domingo, 7 de março de 2021

FLOR DE LÓTUS

Planta que floresce sobre a água, a flor de lótus, nativa da Ásia, é considerada sagrada em algumas culturas orientais. Suas raízes nascem no lodo e seu caule vai se desenvolvendo na lama até alcançar seu tamanho total, quando o botão emerge na superfície da água para desabrochar ao sol. À noite, as pétalas da flor se fecham e ela mergulha debaixo d’água. Antes de amanhecer, ela volta à superfície, onde se abre novamente. Suas luminosas pétalas têm a propriedade de autolimpar-se, ou seja, conseguem repelir microorganismos e lodo, não deixando que a água a contamine e, por isso, é capaz de florescer em meio ao pântano.
Em um simbolismo utilizado no Oriente, a água lodosa que acolhe a planta é associada ao apego e aos desejos materiais e a flor que desabrocha sobre a água, em busca de luz, indica promessa de elevação espiritual.
Ela representa a superação da dor e do sofrimento no mundo físico em busca do crescimento espiritual e é considerada símbolo de pureza da alma. 
* * * 
Podemos fazer uma analogia do desabrochar dessa flor com a forma com que nos envolvemos com as questões do mundo que nos cerca. 
O objetivo principal da vida terrena é o aperfeiçoamento moral do Espírito.
Aqueles que têm essa compreensão buscarão elevar-se sempre, independente das adversidades. 
Quando as circunstâncias não nos forem favoráveis, quando as tentações nos cercarem, quando formos frequentemente chamados a testar nosso caráter, busquemos retirar o bom proveito da situação e lembremo-nos de Jesus. 
Cristo propôs que vivêssemos no mundo sem ser do mundo. 
Foi o exemplo vivo de que podemos passar por situações que nos atormentam os sentimentos e, mesmo assim, não nos deixarmos abater e seguirmos confiantes em nossos propósitos. 
Mostrou-nos também que é possível usufruir das coisas do mundo e não nos deixarmos possuir por elas. 
A vida social e em família faz parte do processo de evolução. 
Ninguém consegue a realização espiritual seguindo a sós. 
É através dos relacionamentos que trocamos experiências e vamos trabalhando os sentimentos e nos conhecendo melhor a cada dia. 
Por vezes, passamos por dificuldades de ordens diversas, mas devemos reconhecer que sem a presença desses testes, perderíamos as motivações que nos impulsionam ao crescimento e à melhora íntima. 
* * * 
A flor de lótus é exemplo de determinação, perseverança e superação, pois surge em meio ao lodo em que vive. 
É prova de que nós também podemos buscar o crescimento espiritual e o aprimoramento moral em um meio que não nos seja favorável. 
Ela leciona confiança em nós mesmos e crença em nossa própria beleza.
Floresce diariamente em busca da luz, mostrando-nos que não importam os obstáculos e nem o quanto as circunstâncias possam parecer contrárias. 
Não há nada que a impeça de florescer bela e formidável. 
Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Em 16.4.2013.

sábado, 6 de março de 2021

PROMESSAS MATRIMONIAIS

No ato do consórcio matrimonial, os cônjuges realizam algumas promessas. 
Prometem amar e respeitar um ao outro, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe.
Estranhamente, muitas vezes os votos formulados são esquecidos em pouco tempo. 
Esposos se antagonizam. 
Criam dificuldades um para o outro. 
E o que começa como um lindo sonho de amor, em muitos casos acaba com um desfazer da aliança, em meio a muita mágoa. 
Onde ficam as promessas do casamento? 
Onde o amor eterno jurado tantas vezes, durante o namoro? 
Talvez se devesse pensar em algumas promessas diferentes para o momento em que as pessoas se decidam casar. 
Perguntas que levem a reflexões. 
Ou que digam, de forma mais explícita, o que é amar e respeitar um ao outro. 
Eis algumas delas: 
- Promete não desejar assumir o controle da vida do outro? 
- Promete ter em mente que ele é um ser que, antes de conhecer você, fazia parte de uma família, tinha amigos e ideais? 
- Promete respeitar os seus gostos musicais, mesmo que você não aprecie o tipo de música de que a pessoa gosta? Afinal, vocês poderão fazer um acordo de forma a que cada um ouça, em determinado tempo, e em volume condizente, a música que aprecie.
- Promete acompanhar seu par quando este desejar ir ao cinema, ao teatro ou à praia? Pode ser que você prefira o futebol, a conversa com os amigos. Mas sempre há possibilidade de se dialogar e estabelecer um momento para cada coisa, sem que nada fique esquecido ou desprezado.
- Você promete ser paciente quando encontrar a toalha de banho molhada sobre a cama e pedirá outra vez e uma vez mais para que o fato não se repita? 
- Você promete que deixará seu par dirigir o automóvel, sem ficar a todo instante dizendo que engatou a marcha errada, que deve andar mais rápido, que agora deve ir mais devagar, que não sabe dirigir? 
- Promete que, mesmo que a comida não seja a melhor do mundo, agradecerá pelo prato que foi feito? 
- Você promete não esbravejar quando as contas se acumularem no final do mês, embora ambos tenham feito o possível para apertar o cinto, diminuir as despesas? 
- Você promete que não esquecerá de dizer Eu amo você? 
- E também Você é importante em minha vida? 
- Você promete que não descuidará de si, simplesmente porque casou?
- Que continuará a usar perfume, pentear o cabelo, preparar-se para o outro, exatamente como nos dias do namoro? 
- Você promete que não deixará o amor esfriar, a paixão ir embora? 
- Você promete que não contará todos os dias as rugas que forem marcando o rosto do outro? 
- Nem fará comentários desagradáveis com seus amigos sobre as dificuldades do seu par? 
- Você promete que, ao menos no dia do aniversário de casamento, tentará surpreender o outro com um delicioso café na cama? 
- Você promete ser eterno namorado, mesmo que não haja lua no céu, nem estrelas a brilhar? 
- Com chuva, frio ou tempestade, ficará com seu par? 
- Enfim, você promete que vai se esforçar para cumprir todas essas promessas? 
Se a tudo isso, um ao outro disser sim, então, com certeza, o casamento durará muito tempo, porque ambos não serão somente marido e mulher. Serão duas pessoas maduras, cientes de que ambos têm defeitos. Também virtudes. E cada dia, um no outro buscará descobrir a virtude ainda não desvelada. Um ao outro incentivará naquilo em que ainda não é tão bom. E um ao outro pedirá:
-Por favor, me ajude, quando precisar. 
E dirá-Obrigado!-, toda vez que receber uma dádiva, um carinho, uma atenção. 
Quem quer que adentre o barco matrimonial e não deseje ceder vez ou outra, entender e auxiliar, dificilmente chegará ao porto da felicidade.
Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita. 
Disponível no CD Momento Espírita, v. 11 e no livro Momento Espírita, v. 7, ed. FEP. 
Em 4.3.2021.

sexta-feira, 5 de março de 2021

QUEM É ESSA CRIATURA?

Quem é essa criatura que toma de uma folha de árvore e a esculpe, transformando-a em uma verdadeira obra de arte, que reproduz cenas da natureza? 
Quem é essa criatura que se serve da areia para erguer minuciosas esculturas na praia? 
Quem é essa criatura que toma um instrumento e reproduz sons da natureza, sons que parecem vir de outra dimensão, para nos encantar os ouvidos, extasiar a alma e curar enfermidades? 
Quem é essa criatura que descobre como viajar pelas estrelas, conquistando, a pouco e pouco, o Universo sem fim? 
Quem é essa criatura que perpetua a própria espécie e a conduz pelos caminhos do progresso, entre ternura e carinho? 
Quem é essa criatura que imita o voo dos pássaros na coreografia espetacular dos palcos, que dá saltos fenomenais como a dizer que o Espírito comanda o corpo e o exercício garante o resultado almejado?
Quem é essa criatura capaz de amar, de criar, de enfeitar o mundo, de erguer edifícios que parecem escalar os céus? 
Quem é essa criatura que toma das letras e escreve poemas, canções, produz maravilhas e tudo oferece a todas as demais criaturas?
***
Essa criatura se chama homem. 
Colocado neste mundo para progredir e mudar o próprio ambiente em que vive. 
Um ser que olha ao seu redor, toma da madeira e constrói abrigos e modela belezas com as próprias mãos. 
Um ser concebido por uma Inteligência Suprema, Causa de todas as coisas. 
Um Criador que lhe deu um corpo, formado do húmus da terra, para nela viver. 
Um ser que recebeu, com o sopro da vida, a essência imortal, que migra de corpo a corpo, através das idades, através dos mundos. 
Essência que traz do Criador a possibilidade da grandeza, Sua criatividade inesgotável. 
Por isso, contempla as estrelas e as deseja alcançar. 
E, enquanto as suas naves espaciais não podem dominar o espaço sideral, ele sonha e escreve, extrapolando as fronteiras da matéria. 
Sua alma viaja pelos sonhos, pelos ideais mais nobres. 
E quando retorna dos seus passeios, reproduz para os demais o que viu, sentiu, ouviu, concebendo pinturas de beleza sem igual, versos de poesia, sons de lugares ainda não explorados. 
Homem, ser criado por Deus. 
Espírito Imortal, que ora está aqui, ora se vai, buscando novos estágios.
Como o definiu o Mestre de Nazaré, o mais Excelso Cantor de todos os tempos, um Espírito que não sabemos de onde vem, nem para onde vai.
Semelhante ao vento, sopra, acaricia nossas vidas por um momento e segue, beneficiando outras tantas vidas. 
Semelhante ao seu Criador, a quem aprendeu a chamar de Pai, dEle traz a herança da Imortalidade, da possibilidade de criar, sem cessar. 
***
Não nos cansemos de louvar a Deus por nos ter criado seres tão excepcionais, com capacidades inigualáveis. 
Capazes de amar, de termos filhos, de gerar maravilhas. 
Exerçamos nosso poder sobre este planeta, enchendo-o de beleza, de excelências extraídas da nossa essência imortal. 
Tenhamos nosso olhar nas estrelas, em tudo que representa a Divindade excelsa, infinita, insuperável. 
Somos Sua Criação. 
Seus filhos. 
Herdeiros do Universo inteiro. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 5.3.2021.

quinta-feira, 4 de março de 2021

FLOR DE ESTUFA

É natural o desejo de viver em paz e ser feliz. 
Todos almejam levar a vida sem maiores percalços e desafios. 
Entretanto, a realidade é bem diversa. 
Qualquer que seja o contexto econômico ou social em que a criatura se apresente, ela enfrenta alguns problemas. Esse fenômeno precisa ser entendido em sua justa configuração. 
O instinto de conservação, inerente aos seres vivos, indica-lhes que devem buscar preservar-se ao máximo. Trata-se de um recurso providencial, para que bem aproveitem a experiência terrena. Caso não se cuidem como podem e devem, correm o risco de perecer antes do tempo.
Com isso, deixam de aprender a lição do momento em sua integralidade.
Ocorre que o aprendizado e o aprimoramento são a finalidade do existir. 
O Espírito não renasce para se recrear, mas para se melhorar. 
Assim, a condição de flor de estufa não lhe assenta. 
Se fosse para permanecer em doce repouso, não necessitaria de um corpo físico. As injunções materiais tornam necessárias certas atividades que viabilizam o progresso. Porque precisa se manter, o homem disciplina-se a trabalhar. Como os postos de trabalho são disputados, ele se habitua a estudar e a se aperfeiçoar constantemente. Para se manter no emprego, precisa respeitar inúmeras regras. Com isso, gradualmente incorpora em seu ser diversas virtudes. 
Disciplina, polidez, humildade e todos os valores e talentos humanos não são presentes, mas conquistas. 
Em sentido geral, as exigências ordinariamente se apresentam. 
Algumas crises sempre precisam ser vividas e superadas. 
Nesse contexto de desenvolvimento amplo e constante, dificuldades não são tragédias. Elas representam uma lição preciosa. 
Todo Espírito possui um destino glorioso. Nele dormem os princípios das virtudes angélicas. 
Constitui uma tola ingenuidade achar que se transitará pela vida ao abrigo de preocupações. 
Os problemas que surgem não são injustiças e nem perseguições. 
Seu sereno enfrentamento, em contexto de dignidade, é o próprio objetivo da existência. 
O homem não pode ser uma flor de estufa, delicada e de pouco perfume.
Seu destino é se assemelhar a uma árvore frondosa, de madeira perfumada, cheia de frutos e flores. Integralmente útil, qualquer que seja o contexto. 
Na pobreza, pleno de dignidade e com muito amor ao trabalho. 
Na abastança, modesto e disposto a partilhar e a se fazer instrumento do progresso. 
Assim, não se ressinta dos desafios que se apresentam em sua vida.
Entenda-os como testes cuja solução exige apenas disciplina e serenidade. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 20.06.2011.

quarta-feira, 3 de março de 2021

NOTÁVEL EXEMPLO

Ela era uma frequentadora da Casa Espírita e seus filhos participavam das aulas de Evangelização. 
Certo dia, após o encerramento da palestra pública, procurou uma das trabalhadoras da Casa desejando conversar em particular. Contou que se descobrira grávida. Isso não a preocupava. Ela amava suas crianças e, mais uma seria um acréscimo de ventura. No entanto, o médico, que a atendia, lhe revelara que havia constatado, pelos exames habituais, que o feto que trazia no ventre era anencéfalo. O mesmo profissional a esclarecera de que, se viesse à luz, o bebê não viveria senão algumas horas. Dessa maneira, apoiado na legislação, lhe ofereceu a possibilidade de abortamento, liberando-a do restante da gestação. Ela se mostrava abalada. Uma tristeza imensa fez com que vertesse muitas lágrimas. No diálogo com o esposo, ele não quisera opinar. Ela que decidisse. Ali estava ela, confusa, dividida. A orientação médica era segura, a lei lhe assegurava o direito ao abortamento. Mas, em sua intimidade, algo a inquietava, não conseguindo aderir à proposta. Ela mesma não sabia o porquê. Parecia o mais racional, o mais lógico. Agora, ela desejava ser orientada. 
O que fazer? 
Naturalmente, quem a ouvia, com especial atenção, sabia que a Lei Divina tem Suas razões para tudo. A Doutrina Espírita, consoladora, ensina que desde a concepção, o Espírito está ligado ao corpo. Portanto, quando se interrompe uma gravidez se bloqueia a chance de uma vida. E toda vida tem um objetivo, mesmo quando possamos imaginar que assim não seja. Naturalmente, tudo isso ela já ouvira nas preleções evangélicas no Centro Espírita. Contudo, a decisão era dela. Ninguém tem o direito de dizer ao outro o que deve fazer, violando o seu livre-arbítrio. Pode-se sugerir, esclarecer, jamais passar disso. Então, foi-lhe dito que depois de ponderar, de tudo pesar, ela deveria optar por levar a termo ou não a gravidez. 
Ela se foi. 
Por algum tempo, deixou de estar presente às reuniões habituais. Que teria decidido era o que pensava a atendente. E suas preces tinham o destino daquela alma, de seus filhos, do ser reencarnante. 
Meses depois, ela retornou. 
Disse estar bem de saúde. Narrou que decidira pela gestação até o final. Seu bebê nascera e não vivera senão algumas horas. Entretanto, o mais impressionante viria, na sequência do seu relato. 
-Eu permaneci todo o tempo com ele em meus braços, acariciando-o e dizendo-lhe que o amava. Disse que estava feliz por ter sido escolhida para aquela missão tão desafiadora. Quando percebi que a vida daquele pequeno ser acabou, fiz uma prece, rogando a Deus recebesse o Espírito de meu filho em Seus braços. 
E concluiu: 
-Em toda minha vida de dificuldades, jamais senti uma paz tão profunda, verdadeira e uma felicidade tão intensa, como naquelas poucas horas. 
***
Quando tantas vozes se erguem para defender direitos humanos, que exemplo admirável de uma mulher simples. 
Uma alma generosa. 
Uma mãe que defendeu os direitos do seu bebê à vida. 
Mesmo que tenha sido apenas uma vida de poucas horas. 
Notável exemplo! 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos relatados por João Bogdan Romaniewicz. 
Em 3.3.2021.

terça-feira, 2 de março de 2021

A FLOR DA HONESTIDADE

Conta-se que, por volta do ano 250 a.C., na China Antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula: 
-Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça. Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura. 
E a filha respondeu: 
-Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar, ao menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me torna feliz. 
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio: 
-Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China. 
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valoriza muito a especialidade de cultivar algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc... O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse, na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia, ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena. Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu: 
-Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz:a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis. 
* * * 
A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor. 
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria desconhecida. Disponível no CD Momento Espírita, v. 5, ed. Fep. 
Em 09.03.2009.

segunda-feira, 1 de março de 2021

A FLECHA QUE VOA, O ARCO QUE PERMANECE

Li, certa vez, um ditado:
"Ao pé do farol não há luz." 
Mas o que dizer quando nos referimos não a uma proximidade geográfica, mas sim emocional, como a relação entre pais e filhos? 
Somente hoje, distante dos meus pais, enxergo o suficiente para ver, com relativa nitidez, a luz de seu farol. Compreendo a liberdade acolhedora de seu amor que, à época, eu percebia como sufocante e limitador. Foi preciso jogar-me ao mar, navegar nas águas e intempéries daquilo a que chamamos vida para vislumbrar, não somente o que me tornei, mas também para reconhecer a segurança do cais do qual parti. Como todo jovem, clamava por liberdade. Aos pés do farol, contemplava deslumbrado o mar que à minha frente se expandia. Assim, tão cheio de possibilidades. E de perigos. Perigos dos quais, por tantas vezes, fui alertado por meus pais que, com o farol de seu amor, iluminavam-me o caminho e a melhor rota a seguir. Mas eu, que estava aos pés do farol, enxergava apenas a beleza do horizonte e meus olhos, teimosos e orgulhosos, não percebiam a dureza do percurso. Hoje eu sou pai... 
* * * 
Meus filhos cresceram, amadureceram, ganharam mais e maiores responsabilidades e percebo que, como muitos pais, continuo a tratá-los como se tivessem a mesma idade, a mesma mentalidade, as mesmas fragilidades. Agora compreendo que, para aprender a navegar, é necessário desafiar as tormentas e as borrascas do mar. É chegada a hora de aceitar um dos mais difíceis e inevitáveis desafios da vida: se nossos filhos estão ao pé do farol, eles só poderão ver a luz se adentrarem ao mar. 
Fala-nos o poeta Khalil Gibran: 
KALIL GIBRAN
-Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos. Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados. Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável. 
* * * 
Felizes aqueles que compreendem a dinâmica da vida. 
Filhos, contemplem a vida em suas infinitas possibilidades, porém o façam através da luz que, zelosos, seus pais lançam sobre ela, a fim de protegê-los dos percalços do caminho. 
Pais, tomem seus rebentos pelas mãos com o intuito de conduzi-los.
Porém, lembrem-se de que guiar, indicar a direção a seguir, não é sinônimo de caminhar pelo outro. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Os filhos, do livro O profeta, de Khalil Gibran, ed. L&PM Pocket. 
Em 6.3.2015.