quarta-feira, 7 de junho de 2017

O PODER DA DETERMINAÇÃO

Doutor Glenn Cunningham
O garoto era encarregado de chegar mais cedo, todos os dias, e acender o antiquado fogão, a fim de aquecer a sala, antes da chegada da professora e dos colegas. Era uma escola rural e todos os dias, o menino atendia à sua obrigação. Certa manhã, quando chegaram a professora e os meninos, a escola estava em chamas. O garoto foi retirado inconsciente do prédio. Mais morto do que vivo. De sua cama, ele pôde ouvir o médico dizendo para sua mãe que ele não tinha chances de viver. Morrer seria uma bênção para ele, pois o fogo tinha arrasado toda a parte inferior do seu corpo. Mas o corajoso menino decidiu que iria viver. Tanto lutou que sobreviveu. Então, outra vez, ele ouviu o mesmo médico dizendo para sua mãe que ele estava condenado a viver como um inválido. Seus membros inferiores estavam inutilizados. De novo, o garoto tomou uma decisão: ele voltaria a andar, não importa o que custasse. Infelizmente, da cintura para baixo, ele não tinha controle motor. As suas pernas finas estavam ali penduradas, inúteis. Quando recebeu alta do hospital, sua mãe o levou para casa. Todos os dias, ela massageava as suas pernas. Mas ele não sentia nada. Nem sensação, nem controle, nada. Contudo, não desistia. Ele queria voltar a andar. Certo dia, a mãe o colocou na cadeira de rodas, e o levou para o quintal, para tomar sol. Ele ficou ali, olhando a cerca, a poucos metros. Então, se jogou no chão e se arrastou pela grama, até a cerca. Com um esforço imenso, agarrou-se a ela, se levantou e começou a se arrastar, estaca após estaca. Estava decidido a andar. Fez isso em todos os outros dias, até ter aplainado um caminho, em volta do quintal, junto à cerca. Ele queria andar. E andaria. Ele daria vida outra vez àquelas pernas. Por fim, depois de massagens diárias e muita determinação, ele conseguiu a habilidade de ficar de pé, dar uns passos, embora vacilantes. Finalmente, caminhar. Ele começou andando até a escola. Logo, decidiu que chegaria correndo. Pelo simples prazer de correr. Muitos anos depois, na faculdade, ele entrou para a equipe de atletismo. Mais tarde, esse jovem que ninguém esperava que sobrevivesse, que diziam jamais voltaria a andar, muito menos correr, bateu o recorde mundial de velocidade em uma corrida de uma milha, no Madison Square Garden. Seu nome: Doutor Glenn Cunningham
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Determinação tem a ver com vontade. E vontade acionada é certeza de objetivo alcançado. Para isso, no entanto, se fazem necessários alguns fatores como o real desejo de querer, a persistência na execução do programa que seja estabelecido e o objetivo a alcançar. Dessa forma, se temos um objetivo nobre, persigamo-lo sem cansaço, guardando a certeza de que haveremos de atingi-lo, em algum momento. Importante: esqueçamos frases como Não posso. Ou Não tenho grande força de vontade quanto gostaria. Trata-se de querer, trabalhar pela conquista, perseverando até o fim.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O poder da determinação, de Burt Dubin, do livro Histórias para aquecer o coração – edição de ouro, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen, ed. Sextante. Em 7.6.2017.

terça-feira, 6 de junho de 2017

OS PRIMEIROS LUGARES

Contou-nos uma pessoa, que foi trabalhar algum tempo num país europeu e que várias vezes identificou marcantes diferenças entre as atitudes deles e as nossas. A forma de resolver problemas, a maneira de conduzir-se perante determinadas dificuldades no ambiente de trabalho etc. Nas suas observações, percebeu que tinham alguns comportamentos muito próprios e incomuns entre nós. Em verdade, ela jamais imaginara que com eles aprenderia uma extraordinária lição. Algo que a faria admirá-los e seguir-lhes o exemplo. No seu primeiro dia de trabalho, um colega da empresa a veio apanhar em casa e eles seguiram, juntos, no carro dele. Ao chegarem, ele entrou no estacionamento, uma área ampla para mais de duzentos carros. Como haviam chegado cedo, poucos veículos estavam estacionados, entretanto, o rapaz deixou o seu carro parado logo na entrada, próximo ao portão. Assim, ambos tiveram que caminhar um trecho considerável, até chegarem efetivamente à porta da empresa. No segundo dia, o fato se repetiu. Eles tornaram a chegar cedo e, novamente, o carro foi deixado próximo da entrada do estacionamento. Outra vez tiveram que atravessar todo o extenso pátio até chegarem ao escritório. No terceiro dia, bastante intrigada, ela não se conteve e perguntou ao colega: 
-Por que você deixa o carro tão distante, quando há tantas vagas disponíveis? Por que não escolhe uma vaga mais próxima do acesso ao nosso local de trabalho? 
A resposta foi franca e rápida: 
-O motivo é muito simples. Nós chegamos cedo e temos tempo para andar, sem perigo de nos atrasarmos. Alguns dos nossos colegas chegam quase em cima da hora e se tiverem que andar um trecho longo, correm o risco de se atrasarem. Assim, é bom que encontrem vagas bem mais próximas, ganhando tempo. 
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O gesto pode ser qualificado de companheirismo, coleguismo. Não importa. O que tem verdadeira importância é a consciência de colaboração. Ela recordou que, algumas vezes, em estacionamentos, no Brasil, vira vagas para deficientes sendo utilizadas por pessoas não deficientes. Só por serem mais próximas, ou mais cômodas. Recordou dos bancos reservados a idosos, gestantes em nossos transportes coletivos e utilizados por jovens e crianças, sem preocupação alguma. Lembrou de poltronas de teatros e outros locais de espetáculos tomadas quase de assalto, pelos mais ágeis, em detrimento de pessoas com certas dificuldades de locomoção. Pensou em tantas coisas. Reflexionou. Ponderou... 
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E nós? Como agimos em nossas andanças pelas vias do mundo? Somos dos que buscamos sempre os lugares mais privilegiados, sem pensar nos outros? Alguma vez pensamos em nos acomodar nas cadeiras do centro do salão, quando vamos a uma conferência, pensando que os que chegarem em cima da hora, ocuparão as pontas, com maior facilidade? Pensamos, em alguma oportunidade, em ceder a nossa vez no caixa do supermercado a uma mãe com criança ou alguém que expresse a sua necessidade de sair com mais rapidez? Pensemos nisso. Mesmo porque, há pouco mais de dois milênios, um rei que se fez carpinteiro, ensinou sabiamente: Quando fordes convidados a um banquete, não vos assenteis nos primeiros lugares... O ensino vale para cada dia e situação das nossas vidas. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato. Em 6.6.2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

DANDO O MELHOR

Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de sua audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo seu foi surpreendido pela morte súbita do filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que num canto da sala havia um piano. Durante trinta minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloquente que podia. Tocou piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo, por sentir não ter jeito para dizer algo para a viúva, ou aos filhos órfãos. Não vamos ao hospital, visitar um enfermo do nosso círculo de relações, porque nos sentimos inibidos. Como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza, escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: Estou aqui. Conte comigo. Sirvamos um copo d’água, um suco àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isso poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um repouso, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas, quando os ponteiros avançam a madrugada.
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Sê amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discrição e nobreza junto àqueles que te elegem a amizade. A discrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranquilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O dom de Beethoven, de Philip Yancey, do livro Histórias para o coração 2, de Alice Gray, ed. United Press e pensamentos do cap. CXXXVIII do livro Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 22.1.2015.

domingo, 4 de junho de 2017

DANDO A VOLTA POR CIMA

Thrity Umrigar
Havia tristeza nos olhos de Eva. Ela adentrou a casa da amiga e chorou, sentada na cozinha. Entre um gole de chá e lágrimas, contou que seu filho David havia telefonado naquela manhã. Era véspera do Ano Novo. Eva e o marido estavam programados, como todos os anos, para visitar no dia 10 de janeiro, o filho e a nora. Mas o telefonema fora para pedir justamente que eles não fossem. David e a esposa diziam precisar descansar, se recuperar do período de festas e pediam para não serem visitados. Precisavam respirar. Eva não se conformava: Que história era aquela de que precisavam se recuperar para receber pai e mãe? Respirar? Isso queria dizer que ela e o marido eram um estorvo, um incômodo quando visitavam o filho? E o que aborrecia ainda mais era pensar no seu marido. Ele desligara o telefone, e fora para seu quarto sem dizer palavra. Estava arrasado. A amiga a ouviu. Serviu mais um chá e aconselhou: 
-Amanhã, quando você telefonar para ele, diga que você ficou decepcionada e triste. 
Eva se espantou: 
-Quem disse que eu vou ligar? Ele se quiser que telefone. Sabe o número do nosso telefone. 
Havia doçura na voz da amiga. Também ponderação e carinho quando voltou a aconselhar: 
- Eva, você não vai deixar de amar o seu filho porque ele a magoou. Você é mãe. E, além do que, pense que nenhuma de nós está ficando mais jovem. Não percebe como o tempo escorrega por nossas mãos? Que importa de quem é a vez ou o dever de telefonar? Se fôssemos viver 400 anos, talvez nos pudéssemos dar ao luxo de esperar que o outro telefone. Mas, do jeito que as coisas são... 
Eva foi se acalmando. E, por fim, concordou em que o melhor era dar a volta por cima. Além do que, finalizou, eu não suportaria não falar com meu David no Ano Novo. E um grande abraço selou uma vez mais a amizade das duas almas. 
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Seria muito saudável se, ante crises familiares, pudéssemos contar com pessoas assim amigas. Pessoas que nos recordassem que a vida é breve, que tudo passa. Passa a alegria, passam as tristezas. Seria bom ter amigos que nos lembrassem que a vida é muito curta para se desperdiçar em mágoas e picuinhas. Hoje se está aqui, amanhã podemos não nos encontrar mais. E o que fica, com o vazio da ausência, é um grande remorso que corrói e destrói. Por que não pedi desculpas? Por que não perdoei? Por quê...? Não percamos as horas de ser felizes porque alguém foi infeliz em uma frase. Ou indelicado em suas expressões. Ou ingrato, ou mau. Sejamos sempre aquele que perdoa, acolhe, abraça. Com essa atitude, com certeza, quebraremos resistências, criaremos clima de harmonia e seremos felizes. Porque ser feliz é ter consciência de que não demos causa a distanciamentos familiares, nem colocamos nuvens escuras nos relacionamentos. Ser feliz é viver cada dia, todos os dias, semeando afeições, entendimento, estreitando laços. Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17 do livro A doçura do mundo, de Thrity Umrigar, ed. Nova Fronteira. Em 07.11.2008.

sábado, 3 de junho de 2017

DANDO A VIDA POR AMOR

Francisco Cândido Xavier
A paisagem era triste e desoladora... O luto e a dor davam notícias da devastação que a guerra propiciara... Os gritos de horror se faziam ouvir nas almas dilaceradas daqueles que a morte não arrebatara... Aquelas pessoas estavam ali como adornos vivos do quadro de miséria e fome que restara da Segunda Grande Guerra... Entre os sobreviventes havia uma mãe buscando, desesperadamente, saciar a fome do filho querido. O pequenino sugava o seio materno em vão, pois o leite já havia acabado há muito, por falta de alimentação da mãe. As horas se escoavam e a solução não chegava... A fome do filho amado se fazia ouvir nas profundezas da alma, no choro de agonia... Aquela mãe sentia a vida se extinguir como uma vela que se apaga lentamente... E porque o seu amor era maior que a própria existência, tomou de uma lâmina e cortou a veia do braço para saciar com o próprio sangue a fome do filho querido. Na medida em que o filho sugava, com voracidade, o alimento, os braços maternos iam perdendo as forças, e em poucos dias, aquela mãe se despedia da vida física, deixando o fruto do seu amor na face da Terra. O socorro chegou e fez com que o esforço daquela mãe não fosse em vão... O filho cresceu e pôde, durante toda a existência, homenagear a heroína que dera a vida para salvar a sua. 
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Quantas são as mães que dão a vida pelos seus filhos... Quantas sentem as forças se esvaindo dia a dia, para que os filhos cresçam fortes e saudáveis, esquecidas de si mesmas... Quantas heroínas anônimas existem sobre a face da Terra! São mães sofridas, que passam dias e noites vigiando o filho enfermo, destilando gotas do mais profundo afeto para que o filho sobreviva... São mães que amargam a dor de um filho delinqüente... Mães que oferecem o seio descarnado e vazio para que o filho não morra de fome, alimentando-o com a força do amor sublime que emana das profundezas da alma. Mães que disfarçam os sulcos das agonias suportadas com um sorriso nos lábios, agradecendo a oportunidade de serem co-criadoras com Deus. Ser mãe é ofertar-se por inteiro para que os filhos de Deus nasçam e cresçam em direção à Luz Divina. 
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Se a criança é o futuro, como todos afirmamos, no coração das mães repousa, indubitavelmente, a sementeira de todos os bens e de todos os males do porvir. 
Redação do Momento Espírita, utilizando pensamento extraído do verbete Mãe, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 02.05.2008.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

RENASCENDO DAS CINZAS

Cristiana Guerra
O termo resiliência se deslocou do mundo da física para o comportamental. Em princípio, traduz a capacidade de um corpo se deformar por conta de agentes externos e, em seguida, se recuperar. No campo comportamental, o papel da resiliência corresponde à capacidade humana de enfrentar, vencer e sair fortalecido de situações adversas. Ser resiliente é um processo que se ativa dentro de nós de acordo com as necessidades impostas pelas dificuldades da vida. Todos dispomos dessa ferramenta e ela se fortalece através das características pessoais de cada um. Tais características determinam nossa maneira de enxergarmos uma situação penosa, bem como a forma pela qual reagimos diante dela. Uma jovem que se tornou viúva na reta final de sua gravidez, escreveu: 
-Um homem tem uma morte súbita dois meses antes do nascimento do seu único filho.Assim nasce esse blog, tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe, que, no caso, sou eu. Uma pressa em falar para Francisco sobre seu pai, sobre o mundo e sobre mim mesma. 
Para conseguir lidar simultaneamente com duas emoções tão fortes e contrárias – de um lado o luto e, de outro, as alegrias da maternidade, ela criou o blog, a fim de contar ao filho as histórias dela e do pai. 
-Eu não queria deixar de viver o luto porque tinha acabado de me tornar mãe. E não queria deixar de ficar feliz por ter acabado de me despedir do meu amor, conta ela. 
Mais tarde, as histórias se transformaram em um livro, intitulado para Francisco.
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Resiliência. Cada dia é uma nova oportunidade diante dos sonhos a serem realizados, dos objetivos a serem alcançados, dos limites a serem superados. Os desafios são inúmeros, é verdade. As dores, por vezes, enormes, parecendo quase insuportáveis. As lágrimas, incontáveis. Todavia, o sofrimento é responsável por nos fazer descobrir quem realmente somos, distanciando-nos das ilusões que possuímos acerca de nós mesmos. Quando nos julgamos pobres, o desafio das minguadas condições materiais nos ensina que o pouco é sempre mais do que suficiente. Quando reclamamos de nossa família, imperfeita e desarmoniosa, as lágrimas saudosas do ente querido que retornou para o outro plano da vida nos mostram o quão felizes somos na companhia de nossos familiares. Quando nos esquecemos dos amigos e, egoístas, nos negamos a estar em sua companhia, a dor da solidão nos recorda de que a mão de Deus nos alcança através do nosso próximo.
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A mitologia nos fala de uma ave de penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas que, após viver muitos anos, ao se aproximar sua morte, entra em autocombustão, renascendo das próprias cinzas, algum tempo depois. O que nos falta para renascer, sorrir e sermos felizes? Podemos, sob a luz da resiliência, transformar as lágrimas ontem derramadas nessa capacidade de enxergar todas as possibilidades do hoje, do amanhã e de nós mesmos. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Cristiana Guerra. Em 2.6.2017.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A DAMA COM O LAMPIÃO

Florence Nightingale nasceu em 1820, em Florença, na Itália, mas foi criada no interior da Inglaterra, onde recebeu educação clássica e jamais enfrentou problemas de ordem material. Apesar de sua posição social privilegiada, desde cedo dava mostras de que buscava algo mais para sua vida. Aos dezessete anos, informou à sua família que pretendia ser enfermeira, o que causou desagrado a todos. Naqueles tempos, os hospitais eram pequenos, feios e sujos, e as enfermeiras tinham péssima reputação. Na opinião de sua família, nenhuma mulher de respeito poderia abraçar, conscientemente, tal profissão. Florence, porém, permaneceu irredutível, e, em 1850, começou seu treinamento prático. Em 1853, tornou-se superintendente do hospital para jovens inválidas, que acabaria se transformando no mais moderno daquela época, na Inglaterra. Florence introduziu, na instituição hospitalar, itens até então inexistentes, como campainhas para os doentes chamarem auxílio, carrinhos para transportar a comida mais depressa e aquecedores de água, além de se dedicar, intensamente, à capacitação profissional das enfermeiras. Mas foi sua atuação durante a guerra da Crimeia, em 1854, que transformou sua vida em um mito. Os soldados ingleses feridos na frente de batalha não recebiam atendimentos médicos, em virtude da dificuldade de transporte de suprimentos. Não havia bandagens, medicamentos ou anestesias. Eles eram abandonados em camas improvisadas com palha, onde muitos morriam de cólera ou desenteria. Quando tais notícias chegaram à Inglaterra, Florence enviou uma carta ao Secretário da Guerra oferecendo seus serviços voluntários. Poucos dias depois, ela, na condição de diretora de todas as operações inglesas de enfermagem na guerra, e mais trinta e oito enfermeiras embarcaram para Uskudar. Sob a sua supervisão, vários postos de enfermagem foram montados e, apesar das mínimas condições de suprimentos e instalações, mais de doze mil feridos foram atendidos por elas. Florence e suas companheiras passavam praticamente vinte e quatro horas por dia ajoelhadas tratando dos feridos. Elas contraíram todas as doenças que devastavam as tropas, como desenteria, reumatismo e febre. Apesar de doente e fraca, Florence recusou-se a deixar a Turquia antes da retirada total das tropas, o que só ocorreu em 1856. Foi recebida na Inglaterra como heroína nacional. Pessoalmente, sentia-se frustrada por não ter podido fazer mais pelos doentes. A fama não modificou seus interesses, tampouco sua determinação. Devotou-se integralmente à reforma das condições médicas e da política de saúde pública em seu país. Desencarnou em 1910, e é lembrada como a dama com o lampião, em decorrência da ideia que ela defendia e praticava fielmente, no sentido de que os cuidados de uma enfermeira para com os doentes jamais podem parar, de dia ou de noite, em qualquer lugar. 
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 Cada qual nasce com uma missão, por mais nobre ou mais singela que seja. Busquemos realizar a nossa, diariamente, por meio de pequenos e constantes gestos direcionados ao bem. Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no livro Marias: A jornada heroica de cinquenta mulheres que fizeram história, de Laura Braun e Eduardo Castor Borgonovi, ed. Alegro. Em 15.4.2015.