segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ELES VIVERÃO

A Espiritualidade Superior ensina que os planetas funcionam como educandários. Os Espíritos neles encarnam para ter as experiências evolutivas de que necessitam. A Terra por ora serve de morada e escola para Espíritos de reduzida evolução. Embora, em geral, não falte inteligência aos habitantes do orbe, eles ainda vacilam no quesito da moralidade. Têm facilidades de raciocínio, mas possuem dificuldades nos planos do sentimento, da conduta. Certamente incontáveis se esforçam para viver com dignidade e o conseguem. Entretanto, ainda é comum o triste espetáculo da leviandade, da corrupção e da crueldade. Em um mundo imperfeito, a impunidade dos espertos e dos poderosos costuma ser frequente. Não raro, esse panorama de vício aparentemente vitorioso causa indignação. Muitos desanimam quando se deparam com certas cenas. Pode ser o político corrupto que segue livre, mediante a adoção de estratagemas legais. Ou quem, para enriquecer, não se incomoda de destruir o meio ambiente. Talvez seja quem abusa da inocência ou oprime os fracos. Ou então quem vence demandas na justiça contando com testemunhos falsos. Não faltam exemplos de maldade vitoriosa, ao menos na aparência. Seguramente, todos devem agir, no limite de suas forças, para que o bem se instale no mundo. Mas, quando o mal parece vencer, não há razão para raiva ou desânimo. Não há necessidade de desejar o mal para os que semeiam a desgraça nos caminhos alheios. Para manter o coração em paz, basta refletir que eles viverão. Sim, a morte não existe e todos seguirão vivos para sempre. A vida dispõe de recursos para produzir arrependimento nos que se fizeram culpados. Cedo ou tarde, chega o momento de rever a própria conduta e de enfrentar as consequências do que se fez. Tal pode se dar na mesma encarnação, mediante importantes decepções, ignoradas da coletividade. Ou no plano espiritual, onde não há disfarces possíveis quanto à própria realidade íntima. Ou mesmo em outras existências, nas quais se experimentem as dores que se semeou na vida do próximo. A vida constitui o melhor remédio para qualquer gênero de decadência. Todos viverão para sempre e cada qual será feliz ou desgraçado, conforme as opções que fez. A cada um segundo suas obras, como bem disse Jesus. Assim, não convém praguejar contra quem fere, rouba, ilude ou mata. Basta saber que os corruptos, os mentirosos e os defraudadores da paz alheia também viverão. A cada homem incumbe o dever de ser digno e solidário, de esclarecer, amparar e socorrer. Os desvios incontornáveis, segundo a ótica humana, ficam por conta da Lei Divina, sempre perfeita e atuante. 
Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 23.02.3011.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

ELES FIZERAM A DIFERENÇA

Steve Jobs e Joanne Schieble-mãe
A vida é um grande patrimônio. Os que nos encontramos na Terra, neste momento, nem sempre nos damos conta de como somos afortunados por viver. Quando os problemas avolumam, quando o cansaço se estabelece, uma quase desistência da vida parece nos sussurrar aos ouvidos. No entanto, todos os que nascemos somos pessoas afortunadas. Afortunadas porque alguém nos aceitou e nos permitiu vir ao mundo. Todos temos o direito de nascer mas nem todos temos essa oportunidade. Nem podemos imaginar quantas vidas, todos os dias, em todo o mundo, são impedidas de se concretizarem. Então, quando aplaudimos um astro do futebol, da música, da dança, da tecnologia, alguém que fez ou faz a diferença no mundo, podemos imaginar o que seria o mundo se eles não tivessem nascido? Podemos imaginar a nossa vida sem um Mac, um iPhone, um iPad? Pois é. Se Joanne Schieble, aos vinte e dois anos, tivesse desistido de levar a gestação a termo, a tecnologia não seria como a conhecemos hoje. Universitária, ela engravidou do namorado, também universitário. Seu pai, no entanto, não admitia que ela se casasse, por ele ser de descendência síria. Joanne poderia ter abortado, naquela circunstância. No entanto, optou por ter a criança e dá-la em adoção. Terá ela imaginado onde chegaria seu filho? Como venceria na vida? Um filho que não somente foi o criador da Apple e do estúdio de animação Pixar, mas exemplificou tenacidade, perseverança, superando seus dramas pessoais. Rejeitado em primeira adoção, por ser do sexo masculino, Steve Jobs foi adotado por um casal de origem humilde. Sofreu com a pobreza. Frequentava, uma vez na semana, determinado culto religioso em troca de uma refeição. Recolhia garrafas vazias de Coca-Cola para os depósitos para comprar comida. Não tinha quarto no dormitório na Universidade. Por isso, dormia no chão do quarto de amigos. Adulto, enfrentou um câncer devastador, numa vitória dramática que lhe deu uma sobrevida ainda mais aplaudida pelos admiradores. Em discurso aos formandos de Stanford em 2005, afirmou: Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso não querem morrer para estar lá. Apesar disso, a morte é o destino de todos nós. Ninguém nunca escapou. E deve ser assim, porque a morte é, provavelmente, a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos. Ele partiu em 2011. Um homem que fez a diferença no mundo.
CELINE DION E SUA MÃE
Um mundo que também estaria diferente sem a voz de Celine Dion, a cantora canadense. Quando engravidou, sua mãe tinha treze filhos e cogitou de não ter essa décima quarta criança. Contudo, um sacerdote, digno pastor de almas, a aconselhou a levar a termo a gravidez. Graças a isso, o mundo se extasia com a voz da cantora que, inicialmente, interpretava canções somente em seu idioma pátrio, o francês. Para alcançar as plateias internacionais, aprendeu inglês, conquistando a admiração do mundo. Jobs e Celine Dion são testemunhas da vida. Eles puderam cantar, sentir, amar, triunfar porque alguém lhes permitiu vir à luz. Quem pode imaginar o que virá a ser esse embrião, esse feto que apenas se esboça no ventre materno: um grande estadista? Um cantor? Um poeta? Um cientista? Somente Deus o sabe... 
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Steve Jobs e Celine Dion. 
Em 11.5.2018.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

ELES E NÓS

LÉON DENIS
Uma figura de costas, estática, olhando para o oceano imenso à sua frente. Não há mais ninguém na areia, apenas aquele espectro. Ele se despede de alguém que vai longe? Será que aguarda a chegada de um grande amor? Aquele mar lhe traz lembranças de chegadas ou partidas? Em que margem ele está? Na margem de cá ou na margem de lá? E todos nós, habitantes do planeta Terra, em que margem estamos? Ora, dizem os mais práticos, na margem de cá! Será? Onde é aqui e onde é lá? Não seria apenas uma questão de ponto de vista? O partir não seria um chegar, caso visto da outra margem, da margem de lá? Podemos pensar da mesma forma no que diz respeito a eles e nós. Os que partiram, que vivem na nova realidade do mundo espiritual são chamados de eles. Porém, será que do ponto de vista daqueles seres, irmãos nossos que atravessaram o portal da morte física, eles não somos nós aqui, encarnados ainda na Terra? Questão de ponto de vista! Por isso, podemos afirmar com toda certeza, que a morte, a grande partida, é também a grande chegada, a grande volta ao mundo de origem, ao mundo dos Espíritos. Nascemos para o mundo de lá, quando desencarnamos. Somos motivo de festa quando retornamos vencedores, homens e mulheres de bem. Quando reencarnamos na Terra há também uma despedida no mundo espiritual. Há lágrimas de saudade, palavras de incentivo e apoio. Os que deixamos lá não perdem o contato conosco. Sempre que possível estão conosco, acompanhando nossos passos, dando bons conselhos, velando por nossas vidas. O amor proporciona isso. Assim, eles e nós meio que nos misturamos aqui e lá, pois, por exemplo, durante o sono, nós nos desprendemos parcialmente e voltamos ao mundo dos Espíritos, temporariamente. Durante a vigília, embora com os olhos materiais não os enxerguemos, estão em constante contato, influenciando-nos, mais do que podemos imaginar. Não há como distinguir, em termos de espaço físico o aqui e o lá. O Universo é um só e somos todos habitantes do cosmo, apenas vivendo realidades distintas em cada instante da vida. Eles e nós, nós e eles. Somos todos criaturas do mesmo Criador, não importa onde ou em que realidade da existência estejamos no presente momento. 
 * * * 
Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer. 
Redação do Momento Espírita, com citações do cap. X, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. 
Em 26.2.2016.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

"ELE PRECISAVA DE AMOR!"

Ela morava em um asilo de idosos há três anos. Agradável com todos, tornou-se o centro das atenções gerais. Embora tivesse que permanecer em sua cama, ou na cadeira de rodas, em função das dores que sentia com o desgaste das vértebras e das juntas, mostrava-se feliz. Sempre tinha uma história para contar, com uma dicção clara, um linguajar de alto e bom astral, que encantava quem a ouvia. Quando falava sobre o Evangelho de Jesus, fazia quem a ouvisse, chorar de emoção, tão bem pintava as telas que descrevia. Dava exemplos, por vezes, relatando fatos de sua própria vivência, junto da família. Certa feita, alguém lhe perguntou por quantos anos fora casada. Com um fundo suspiro, ela respondeu: 
-Por cinquenta e três anos. E sem férias. As curiosidades foram muitas e a primeira foi desejar saber se o marido era bom e gentil, para que o casamento durasse tanto. Até o dia do casamento me parecia que seria, disse ela, depois, as coisas foram mudando muito. Ele era bem mais velho, estrangeiro, ateu, cheio de costumes muito diferentes dos meus. Eu era jovem, vinda de uma família simples. De infância pobre e muito religiosa. Seu Deus, segundo ele mesmo, era o dinheiro. Seus apegos maiores, a gula e o sexo. Tinha momentos em que parecia ter saído daqueles filmes antigos, da Idade Média. Nunca falou que me amava ou que gostava de mim. 
Em determinado momento da narrativa, ela foi interrompida: 
-O que fez você continuar com ele? 
Tranquilamente, ela foi enumerando: 
-Primeiro, em respeito aos filhos, que precisavam de uma família, para crescerem e se tornarem homens de bem. Segundo, em respeito a ele mesmo, pois o conhecendo melhor, senti que ele precisava de mim, para não se tornar pior do que era. Ele precisava sentir-se protegido, cuidado, acompanhado. 
Quando o ouvinte atento lhe disse que isso deveria ter representado muito sacrifício, sua resposta foi ainda mais surpreendente: 
-Ele foi para mim, em verdade, um grande professor. Foi meu professor de paciência, de renúncia, de fé, de resignação, de superação, de virtudes... Tive que me esmerar para continuar vivendo junto dele, e para o ver partindo da Terra, com alguma mudança interior. No final de seus dias, ele já buscava Deus. O sexo esfriara, até mesmo pela idade. Somente a gula persistiu até o fim. No entanto, o melhor foi que aprendeu, com os netos, a lhes dizer: “Eu te amo!”
 * * * 
E continuou: 
-Em minhas orações, agradeço aos meus pais, que me deram um exemplo especial de parceria, mesmo nos momentos mais árduos, enfrentados em família. Agradeço à crença na vida imortal que justifica os sacrifícios, explicando-os à luz da razão. Agradeço o fato de saber, conscientemente, que nada nos acontece por acaso. Sobretudo, agradeço a Deus por ter podido levar minha tarefa até o fim, e conquistar essa imensa paz, em minha consciência.
* * * 
Amor desinteressado. Dedicação imorredoura. Exemplo de vida, que nos leva a imaginar o valor do dever retamente cumprido. 
Redação do Momento Espírita. 
Em 13.8.2015.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

QUANDO O DESEJO É SERVIR

OLIVER DAVIS
Ele tem apenas cinco anos de idade. Mora no Estado do Kansas, nos Estados Unidos. No último Natal, ele pediu um uniforme de policial como presente, para estranheza de sua mãe, considerando que não existem policiais em sua família, que ele desejasse, eventualmente, imitar. O uniforme azul, no entanto, se tornou sua roupa diária, até mesmo para ir à escola. Nascia, ali, o oficial Oliver Davis. Logo, ele pediu mais equipamentos policiais. Quando sua mãe viu uma motocicleta policial, do tamanho de uma criança, de imediato a adquiriu. Com ela, ele chegou a posar para fotos ao lado de policiais verdadeiros, com suas grandes motocicletas. Não satisfeito em vigiar sua mãe no trânsito, quando ela dirige muito rápido, ou quando troca de faixa sem sinalizar com o pisca, ele perguntou como poderia ajudar as pessoas. Porque um bom policial faz isso: ajuda as pessoas. Como resultado, começou a visitar casas de repouso locais e distribuir flores para os moradores. No primeiro local, ele ficou um pouco nervoso. Não sabia bem o que fazer, além de dar flores a cada um. Será que poderia abraçá-los? Quando acabou aquela visita, ele disse que queria fazer tudo aquilo de novo porque tinha gostado muito… Foi se soltando, nas visitas seguintes. Foi perdendo a timidez. Entra, então, com sua motocicleta, oferece uma flor a cada um, abraça. 
 * * * 
Uma criança visitando idosos, oferecendo flores. Sem dúvida, uma nova geração vai surgindo na Terra. Uma geração que vem para transformar o mundo, a partir de pequenos gestos, de coisas simples, de atos pequenos. Mas que fazem a grande diferença, que fazem sorrir um idoso, que encantam uma idosa que olha a flor e seus olhos se enchem de lágrimas porque recorda do namorado que lhe ofertava rosas, exatamente daquela cor: amarelas. Uma geração que pensa no outro, que o deseja feliz, ao menos por alguns minutos, enquanto se entretém olhando um menino entrando pela sala com uma motocicleta, carregada de flores. Pessoas que se sentem menos solitárias porque um raio de sol, nos braços de uma criança, lhes veio aquecer os corações. 
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A nova geração está aí, nos nossos lares. Alguns demonstram genialidade e adentram pelos campos das artes, da ciência, da tecnologia. Outros, simplesmente, estão chegando para ensinar a conjugação do verbo amar. Amar a todos e a qualquer um. Fazer alguém feliz, se importar com o outro. Assumir, desde cedo, responsabilidades, tomar atitudes positivas. Olhando o garoto vestido de azul, nos indagamos o quanto de benefícios semeará até se tornar adulto e dar continuidade ao seu intento. Importante que pais e educadores nos façamos atentos a essas crianças a fim de lhes perceber as tendências e auxiliá-las, nos seus propósitos, no despertar de suas missões. Que as saibamos identificar, apoiar. Sobretudo entender seus sonhos, suas aspirações, no intuito de colaborar na construção desse mundo novo. Prestemos atenção para não nos tornarmos pedra de tropeço. Também para não supervalorizarmos coisas pequenas, atos corriqueiros, provocando endeusamentos prejudiciais. Atenção e prudência. A hora nos exige. 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Oliver Davis.
Em 7.2.2019.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

ELEGENDO PRIORIDADES

Quantas vezes você já se disse cansado, estressado, desanimado? Quantas vezes a vida lhe pareceu pesar sobre os ombros, como se carregasse o mundo e se sentiu quase a soçobrar? Já se indagou, alguma vez, por que esse seu estado de ânimo? Você poderá responder que é o cansaço da luta diária, que já não é tão jovem, que os anos contam na economia do corpo, que as forças já não são as mesmas, que as lutas recrudesceram. Tudo isso pode ser verdade, parcialmente. No entanto, por vezes, elegemos alguns itens como prioritários em nossa vida, sem que realmente o sejam. Isso nos remete a um fato que ouvimos e que buscaremos narrar, ao sabor da nossa própria emoção. Certo professor costumava reunir, com alguma frequência, seus alunos, extraclasse, a fim de estreitarem laços de amizade. Sua casa era, de modo geral, o local onde se encontravam. Numa dessas oportunidades, os rapazes começaram a falar dos seus desencantos, do seu cansaço, do estresse de que se sentiam acometidos. Todos falavam e a tonalidade era a mesma. Então, o diligente professor foi até a cozinha e preparou chocolate quente. O dia estava frio e a bebida era propícia. Trouxe uma grande jarra com o chocolate quente e a colocou sobre a mesa da sala. Ao seu redor, colocou canecas de tamanhos, cores e tipos diferentes. Umas eram grandes, coloridas, bonitas. Algumas de porcelana, outras de cristal, outras de barro. Logo, os rapazes, ávidos por beber algo quente, começaram a se servir, escolhendo as mais caras e vistosas canecas. E a conversa continuou. Passado algum tempo, esgotadas as reclamações, tomou a palavra o professor: Jovens, vejo que todos apreciaram o chocolate quente. 
-Vocês se deram conta de que cada um, de forma rápida, procurou apanhar a caneca mais bonita, mais preciosa? Embora vocês achem normal desejarem somente as melhores coisas para si, é aí que está a fonte de seus problemas. A caneca não acrescenta nada à qualidade da bebida. Na maioria das vezes, é apenas mais cara. Às vezes, até esconde o que estamos bebendo. No entanto, o que todos queriam era o chocolate, não é verdade? A caneca é apenas o recipiente, que não tem o condão de alterar a substância que contém.
Vejam bem: o chocolate quente é a vida que Deus nos dá. Emprego, dinheiro e a posição na sociedade são as canecas. São ferramentas que fazem parte da vida. As canecas que vocês têm nas mãos não definem, nem mudam a qualidade de vida que vocês vivem. Às vezes nos concentramos nas canecas, deixamos de saborear o chocolate quente que Deus nos tem ofertado. Lembrem-se de que Deus provê o chocolate. Ele não escolhe a caneca.
 * * *
Lembremos que as pessoas felizes não são as que têm o melhor de tudo, mas as que fazem o melhor de tudo que têm. Pensemos nisso e façamos a eleição das nossas prioridades. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto de autoria ignorada. 
Em 01.06.2011.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

DIVINA SOBERANA

As lágrimas de Maria lhe desciam pelas faces, discretas e silenciosas. As memórias a transportavam àquele doloroso dia, quando o fruto de seu ventre fora levado ao madeiro da cruz. Ela sempre cultivara a fé que lhe fazia recordar as palavras do emissário do Senhor: 
-Não temas, Maria. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. 
E lembrava de sua resposta humilde: 
-Eis aqui a serva do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a tua palavra. 
Então, um pálido sorriso apareceu na face serena de Maria, quando se lembrou dos primeiros passos do filho, das primeiras palavras, das tantas vezes que o amamentara e o embalara. Em vários desses momentos, temera por Ele, é verdade. Seu coração de mãe pressentia que muito seria exigido de seu pequeno. Todavia, em instante algum, deixou de confiar. Conhecia as vozes dos profetas que haviam cantado a vinda do Messias, o Filho de Deus. Quando, porém, Ele se uniu a doze amigos e se pôs a cumprir a missão que lhe fora destinada, Ele não levantara espadas, não conduzira exércitos, não destronara reis. Ao contrário, do alto de Sua grandeza, fizera-se pequeno. Aos inimigos de Seu povo, oferecera a justiça: A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Para a arrependida de Magdala, ofereceu a libertação: 
-Mulher, porque muito amaste, todos os teus pecados foram perdoados. 
Ao companheiro de crucificação, oferecera a esperança: 
-Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. 
Pregado ao madeiro, para Maria de Nazaré ofereceu a sagrada missão de tomar todos os homens, ali representados por João, sob os cuidados de seu amor maternal: 
-Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí a tua mãe. 
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CHICO XAVIER
Mãe de todas as cores, mãe de todas as culturas, mãe dos grandes e dos pequenos, mãe dos exaltados e dos esquecidos. Senhora dos olhos gentis, do sorriso cândido, do toque de luz, do coração acolhedor. Teu filho, Mestre de nossas almas, nos deixou o convite gentil:
- “Se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. 
Por vezes, mãe, a cruz de nosso orgulho, de nossa vaidade, de nossa falta de fé e de caridade se faz pesada sobre nossos ombros chagados por nossas mazelas morais. Tu, que conheces as fragilidades humanas, ampara-nos. Quando os pregos nos atarem ao madeiro, volta teus olhos para nós, acaricia-nos a fronte, dá-nos a coragem que por vezes nos falta. Faz-nos recordar o teu filho, Mãe Santíssima. Faz-nos seguir os passos que Ele trilhou. Faz-nos recordar que, para aprendermos a bem caminhar, por vezes, a queda é necessária. Que, para nos iluminarmos, é preciso que conheçamos profundamente o que se oculta em nossa intimidade. Que, para alcançarmos a plenitude dos céus da alma, é preciso enfrentarmos as turbulências de nossa pequenez interior. 
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Bendito o fruto imortal da vossa missão de luz, desde a paz da manjedoura às dores além da cruz. Assim seja para sempre, Divina Soberana, refúgio dos que padecem nas dores das lutas humanas. Salve, Maria! Salve, Senhora! Salve, Mãe Santíssima de todos os homens! 
Redação do Momento Espírita, com citação final do poema Ave Maria, do livro Parnaso de Além–túmulo, pelo Espírito Amaral Ornellas, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 5.2.2018