vera Brant (dezembro de 1966) e no cap. 5, 1ª parte, do livro Sublime expiação, pelo Espírito Victor Hugo, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. FEB. 
Em 15.1.2014.