segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

HOJE É O SEU DIA

Você se preparou para viver o dia de hoje? 
As coisas mais importantes da vida somente são valorizadas depois que passam ou são perdidas. A saúde, o sono, a razão, os fenômenos digestivos, os órgãos dos sentidos, os movimentos são tesouros colocados por Deus a seu serviço. Portanto, cuidado com esses tesouros. 
Está disposto a recomeçar hoje aquele projeto que fracassou ontem? 
O aparente fracasso é a forma pela qual a Divindade ensina você a corrigir a sua maneira de atuar, facultando-lhe repetir a experiência com mais sabedoria. 
A vida é constituída de lições que se repetem até se fixarem corretamente. 
Hoje você tem problemas, que parecem insolúveis, para resolver?
Considere o seguinte: 
Primeiro: ninguém vai resolvê-los por você. 
Segundo: você só vai resolvê-los se se dispuser a enfrentá-los.
Terceiro: é preciso equacionar os seus problemas, um de cada vez, até resolver todos. 
Quarto: não sobrecarregue os outros com as suas queixas, reclamações e problemas. 
Você sentiu uma ponta de mau humor hoje? 
Lembre-se: a irritação é o espinho cravado nas carnes da emoção, que deve ser retirado. 
Quanto mais permanece, mais piora o estado de quem o conduz, gerando infecções duradouras e perniciosas.
Está na iminência de se desesperar?
Lembre-se, ainda: o homem deve treinar coragem e resignação.
Sem esses valores ele permanece criança espiritual. 
Deixe-se conduzir pelas ocorrências que não pode mudar e altere com amor aquelas que o irão beneficiar. 
Deus é Pai misericordioso e vela por você. 
Você se exercitou para perdoar hoje? 
O perdão real é sempre acompanhado pelo esquecimento do mal recebido. 
Quem guarda rancor, coleciona lixo moral. 
Você já abraçou seu filho hoje, dizendo-lhe o quanto o ama? 
Ele necessita de oportunidade e de amor para alcançar o triunfo.
Abençoe o seu filho com as suas palavras e conduta, fazendo-se amigo dele em todas as situações. 
Você já orou hoje? 
Não desconsidere o valor da oração. 
O corpo necessita de alimento adequado para se manter. 
Assim também o Espírito, que é a fonte de vitalização da matéria.
Na prática, você é o senhor da sua cabeça e do seu dia. 
Você decide como quer que seja o seu hoje. 
Decida e trabalhe por isso. 
Quem quer faz, não manda fazer. 
A água não ocupa mais espaço do que realmente necessita. 
Por isso equivale à moderação. 
Nesses dias agitados, a angústia caminha com o homem, disfarçada de medo, de ansiedade, de sentimento de culpa.
Naturalmente, as pressões a que todos estamos sujeitos respondem por tal situação. 
A ansiedade pelo prazer exorbitante frustra; os fatores agressivos amedrontam e a timidez encontra uma forma de levar ao complexo de autopunição. 
Afaste da mente esses fantasmas responsáveis por males inumeráveis. 
Você é filho de Deus, por Ele amado, protegido e abençoado. 
Não se afaste de Suas leis e se se enganar em alguma ocasião, ao invés de se entregar a conflitos desnecessários, retorne ao caminho do dever, sem receio algum.
Lembre-se da afirmativa de Jesus: 
-Eu sou o caminho, a verdade e a vida. 
Lembre-se, ainda: 
Hoje é o dia! O seu dia! 
* * * 
Muitas enfermidades do corpo procedem do Espírito danificado pelos conflitos da emoção ou pelo ácido das imperfeições morais.
Não bastará dormir, dar descanso ao corpo, se você permanecer emocionalmente inquieto, ansioso! 
Pense nisso e aproveite bem o dia de hoje, que é o seu dia.
Redação do Momento Espírita. Disponível no cd Momento Espírita, v. 10 e no livro Momento Espírita, v. 5, ed. Fep.
Em 25.06.2012.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

HISTÓRIAS E CANÇÕES

A imaginação do homem é ilimitada. 
Assim como sua criatividade. 
Por isso, todos os dias surgem novas histórias pelo mundo, porque o homem não cessa de criar. 
Com o advento da internet, mais se vulgarizaram os contos, as crônicas, ao lado de lendas de toda sorte. 
Algumas são histórias verdadeiras, de profundo valor. 
Outras, invenções da mente popular. 
Outras, ainda, têm rudimentos de verdade em meio a muitas alegorias. 
Verdade ou lenda, os fatos que envolvem a composição da música Silêncio(Toque do Silêncio), que costuma ser executada nos funerais militares, nos emocionam. 
A história remonta ao período da guerra civil americana, em que irmãos do mesmo país se bateram uns contra os outros: norte contra o sul. 
Conta-se que no ano 1862, o capitão Robert Elly, do Exército da União, estava com seus homens no Estado da Virgínia. Do outro lado do terreno, se encontrava o exército confederado. Durante a noite, gemidos de alguém ferido, no campo de batalha, se fizeram ouvir. 
Seria um soldado da União ou do Exército Confederado? 
O capitão Elly optou por se arrastar, através dos disparos, para resgatar o soldado ferido, trazendo-o para o seu acampamento. Contudo, duas questões surpreenderam o capitão, ao chegar às suas próprias linhas. 
O soldado era um confederado. 
E estava morto. 
Todo seu esforço fora em vão. 
Mas as surpresas não pararam aí. 
Ao acender sua lanterna e mirá-la no rosto do morto, ficou sem fôlego. 
O soldado era seu filho. 
Quando a guerra irrompera, ele estava estudando música no sul dos Estados Unidos. 
Alistara-se, sem nada informar ao pai. 
Com o coração em frangalhos, o capitão pediu permissão aos seus superiores para dar ao filho enterro com honras militares, mesmo sendo um soldado inimigo. 
Era seu filho e ele desejava que a banda de músicos tocasse no funeral. 
Seu pedido foi parcialmente atendido, pois o autorizaram a se servir de um único músico. 
O oficial escolheu o corneteiro e pediu-lhe que executasse a série de notas musicais que estavam escritas em um papel, encontrado no bolso do uniforme do jovem morto. 
A música é emocionante, recordando um cair de tarde, um pôr-do-sol, alguém que discretamente se vai. 
No entanto, os versos que acompanham a composição são ainda mais profundos. 
Dizem o seguinte: 
"O dia terminou, o sol se foi dos lagos, das colinas e do céu. Tudo está bem. Descansa, protegido. Deus está próximo. A luz tênue obscurece a visão. E uma estrela embeleza o céu, brilhando luminosa. De longe, se aproximando, cai a noite. Graças e louvores para os nossos dias. Debaixo do sol, debaixo das estrelas, debaixo do céu, enquanto caminhamos, isso nós sabemos: Deus está próximo". 
* * * 
A música, de não fácil execução, quase sempre nos leva a banhar os olhos com lágrimas discretas. 
Possivelmente, poucos de nós sabíamos que, além das notas musicais, ela tinha versos. 
Agora que os conhecemos, podemos entender o porquê da emoção que nos toma a alma, quando a ouvimos. 
Trata-se da prece sincera de uma alma ao Criador, ao Pai. 
Uma prece de fé, de confiança, de certeza de que, mesmo entre a batalha cruel, as dores cruciantes, nada há para temer. 
Nem a noite sem estrelas, nem as brumas da morte, nada. 
Porque Deus está próximo. 
E se Ele está próximo, no Seu amor nos podemos agasalhar e confiar. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, a partir de história de autoria ignorada.
Em 20.2.2013

sábado, 5 de fevereiro de 2022

HISTÓRIA DE UMA VIDA

Tudo começou quando um dia, em minha mãe, num local bem protegido chamado trompa, dois elementos se encontraram: um de minha mãe, o óvulo, e outro de meu pai, o espermatozoide. Como dois apaixonados se aproximaram e se abraçaram tornando-se uma pequenina gota d'água. Esse foi o dia mais feliz de minha existência. Recomeçava para mim a oportunidade do retorno à carne, depois de passar um largo tempo no mundo espiritual. Deram-me o nome de ovo. Eu era muito pequenino, muito menor do que um grão de areia. Iniciei então, uma longa viagem. Empurrado para diante por algo semelhante a cílios, que desenvolviam movimentos delicados como os do mar quando beija docemente a praia, indo e vindo, cheguei enfim a um lugar chamado útero. Era um lugar macio, quentinho e logo notei não correr perigo. Sem muito esperar, fui me aninhando, agarrando-me firmemente em uma das paredes. Já contava com três dias de vida. Aos poucos fui me cobrindo com uma membrana daquela mesma parede. Aos 9 dias de vida, minha forma era a de um disco e tinha meio milímetro de diâmetro. Fui crescendo e aos 12 dias de vida já tinha o dobro do tamanho: um milímetro. Recebi o nome de embrião. Comodamente instalado, fui formando uma almofada que se chamava placenta, para que melhor me pudesse alimentar, retirando do organismo de minha mãe tudo o de que precisava. Já estava com quase um mês. A expectativa de minha existência era muito grande. A ansiedade de minha mãe se transformou em pura alegria quando os testes deram positivo. Agora era meu pai a querer saber se eu seria menino ou menina, louro ou morena, de olhos castanhos ou azuis. Quando ele perguntou: 
-Como será ele? - fui logo respondendo: 
-Tenho forma da letra C, e pareço com um cavalo-marinho. Tenho um centímetro de tamanho. Não sei se me ouviram mas o que sei é que redobraram cuidados e recomendações. Aos dois meses, meu corpinho estava mais reto, minha boca mais formada, meu nariz começava a aparecer, meus olhos estavam mais desenvolvidos. Meu tamanho? Quatro centímetros. Meu peso? Cinco gramas. Aos três meses já tinha forma de gente... E o tempo foi passando. Emoção mesmo foi no dia em que mamãe pôde ouvir o meu coraçãozinho bater. Sentia como se fosse uma mensagem para ela. E era mesmo. Era meu agradecimento por tudo o que ela fazia e pensava por mim. Ela esperava, papai aguardava e eu também. Como seria o nosso reencontro? Seis, sete, nove meses. O médico marcou o dia de minha chegada. O meu enxovalzinho estava pronto e meu bercinho me aguardando. Última semana de espera. Hoje me apresentei para toda a família. Que alegria! Meu primeiro dia de vida, nos braços de minha mãe. 
* * * 
Os filhos que nos chegam pelas vias da reencarnação são, quase sempre, personalidades amigas com as quais já vivemos em outras eras. 
Chegam-nos, batendo à porta do coração, a solicitar entrada e quando lhes permitimos o ingresso no seio da família, se enchem de felicidade. 
Podem ser comparados a aves pequenas que retornam ao ninho, após exaustivas andanças por outras terras, à procura de carinho, ternura e abrigo. 
Fiquemos atentos e jamais fechemos as portas do nosso amor a esses pássaros implumes que nos buscam desejando oportunidade para retornar à vida física. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de Apostila do Grupo de gestantes da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, 1995. Disponível no livro Momento Espírita vol 1, ed.Fep. 
Em 17.06.2010.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

A HISTÓRIA DE TOMMY

Jack Canfield, Mark Victor Hansen
Kimberly Kirberger
John Powell, professor de Teologia na Universidade, conta que no primeiro dia de aula conheceu Tommy. De maneira irreverente, ele entrou penteando seus longos cabelos louros. Imediatamente, John o classificou com um E de estranho... Muito estranho. Ele acabou se revelando o ateísta de plantão do seu curso. Constantemente, fazia objeções, ria diante da possibilidade de existir um Deus Pai que amasse Seus filhos, incondicionalmente. Quando terminou o curso, o aluno perguntou a John, num tom ligeiramente cínico: 
-O senhor acredita que eu possa encontrar Deus algum dia? 
O professor respondeu enfaticamente: 
-Não! 
-Eu pensei que esse fosse o produto que o senhor estava tentando nos impor. - Respondeu o jovem. 
John deixou que ele desse uns cinco passos fora da sala e gritou: 
-Tommy, eu não acredito que você consiga encontrar Deus, mas tenho absoluta certeza de que Ele o encontrará. 
Passado algum tempo, John veio a saber que Tommy estava com câncer terminal. Antes que o ex-professor fosse ao seu encontro, ele veio procurá-lo. Seu físico estava devastado pela doença. Os cabelos longos haviam desaparecido pelo efeito da quimioterapia. No entanto, os olhos do rapaz estavam brilhantes e a sua voz estava firme. 
-Tommy, tenho pensado tanto em você! Ouvi dizer que você está doente! 
-É verdade, estou muito doente. Tenho câncer em ambos os pulmões. Agora é uma questão de semanas.
Foi a resposta. 
-A razão pela qual eu realmente vim vê-lo, continuou o rapaz, foi a frase que o senhor me disse no último dia de aula. Pensei um bocado a respeito, embora naquela época não quisesse procurar Deus. Quando os médicos removeram um nódulo da minha virilha e disseram que era um tumor maligno, encarei com mais seriedade essa procura. Quando a doença se espalhou pelos meus órgãos vitais, comecei realmente a dar murros desesperados nas portas do paraíso. Porém, Deus não apareceu. Um dia acordei e, em vez de atirar mais alguns apelos por cima de um muro, atrás de onde Deus poderia ou não estar, simplesmente desisti. Decidi que, de fato, não estava me importando... com Deus, com vida eterna ou qualquer coisa parecida. Resolvi usar o tempo que me restava fazendo alguma coisa proveitosa. Lembrei de outra frase que o senhor havia dito: “A tristeza mais profunda é passar pela vida sem amar.” Decidi que queria que as pessoas soubessem que eu as amava. Comecei pela pessoa mais difícil: meu pai. Ele estava lendo o jornal quando me aproximei e lhe falei: 
-“Pai.” 
O jornal desceu, vagarosamente, alguns centímetros... 
-“O que é?” 
-“Papai, queria que soubesse que amo você.” 
O jornal escorregou para o chão e meu pai fez duas coisas que eu não lembro de tê-lo visto fazer jamais. Chorou e me abraçou. Conversamos durante toda a noite, embora ele tivesse que ir trabalhar na manhã seguinte. Foi mais fácil com a minha mãe e com meu irmão mais novo. Então, um dia, eu me voltei e lá estava Deus. Ele não veio ao meu encontro quando eu lhe implorei. Mas, o que é importante é que o senhor estava certo. Ele me encontrou mesmo depois de eu ter parado de procurar por Ele. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Conte ao mundo por mim, do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen e Kimberly Kirberger, ed. Sextante. 
Em 19.5.2020.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

A HISTÓRIA DE LORENA

Lorena Reginato
Ela era uma menina como muitas outras. Adorava fazer manobras radicais em seu skate e sonhava ter um canal numa rede social para compartilhar as coisas que amava. Aos doze anos, sua vida sofreu uma grande mudança, quando foi diagnosticada com um tumor raro e agressivo na medula. Foi submetida a uma cirurgia e iniciou um longo tratamento com quimioterapia. Sua fala e seus movimentos foram bastante afetados, mas ela não desistiu de realizar seu sonho: ter um canal numa rede social para contar às pessoas um pouco sobre sua vida e seus gostos. Lorena criou, então, o Careca TV e, logo no primeiro vídeo, explicou a causa de sua fala lenta e sua voz trêmula. Seu jeito meigo e verdadeiro conquistou milhares de fãs e seguidores. Cada vídeo postado era curtido e comentado por pessoas de todos os cantos do Brasil e do Exterior. Ela se tornou uma inspiração para jovens e adultos, portadores de câncer ou não. Como todo aquele que espalha luz, a menina também teve de enfrentar as trevas da incompreensão, do preconceito e da inveja, em forma de comentários maldosos e palavras agressivas. Foi acusada de usar sua enfermidade para se promover e ganhar coisas. Respondeu a todas as críticas desejando felicidade aos agressores. Retribuiu a maldade, a incompreensão, com amor, um amor que somente os que conseguem ver além da superfície sabem sentir. Lorena sabia que as críticas carregavam também muita dor. Mas ela não era a culpada por essa dor, e desejou que seus agressores a conseguissem superar, encontrando, em algum momento, sua própria felicidade. Mesmo assim, seu canal de TV foi raqueado e os vídeos foram apagados. Triste e ferida, a menina chegou a cogitar em desistir do canal. No entanto, sua irmã, um de seus anjos protetores, o refez, repostou os vídeos e lançou o novo endereço para que as pessoas pudessem encontrá-la. Dessa forma, a conexão de força, coragem e amor foi restaurada. E muitas pessoas se uniram a ela nesse recomeço. Semanalmente, novos vídeos de uma sorridente e querida menina continuaram a ser postados, numa demonstração de que a vida prosseguia. Lorena mostrou que não se deixou vencer pela doença, acatou o tratamento e aceitou todo o pacote que isso representava. Nunca se revoltou. Sorria sempre... para todos. Dois anos depois do primeiro vídeo, um novo, cheio de alegria: estava curada! Agradecendo a todos os que a acompanharam e apoiaram nessa trajetória, a menina, agora com treze anos, fala em retomar outros sonhos: voltar a andar, a fazer manobras no skate, seguir com a vida que não foi interrompida, apenas pausada.
 * * * 
A trajetória dessa adolescente nos ensina uma lição preciosa: a de que não estamos sós, de que os que somos misericordiosos e sabemos amar somos envolvidos em luz e paz. 
Conhecer a história de Lorena nos faz buscar, em nós, aquela centelha de Deus que nos diz que a vida segue, e nos cabe andar em harmonia com ela, buscando viver no amor. 
Se assim procedermos, encontraremos a felicidade.
Redação do Momento Espírita, com base na história de vida da youtuber Lorena Reginato. 
Em 3.4.2017.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

DAR GRAÇAS POR TUDO

O Apóstolo Paulo, com sua lucidez inconfundível, recomendou que devemos dar graças a Deus por tudo o que nos acontece, tanto pelas coisas boas como pelas que nos pareçam ruins. 
E era dessa forma que agia aquele homem. 
Dava graças por tudo. 
Certa vez, em uma de suas viagens, quando o avião sobrevoava o oceano, um dos motores falhou. O piloto realizou um pouso forçado nas águas. Quase todos os passageiros morreram. Ele conseguiu agarrar-se a algo que o manteve boiando, à deriva. Depois de muito tempo, chegou a uma ilha não habitada. Cansado, agradeceu a Deus por tê-lo livrado da morte. Naquele lugar deserto, ele conseguiu se alimentar de peixes, ervas e até de alguns frutos. Com muito esforço, conseguiu derrubar umas árvores e construiu uma cabana. Não era bem uma casa, somente um abrigo tosco, com paus e folhas, que lhe conferia alguma proteção. Ele ficou satisfeito e, mais uma vez, agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez existissem na ilha. Um dia, depois de ter apanhado muitos peixes, agradeceu ao Criador pela comida abundante. No entanto, ao voltar para sua cabana, a descobriu em chamas. Desolado, sentou-se sobre uma pedra e, entre o pranto convulsivo, reclamou: 
-Deus! Como é que o Senhor pôde deixar acontecer isso? O Senhor sabe que eu preciso muito da cabana para me abrigar. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim? 
Então, ele sentiu uma mão sobre seu ombro. Logo, uma voz lhe disse:
-Vamos, rapaz? 
Ele se virou, assustado. Para sua surpresa, ali estava um marinheiro sorridente, convidando-o: 
-Vamos logo, rapaz, nós viemos buscá-lo. 
-Mas, como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui? 
Falou o homem, surpreso. 
-Amigo, explicou o marinheiro, vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir buscá-lo naquele barco que está ali adiante. 
Então, o homem foi para o navio, que o conduziu, são e salvo, de volta para os seus amados, o seu mundo, a sua vida. Em segurança, ele agradeceu uma vez mais a Deus e pediu perdão pela falta de confiança na Sua Providência e Misericórdia. 
* * * 
Assim acontece, por vezes, em nossas vidas. 
Alguns acontecimentos nos surpreendem e nem sempre conseguimos ter a dimensão dos seus benefícios.
Um transtorno que nos impeça de chegar a um determinado lugar, no tempo que havíamos estabelecido, pode nos evitar alguma tragédia. 
O não alcançarmos êxito, hoje, em um concurso, pode nos entristecer, porque víamos ali a oportunidade de crescimento profissional. 
Porém, quase sempre, pouco depois, uma nova e melhor chance se apresenta. 
Aprendamos, assim, a dar graças por tudo: pelo bom e pelo aparentemente ruim. 
E, se for mesmo algo que nos magoe, entristeça, fira, ainda assim, pensemos que a experiência nos poderá auxiliar a crescer, a aprender.
Dessa maneira, em tudo demos graças a Deus, nosso Pai. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 2.2.2022.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

UM FATO - DUAS ATITUDES

Não é estranho constatar que um mesmo fato, vivenciado por pessoas diferentes, em cada uma gere sentimentos e atitudes totalmente contrários? 
Que a mesma lição possa ser aprendida por uma e desprezada por outra?
Um desses exemplos colhemos no Evangelho de Lucas. Ele se refere ao banquete, em Magdala, para o qual foram convidados Jesus e dois dos Seus Apóstolos. 
Simão era um fariseu, que adorava ostentar suas riquezas e sua posição social. 
Os banquetes que oferecia, em sua casa, eram comentados por semanas.
Ele convidou Jesus, para se exibir entre os seus amigos. 
Também O desejava examinar com a malícia, disfarçada de gentileza.
Quase ao final do banquete, uma mulher invadiu a sala. 
Como conseguira penetrar na luxuosa vivenda, sem que ninguém a detivesse? 
A resposta está exatamente em se saber quem era ela. 
Miriam, de Migdol ou de Magdala. 
Ou simplesmente, Madalena. 
Uma mulher que vendia prazeres. 
Era buscada por aqueles que possuíssem muitas posses. 
E o próprio anfitrião era um deles. 
Por isso, não a mandou expulsar. 
Temia que ela o apontasse perante todos. 
As noites com ela eram disputadas, entre aqueles que mais moedas, ou pedras preciosas pudessem oferecer. 
Ela ouvira o Messias, uma vez, em Cafarnaum. 
Amara-O, desde o primeiro momento.
Aquele era o verdadeiro amor que ela buscava, há muito tempo.
O amor que enchia a sua alma. 
Por isso, dirigiu-se a Ele, e, com suas lágrimas, regou Seus pés. 
Depois, os enxugou com seus longos cabelos negros e, por fim, os ungiu com o precioso perfume de lótus, que trouxera. 
O dono da casa ficou indignado. 
Se o Seu convidado fosse realmente um profeta saberia que aquela mulher era uma impura e jamais se deixaria tocar por ela. 
Jesus aproveitou o momento para narrar a parábola dos dois devedores, indagando a Simão qual dos dois deveria amar mais ao senhor que lhes perdoara a dívida: aquele que lhe devia cinquenta ou aquele que lhe devia quinhentos denários? 
-Suponho, respondeu o anfitrião, que aquele a quem mais perdoou. 
O Mestre aproveita para ensinar: 
-Simão, entrei em tua casa e não me deste o beijo. Porém, esta mulher não cessa de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo mas ela ungiu os meus pés com perfume. Por isso, perdoados lhe são os seus pecados, porque muito amou. Aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama. 
A mulher se foi, agradecida. 
Mudou totalmente sua vida, a partir de então. 
Simão, no entanto, se encheu de mágoa. 
No seu entendimento, Jesus o humilhara, perante os amigos.
Surdo desejo de vingança tomou conta do seu coração. 
Quando soube da crucificação do Nazareno, mais tarde, alegrou-se.
Porém, a mágoa não o abandonou. 
Ele alimentou esse sentimento ruim, até o final dos seus dias. 
* * * 
A narrativa nos leva a cogitar como um mesmo fato pode alcançar pessoas de modo tão diverso. 
Tudo depende de cada um de nós. 
Se desejamos aproveitar a oportunidade, alteramos a rota equivocada. 
Se rejeitamos o que nos é oferecido, podemos nos infelicitar. 
Cabe a cada um decidir, quando o ensino nos alcança. 
Decidir o que desejamos para nós. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com narrativa do Evangelho de Lucas, cap. 7, vers. 36 a 50. 
Em 1º.2.2022.