quarta-feira, 21 de junho de 2017

ONDE MORA A PAZ?

Pedro mora próximo à uma rua central de grande capital, há quinze anos. Nos últimos tempos, está à beira de um ataque de nervos, pois não consegue mais suportar o barulho contínuo dos carros. Ele tem algumas escolhas: trabalhar pelo fechamento da avenida, ao menos à noite; pela modificação da legislação de poluição sonora ou uso de automóveis; ou ainda, mudar-se. É importante, porém, comentar também sobre seu vizinho, Bernardo, que mora no apartamento ao lado de Pedro, de frente para a mesma rua. Perguntado a ele o que achava de viver naquele local, a resposta foi surpreendente. Revelou que adora viver ali. Ele acha linda a vista que tem do seu apartamento. Disse que pode ver o maravilhoso nascer do sol de sua janela. Adora observar a cidade. Perceber os habitantes caminhando ou em seus carros, e os resistentes passarinhos que aprenderam a viver em meio à civilização. Numa conversa entre os dois, Pedro não aguentou, e questionou: 
-Mas e o barulho? Você não se incomoda com toda essa barulheira que não tem fim?! 
Bernardo respondeu: 
-Olhe, fico tão concentrado nos meus afazeres, que eu nem percebo o barulho. 
Pedro não podia acreditar. Achou, por um instante, que o vizinho tinha problemas auditivos, e falando bem baixo, tentou descobrir se ele era surdo. Mas não era. Ouvia muito bem. Como explicar isso? Ele ouvia muito bem e não se incomodava com o barulho? 
-E à noite? – Perguntou ainda Pedro, indignado. – Como você faz para dormir? 
-Vou ser bem sincero, caro amigo – respondeu Bernardo – à noite, ao deitar, sinto-me tão feliz com o dia vivido e com as coisas que tenho feito, que também não me incomodo com barulho algum. 
Pedro pôde ver sinceridade e pureza nos olhos e nas palavras do vizinho. Naquele momento, ele percebeu a razão de se incomodar tanto com aquelas coisas: ele não era feliz com o dia que tinha, e nem com as coisas que fazia. 
* * * 
Um outro personagem também ilustra a reflexão proposta. Trata-se de Daniel. Jovem, de família abastada, casado, e morador de um condomínio fechado. Ele foi presenteado por seus pais com uma casa no litoral. Ficou, a princípio, muito animado com a mudança. Afinal, haveria lugar mais tranquilo e pacífico do que próximo ao mar? Os dias passaram e ele percebeu, pouco a pouco, que não seria capaz de suportar aquele estilo de vida. Aquele barulho constante de ondas quebrando; gaivotas gritando logo cedo; aquela umidade de maresia; a areia que insistia em acompanhá-lo em seu carro e em sua casa. Daniel entrou em crise. Variava entre estados de irritação e depressão. Começou a tomar remédios e decidiu: iria se mudar dali. 
* * * 
Ouvindo estes relatos, nos indagamos: Onde mora a paz? Será que a paz está na ausência de ruídos externos? Será que para dormir em paz precisamos apenas de silêncio? A paz tem moradia em nosso íntimo, e enquanto não formos felizes com nossos dias, com as coisas que fazemos, não a encontraremos. Não basta mudar desse para aquele local. Faz-se necessário mudar-se na intimidade. Deixar para trás o lar das atividades fúteis, das conquistas passageiras, e fixar morada na casinha aconchegante da alegria de viver, do amor à família, do prazer de servir. 
Redação do Momento Espírita, com base em matéria publicada na Revista Vida e Yoga, nº 20, ed. Online. Em 21.6.2017.

terça-feira, 20 de junho de 2017

AJUDA DOS CÉUS

Allison DuBois
A garota de pernas longas e ossudas, cabelo crespo e bochechas cobertas de sardas, voltava para casa de bicicleta. Distraída, pensava em que teria feito sua mãe para o jantar. Ao virar a esquina, um carro surgiu ao lado, com dois jovens dentro. Ela pensou se tratar de amigos de seu irmão. O que estava no banco do carona se inclinou para fora da janela, em sua direção. Tinha cabelos longos e parecia com seu irmão Michael. Ele sorriu e perguntou se ela não desejava uma carona até em casa. 
-Não, obrigada – respondeu – moro logo ali, depois da esquina. Estou quase chegando. 
Ele insistiu: 
-Vem. Vai ser divertido. Vem dar uma volta com a gente. 
Ela olhou em torno. Não havia ninguém. Nenhum carro passando. A rua estava vazia. Começou a sentir um mal-estar, mas não conseguia se mexer. Parecia estar hipnotizada. Nesse instante, uma voz soou em seu ouvido. Ou, ao menos, ela pensou que fosse em seu ouvido. 
-Corre! Se manda.
Imagens de sua casa começaram a piscar na mente daquela menina de onze anos. Despertou da paralisia que o medo lhe provocara e pedalou o mais rápido que pôde, em direção à sua casa. O carro se afastou na direção oposta. Chegou em casa com dor no peito, por ter prendido a respiração e pedalado com tanta força. Tremendo ainda, correu aos braços de sua mãe, contando o que acontecera. Infelizmente, como fazem muitos pais, ela não deu maior importância àquilo que fora uma tentativa de sequestro infantil. Mas o comando daquela voz salvara a garota. O episódio a marcou profundamente. Mais de vinte anos passados, ela recorda da cena em todos os detalhes. Naquele dia, ela lembra ter prometido a si mesma que, ao crescer, faria algo para proteger as crianças de agressores. Não sabia direito como, mas tinha certeza de que, um dia, se dedicaria a essa causa. Pensou em ser advogada e juíza, para distribuir sentenças severas a pessoas que maltratavam crianças. Adulta, ela ajudou a criar um sistema de alerta a rapto de crianças no Estado do Arizona, onde reside. Mas, a grande certeza que guarda do episódio, é de que naquele dia aterrorizante, aos onze anos de idade, havia um anjo em seu ombro. O anjo, tanto a protegeu naquela tarde quanto, diz ela mesma, a colocou no caminho que deveria seguir na vida adulta. Traçando perfis de criminosos para a polícia, auxiliando na captura de raptores, ela se sente gratificada. Mais ainda, quando suas palavras podem aliviar a dor dos parentes de uma vítima, retirando um peso de seus corações.
 * * * 
Poucos nos damos conta do quanto somos protegidos. Isso porque a proteção é sutil. As ideias brotam como uma intuição e quase sempre as creditamos à conta de nós mesmos. Atravesse a rua. Siga por aquele caminho. Olhe para trás. Por vezes, o socorro é providenciado através da interferência feliz de um parente, amigo, ou até de um desconhecido. Alguém que chega e nos sugere algo. Alguém que passa e nos socorre. Pensemos nisso e fiquemos atentos à ajuda que os céus nos remetem todos os dias, aprendendo a ouvir com lucidez e sejamos gratos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3, do livro Não é preciso dizer adeus, de Allison DuBois, ed. Sextante. Em 20.6.2017.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

DAR GRAÇAS POR TUDO

DIVALDO PEREIRA FRANCO E JOANA D'ÂNGELIS
O Apóstolo Paulo, com sua lucidez inconfundível, recomendou que devemos dar graças a Deus por tudo o que nos acontece, tanto pelas coisas boas como pelas que nos pareçam ruins. Talvez seja por esse motivo que um certo homem agia sempre dessa maneira. Agradecia por tudo, e tinha a certeza de que Deus sempre o protegeria. Um dia ele saiu em uma viagem de avião. Durante a viagem, quando sobrevoavam o mar, um dos motores falhou e o piloto teve que fazer um pouso forçado no oceano. Quase todos morreram, mas o homem conseguiu agarrar-se a alguma coisa que o conservasse em cima da água. Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha não habitada. Ao chegar à praia, cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por tê-lo livrado da morte. Naquele lugar deserto ele conseguiu se alimentar de peixes e ervas. Derrubou algumas árvores e, com muito esforço, construiu uma cabana. Não era bem uma casa, mas um abrigo tosco, com paus e folhas, que significava proteção. Ele ficou todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque agora podia dormir sem medo dos animais selvagens que talvez existissem na ilha. Um dia, ele estava pescando e quando terminou, havia apanhado muitos peixes. Assim, com comida abundante, estava satisfeito com o resultado da pesca e mais uma vez agradeceu ao Criador. Porém, ao voltar para sua humilde cabana, qual não foi sua decepção, ao ver que sua morada estava pegando fogo. Sentou-se em uma pedra chorando e dizendo em prantos: 
-Deus! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta cabana para me abrigar, e a deixou se acabar em cinzas. Deus, o Senhor não tem compaixão de mim? 
Naquele mesmo instante uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo: 
-Vamos, rapaz? 
Ele se virou para ver quem estava falando com ele, e qual não foi sua surpresa quando viu à sua frente um marinheiro todo fardado dizendo: 
-Vamos logo, rapaz, nós viemos buscá-lo. 
-Mas, como é possível? Como vocês souberam que eu estava aqui?
Falou o homem surpreso. 
-Ora, amigo, falou o marinheiro, vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir buscá-lo naquele barco ali adiante.
Os dois entraram no barco e assim o homem foi para o navio que o levaria são e salvo de volta para os seus queridos. Já em segurança, o homem agradeceu uma vez mais a Deus e pediu perdão pela falta de confiança na Sua providência e misericórdia. 
 * * * 
Em qualquer dificuldade recorda o poder da oração e roga inspiração ao céu, realizando sempre o melhor para que o melhor se faça em ti e através de ti, sem esqueceres que todo apelo encontra resposta, conforme o merecimento de quem pede e a forma como pede. 
Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos do verbete Dificuldades, do livro Repositório de sabedoria, vol. 1, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 03.09.2010..

domingo, 18 de junho de 2017

DAR E DAR-SE!

JOANA DE ÂNGELIS
E
DIVALDO PEREIRA FRANCO
Quando se fala em caridade, logo consultamos mentalmente os bolsos ou a conta bancária, para verificar se podemos dispor de algum valor em benefício dos financeiramente mais necessitados. Todavia, entre dar moedas para quem delas precise e dar-se em prol do semelhante, vai grande distância. Não negamos que a caridade material é muito importante para quem não possui o mínimo necessário. Entretanto, é importante que pratiquemos também caridade moral, que é a mais difícil, porém a mais meritória. Por caridade moral entende-se o perdão, a paciência, a tolerância, o tempo para ouvir um desabafo etc. Conforme ensinou Jesus, referindo-se ao óbolo da viúva, quando damos o que nos faz falta, ou o que nos é difícil praticar, será mais meritório, aos olhos de Deus, do que dar o que nos sobra ou perdoar a quem amamos. Assim, as mais belas doações que a Humanidade conhece foram realizadas de forma diversa da simples esmola. Gandhi, sem qualquer posse, deu-se à luta pela não violência, tornando-se um símbolo de paz e doando a vida em holocausto pelo ideal libertador que o abrasava. Irmã Dulce, a veneranda religiosa aparentemente frágil, doou-se aos irmãos carentes até os últimos instantes de sua existência sobre a face da Terra. E embora não possuísse bens materiais, foi um exemplo vivo de caridade e amor ao próximo. Francisco de Assis, após despir a túnica que pertencia ao genitor e renunciar ao nome da família, fez as mais preciosas oferendas, dando-se a si mesmo a ponto de tornar-se santo da Humanidade. Jesus, que não possuía uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves do céu tivessem ninhos e as serpentes covis, é o excelente exemplo da maior doação de que se tem notícia na história da Humanidade. Quantos homens e mulheres, seguindo-Lhe as pegadas, deram e doaram-se ao amor pelo próximo, vitalizando a esperança no mundo, através dos tempos. Se meditarmos em profundidade, descobriremos as fortunas de amor escondidas no nosso mundo íntimo. Basta que a boa vontade e a abnegação se façam garimpeiros e descubram as gemas da caridade maior de que podemos dispor fartamente, endereçando-as a todas as criaturas do roteiro por onde transitamos. Esta forma superior de dar-se, nos fará bem, nos fará sentir ditosos, porquanto perceberemos que estamos doando-nos, e a auto-doação é a única forma de encontrar a felicidade. 
 * * * 
O gesto em flor de ternura, a gota do sentimento nobre, a palavra em música de compreensão, o pão em bênção alimentícia, o poema do perdão são orvalho da caridade. E a caridade é como sublime fragrância que perfuma primeiramente o frasco que a transporta em sua intimidade.
Redação do Momento Espírita com base no cap.34, do livro Rumos libertadores, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed.Leal. Em 05.08.2009.

sábado, 17 de junho de 2017

DAR CONTA DE SI

São muitos os que atravessamos a existência na Terra sem muitas preocupações com os próprios atos. Vivemos como se o nosso agir, a nossa postura perante a vida não fosse nossa exclusiva responsabilidade. Por esse motivo, despreocupados com qualquer tipo de consequência, vivemos com o único propósito de amealhar, tirar vantagens pessoais. Não falamos dos que se entregam, de forma explícita, a questões ilegais como o roubo, o furto ou tráfico. Dizemos de nós, os que na intimidade de grandes corporações, no luxo de escritórios bem montados, atuamos no desvio de dinheiro público, na montagem de balanços forjados, na estruturação de contratos fraudulentos. Tudo porque imaginamos a vida como um grande jogo onde aquele que consegue mais para si é o grande vencedor. Outros de nós atuamos no mundo preocupados em agir de forma legal. Trata-se, no entanto, de uma atuação no limite da legalidade, na preocupação de não sermos pegos pela justiça, de não respondermos perante tribunais e juízes. Não medimos esforços na busca de brechas na legislação, para encontrar meios de conseguir vantagens e o que haja de melhor para nós mesmos. Temos ciência de não estarmos contra a lei, entretanto, serão apenas códigos humanos a nos ditar os limites de nossas ações. Porém, não podemos nos esquecer de que a vida aqui na Terra não é patrimônio que nos pertença. Renascemos nas lides terrenas e retornamos à pátria espiritual sob o rigor da lei Divina. Dessa forma, todas as experiências terrenas estão sob a tutela dessa lei, cuja finalidade maior é o aprendizado e o crescimento intelectual e moral de cada um de nós. Ao concluirmos a experiência física, seremos convidados a prestar contas de como agimos, de todo o realizado ao longo dos anos que nos foram dados a viver. Natural que assim seja, considerando que tudo o que dispomos na Terra, incluindo nosso corpo físico, é a título de empréstimo. Nada nos pertence. Somos apenas arrendatários. Portanto, se andarmos no mundo burlando os limites da lei, haveremos de responder, perante as leis humanas e no além túmulo. Poderá ocorrer que, mesmo extrapolando os limites da moralidade, do correto, do respeito ao próximo, os tribunais da Terra não nos alcancem. E poderemos nos vangloriar de haver enganado a lei dos homens. Mas, inevitavelmente, responderemos perante nossa consciência quando essa se defrontar com nossos desacertos morais. Sempre haveremos de prestar conta de nossos atos. Diz o bom senso, então, que antes de agirmos, nos perguntemos se o que fazemos é legal, moral. Necessário analisar se nossos atos não prejudicam o próximo, não atribulam a outrem, se não causam dificuldades a alguém. Tudo que fizermos carrega o peso de nossa intencionalidade e haveremos de responder pelas consequências. Importante nos questionarmos a respeito de nossas próprias ações, quais os valores que escolhemos para nossas decisões. Afinal, serão eles que dirão da nossa felicidade ou desdita, no agora, logo mais ou em momentos mais distantes. Pensemos nisso. 
 Redação do Momento Espírita. Em 21.3.2015.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

DAR CONTA DA ADMINISTRAÇÃO

EMMANUEL
E
CHICO XAVIER
Toda vez que buscamos as palavras de Jesus, nelas encontramos motivos de profundas reflexões. Quando Ele narra aos discípulos a parábola de um homem rico que tinha um feitor infiel, que dissipou seus bens, faz-nos uma grave advertência: todos teremos que dar conta da nossa administração. Talvez você já tenha respondido mentalmente que nada administra e que, portanto, de nada terá que dar conta. Todavia, um exame mais detido nos leva a perceber que todos nós somos administradores em níveis variados. Somos, no mínimo, administradores de nossa própria vida, e isso já é bastante. Individualmente cada um administra seu tempo, suas atividades, e tudo isso acarreta a responsabilidade pessoal pelos próprios atos. Os pais são importantes administradores, não só no que diz respeito à organização e harmonia do lar, mas também na grave questão da educação dos filhos. Certamente teremos que dar contas à Divindade da administração desse departamento chamado lar. No campo profissional não é diferente. Não importa em que setor da vida trabalhemos, teremos que prestar contas do que temos feito. Sejamos nós um limpador de rua, lavrador, jardineiro, professor, médico, arquiteto, político, ou tenhamos outra profissão qualquer, dela teremos que prestar contas um dia. Todos, sem exceção, nascemos com as possibilidades que precisamos para nossa evolução. Dessa forma, devemos florescer onde fomos plantados pelo Pai amoroso e justo, que nos concede, não o que gostamos ou queremos, mas o de que necessitamos. A nossa dedicação, os esforços que empreendermos por desempenhar bem a parte que nos cabe no conjunto, podem parecer insignificantes, mas serão de grande valia quando tivermos que responder, diante das Leis que regem a vida, o que fizemos da nossa administração. E quanto maior é o nosso raio de ação, a influência que exercemos sobre pessoas e situações, maior a nossa responsabilidade. Se, no contexto em que estamos inseridos, dissipamos os recursos que Deus nos confia, agindo como o feitor infiel, as conseqüências, por certo, serão amargas. E se isso acontecer, a ninguém teremos que culpar a não ser a nós mesmos. Na avaliação da nossa administração muitos fatores serão considerados: os talentos pessoais, as possibilidades físicas e psíquicas, a disponibilidade de bens materiais, o apoio de familiares e amigos, enfim, tudo o que temos ao nosso alcance. Por isso, é importante que façamos, desde agora, uma avaliação de como tem sido nossa administração. E, caso constatemos que não tem sido das melhores, esforcemo-nos para melhorar o nosso desempenho. 
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O cientista, no conforto do laboratório, e o marinheiro rude, sob a tempestade, estão trabalhando para o Senhor; entretanto, para a felicidade de cada um, é importante saber como estão trabalhando.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 40 do livro Palavras de Emmanuel, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 29.08.2008.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

FALEMOS DE DEUS AOS NOSSOS FILHOS

RAUL TEIXEIRA
A infância é o período ideal para o aprendizado de todos nós. Nessa fase, como uma esponja, a mente infantil melhor absorve o que lhe é apresentado. Nossos pequenos respondem, de forma positiva, aos estímulos a que os expomos. Esse é o motivo pelo qual os aprendizados da infância parecem marcados de maneira profunda, e se refletem em nossos valores, conceitos e hábitos. Assim, aqueles que na infância aprendemos a afetividade, o valor de um abraço, de um carinho, ao nos tornarmos adultos teremos tais expressões como naturais. Seremos pessoas afetuosas, que conquistam e alimentam amizades, que se fazem gentis e simpáticas onde quer que se encontrem. Porém, se formos expostos a estímulos de uma sensualidade precoce, com músicas, coreografias e comportamentos não condizentes com a ingenuidade infantil, logo nos primeiros passos da adolescência começaremos a enfrentar dificuldades emocionais. O poder das palavras mas, principalmente, dos exemplos de mães e pais calam fundo na mente infantil. Por isso, é necessário que reflitamos sobre o que estamos depositando na mente de nossas crianças. Para isso, é importante que avaliemos de que maneira usamos o tempo que passamos com elas. Os momentos da intimidade familiar são preciosos no processo da educação. Será nessas horas que deveremos semear os valores e princípios que queremos lhes deixar, valores que marcarão sua vida adulta. Fundamental, não esqueçamos, que falemos de Deus e das Suas obras aos nossos filhos. Falemos naturalmente, sem exageros ou conceitos sem lógica, pois esses se desmantelarão à medida que eles forem desenvolvendo sua razão. Falemos de Deus, mostrando a grandiosidade do céu, a beleza das flores, a providência da chuva, os benefícios dos raios solares, a carícia dos ventos brandos. E lhes ensinemos a serem gratos a esse Criador extraordinário, Pai de amor e bondade. Também os convidemos ao respeito à natureza, a todos os seres vivos, ao meio ambiente. E, ensinando-os a orar, na intimidade do lar, iremos lhes oferecendo subsídios para melhor enfrentarem seus desafios, logo mais ou em anos ainda distantes. Oração como recurso de reflexão, amparo, tranquilidade e fé. Oração como fortalecimento das próprias forças. Oração de quem se sabe filho de um Pai generoso e bom. Envolvidos por esses conceitos nobres, nossos filhos crescerão no respeito a si mesmos, ao seu próximo, tornando-se bons cidadãos, generosos e solidários. E, entendendo, desde cedo, a importância do respeito aos recursos que a natureza oferece, ao planeta em que vivemos, atuarão em todos os seus dias, de forma coerente e exemplar. Falemos, portanto, de Deus aos nossos pequenos. Que eles saibam que poderão enfrentar adversidades, que poderão sofrer revezes, mas jamais estarão sós. Porque a Providência Divina por eles vela, de forma constante. Ofereçamos a eles o melhor legado, aquele da confiança em Deus, da dignidade, da honra, do respeito a si mesmo, a tudo e a todos. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 53, do livro Ações corajosas para viver em paz, pelo Espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter. Em 15.6.2017.