domingo, 7 de junho de 2020

O EXERCÍCIO DO PERDÃO

Certa vez, perguntaram a um filósofo se Deus perdoa. Após refletir um tanto, ele respondeu com outro questionamento: 
-Para perdoar é necessário sentir-se ofendido? 
De pronto o interlocutor respondeu: 
-Sim. Se não há ofensa, como haveria perdão? 
O filósofo então, calmamente respondeu: 
-Logo, Deus não perdoa! 
Embora a resposta nos pareça estranha, traz em si reflexões de grande monta. A primeira delas é a de que muito melhor que perdoar, é não se sentir ofendido. E para isso, é necessário que a indulgência esteja em nossa mente, que a benevolência esteja em nossas ações. Porém, quem já não se sentiu ofendido? Ainda trazemos muitas dificuldades na alma. O orgulho, a vaidade, a pretensão, todos reunidos na alma, nos fazem criaturas com grande dificuldade em não se ofender. Às vezes, o ofensor nem percebe que nos magoou, quando acontece de não conseguir avaliar as nossas limitações emocionais. Outras tantas, percebe, tenta remediar, mas o mal já está feito... A ofensa já nos atingiu. Assim, se ainda nos ofendemos, devemos aprender a perdoar. Porque será o perdão que conseguirá tirar a nódoa da ofensa dos tecidos de nossa alma. Se a ofensa nos pesa no coração, atormenta a alma e perturba a mente, o perdão nos fará leves novamente, tranquilizando a alma e sossegando a mente. Dessa forma, todo esforço para perdoar deve ser levado em conta, sem economia de nossas capacidades emocionais e racionais. É claro que o perdão não se instaura imediatamente, e ainda, quanto mais magoados e ofendidos, maior a intensidade das dores. Talvez, mais esforço nos seja demandado. Assim, comecemos o exercício do perdão assumindo que a raiva, a mágoa, a ofensa existem em nosso coração. Enquanto fingirmos que perdoamos, apenas pelos lábios, sem passar pelo coração, nada acontecerá. Em seguida, busquemos compreender a atitude do outro, daquele que nos ofendeu. Talvez tenha sido um mau dia para ele. Ou esteja passando por uma fase difícil. Ou ainda, talvez ele mesmo seja uma pessoa com grandes feridas na alma. Por isso, mostra-se tão agressivo. Após compreender, exercitemos pequenos passos de aproximação. Primeiramente, suportemo-lo, enfrentando os sentimentos ruins que poderão brotar em nossa alma, nesse primeiro instante. Mas, persistamos na convivência, por alguns instantes que seja. Em seguida, demos espaço para a tolerância, ensaiando os primeiros passos do relacionamento, mesmo que distante e ainda um tanto frio. Em seguida, estreitemos um pouco mais o relacionamento, através da cordialidade e do coleguismo. Não tardará para que sejamos capazes de retomar a fraternidade e administrar o ocorrido, em nossa intimidade. Afinal, o perdão exige o esquecimento. Porém, não esqueceremos o fato, aquilo que nos causou a mágoa, já que isso se mostra quase impossível. O esquecimento que o perdão provoca é o da mágoa, da ofensa. Quando pudermos olhar nos olhos daquele que nos magoou, com tranquilidade e paz no coração, aí estará implantado em nossa alma, o perdão. 
Redação do Momento Espírita
Em 05.05.2011.

sábado, 6 de junho de 2020

PRAZO DE VALIDADE

Susana Schnarndorf Ribeiro
Ao fazermos compras, costumamos olhar, nas embalagens dos produtos, a data de validade. Um hábito que adquirimos, desde que a lei foi instituída. Aprendemos que tudo tem prazo de validade. As próprias flores têm períodos específicos para desabrocharem, as plantas para crescerem, respeitando as estações. Quem aprecia o jardim sempre bonito, fica atento para as flores da estação e as planta ou replanta, de forma periódica e regular. Tudo tem prazo de validade. Nós também. A infância, a adolescência, a juventude são períodos marcantes, que trazem suas alegrias, suas surpresas e descobertas. Parece um contínuo desabrochar. Chega a maturidade, e nos encaminhamos para a velhice. O corpo principia a dar sinais de que não aguenta tudo que suportava até ontem. E quando o nosso prazo de validade vai se aproximando, o que fazemos? Alguns mergulhamos em tristeza e ficamos amargando os dias, falando do passado, como se o presente não existisse. Esquecemos de olhar os que estão ao nosso redor, nossos amores, que sofrem quando nos veem murchar como as flores em estiagem prolongada. Bem possível é que não consigamos fazer tudo que fazíamos ontem. O corpo nos impõe diminuir a intensidade, a periodicidade de certas ações. Mas, não devemos nos entregar como se não valêssemos mais nada. O prazo de validade desta vida física findará quando a morte nos abraçar. Até lá, desfrutemos do que nos seja possível. 
Não podemos correr tanto quanto antes? 
Que tal andar? 
Não um andar mecânico de passos determinados a cada dia. Um andar de prazer, perdendo-nos numa rua bonita, encantando-nos com a sua beleza, observando detalhes. Olhar com olhos curiosos é estar atento a tudo. Sentar em um banco ao sol, olhando as crianças que correm, gritando sua felicidade. Observar a folhagem das árvores que principia alterar as cores, prenunciando o outono. Tanta beleza a descobrir para nos extasiar a alma. Se alguma enfermidade nos alcança, estabelecendo limites, nem assim nos amarguremos. Vivamos cada momento com toda amplitude. Lembramos daquela atleta pentacampeã brasileira de triatlo que, aos trinta e sete anos, teve diagnóstico de atrofia múltipla de sistemas, uma doença que compromete gradualmente os movimentos, a respiração e outras funções do organismo. O prognóstico médico era de dois anos de vida. Ela decidiu encarar a finitude com uma atitude positiva: se o seu corpo estava parando, ela o iria utilizar enquanto fosse possível. Com todas as limitações, reaprendeu a nadar e se dedicou ao esporte paralímpico. Ganhou Medalha de Prata na Paralimpíada de 2016. Aos quarenta e nove anos, confessou que deixara de se importar com coisas tolas, lidando diariamente, com serenidade, com a iminência do fim, grata pelo momento que vivia. 
* * * 
Usufruamos cada dia, deixando de nos desgastar com a chuva torrencial que estragou nosso passeio, com o calor terrível que nos castiga, com a faxineira que faltou. A vida é muito preciosa para que nos percamos em coisas pequenas. Agradeçamos o agora, o hoje, o que temos, as pessoas que nos amam. Agradeçamos a honra e a bênção de viver.
Redação do Momento Espírita, com base em testemunho de Susana Schnarndorf Ribeiro, colhido na revista Sorria, edição nº 56, ano 10, ed. MOL. 
Em 4.6.2020.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

RECONHECIDOS

CHICO XAVIER E EMMANUEL
Desde que tivemos a consciência de algo superior, passamos a formar grupos e viajamos pelos séculos, em constante processo de exclusão. Em nome de conceitos religiosos, em nome do que criamos como artigos de fé, excluímos do nosso convívio os que não tinham as mesmas ideias. Recordamos Jesus, em Seu diálogo, no poço de Jacó, com a mulher samaritana, da cidade de Sicar, em clara demonstração de como andavam separados aqueles mesmos que adoravam o Deus de Israel. Uns acreditavam que estavam corretos e seriam ouvidos por Yaweh se orassem no templo de Jerusalém. Outros, mesmo após a destruição do seu templo, prosseguiam a orar no monte Garizim. Como se o Deus Pai atendesse a uns e não a todos os Seus filhos, criados com o mesmo amor. Peregrinamos pelas tantas vidas, repetindo muitos equívocos. A História registrou as nossas grandes tolices. Incentivamos guerras arrasadoras, que implantaram a miséria e o terror naqueles que não podiam acreditar conforme as prescrições do nosso entendimento religioso. Em nome de uma pretensa fé, disputamos o sepulcro do Divino Mestre, utilizando a espada mortífera e ateando o fogo devorador. Um sepulcro vazio porque o doce Rabi, antevendo futuras disputas, nos legou exatamente isso: uma tumba vazia. Até mesmo para reprisar que a grande honra deve ser conferida ao Espírito imortal, não ao corpo, que lhe serviu de vestimenta, durante algum tempo. Denominamos infiéis, hereges a todos os que não comungavam das nossas ideias. Para eles, acendemos fogueiras, inventamos suplícios, construímos prisões, decretamos o exílio. No entanto, o Mestre somente veio semear amor, oferecendo Sua palavra a quem O quisesse ouvir e a todos convidando para Seu rebanho. Nós continuamos estimulando embates de irmãos contra irmãos. Edificamos palácios e basílicas, famosos pela beleza, pretendendo reverenciar-lhe a memória. Louvável iniciativa que preservou a escultura, a música, preciosidades. Porém, deixamos do lado de fora aqueles que não compartilhavam dos nossos mesmos ideais. Ainda hoje alimentamos a separação e a discórdia, erguendo trincheiras de incompreensão e animosidades, uns contra os outros, nos variados setores da interpretação. Contudo, Jesus é o Governador desta Terra. Como Ele mesmo se denominou, pastor de todas as almas que habitam este planeta. Por que então nos dividirmos, se somos ovelhas do mesmo aprisco? Se o Pastor é o mesmo? Que importância tem se cobrimos a cabeça quando fazemos preces ou se a mantemos descoberta? Qual a importância das vestes claras ou escuras quando nos propomos a orar? Qual a importância de orarmos no interior de um templo suntuoso, num pequeno abrigo, numa modesta comunidade, ou em pleno altar da natureza? O que importa é nos reconhecermos irmãos. E, dessa forma, nos ampararmos mutuamente. Sermos fraternos, ajudando-nos uns aos outros, compreendendo e perdoando. Afinal, a grande lição do Mestre de Nazaré é que somente seremos reconhecidos como Seus discípulos se nos amarmos uns aos outros. Pensemos a respeito. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 15, do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Em 5.6.2020.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

EXERCÍCIO DE SOLIDARIEDADE

Entre os passageiros habituais daquele ônibus que levava os trabalhadores, havia dois excepcionais, um menino e uma menina, que iam para a escola especial. Certo dia, por ter lido a respeito de um torneio olímpico de atletismo para deficientes mentais, o motorista perguntou-lhes se pretendiam concorrer. A gente queria, explicou a menina, tristonha, mas nós dois moramos em apartamentos e não temos lugar onde treinar. Na manhã seguinte, o motorista encostou o ônibus na parada e abriu a porta. Antes, porém, que as crianças pudessem entrar no veículo, ele gritou: 
-Corram atrás de mim até a outra esquina! 
E deu partida. Enquanto os dois corriam pela calçada, o ônibus os ultrapassou, buzinando para os incentivar. No final do quarteirão, eles entraram, corados e felizes com o treino matinal. Durante duas semanas, repetiu-se a mesma coisa. Os demais passageiros logo se tornaram treinadores e torcedores, oferecendo sugestões e prestando apoio geral. A última salva de palmas, na manhã após a competição, foi a mais sonora e se destinava também ao engenhoso motorista. Seus protegidos haviam conquistado o segundo e o terceiro lugares na prova de 50 metros. 
* * * 
Pequenos gestos, grandes resultados! Uma ideia simples que produziu, não só o incentivo às crianças, mas também uma efetiva motivação para os passageiros. Podemos imaginar que, ao chegarem em seus locais de trabalho, estavam com outra disposição e, por certo, contagiariam seus demais colegas. A iniciativa do motorista foi saudável e produziu resultados positivos. Assim também ocorre com as más ideias. Por essa razão, convém que sempre analisemos nossos pequenos gestos sob esse ponto de vista. O fato de serem pequenos, não impede que provoquem grandes resultados, tanto para o bem quanto para o mal. A decisão cabe sempre a nós. Se a nossa disposição tender para ideias perniciosas, estaremos em grande acerto se as evitarmos, enquanto não conseguimos ter a mesma disposição para o bem. Embora não baste apenas não fazer o mal, evitá-lo já é um grande passo. Começando por evitar o mal, logo estaremos fazendo o bem. E quando o bem se tornar um hábito tão voluntário quanto o de respirar, estaremos bem próximos da felicidade real. 
* * * 
Os Espíritos Superiores orientam que devemos fazer o bem na medida das nossas forças. E as nossas forças são todas as facilidades de que dispomos: a lucidez mental, a saúde, o apoio da família, da sociedade, os recursos financeiros etc. Segundo as Leis de Deus, somos responsáveis pelo mal que resulte por não termos praticado o bem. Isso quer dizer que o simples fato de não fazermos o bem, já é um mal.
Redação do Momento Espírita com base em história da Revista Seleções Reader’s Digest, de junho de 1982 e no item 642 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb. 
Em 08.03.2010.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

SINAIS DE DEUS

Conta-se que um velho árabe analfabeto orava toda noite com tanto fervor e com tanto carinho que, certa vez, o rico chefe de uma grande caravana chamou-o e lhe perguntou: 
-Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, se nem ao menos sabes ler? 
O crente fiel respondeu: 
-Grande senhor, conheço a existência de nosso Pai Celeste pelos sinais dEle. 
Como assim? - Indagou o chefe, admirado. 
O servo humilde explicou: 
-Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu? 
-Pela letra. - Respondeu. 
-E quando o senhor admira uma joia, como é que se informa sobre a sua autoria? 
-Pela marca do ourives, é claro. 
O servo sorriu e acrescentou: 
-Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo, um boi? 
-Pelos rastros, respondeu o chefe, surpreendido. 
Então, o velho crente convidou-o para ir para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a lua brilhava, cercada por milhares de estrelas, exclamou, respeitoso: 
-Senhor, aqueles sinais lá em cima, não podem ser de homens!
Naquele momento, o orgulhoso caravaneiro rendeu-se às evidências e, ali mesmo na areia, sob a luz prateada do luar, começou a orar também.
* * * 
Deus, mesmo sendo invisível aos nossos olhos, deixa-nos sinais das mais variadas formas: 
Na manhã que nasce calma e silenciosa... 
No calor do sol que aquece os seres e permite a vida... 
Na chuva que molha a relva, corre nos leitos dos rios e refresca as areias quentes das praias solitárias... 
Os sinais de Deus estão nas pastagens verdes que alimentam o gado...
E na vida teimosa do sertão esturricado pelo calor escaldante dos verões... 
Podemos encontrar sinais de Deus nos campos floridos de todos os continentes... 
E no canto alegre do pássaro que desperta a madrugada... 
Os sinais de Deus também são visíveis nas noites bordadas de estrelas e nas tempestades que limpam a atmosfera com seus raios purificadores. 
* * * 
Vale lembrar que as obras feitas pelos homens são assinadas para que não se confunda o autor. Já as obras de Deus não trazem Sua assinatura pelo simples fato de que só Ele é capaz de fazê-las, ninguém mais. É por essa razão que Deus não precisa colocar Seu nome numa etiqueta, em cada campina que existe, porque só Ele faz campinas. Partindo do princípio de que não há obras sem autoria, tudo o que não é obra do homem, só pode ser obra de Deus. Como disse o grande poeta francês Victor Hugo, Deus é o invisível evidente. 
Pense nisso! 
Até um louco sabe contar as sementes que há numa maçã; mas só Deus sabe contar as maçãs todas que há numa semente. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Existência de Deus, do livro Pai nosso, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB e frases do livro A sabedoria dos tempos, do Centro de Estudos Vida e Consciência Editora Ltda. Disponível no CD Momento Espírita, v. 7 e no livro Momento Espírita, v. 3, ed. FEP.
Em 3.6.2020.

terça-feira, 2 de junho de 2020

EXERCÍCIO DE GRATIDÃO

O ser humano está sempre a criar expectativas, sonhos e desejos, para um tempo que ainda não chegou. Esperamos tanto pelo futuro como se fosse ele o único tempo para ser feliz, que nos esquecemos de viver os bons momentos do agora, agradecendo o presente. Embora agradecer cada meta alcançada, cada sonho conquistado nos pareça simples e fácil, a gratidão é uma escolha pessoal. Não percebemos ainda que o exercício da gratidão a tudo e a todos, afasta de nós, gradativamente, a insegurança, a angústia e outros sentimentos negativos. Não nos damos conta que ao exercitarmos a gratidão, desfrutamos de níveis mais elevados de emoções positivas, de satisfação com a vida, de vitalidade e otimismo. Conforme esclarece a neurociência, a gratidão libera o hormônio que estimula o afeto, proporciona tranquilidade, reduz a ansiedade, o medo e as fobias. À medida que desenvolvemos essa consciência, percebemos em nós maior facilidade de sintonia com o que é agradável, registrando sempre mais e maiores motivos para vivenciar a gratidão, chegando ao ponto de sermos gratos até pelas lições difíceis que a vida nos oferece. Como o nosso cérebro não é capaz de registrar, ao mesmo tempo, gratidão e infelicidade, somos nós quem fazemos a escolha.
* * * 
Não é por falta de termos o que agradecer que haveremos de nos manter infelizes. 
Quanta gratidão devemos sentir por Deus, nosso Pai Celestial, que nos criou e nos destinou à perfeição. 
Gratidão a Jesus Cristo, nosso irmão, mestre, modelo, guia e amigo de todas as horas, cujos ensinamentos nos apontam o caminho do bem, da perfeição.
Gratidão ao nosso anjo de guarda, que nos protege, ampara e inspira, sempre respeitando nosso livre-arbítrio. 
Gratidão aos nossos pais, que nos receberam na presente reencarnação, se esforçaram e se dedicaram ao máximo, para nos oferecer o melhor. 
Gratidão à nossa família, esteio de todos nós, que nos ama e sustenta.
Gratidão aos amigos que estão conosco, tanto nas horas boas como nas ruins, dispostos a nos ouvir, ajudar e apoiar. 
Gratidão aos professores que, com empenho, dedicação e paciência, nos transmitiram o conhecimento que detinham. 
Gratidão aos Espíritos superiores, benfeitores da Humanidade terrestre, que trabalham incessantemente por todos nós. Enfim, gratidão que devemos expressar a cada amanhecer, que representa nova página de oportunidades, no livro de nossa existência.
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Nossas conquistas não ocorrem aos saltos, elas se fazem de forma lenta e progressiva. À medida que nossa consciência vai assimilando conhecimentos a respeito das Leis Divinas, nossa visão interior alcança patamares antes não imaginados e vamos modificando, para melhor, nossa maneira de pensar, sentir, viver e conviver. Passamos a nos ver como criaturas em crescimento, o mundo como a nossa casa, o próximo como nosso irmão. Nossos sentimentos, então, abandonam o eu e se ampliam para o nós. Nossa visão interior se dilata e sentimos a necessidade de abraçarmos a tudo e a todos. Agradecidos, lucramos em saúde emocional, harmonia íntima, liberação de conflitos. Acendemos, em nosso interior, uma luz que sinaliza nossa realidade espiritual e mostramos as marcas do céu em nós. A vida com gratidão é plena de significado. 
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita. 
Em 15.9.2018.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

EXERCÍCIO DE AMOR

Quem de nós já não se decepcionou com um amigo? 
Alguém a quem se entregou o coração e, em algum momento, nos traiu a confiança ou nos voltou as costas? 
Alguém de quem esperávamos todo o apoio e nos falhou, na hora precisa? 
Qualquer uma dessas circunstâncias nos magoará e se constituirá em quebra da afeição. Por essa razão, a lição de dois meninos é tão marcante. Eles haviam nascido no mesmo dia, mês e ano. Um era judeu. O outro, alemão. Nove anos era a idade deles. Um era natural da Polônia e habitara uma casa, com vários cômodos, em cima da relojoaria do seu pai. Um dia, tudo lhe foi tirado e ele se viu prisioneiro, em meio a outros milhares, padecendo fome. Para vestir, um estranho pijama listrado, com boné no mesmo padrão. O outro nascera em Berlim, vivera numa casa muito grande, de três andares. Agora, residia no campo e vivia a reclamar da casa menor e da falta de amigos. Encontraram-se, um dia, um de cada lado de uma interminável cerca de arame farpado. Bruno, o menino alemão, se sentia solitário e se pôs a conversar com o outro. Nenhum dos dois entendia muito do que acontecia ao seu redor. Mas se tornaram amigos. Viam-se todas as tardes. Um dia, ao entrar em casa, Bruno viu ali o amigo do pijama listrado. Lustrava os cristais com seus dedos miúdos. Bruno se serviu de um lanche e ofereceu ao outro, sempre faminto. Mal colocara na boca um pedaço de frango, adentrou a cozinha um oficial. Vendo que o pequeno prisioneiro estava comendo, o inquiriu, de forma grosseira, acusando-o de furtar comida. Sem malícia alguma, o menino disse que fora seu amigo quem lhe ofertara o lanche. Mas Bruno estava tão assustado com a truculência do oficial, com a inquirição que lhe era feita, que se deixou tomar pelo pavor. E, apavorado, negou conhecer o outro, negou ter-lhe dado comida, o que, para aquele valeu violento castigo. Dias passados, Bruno retornou ao local onde costumava encontrar o amigo. Havia tristeza e muitos hematomas no rosto do aprisionado. 
-Peço desculpas, disse Bruno. Tive muito medo, naquele dia. Você ainda quer ser meu amigo? 
E, então, a mão esquálida do judeu se estendeu para o lado de fora da cerca. Bruno a apertou. Era a primeira vez que se tocavam. Era o toque da amizade sólida, que sempre perdoa. 
* * * 
Amizade é um exercício de amor. Amor de amigo é inigualável. Já disse Jesus, ao seu tempo, que o amigo dá a sua pela vida do amigo, santificando assim esse sublime sentimento. Por isso, o amigo perdoa as fraquezas do outro, perdoa as suas falhas e continua amigo. Felizes aqueles que enflorescem a alma com amizade, enriquecendo-se de paz, granjeando gratidão pelos caminhos que percorre. 
Redação do Momento Espírita, com base em cenas do filme O menino do pijama listrado. 
Em 20.11.2015.