segunda-feira, 21 de outubro de 2024

QUANDO RENASCEM OS GÊNIOS

Fundação de Roma
Rômulo e Remo
A história de Roma é recheada de lendas, desde a sua fundação, que se reporta aos irmãos gêmeos, abandonados no rio Tibre, encontrados e amamentados por uma loba.
Depois, criados por um casal de pastores. 
Essa lenda se tornou um símbolo da identidade romana, representando a força, a coragem e a determinação de seu povo. 
Pela sua originalidade, que mexe com o mágico que existe no homem, inspirou inúmeras obras de arte, literatura e cinema, no transcorrer do tempo. 
Mergulhando em toda sua simbologia, damo-nos conta da importância da mitologia na construção da identidade de um povo e na explicação de suas origens. 
Não é diferente com respeito a personagens antigos, sobre os quais pouco se sabe, pela época em que viveram. 
Um dos exemplos é de um dos maiores poetas de Roma, Virgílio, expoente da literatura latina, nascido no ano 70 a.C.
Narra a lenda que sua mãe grávida sonhou, certa noite, com um loureiro, uma árvore nobre, aromática e sempre verde. 
Na Roma e na Grécia, o louro era símbolo de vitória. 
Os vencedores de competições eram coroados com folhas da planta e, quando um comandante ganhava uma batalha, enviava, para o senador, o pergaminho envolto em folhas de louro. 
Intrigada com o sonho, que lhe pareceu premonitório, anunciador de algo especial, procurou quem o pudesse decifrar. 
Um vidente, à época, lhe disse que ela iria dar à luz um poeta, que mereceria a coroa de louros. 
Mas fez uma importante ressalva: quando ele começasse a escrever, a manifestar a tendência poética, ela deveria mandá-lo para Roma porque lá viviam os grandes poetas. 
Ele precisaria aprender a escrever poesia. 
Por isso, o vemos ao lado de Horácio, poeta protegido por Mecenas. 
Era preciso respirar o ar da poesia, aprender, exercitar-se.
Graças a Mecenas, Virgílio foi apresentado ao imperador Augusto, quando retornava de campanha vitoriosa contra Marco Antônio. 
Tornou-se instrumento de propaganda do império. 
Por isso escreverá a Eneida, sua obra mais conhecida, considerada um épico nacional da antiga Roma. 
O que ressalta da sua genialidade é que não se deteve a produzir seus versos, sem buscar ilustração, conhecimentos, junto a quem já era consagrado poeta e escritor. 
Foi à fonte generosa que o acolheu. 
Bebeu à sua sombra, do seu primor, da sua estética, do seu entusiasmo e inspiração. 
Nos dias atuais, em que vemos eclodirem, pelo mundo, gênios em tenra idade, felicitamo-nos quando descobrimos que eles se dedicam a horas exaustivas de estudo. 
Que buscam grandes nomes da sua área, ciência ou arte, para aprenderem técnicas, detalhes precisos daquilo em que desejam se esmerar. 
Vemos um jovem pianista buscar aprimorar-se junto a uma virtuose russa; o jovem cientista buscar institutos de renome; o jovem literato treinar junto a grandes nomes a métrica, a linguagem, as metáforas e a sonoridade. 
Aprender, exercitar-se, jamais se considerar pronto. 
Quando assistimos aos voos olímpicos, quaisquer que sejam, a nota constante é sempre: treino, exercício, perseverança.
Isso vale para a vida de todos nós. 
Redação do Momento Espírita 
Em 21.10.2024

domingo, 20 de outubro de 2024

A MÃO DE DEUS

Genghis-Khan e o falcão
Conta-se que o conquistador mongol Genghis-Khan tinha como animal de estimação um falcão. 
Com ele saía a caçar. 
Era seu amigo inseparável. 
Certo dia, em uma das suas jornadas, com o falcão como companhia, sentiu muita sede. 
Aproximou-se de um rochedo de onde um filete de água límpida brotava. 
Tomou da sua taça, encheu até a borda e a levou aos lábios.
No mesmo instante, o falcão se jogou contra a taça e o líquido precioso caiu ao chão. 
Genghis-Khan ficou muito irritado. 
Apanhou o recipiente e o tornou a encher. 
De novo, antes que ele pudesse beber uma gota sequer, o falcão investiu contra sua mão, fazendo com que a taça caísse e se perdesse a água. 
Dessa vez, o impiedoso conquistador olhou para a ave e gritou: 
-Vou tornar a encher a taça. Se você a derrubar outra vez, impedindo que eu beba, perderá a vida. 
Na mão direita segurando a espada mongol, com a esquerda ele tornou a colocar a taça debaixo do filete de água e a encheu. 
No exato momento que a levava aos lábios, o falcão voou rápido e a derrubou. 
Ágil como ele só, Genghis-Khan utilizou a espada e em pleno ar, decepou a cabeça do falcão, que lhe caiu morto aos pés.
Ainda com raiva, ele chutou longe o corpo do animal. 
E porque a taça se tivesse quebrado na terceira queda, ele subiu pelas pedras para beber do ponto mais alto do rochedo, no que imaginou fosse a nascente da fonte. 
Para sua surpresa, descobriu presa entre as pedras, bem no meio da nascente, uma enorme cobra venenosa. 
O animal estava morto há tempo, com certeza, porque mostrava sinais de decomposição. 
O cheiro era insuportável. 
Nesse instante, e somente então, o grande conquistador se deu conta de que o que o falcão fizera, por três vezes, fora lhe salvar a vida, pois se bebesse daquela água contaminada, poderia adoecer e morrer. 
Tardiamente, lamentou o gesto impensado que o levara a matar o animal, seu amigo. 
* * * 
Assim, muitas vezes, somos nós. 
A Providência Divina estabelece formas de auxílio para nós e não as entendemos. 
Pelo contrário, nos rebelamos. 
Por vezes, a presença de Deus em nossas vidas se faz através dos sábios conselhos de amigos. 
Contudo, quando eles vêm nos falar de como seria mais prudente agirmos nessa ou naquela circunstância, nos irritamos. 
E podemos chegar a romper velhas amizades. 
De outras vezes, Deus estabelece que algo que desejamos intensamente, não se concretize. 
Algo que almejamos: um concurso, uma viagem, um prêmio, uma festa, um determinado emprego. 
É o suficiente para que gritemos contra o Pai, nos dizendo abandonados, esquecidos do Seu apoio. 
Raras vezes paramos para pensar e analisar sobre o que nos está acontecendo. 
Quase nunca nos perguntamos: 
-Será a mão de Deus agindo, para dizer que este não é o melhor caminho para mim? 
Nada ocorre ao acaso. 
Tudo tem uma razão de ser. 
Estejamos atentos. 
Busquemos entender as pequenas mensagens que Deus nos envia, de forma constante. 
E não nos irritemos. 
Não nos alteremos. 
Agradeçamos. 
A Mão de Deus está agindo em nosso favor, em todos os momentos, todos os dias. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto O rei e o falcão, adaptação de James Baldwin, de O livro das virtudes, de William J. Bennett, ed. Nova Fronteira. Disponível no livro Momento Espírita, v. 9, ed. FEP. 
Em 14.3.2019.

sábado, 19 de outubro de 2024

VERDADEIRO AMOR

Martha Isabel Martinez Gómez
O que é amor verdadeiro? 
Será que existe esse sentimento na face da Terra? 
O amor é de essência divina e cada filho de Deus tem no íntimo a centelha dessa chama sagrada. 
E o amor tem várias maneiras de se manifestar. 
Existe amor de mãe, de pai, de esposa, de marido, de irmão, de tio, de avó, de avô, de neto, de amigo etc. 
Um dia desses, lemos, num periódico digital da Colômbia, uma história de amor das mais belas e significativas, contada por uma doutora colombiana. 
Numa tradução livre para o português, eis o que contou a médica: 
-Um homem de certa idade foi à clínica, onde trabalho, para tratar de uma ferida na mão. Estava apressado, e enquanto o atendia perguntei-lhe o que tinha de tão urgente para fazer. Ele me disse que precisava ir a um asilo de idosos para tomar o café da manhã com sua esposa, que estava internada lá. Disse-me que ela estava naquele lugar há algum tempo porque sofria do mal de Alzheimer, já bastante avançado. Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se sua esposa se incomodaria caso ele chegasse atrasado naquela manhã. "Não", respondeu ele. "ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece." Então lhe perguntei com certo espanto: "Mas se ela não sabe quem é o senhor, por que essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?" Ele sorriu, e com o olhar enternecido me disse: "É... Ela já não sabe quem eu sou, mas eu, entretanto, sei muito bem quem ela é." Tive que conter as lágrimas, enquanto ele saía, e pensei: "É esse tipo de amor que quero para minha vida." O verdadeiro amor não se reduz nem ao físico nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é... do que foi... do que será... e do que já não é... 
* * * 
Você sabia que o mal de Alzheimer é um transtorno neurológico que provoca a morte das células nervosas do cérebro, descrita pelo neuropsiquiatra alemão Alois Alzheimer, que é de onde vem seu nome? 
Pode se apresentar em pessoas a partir dos quarenta anos de idade, de maneira lenta e progressiva. 
Em estado avançado, provoca no paciente a incapacidade para se comunicar, reconhecer pessoas, lugares e coisas. 
O enfermo perde a capacidade de caminhar, de sorrir, de fazer a própria higiene, e passa a maior parte do tempo dormindo. 
No entanto, do ponto de vista espiritual, é uma bendita oportunidade de aprendizado para o Espírito imortal, que fica temporariamente encarcerado no corpo físico, sem poder se manifestar. 
Geralmente, o Espírito percebe tudo o que se passa com ele e ao seu redor, mas não consegue se expressar. 
Todavia, não fica insensível à atenção, ao afeto, ao carinho e à ternura que lhe dedicam. 
A pessoa sente o amor com que a envolvem. 
Por todas essas razões, vale a pena refletir com a médica, que ficou a pensar consigo mesma, depois que seu paciente foi ver sua amada: 
- É esse tipo de amor que quero para minha vida. 
O verdadeiro amor não se reduz nem ao físico nem ao romântico. 
O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é... do que foi... do que será... e do que já não é... 
Redação do Momento Espírita, com base em matéria assinada por Martha Isabel Martinez Gómez md, publicada no site http://www.lacolumna.cl/index.php?p=93 e traduzida por Terezinha Colle. Disponível no CD Momento Espírita, v. 10, ed. FEP. 
Em 18.10.2024

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

MANTENDO A ALEGRIA DE VIVER

Eles sobreviveram a duas guerras mundiais. 
Assistiram aos cenários de mais de uma revolução. 
Ouviram as notícias do erguimento do muro de Berlim e assistiram à sua derrubada. 
Tiveram as noites da infância iluminadas por velas e lampiões e aderiram, de forma rápida, à invenção de Thomas Alva Edison. 
Viram os tostões darem lugar a uma nova moeda, que modificou sua denominação e seu valor várias vezes.
Viajaram em lombo de mulas, carroças, carruagens e se surpreenderam com o Ford Bigode de Henry Ford. 
Lembram de Yuri Gagarin, o russo solitário no espaço, e da emoção da chegada do homem à lua. 
Do radinho simples, que era o elo de comunicação com o mundo, receberam a televisão como a grande novidade e, ao mesmo tempo, uma companhia para as horas solitárias. 
Das rodas de amigos, em torno do mate, do chimarrão, do café da tarde ou do chá das cinco, migraram para o teclado do computador, até horas mortas da madrugada. 
Alguns os veem como quem já viveu tudo e nada mais aguardam. 
Contudo, essas pessoas que trazem o rosto coberto de rugas, que são depositárias da história e têm muitos causos para contar, são uma lição viva de alegria de viver. 
Eles mantêm a vontade de sorrir, acreditando que o bom humor faz bem para o corpo e para a alma. 
Encaram a vida de frente e enfrentam os problemas que surgem. 
Desejam viver, embora alguns já tenham ultrapassado o centenário. 
Num mundo onde a juventude é sinônimo de beleza, eles trazem brilho no olhar. 
As rugas, que tecem arabescos no rosto, são as marcas de uma vida bem vivida. 
Cada uma delas conta uma história de dor, de alegria, de superação. 
Uma história de quem sofreu o devastar dos ventos da adversidade, mas soube se reerguer depois da tormenta.
História de quem esteve inúmeras vezes nos aeroportos da vida, recebendo novas gerações e despedindo-se de amores, de amigos, de companheiros de jornada. 
Partidas e chegadas. 
E foram tantas... 
Uns se apresentam com a memória mais ágil que outros.
Alguns são portadores de certas limitações físicas. 
De um modo geral, apresentam dores nas articulações ou problemas de audição, de visão. 
Mas não permitem que se instale a depressão em seu estado de espírito. 
Agasalham entusiasmo pela vida. 
E tecem planos para os dias futuros. 
O pai do conhecido maestro João Carlos Martins iniciou sua vida como escritor aos oitenta e seis anos. 
Legou à posteridade sete livros. 
O último livro que escreveu, aos cento e um anos, causou tal impacto que o Guinness book o registrou na condição de escritor que iniciou a carreira com a idade mais avançada.
Desencarnou aos cento e dois anos. 
* * * 
Esses idosos de sorriso aberto, de esperanças ainda em flor, nos são exemplos. 
Esses idosos que não se permitem o staccato pelas décadas acumuladas nos ombros, nos dizem que somente é infeliz quem maldiz a própria idade e a culpa por todos os seus fracassos. 
Eles nos dizem que a vida é um bem extraordinário e deve ser vivida em toda sua essência e substância. 
Deve ser sorvida, até a última gota, até o último amanhecer...
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 2.9.2013.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

MANSUETUDE E PRUDÊNCIA

Você tem se assustado com a violência na sociedade? 
Com essa violência cotidiana, quase que banalizada pelo suceder dos fatos? 
Sem sombra de dúvidas, os dias que se sucedem são desafiadores para todos nós. 
Nunca conquistamos tanto em tecnologia e bem-estar, nunca o desenvolvimento científico e tecnológico foi tão longe, porém, em nossa intimidade, ainda vige a violência.
Reclamamos que o mundo está tão violento, porém, a violência muitas vezes ganha morada em nosso mundo íntimo. 
Já reparou como somos violentos no trânsito? 
Basta alguém nos dar uma fechada, conduzir mais lentamente, cruzar nossa frente, e violentamos o próximo com nosso verbo truculento, intempestivo, ameaçador. 
Outras vezes, chegamos em casa com o peso do dia nos ombros, e aqueles que nos são mais caros ganham a violência de nossa indiferença ou da resposta seca e curta, sem envolvimento e interesse emocional nenhum.
Percebemos que a violência ganha morada em nossa intimidade quando alguém nos provoca ou toca em algum assunto que nos incomoda... 
O oposto da violência é a mansuetude. 
A capacidade de ser manso. 
Não por acaso foi uma das recomendações de Jesus no Sermão da Montanha, nos lembrando que Bem-aventurados os mansos, pois herdarão a Terra. 
Se hoje nos cansamos da violência, que seja iniciada em nós a proposta da mansuetude. 
Que comecemos por nós o exercício de troca da violência pela mansidão. 
Para ser manso, é necessário aprender a agir, ao invés de reagir. 
É necessário mudar a moeda no trato social. 
Oferecer sempre a moeda da mansuetude, seja qual for a que nos oferecerem. 
Quando nos ofertarem a violência, simplesmente não aceitemos, devolvendo paz, tranquilidade, mansuetude.
Parece difícil? 
É uma questão de exercício. 
Experimentemos só por hoje. 
Quando alguém nos oferecer a violência e devolvermos na mesma moeda, a violência será nossa, e permanecerá conosco. 
Como consequência, sofreremos os reflexos dela. 
Ao contrário, quando agirem violentamente contra nós, proponhamos uma ação de mansuetude. 
Ao grito, devolvamos a voz tranquila, ao desaforo, ofereçamos o elogio, e à ameaça, ofereçamos o entendimento. 
Para tanto, não se faz necessário nos colocarmos como vítima. 
Ao sermos mansos, não precisamos ser vítimas da violência, ou joguete das ações alheias. 
Para evitar isso, Jesus nos recomenda usarmos da mansuetude das pombas, mas da prudência das serpentes.
Armemo-nos de prudência, percebamos onde caminhamos, conheçamos as pessoas com quem convivemos. 
Tudo isso é necessário. 
Mas nada na vida justifica a necessidade de ser a violência a ferramenta de nosso trato social. 
Quando a paz e a mansuetude ganharem nosso mundo íntimo, certamente estará mais próximo o dia em que viveremos em um planeta de paz. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 13.07.2023.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

A SERENIDADE

SÃO JOÃO XXIII
Você já parou para observar, algum dia, como as pessoas andam pelas ruas apreensivas? 
O semblante sempre carregado e o cenho franzido traduzem a angústia íntima, a problemática em que se encontram mergulhados. 
Em alguns momentos, a impressão que se tem é que a maioria das gentes anda em batalha interior constante. 
E nos perguntamos: 
-Onde a serenidade? 
Em especial daqueles de nós que ostentamos o adjetivo de cristãos. 
Acaso teremos esquecido a exortação de Jesus: 
-A cada dia basta o seu cuidado? 
E aqueloutra: 
-Se pois Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé! 
É por essa razão que, com regularidade, a Providência Divina permite que Seus missionários visitem a Terra, travestidos em corpos humanos e nas mais variadas frentes de trabalho.
Recordamos que em 1958, o mundo assistiu à posse de mais um Papa. 
Os cardeais, em Roma, encontraram um sucessor para Pio XII, que morrera após dirigir os destinos da Igreja Católica por 19 anos. 
Aos 77 anos, Ângelo Giuseppe Roncalli assumiu o papado com o nome de João XXIII. 
Ângelo Roncalli era um homem que causava um impacto sempre favorável nas pessoas. 
Reconhecia claramente suas limitações e era dotado de um vivo senso de humor. 
Surpreendeu pela coragem de inaugurar debates sobre temas intocáveis até então. 
Em um documento asseverou que todos os homens têm direito de escolher a sua religião. 
Em 1960, num dos seus escritos, ele registrou uma página com notável sentimento de religiosidade universal. 
Chama-se O Decálogo da Serenidade e contém dez sugestões de conduta para o homem que deseja a paz. 
1ª Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez. 
2ª Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência; cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo. 
3ª Hoje, apenas hoje, serei feliz, na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste. 
4ª Hoje, apenas hoje, adaptar­-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos. 
5ª Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida da alma. 
6ª Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém. 
7ª Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba. 
8ª Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males: a pressa e a indecisão. 
9ª Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem o contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo. 
10ª Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor. De modo especial não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade. 
* * * 
Pense nisso! 
O homem do futuro, que define as conquistas das virtudes nos esforços do presente, descobre o imenso prazer de ser bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. 
Pense nisso! 
Mas, pense agora. 
Redação do Momento Espírita, com base no texto O decálogo da serenidade, da Revista Reformador de agosto de 1996, ed. FEB. Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. FEP. 
Em 16.10.2024
https://momento.com.br/pt/index.php

terça-feira, 15 de outubro de 2024

MANSUETUDE E PODER

Huberto Rohden
A mansuetude é, por vezes, confundida com fraqueza espiritual, apatia ou indiferença. 
Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos. 
Acredita-se que a mansuetude não combina com o poder, pois este tem se confundido com prepotência, despotismo e violência. 
Contudo, mais uma vez vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a mansuetude. 
Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso. 
O sol nasce e se põe em profunda quietude. 
Move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.
Acaricia as pétalas de uma flor sem a ferir e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar. 
As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do Cosmo, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído. 
O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença. 
A luz, a vida e o Espírito, os maiores poderes do Universo, atuam com a suavidade de uma aparente ausência. 
Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física, mas sim numa atitude de presença metafísica. 
Não se trata de fazer algo, mas de ser alguém. Quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência. 
A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder.
Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mansuetude e a benevolência. 
O Criador, que é o Supremo Poder, age com tamanha mansuetude que a maioria dos homens nem percebe a Sua ação. 
Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, cria novos mundos a cada instante, faz pulsar o coração dos abutres e dos colibris, dos bandidos e dos homens de bem, na mais harmoniosa mansuetude. 
Até mesmo a morte, mensageira da liberdade, chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico. 
Assim se expressa o verdadeiro poder: sem ruído, sem alarde e sem violência... 
* * * 
Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do sol e de sua incontestável mansuetude. 
O sol nasce e se põe em profunda quietude. 
Move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.
Acaricia as pétalas de uma flor sem a ferir e beija as faces de uma criança adormecida, sem a acordar. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a Terra, do livro Sabedoria das parábolas, de Huberto Rohden, ed. Alvorada. 
Em 10.03.2011.