terça-feira, 8 de maio de 2018

A PROVA DO TEMPO

DIVALDO PEREIRA FRANCO
No século VI a.C. viveu Creso, rei da Lídia, o homem mais rico do mundo. Ele governava com sabedoria e prepotência. No esplendor de sua glória, certa feita recepcionou em seu palácio um dos sete sábios da Grécia. Talvez, o maior de todos: Sólon. Para homenageá-lo devidamente e demonstrar todo o seu poder e sua riqueza, o rei mandou preparar um banquete esplendoroso. Depois, o convidou a visitar as tantas salas dos seus tesouros: pérolas, esmeraldas, diamantes de todos os quilates, rubis, estátuas de ouro. Estranhamente, Creso observou que seu convidado passeava por entre aquela riqueza imensa, com total indiferença. E, ante a afirmativa real, que dizia ser o homem mais feliz do mundo por ser o mais rico, sentenciou o sábio grego: 
-Meu rei, nunca ninguém poderá se considerar feliz antes de passar pela prova do tempo. É o tempo que se encarrega de dizer se fomos ou não fomos felizes. Afinal, ele sempre nos surpreende com o inesperado. A vida é uma sucessão de acontecimentos, que mudam completamente os nossos destinos. 
E completou:
-Não vos esqueçais de que a felicidade está acima de tudo aquilo que se tem. 
Creso não deu maior importância aos conselhos recebidos e tratou de aumentar ainda mais a sua riqueza e o seu poder. Depois de algum tempo, no entanto, Ciro, rei dos persas, marchou com seu exército contra a Lídia. E o rei assistiu, estarrecido, as tropas inimigas adentrarem o palácio, matando os seus melhores soldados. Preso com a família, foi conduzido a ferros pela capital, agora em escombros. Humilhado, foi levado à praça central, atado a um poste, sobre pedaços de madeira. Ele iria ser queimado vivo. Quando viu o arqueiro se aproximar com a tocha para atear fogo à madeira, ele recordou, como num flash, a sentença de Sólon:
-Ninguém no mundo é feliz se não passar pela prova do tempo. 
Sim, o tempo lhe trouxera muitas tristezas: o filho morto, em um acidente de caça, aos dezoito anos. Seu filho amado, o herdeiro do trono. Também o brindara o tempo com a surdez e mudez do filho mais jovem. Por fim, agora, estava ele, sua esposa, seu filho, sua corte, todos vencidos, humilhados. Que sobrara de sua riqueza, que fora selvagemente saqueada pelos conquistadores? Que fora feito do seu palácio, queimado pela sanha destruidora dos vencedores? Naquele momento, ele entendeu que a felicidade não é ter, a felicidade é algo mais. Os haveres, de um momento para outro, podem ser retirados por salteadores ou levados pela fúria da natureza. As coisas do mundo são efêmeras. Agora estamos sorrindo, logo mais poderemos estar mergulhados no mar das lágrimas porque um acidente nos roubou a mobilidade ou um ser amado. Ou porque a natureza gritou, rebelde, e destruiu nosso patrimônio. Ou uma doença terrível nos abraçou e nos roubou as energias da juventude, o sorriso da alegria. Então, feliz não é quem tem. Feliz é quem ama porque o amor canta uma primavera dentro do coração. Naturalmente necessitamos de algum dinheiro, de alguns haveres, porque desprovidos de tudo, nos desequilibramos. Contudo, é preciso a sabedoria de se saber possuidor e não possuído. Sermos donos do dinheiro, jamais o dinheiro de nós. Essa uma postura sábia e que nos confere tranquilidade, harmonia no viver, no transcurso do tempo. Pensemos nisso e invistamos em conquistar a paz e sermos felizes. 
Redação do Momento Espírita, com base em Conferência de Divaldo Pereira Franco, proferida em Porto Alegre, em 7 de novembro de 2004, por ocasião da 50ª edição da Feira do Livro. Em 8.5.2018.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Eu estou cansada, acredite! Mas jamais cansada de ser mãe. ❤

Ananda Urias 
As vezes, parece que ninguém nota os esforços diários de uma batalha materna. Ninguém nota as madrugadas insones, os choros contidos, os banhos não tomados, o almoço quente e saboroso que se transformou em um pão com manteiga e um café gelado. Ninguém nota quando a mãe está trabalhando no limite da exaustão. Seja limpando, educando ou emprestando um imenso pedaço de si para manter aquele pequeno em perfeitas condições. Por trás de um filho feliz, existe uma mãe com um coque no cabelo, roupa amassada e... cansada. Por trás de um filho feliz, existe um trabalho pesado que ninguém (ou quase ninguém) ousa se importar. A maternidade é uma profunda, dolorosa e imensa doação de si mesmo. A maternidade é uma jornada para valentes, lugar de gente corajosa que se aventura na batalha de criar um ser humano independente: dando limites, emprestando as suas noites de sono, multiplicando as forças e amando-os para sempre, mesmo quando eles nos levam a loucura. A maternidade é essa insana e profunda doação do nosso próprio coração. E mesmo quando ninguém nota, lá está ela - a mãe, doando o seu corpo, multiplicando o seu amor, dividindo os seus sorrisos e vivendo na mais completa e feliz exaustão. Porque toda mãe sabe que a melhor recompensa, para tanto cansaço, já está em suas mãos! Eu estou cansada, acredite! Mas jamais cansada de ser mãe. ❤
Texto: @maezice por Ananda Urias 

domingo, 6 de maio de 2018

A ÁRVORE DOS SAPATOS

Muito longe daqui, no sul da África, não muito tempo atrás, vivia uma tribo que não usava sapatos. Para que sapatos se a areia era macia, a grama também? Mas às vezes as pessoas tinham que ir à cidade. Para resolver um assunto, um negócio de cartório, hospital, ou receber dinheiro ou até mesmo ir a uma festa. Aí eles precisavam de sapatos, e era um tal de pedir emprestado, que nunca dava certo. Foi então que o velho mais velho da vila que, como tantas vezes acontece, era também o mais sábio, resolveu o problema. Ele abriu uma tenda de aluguel de sapatos. Instalou-se à sombra de uma grande árvore e em seus galhos pendurou sandálias, chinelos, alpargatas, botas, botinas, sapatos de salto alto, fechado atrás, aberto atrás, sapato de casamento, para enterro, de todas as cores, tipos e tamanhos. As pessoas alugavam o sapato que queriam, iam para a cidade resolver seus assuntos e, na volta, devolviam. E, claro, tinham que pagar aluguel. Sabe qual era o aluguel? No fim da tarde, depois que todo mundo já tinha terminado o serviço, tomado banho no rio, jantado, o povo da vila se reunia para ouvir a pessoa que tinha alugado o sapato contar, com todos os detalhes, por onde aquele sapato tinha andado.
Que histórias nossos sapatos contariam sobre nós e sobre os caminhos que temos trilhado? Para onde nossas escolhas têm nos levado? O que temos feito de bom e de não tão bom? Em um exercício de memória, de que fatos nos lembramos em que fizemos algo verdadeiramente bom, mesmo que ninguém tenha sabido? Que atos de gentileza, de carinho, tolerância e compreensão realizamos, diante de irmãos necessitados? Que caminhos temos seguido: os do amor e do preparo para a vida espiritual ou os do egoísmo e da maledicência? Apontamos os defeitos do outro sem olhar para os nossos? Criticamos tudo e todos, constantemente insatisfeitos com o que recebemos? Ou nos lembramos de agradecer pelo que temos e pelo esforço que outros fazem para que tenhamos o que precisamos? Nossas escolhas têm sido feitas pautadas pelos ensinamentos do Mestre Jesus, que nos conclamou a amar e perdoar? Ou temos sido orgulhosos e egoístas, nos colocando em primeiro lugar e deixando os outros para trás? Se nossos sapatos pudessem dizer o que temos feito e que caminhos temos trilhado, ficaríamos tranquilos ou nos sentiríamos preocupados com o que descobririam sobre nós? Deus tudo vê. Ele tudo sabe. Não precisa que ninguém conte a ele o que fazemos. Que possamos parar um minuto para refletir sobre nossos atos nos últimos dias, meses, anos. Se estamos no caminho do bem ou se precisamos fazer uma urgente correção de rumo. Que nossos pés, nossos atos, nossos pensamentos, sejam direcionados para a luz, a caridade, a benevolência. E se for preciso doar nossos sapatos para aqueles que não os têm, que sigamos descalços, sob a proteção do amor e com a certeza de que fizemos uma boa escolha. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto de Mia Couto. Em 4.5.2018.

sábado, 5 de maio de 2018

DIVALDO PEREIRA FRANCO

Divaldo Pereira Franco, mais conhecido como Divaldo Franco ou simplesmente Divaldo (Feira de Santana5 de maio de 1927) é um professormédiumfilantropo e orador espírita brasileiro.
Divaldo é um verdadeiro "apóstolo do Espiritismo", com mais de cinquenta anos devotados à mediunidade e a caridade, e mais de sessenta como um importante orador espírita. Dos seus noventa anos, setenta foram devotados à causa espírita e às crianças das periferias de Salvador, na Bahia. Para este último fim fundou, em 15 de agosto de 1952, junto a Nilson de Souza Pereira, a instituição de caridade Mansão do Caminho, que ajuda diariamente cerca de seis mil pessoas e abriga mais de três mil, centenas delas registradas como filhos do médium. Os direitos autorais de seus mais de 250 livros psicografados, que já venderam mais de oito milhões de exemplares, foram doados em cartório para esta e outras instituições filantrópicas.
Ainda que tenha uma alta produção e vendagem de livros psicografados, e realize um grande trabalho filantrópico, é como conferencista e missionário do Espiritismo no Brasil e no exterior que ele é mais conhecido. Representado como peregrino ou o "Paulo de Tarso do Espiritismo", Divaldo já percorreu mais de 50 países divulgando a doutrina em palestras de ampla publicidade.
Primeiros anos
Divaldo cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, onde recebeu o diploma de Professor Primário em 1943. Trabalhou como escriturário no antigo IPASE, em Salvador, aposentando-se em 1980.
Desde a infância relata comunicar-se com os espíritos. Quando jovem, foi abalado pela morte de um irmão mais velho, o que o deixou sem os movimentos das pernas. Fora conduzido a diversos especialistas na área da Medicina, sem contudo lograr qualquer resultado satisfatório. Nessa época uma prima conheceu a Sra. Ana Ribeiro Borges, médium de um centro espírita e a conduziu até à casa do primo Divaldo. A médium ajudada o menino a libertar-se daquele estado de paralisia e explica tratar-se do irmão desencarnado, que se ligara ao irmão. Essa cura trouxe consolações tanto para o enfermo como para toda a família. Divaldo dedicou-se, então, ao estudo do Espiritismo, ao tempo em que foi aprimorando as faculdades mediúnicas, pelo exercício e continuado estudo do Espiritismo.
Transferiu residência para Salvador no ano de 1945, tendo feito concurso para o Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), onde ingressou a 5 de Dezembro de 1945, como escriturário.
Já espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção (CECR), em 7 de Setembro de 1947.
Em A Veneranda Joanna de Ângelis (Salvador: LEAL, 1987), escrito por Divaldo e Celeste Santos, constam biografias do médium baiano e de sua mentora espiritual, Joanna de Ângelis, bem como informações sobre o trabalho educacional e assistencial desenvolvido pela Mansão do Caminho, além de entrevistas com Divaldo e relatos sobre reencarnações de Joanna de Ângelis.
Atividades como médium psicógrafo
Divaldo apresentou, desde jovem, diversas faculdades mediúnicas, tanto de efeitos físicos quanto de efeitos intelectuais. Destaca-se, dentre elas, no entanto, a psicografia.
Inicialmente, diversas mensagens foram escritas pelo seu intermédio, sob a orientação dos benfeitores espirituais, até que um dia, ele recebeu a recomendação para que fosse queimado o que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercícios.
Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato, à espera do instante oportuno para se fazer conhecida. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável, repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta aos mais diversos leitores e necessitados de diretriz espiritual.
Em 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro, que recebeu o sugestivo título de Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. O que se seguiu constitui-se hoje em um verdadeiro fenômeno editorial, pois, em 31 anos de atividade como médium, teve publicados 240 títulos, totalizando mais de quatro milhões e quinhentos mil exemplares, muitos deles ocupando lugar de destaque na literatura, no pensamento e na religiosidade universal. Dessas obras, houve 80 versões para 15 idiomas  (alemãocastelhanoesperantofrancêsitalianopolonêstchecobraille e outros).
Os livros englobam uma grande variedade de estudos literários em prosasromances e narrações, abrangendo temas filosóficos,doutrinários, históricosinfantispsicológicos e psiquiátricos.
Nessas obras psicografadas, apresentam-se 211 alegados autores espirituais, além de Joanna de Ângelis, entre eles, Manoel Philomeno de MirandaVictor HugoAmélia Rodrigues, Ignotus, Vianna de Carvalho, Carlos Torres PastorinoBezerra de MenezesRabindranath Tagore, João Cléofas, Eros e Simbá.
Psicografias de Joanna de Ângelis
Por meio das obras de Joanna de Ângelis, Divaldo pôde alcançar o reconhecimento não apenas entre os religiosos e espiritualistas, mas também em outras linhas de conhecimento, como a psicologia e a parapsicologia. Isso se deu principalmente em função dos livros publicados na Série Psicológica, onde tratou dos malefícios das fugas da realidade e enfatizou a importância do autoconhecimento e autoenfrentamento.
Série Psicológica foi escrita à luz dos pensamentos de Allan Kardec e de pesquisadores da psiquê humana, a exemplo de Carl Jung. Na referida série se encontram duas obras voltadas à psicologia transpessoalAutodescobrimento (1995) e Triunfo Pessoal (2002).
A maioria das obras escritas por Divaldo Franco sob o comando de Joanna de Ângelis almeja incentivar o autodescobrimento e facilitar a aplicação no dia a dia dos ensinamentos morais de amor fraterno contidos nos Evangelhos e na Doutrina Espírita, incentivando o leitor a enfrentar as dificuldades cotidianas de modo mais prático e otimista.
Grande parte das obras ditadas a Divaldo por Joanna de Ângelis foi publicada pela Editora LEAL, de Salvador (BA), como por exemplo o de título Conflitos Existenciais (LEAL, 2005), obra que analisa os principais conflitos do ser humano, as suas causas, origens e formas de terapia - inclusive, estuda as tentativas atuais de se preencherem os vazios existenciais, a exemplo de relacionamentos efêmeros por meio da Internet.
Atividades como Orador
Como orador, Divaldo começou a fazer palestras em 1947, difundindo a Doutrina Espírita e hoje apresenta uma histórica e recordista trajetória no Brasil e no exterior, sempre atraindo multidões, com sua palavra inspirada e esclarecedora, acerca de diferentes temas sobre os problemas humanos e espirituais. Há vários anos, viaja em média 230 dias por ano, realizando palestras e também seminários no Brasil e no mundo. Em um levantamento preliminar:
Mais de 11 mil conferências proferidas no Brasil e no exterior percorrendo mais de 62 países.
·         América: Esteve em 18 países, em mais de 119 cidades, onde realizou mais de 10.000 palestras, concedeu mais de 180 entrevistas de rádio e TV para cerca de 113 emissoras, inclusive por 3 vezes na Voz da América, a maior cadeia de rádio do continente. Recebeu cerca de 50 homenagens de vários países, destacando-se o honorífico título de Doutor Honoris Causa em Humanidades, concedido pela Universidade de Concórdia em Montreal, no Canadá, em 1991. Por 3 vezes fez palestras na ONU, no departamento de Washington e fez conferências em mais de 12 universidades do continente.
·         Europa: Esteve em mais de 20 países, em mais de 80 cidades, onde realizou mais de 500 palestras, concedeu mais de 50 entrevistas de rádio e TV para cerca de 40 emissoras, tendo recebido homenagens de vários países; fez conferência em cerca de 10 universidades europeias e, por 2 vezes, na ONU, departamento de Viena.
·         África: Esteve em mais de 5 países, em 25 cidades, realizando 150 palestras, concedeu mais de 12 entrevistas de rádio e TV, em 11 emissoras; recebeu 4 homenagens.
·         Ásia: Esteve em mais de 5 países, em 10 cidades, realizando mais de 12 palestras.
Em 31 de agosto de 2000, a convite da ONU, participou do Primeiro Encontro Mundial da Paz, reunião de cúpula com líderes religiosos de expressão internacional para se discutir e formular proposta de paz.
É considerado um dos maiores divulgadores do espiritismo no Brasil e no exterior. Na península ibérica se destacou pela assistência ao movimento espírita português e espanhol durante a ditadura fascista de ambos os países.
Suas palestras promovem o pacifismo, estabelecem pontos de convergência entre a doutrina espírita e a ciência (principalmente a psicologia) e incentivam a busca constante pelo autoconhecimento, ancorada em conhecimentos sobre psicologia e doutrina espírita.
Divaldo também pregava sobre experiências extracorpóreas durante o sono, quando o espírito viaja para outras dimensões e quando retorna, imprime nos neurônios cerebrais suas lembranças.
Recentemente (2006-2007), estreou no site da Mansão do Caminho o programa de entrevistas Encontro com Divaldo .
Mansão do Caminho 
Divaldo, desde jovem, teve vontade de cuidar de crianças. Educou mais de 600 filhos, hoje emancipados, a maioria com família constituída e a própria profissão, como professores (magistério), contadores, administradores, psicólogos, médicos, entre outros. Divaldo possui ainda mais de 200 netos e bisnetos. Na década de 60 iniciou a construção de escolas-oficinas profissionalizantes e de atendimento médico. Hoje a Mansão do Caminho é um admirável complexo filantrópico que atende a 3.000 crianças e jovens carentes, na Rua Jayme Vieira Lima, 104 – Pau da Lima, um dos bairros periféricos mais carentes de Salvador; tem 83.000 m² e 43 edificações. A obra é basicamente mantida com a venda de livros mediúnicos, fitas e DVDs gravados nas palestras.
O Centro Espírita Caminho da Redenção administra, dentre outros, os seguintes órgãos assistenciais:
·         Mansão do Caminho (semi-internato para crianças e jovens carentes), fundado em 15 de agosto de 1952;
·         A Manjedoura (creche para crianças carentes de 2 meses a 3 anos de idade) ;
·         Escola Jesus Cristo (ensino fundamental), fundada em março de 1950;
·         Escola Allan Kardec (ensino fundamental), fundada em 1965;
·         Escola de Informática;
·         Escola de Educação Infantil Alvorada Nova, fundada em fevereiro de 1971 com o nome de Esperança;
·         Escola de Evangelização Nise Moacyr (evangelização espírita para público infantil);
·         Juventude Espírita Nina Arueira (evangelização e ensino espírita para o público jovem);
·         Caravana Auta de Souza (auxilia idosos e pessoas inválidas portadoras de doenças irrecuperáveis e degenerativas);Casa da Cordialidade (assiste a famílias carentes);
·         Centro de Saúde J. Carneiro de Campos;
·         Grupo Lygia Banhos (esclarecimento e consolo a comunidades carentes);
·         Livraria Espírita Alvorada Editora (LEAL- editora e gráfica).

sexta-feira, 4 de maio de 2018

CULTIVANDO O AMOR

DIVALDO PEREIRA FRANCO
 E
JOANA DE ÂNGELIS 
O amor é, por excelência, o mais nobre de todos os sentimentos. Fonte de todas as virtudes, foi cantado pelo Cristo em verso e prosa. O Mestre nos ofereceu o amor, em oposição ao olho por olho, dente por dente, como nova forma de nos relacionarmos uns com os outros: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos. O amor como caminho para o perdão: Não vos digo que deveis perdoar até sete, mas até setenta vezes sete vezes. O amor como princípio da caridade: Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis. Ensinou-nos o amor que nos leva à paciência e à resignação: Se alguém vos ferir numa face, oferecei também a outra. Jesus, pelo exemplo do seu amor, nos ensinou sobre o dom de servir: Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o também vós a eles. Ensinou-nos, em nome do amor, a nos desapegarmos dos bens materiais: Não acumuleis para vós tesouros sobre a Terra, onde a traça e a ferrugem corroem. Mas ajuntai para vós tesouros no céu; pois, onde está o vosso tesouro, está também o vosso coração. 
* * * 
Façamos uma reflexão: O que verdadeiramente significa cultivar o amor? Cultivar é uma palavra que pode ser utilizada em diversas situações. O agricultor, por exemplo, cultiva as hortaliças, pois, desde o instante que lança as sementes na terra, precisa regá-las, adubá-las, a fim de que cresçam fortes e saudáveis. Da mesma forma, a amizade precisa ser cultivada. É preciso gentileza, atenção, carinho, confiança, desprendimento. A seu turno, o amor também necessita ser cultivado, pois se trata de semente divina que em nós foi plantada pelo Pai supremo, no momento de nossa criação. Assim, ao longo de nossas várias experiências reencarnatórias, essa semente precisa ser regada e adubada para que possa dar os frutos que lhe são próprios. Os frutos que alimentam o Espírito e que nos dão o sustento na estrada do progresso, da qual todos somos caminheiros. Frutos de perdão, paciência, resignação, caridade, benevolência, justiça, fé, tolerância. Cultivar o amor, é, portanto, cultivar a vida, pois o grande desafio de nós todos é exatamente este: aprender a viver e não apenas sobreviver. Jesus sentenciou: Eu vim para que tenhais vida e vida em abundância. Tomemos o amor como fonte de vida. Façamos dele nossa estrada, nosso roteiro e nosso norte. Ainda que na dor, amemos sem cessar, pois as dores passam, o amor permanece. Nas dúvidas da jornada, cultivemos o amor, pois, mesmo que, por vezes, a estrada se faça escura, teremos a certeza de que caminhamos na direção correta. O amor é a presença de Deus no coração, dinamizando a paz, embora o rugir das tempestades em volta. 
 * * * 
A semente foi plantada por Deus. Reguemos, cultivemos, colhamos os frutos e sejamos felizes, porque a felicidade é o objetivo para o qual o Senhor nos deu a vida. Pensemos nisso. Tomemos o arado e preparemos a terra do próprio coração para que a semente do amor germine e produza a trinta, a sessenta, a cem por um! 
Redação do Momento Espírita, com pensamento do verbete Amor, do livro Repositório de sabedoria, v. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 9.7.2014.   

quinta-feira, 3 de maio de 2018

QUANDO A GENTILEZA SE FAZ PRESENTE

Possivelmente já tenha acontecido com muitos de nós. Ao fazermos uma ligação, digitamos um número equivocado e quem atende é alguém totalmente desconhecido. Por vezes, a pessoa é atenciosa. Explicamos nosso engano e ela nos desculpa. Raramente, até coincide de atender alguém que deseja muito conversar, e acaba nos pedindo alguns minutos de nosso tempo. Também acontece que atenda alguém irritado. Esse grita, esbraveja, ao ponto de nos sentirmos muito mal com o que não foi nada mais do que um equívoco. Neste tempo de conexões rápidas, quase acontecendo em tempo real, é comum nos serem endereçadas mensagens equivocadas. Há algum tempo, uma jovem desejando saber a opinião a respeito da roupa que vestia, enviou fotos do provador da loja. 
Adivinhe: digitou o número errado e sua mensagem teve a seguinte resposta: 
-Eu acredito que essa mensagem era para outra pessoa. A minha esposa não está em casa, então, não pude pedir que ela opinasse. Mas os meus filhos e eu achamos que você está belíssima nesse vestido. Você deveria comprá-lo. 
Quem assim respondeu foi Tony, pai de seis filhos, que anexou ainda uma foto com cinco deles dando um positivo para a escolha de Syd. A história, bastante comum, nos dias atuais, repercutiu e logo mais
Tony surpreendia os internautas revelando porque a sexta criança da família não estava na foto. Kaizler, de quatro anos, batalha contra a leucemia. Naquele momento, estava em uma sessão de quimioterapia com a mãe.
-Ele tem uma página no Facebook, acrescentou o paizão, documentando a sua luta. Um dos nossos seguidores reconheceu as crianças. Você fez de meus filhos celebridades no Twitter. 
E completou: 
-A propósito, minha mulher concorda que o vestido ficou ótimo. Deus a abençoe. 
Um usuário compartilhou a página que a família mantém para custear o tratamento da criança: 
-Espero que o Twitter faça a sua mágica, escreveu ele. Vamos dar um positivo para Kaizler, que não está na foto. 
Foi aí que a gentileza de um homem, envolvido com os cuidados com os filhos, a preocupação com um deles em especial, recebeu positivas respostas. O casal precisava arrecadar dez mil dólares para o tratamento. Após a publicação na rede, a campanha deslanchou e o valor superou as expectativas. Ainda e sempre agradecido, Tony postou um clique de Kaizler, agradecendo a bondade dos desconhecidos da Internet. 
* * * 
Há muitas formas de se fazer o bem, de se tornar este mundo melhor. A gentileza, distribuída a mãos cheias, sem olhar o destinatário, é uma delas. E, naturalmente, um gesto gentil atrai simpatia, e muitas outras gentilezas. Estimula outros a agir de igual forma. É assim que se transforma o mundo, que as paisagens sombrias se tornam iluminadas, que as pessoas sorriem mais e fazem felizes umas às outras. Aprendamos a exercitar a gentileza com quem cruze nosso caminho. Mesmo que seja somente um caminho virtual. Cada um de nós tem a especial incumbência de fazer este mundo melhor, onde esteja, com quem esteja, com as ferramentas que tenha à mão. Pensemos nisso. O mundo nos pede ação. A Humanidade deseja ser feliz. 
Redação do Momento Espírita, com história colhida em Veja, São Paulo, Redação, publicação em 12 de março de 2018. Em 3.5.2018.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CUIDEMOS DA ESCOLA

Manhã que desperta num bairro simples da cidade grande. Neblina amena, fria, mostrando que o sol irá se apresentar radiante logo mais. Dos casebres, meia-águas e barracos elas começam a surgir. Algumas adormecidas, carregadas nos braços; umas despertas, caminhando com firmeza em direção ao seu destino. Outras, ainda numa espécie de sono acordado, dormindo de olhos abertos. São crianças de todas as idades que se dirigem para a escola do bairro para mais um dia de aula. Esse vem abraçado ao pai, ainda com o pequeno cobertor que usou para dormir. Aquela, bem animada, vem puxando a mala colorida de rodinhas. Aqueloutro vem apertado entre o guidão e o banco da bicicleta da mãe. O que escapa, porém, ao comum é a beleza por detrás da cena corriqueira. Homens e mulheres de rostos marcados, ânimo firme, conduzindo seus filhos para aquilo que acreditam ser um futuro melhor. Deixarão seus tesouros ali, com toda fé do mundo na educação, e irão ganhar o sustento material tão difícil, tão custoso... 
-Quero que meu filho frequente uma escola, pois eu nunca pude... 
-Desejo que ele tenha um futuro melhor do que o meu, que seja bem sucedido. 
-Quero que minha filha seja alguém na vida, que seja inteligente, educada. 
E assim se multiplicam as frases e ideias deles, sempre pensando no que há de melhor para seus pequenos amores. Tudo isso nos leva a questionar com seriedade e preocupação: 
-Será que estamos cuidando de nossas escolas? Será que não são, muitas vezes, apenas depósitos de crianças enquanto seus pais trabalham? Será que damos o devido valor a essa instituição sagrada? Estamos cuidando de nossas escolas? Estamos cuidando de nossos educadores? Damos-lhes formação emocional, espiritual, além da formal? Será que poderíamos transformar a escola num lugar de convivência saudável, de troca de experiências, de auxílio mútuo? Algo parecido com um segundo lar? Será que deixamos tudo se transformar em apenas mais um negócio? 
A educação formal, a dos livros, é apenas uma parte do que nos faz melhores. Obviamente, a formação moral de nossos filhos vem primeiramente do lar. Mas, e se os lares estão despedaçados, se os lares não têm boas referências morais? É aí que a segunda família poderia preencher o vazio da primeira, com bons orientadores, com profissionais que olhassem além das notas. Que tivessem atenção para uma educação familiar. Muitas escolas precisam ser adotadas pela comunidade, adotadas pelo amor dos que pensam nos filhos dos outros que irão conviver com seus próprios filhos. Escolas podem ser muito mais do que lugares onde se ensina o que está nos livros. Professores podem ser muito mais do que repetidores. Podem ser segundos pais, podem ser amigos, anjos de guarda de toda uma família.
 * * * 
Nesse contexto todo, não esqueçamos de cuidar da escola Terra que nos ensina tanto todos os dias. Aproveitemos cada período bendito de aula, de aprendizado, de provas. E benditos sejam os que nos ensinam, que nos conduzem para as lições, os que nos amam e querem nosso bem. 
Redação do Momento Espírita. Em 2.5.2018.