terça-feira, 24 de janeiro de 2017

CORAGEM E OUSADIA

Era uma vez um riacho de águas cristalinas, muito bonito, que serpenteava entre as montanhas. Em certo ponto de seu percurso, notou que à sua frente havia um pântano imundo, por onde deveria passar. Olhou, então, para Deus e protestou:
-Senhor, que castigo! Eu sou um riacho tão límpido, tão formoso, e o Senhor me obriga a atravessar um pântano sujo como este! Como faço agora?
Deus então lhe respondeu:
-Isso depende da sua maneira de encarar o pântano. Se ficar com medo, você vai diminuir o ritmo de seu curso, dará voltas e, inevitavelmente, acabará misturando suas águas com as do pântano, o que o tornará igual a ele. Mas, se você o enfrentar com velocidade, com força, com decisão, suas águas se espalharão sobre ele. A umidade as transformará em gotas que formarão nuvens, e o vento levará essas nuvens em direção ao oceano. Aí você se transformará em mar, realizando seu grande objetivo, seu grande sonho!
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Assim é a vida, diz-nos esta singela passagem. Na maioria das vezes, quando as pessoas ficam assustadas, paralisadas, pesadas, tornam-se tensas e perdem a rapidez e a força. É preciso entrar para valer nos projetos da vida, até que o rio se transforme em mar. Há milhares de tesouros guardados em lugares onde precisamos ir para os descobrir. Há tesouros guardados numa praia deserta, numa noite estrelada, numa viagem inesperada. O mais importante é ir ao encontro deles, ainda que isso exija uma boa dose de coragem e desprendimento. É certo que não precisamos procurar o sofrimento, mas se ele fizer parte da conquista, vamos enfrentá-lo e superá-lo. Arrisquemos. Ousemos. Avancemos. A vida é uma aventura gratificante para quem tem coragem. Coragem de tentar ser melhor do que já se é. Coragem de se aproximar das pessoas, abrir seu coração, e lhes pedir perdão. Coragem de parecer covarde aos olhos do mundo, quando oferecermos a face do amor a quem nos oferecer a face da violência. Coragem de assumir nossos erros perante os outros, dominando, enfim, o ego orgulhoso. Coragem para declarar-se crente em Deus, adepto de uma filosofia, de uma religião discriminada por muitos. Coragem de mostrar nossos sentimentos nobres, sem ter receio de parecer tolo. Coragem de dizer Eu te amo.
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Somos riachos perenes que aguardam o momento de encontrar o mar sublime. Cada passo que damos, cada obstáculo contornado, cada vitória conquistada, mostra-nos que estamos a cada dia mais perto de descobri-lo. Há muito pela frente ainda, é certo, mas na medida em que avançamos, verificamos que tudo se torna cada vez mais fácil e mais possível de ser alcançado. E nunca esqueçamos de que, nesta jornada, não estamos sozinhos. A pátria espiritual – nosso verdadeiro lar – através das preces de amigos queridos, envia-nos chuvas de tempos em tempos, que preenchem nossas águas, dando volume e força para continuar, sempre.  
Redação do Momento Espírita, com base em texto de autoria ignorada. Em 9.1.2014.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

CORAGEM E FIDELIDADE

DIVALDO PEREIRA FRANCO
Pilatos, Procurador da Judéia na época em que Jesus foi crucificado, ficou famoso na História da Humanidade pela falta de coragem de tomar uma decisão justa com relação ao condenado à morte, que ele sabia ser inocente. E a expressão lavar as mãos é relativa à covardia de Pôncio Pilatos, que deixou que o povo decidisse sobre a vida de Jesus, quando poderia ter se posicionado com firmeza e libertado o Mestre de Nazaré. Se o Procurador tivesse sido fiel ao cargo que ocupava, a História do Cristianismo poderia ter mudado seu rumo. Outras autoridades da época, como os senadores romanos, poderiam, se quisessem, ter intercedido em favor de Jesus, mas não o fizeram. Mas esse tipo de covardia moral ainda é comum nos tempos atuais. Há os modernos Pilatos que ainda lavam as mãos na hora de tomar decisões firmes e justas, jogando a incumbência a terceiros, para se isentarem de comprometimentos com este ou aquele grupo de opositores. Ficar de bem com todos é a meta, embora a consciência acuse a imoralidade e a falta de ética. Assim, vemos autoridades de vários setores jogando a responsabilidade que seria sua, nas costas de outras pessoas, que são os chamados testas de ferro ou bodes expiatórios. No entanto, a Humanidade sempre teve exemplos de dignidade e honradez de homens que, mesmo sem assinar um compromisso, defenderam com fidelidade as causas que abraçaram. Gandhi, mesmo não sendo político, mudou a escala de valores políticos do mundo, sem usar as armas habituais dos políticos. Luther King, mesmo sem ser sociólogo, provocou mudanças radicais nos valores sociais da Humanidade. Albert Schweitzer, mesmo não assumindo um compromisso na área humanística, alterou os valores humanitários da Terra. E a escala de amor do mundo jamais foi a mesma depois de Jesus Cristo. Assim, seja qual for a nossa área de ação, busquemos tomar as decisões que nos cabem, com coragem e fidelidade. Em qualquer profissão, desde a mais humilde até a mais significativa, temos oportunidade de agir com segurança ou lavar as mãos. Pilatos e os demais homens que tinham poder de decisão mas lavaram as mãos, certamente amargaram o gesto por muitos séculos. Não sejamos nós a nos comprometer negativamente em situações que nos solicitam firmeza e fidelidade. Ninguém responderá pela parte que nos cabe a não ser nós mesmos. Seja essa parte grande ou pequena, se é de nossa responsabilidade teremos que prestar contas às Leis Divinas, mais cedo ou mais tarde. Dessa forma, antes de nos decidirmos por ficar bem com todos, pensemos primeiramente em ficar bem com a nossa própria consciência e com Deus.
*   *   *
A fidelidade ao bem mede a estatura moral do homem, fala dos seus sentimentos espirituais, expressa sua evolução e candidata-o a mais elevadas responsabilidades.
Redação do Momento Espírita com pensamento final colhido   no verbete Responsabilidade, do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 07.12.2009.

domingo, 22 de janeiro de 2017

A CORAGEM DE FAZER A DIFERENÇA

Irena Sendler
Uma pessoa sozinha pode fazer alguma diferença em pleno caos? As ações de uma única pessoa poderão modificar um sistema social vigente? Quantas vezes utilizamos como desculpa a frase:
-De que adianta? Sou somente um na multidão...
Mas, uma mulher, durante a Segunda Guerra Mundial, pensou diferente, agiu e fez a diferença para nada menos de duas mil e quinhentas vidas. Pouco conhecida embora, é chamada de A Schindler feminina. Irena Sendler arriscou sua vida para salvar outras vidas. Enfermeira, tinha trânsito livre no gueto de Varsóvia, um quarteirão de quatro quilômetros quadrados, onde foram colocadas quinhentas mil pessoas. Espalhando notícias, entre os nazistas, de que tifo e outras doenças contagiosas acometiam os confinados no gueto, ela planejou e colocou em prática arriscada estratégia. Seu objetivo: salvar o maior número possível de crianças judias, retirando-as do gueto. A parte mais difícil era convencer as mães a lhe entregarem os filhos. Lamentos, choro, gritos. Mas, em caixas de ferramentas, sacolas, malas, cestos de lixo, sacas de batatas, por dentro do casaco, ela ajudou a retirar crianças do quarteirão. Por ser idealista, o horror da guerra não lhe arrefeceu a esperança da primavera de paz. E ela preservou em dois frascos, enterrados sob uma árvore, as identidades de cada uma das crianças: nome verdadeiro e para onde fora encaminhada. Conseguiu adesão de mais de uma dezena de pessoas, através das quais conseguia documentação falsa para os pequenos. Em 1943, ela foi presa e levada à prisão de Pawiak. A Gestapo desejava que ela confessasse o paradeiro das crianças:
-Quantas seriam? Quem seriam? Onde estavam? Quem a havia auxiliado?
Irena teve quebrados seus pés e suas pernas e sofreu as mais vis torturas. A ninguém delatou e nada informou. Condenada à morte, foi salva a caminho da execução por um oficial alemão, subornado pela Resistência. As pernas fraturadas e as torturas sofridas tiveram como consequência a cadeira de rodas, que ela suportou sem reclamações nem queixas. Manteve, até o final dos seus dias, a serenidade no olhar e o sorriso nos lábios. Essa mulher corajosa desencarnou no dia 12 de maio de 2008. Foi indicada pelo governo polonês, com o apoio do governo de Israel, ao Prêmio Nobel da Paz. As vidas que salvou das garras do horror nazista e frutificaram em filhos e netos, não a esquecem. Muitos a foram visitar, no pós-guerra. Ela figura entre as seis mil polonesas que ganharam o título de Justo entre as nações, concedido aos que trabalharam pelas vidas dos seus irmãos, nos negros dias da guerra vergonhosa. Uma mulher que fez a diferença, com vontade e determinação. Fez a diferença porque não ficou reclamando da situação em que mergulhara a Polônia, mas colocou mãos à obra e realizou a sua parte, acenando esperanças.
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Pensemos nisso, reflitamos e verifiquemos se, nos dias que vivemos, a nossa voz, a nossa atitude, o nosso gesto não pode fazer a grande diferença entre a morte e a vida, entre o desespero e o cântico de esperança. Pensemos...
Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Irena Sendler, colhidos nos sites www.slideshare.net; noticias.uol.com e pt.wikipedia.org. Disponível no livro Momento Espírita, v. 8, ed. FEP. Em 8.1.2014.

sábado, 21 de janeiro de 2017

CORAGEM DE ESCOLHER

John Ronald Tolkien
John Ronald Tolkien, em seu memorável O Senhor dos Anéis, escreveu: 
-Onde não falta vontade, existe sempre um caminho. O mundo é um sem fim de possibilidades. Basta, por exemplo, que pela manhã, ao sairmos de casa para o trabalho, tomemos o caminho da esquerda ao invés da direita, ou vice-versa, e tudo pode mudar. Novos serão os cenários, as paisagens, os odores, os rostos, os quais nos influenciarão os pensamentos, sentimentos, comportamentos. Basta que façamos uma pequena escolha e tudo pode mudar. Nossa vida pode mudar. A vida dos que amamos pode mudar. A vida de pessoas que nem sequer conhecemos pode mudar. Não raro, encontramos aqueles que dizem não saber que caminho seguir. Entretanto, o que é a vida senão um eterno caminhar? E o que é esse caminho senão um sem fim de direitas, esquerdas, avanços, atalhos e... escolhas, escolhas, escolhas. Não saber que caminho seguir, portanto, é seguir um caminho. Porém, às cegas. Continuamos a fazer escolhas, a ser responsáveis pelos acontecimentos presentes e futuros de nossas existências. Embora muitas vezes nos coloquemos numa posição de vítimas, como, se ao largo do caminho fôssemos arrastados e não tivéssemos voz ou voto, são nossos passos que nos conduzem. São nossas escolhas que nos levam à felicidade ou ao sofrimento. Nenhum dos mestres que nos serviram de exemplo no curso da Humanidade, nem mesmo o Mestre por excelência, Jesus, caminharam ou fizeram escolhas por nós. Todos nos apontaram a direção. Ofertaram-nos diretrizes, despertaram nossa consciência para que nossas decisões fossem mais acertadas. Todavia, não ceifaram nosso poder de deliberação. Se não soubermos para onde estamos caminhando, lembremos: nosso caminho são nossas escolhas. São nossas decisões que determinam o chão no qual pisamos, a liberdade da qual desfrutamos, os corações que habitamos, os sorrisos que sorrimos, as lágrimas que derramamos, os laços que estreitamos. Caminhar é escolher... 
 * * * 
Escolhamos a paz, pois a paz muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo. Escolhamos ofertar e receber o perdão, pois perdoar é curar-se, é lembrar sem se ferir, sem sofrer. É uma decisão. Escolhamos a caridade, virtude que, discreta, nos torna irmãos. Escolhamos a humildade, a fim de valorizarmo-nos o necessário, mas sem nos sentirmos superiores a ninguém. Escolhamos o silêncio, para ter as respostas de todas as perguntas. Escolhamos a alegria, pois, para sermos felizes, não dependemos daquilo que nos falta e sim do bom uso daquilo que temos. Escolhamos o amor, pois, escolhendo o amor, estaremos garantindo que todas as nossas escolhas sejam corretas. Tenhamos coragem de escolher, ainda que envoltos por indecisões tamanhas. Lembremo-nos: são as nossas escolhas que determinarão por onde seguirá a nossa estrada. 
Redação do Momento Espírita, com citação inicial do livro O Senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, ed. Martins Fontes. Em 26.10.2015.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

EDUCAÇÃO PELO EXEMPLO

Laércio Furlan
É voz corrente que as crianças adoram os avós. Seja porque eles lhes fazem as vontades ou porque lhes dispensam mais tempo, considerando que, normalmente, o tem mais livre, por estarem aposentados. Enfim, os netos adoram ficar com os avós. Por isso, em muitas famílias, existe até uma programação específica, durante o mês, para um ou outro final de semana em que os netos se instalam na casa deles. O pequeno Gabriel, nos seus quatro anos, não era exceção. Com sua mochila, com tudo e mais um pouco do que poderia precisar, passava alguns finais de semana na casa dos avós. Eram sempre dias um tanto tumultuados porque o pequeno parecia um furacão. Adorava jogar bola com as mãos, com os pés. E, por vezes, atingindo lustres e abajures. Na hora de dormir, desejava ouvir histórias contadas pelo avô. Histórias do tempo em que ele era criança. Gostava de ouvir aquelas coisas que o avô fazia, na sua infância, que parecia perdida nos anos. Algumas brincadeiras um tanto diferentes das suas: subir em árvores, jogar bolinha de gude, pescar no riacho perto de casa... Tudo isso deliciava, especialmente, o avô, o mais falante, o que mais interagia com o pequeno. Foi na hora do café da manhã, que tudo aconteceu. O avô ofereceu uma fruta ao neto, que a rejeitou. Também a outra não foi aceita. Desejando que o menino se servisse de algo saudável na primeira refeição do dia, o avô apanhou uma caneca, que trazia os dizeres: 
-Para o meu sobrinho mais querido. 
Como um grande ator, ele traduziu, entusiasmado, os dizeres:
-Então, vamos tomar um leite com chocolate nesta caneca espetacular, que comprei especialmente para você? 
Aqui está escrito: 
-Para o meu neto querido, Gabriel, com todo meu amor.
Naturalmente, as intenções daquele avô eram as melhores possíveis. No entanto, o garoto se mostrou desconfiado. 
-Deixe eu ver, vô, pediu ele. 
E tomou o utensílio em suas pequenas mãos. Como um especialista, inspecionou, devagar, todos os símbolos e sinais escritos nela e indagou: 
-Vô, me diga uma coisa. Onde está o G e depois o A para fazer GA, de Gabriel? Eu não estou vendo nada disso aqui. Eu sei como se escreve meu nome. 
Como a situação se resolveu, não nos foi contado. Não sabemos se o avô admitiu sua aparentemente inocente mentira, e o que se desenrolou na sequência. No entanto, é bom pensarmos quantas vezes, em nossa vontade de acertar, erramos. Ou seja, quantas vezes, faltamos com a verdade para com os nossos pequenos? Verdade que, cedo ou tarde, eles descobrem. Diante disso, é de nos questionarmos com que direito lhes desejamos ensinar que devem dizer a verdade, que devem ser honestos, que não devem enganar a ninguém? Se os desejamos homens de bem, que no futuro poderão ocupar cargos na política, no empresariado, no comércio, na ciência, nas artes, no que for, primemos pela sua correta educação. Se os exemplos falam muito mais alto do que as palavras, é bom repensarmos as nossas atitudes. Afinal de contas, todos somos educadores: pais, avós, professores, tios, primos. Educamos para as coisas positivas ou não. Educamos com nosso exemplo, com nossa forma de ser. Tenhamos isso em mente antes de tentarmos distrair-lhes as mentes ou lhes conquistar os corações com invenções tolas ou inverdades.
Pensemos nisso. 
Os pequenos têm os olhos postos em nós, a todo momento e aguardam a melhor condução para as suas vidas. 
Redação do Momento Espírita, a partir de fato relatado por Laércio Furlan. Em 20.1.2017.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

TEMPO DE AMOLAR O MACHADO

Conta-se que um jovem lenhador ficara impressionado com a eficácia e rapidez com que um velho e experiente lenhador, da região onde morava, cortava e empilhava as madeiras das árvores. O jovem o admirava, e o seu desejo permanente era de, um dia, tornar-se tão bom, senão melhor, do que aquele homem, no ofício de cortar madeira. Certo dia, o rapaz resolveu procurar o velho lenhador, no propósito de aprender com quem mais sabia. Enfim ele poderia tornar-se o melhor lenhador que aquela cidade já tinha ouvido falar. Passados apenas alguns dias daquele aprendizado, o jovem resolvera que sabia tudo, e que aquele senhor não era tão bom assim quanto falavam. Impetuoso, afrontou o velho lenhador, desafiando-o para uma disputa: em um dia de trabalho, quem cortaria mais árvores. O experiente lenhador aceitou, sabendo que seria uma oportunidade de dar uma lição ao jovem arrogante. Lá se foram os dois decidir quem seria o melhor. De um lado, o jovem, forte, robusto e incansável, mantinha-se firme, cortando as suas árvores sem parar. Do outro, o velho lenhador, desenvolvendo o seu trabalho, silencioso, tranquilo, também firme e sem demonstrar nenhum cansaço. Num dado momento, o jovem olhou para trás a fim de ver como estava o velho lenhador, e qual não foi a sua surpresa, ao vê-lo sentado. O jovem sorriu e pensou: 
-Além de velho e cansado, está ficando tolo. Por acaso não sabe ele que estamos numa disputa? 
Assim, ele prosseguiu cortando lenha sem parar, sem descansar um minuto. Ao final do tempo estabelecido, encontraram-se os dois, e os representantes da comissão julgadora foram efetuar a contagem e medição. Para a admiração de todos, foi constatado que o velho havia cortado quase duas vezes mais árvores que o jovem desafiante. Este, espantado e irritado, ao mesmo tempo, indagou-lhe qual o segredo para cortar tantas árvores, se, uma ou duas vezes que parara para olhar, o vira sentado. Ele, ao contrário, não havia parado ou descansado nenhuma vez. O velho, sabiamente, lhe respondeu: 
-Todas as vezes que você me via assentado, eu não estava simplesmente parado, descansando. Eu estava amolando o meu machado! 
 * * * 
Reflitamos sobre o ensino trazido pelo conto. Obviamente, com um machado mais afiado, o poder de corte do velho lenhador era muito superior ao do jovem. Este, embora mais vigoroso na força, certamente não percebeu que, com o tempo, seu machado perdia o fio, e com isso perdia a eficácia. Quando chegamos em determinadas épocas de nossas vidas, como o fim de mais um ano de trabalho, de esforço, de empreendimento, esta lição pode ser muito bem aplicada. É tempo de amolar o machado! Embora pensemos que não possamos parar, que tempo é dinheiro, que vamos ficar para trás, perceberemos, na prática, que, se não pararmos para amolar o machado, de tempos em tempos, não conseguiremos êxito. Amolar o machado não é apenas descansar o corpo, é também refletir, avaliar, limpar a mente e reorganizar o nosso íntimo. Amolar o machado é raciocinar, usar a inteligência para descobrir se estamos utilizando nossas forças da melhor forma possível. Assim, guardemos algum tempo para essas práticas realmente necessárias, e veremos, mais tarde, que nosso machado poderá cortar as árvores com maior eficiência. 
Redação do Momento Espírita, com base em conto da obra S.O.S. Dinâmica de Grupo, de Albigenor e Rose Militão, ed. Qualitymark. Em 19.1.2017.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

CORAGEM DE AMAR

Será que, para amar, é necessário ter coragem? A pergunta, a princípio, parece sem propósito. Afinal, é tão natural amarmos aos nossos filhos, ao companheiro, à esposa, que longe está a necessidade de se ter coragem para isso. Porém, e se mudarmos a pergunta: para aprender a amar, é necessário ter coragem? Será que precisamos de coragem para aprender a amar aqueles que ainda não amamos? Conta-se que Madre Teresa de Calcutá, ao abandonar o convento, onde atuava como professora de jovens de famílias ricas, levou consigo apenas o hábito e as sandálias de religiosa, deixando tudo para trás. Ao final de sua existência, tinha mais de quatrocentas casas erguidas pelo mundo, em nome do seu amor ao próximo, entre asilos, orfanatos, hospitais, escolas. Certa feita, ao ser homenageada em uma solenidade, um dos convidados interpelou-a dizendo não saber como ela dispunha de coragem para fazer tudo o que fazia. E ela, tranquilamente, respondeu que não entendia como tantas cabeças coroadas tinham coragem de não fazer nada, frente a tanta miséria no mundo. 
Albert Schweitzer era um jovem músico, consagrado nas mais famosas salas de concerto europeias, quando decidiu abandonar a carreira musical e cursar medicina. Sonhava ele ajudar o próximo e elegeu a carreira médica como ferramenta de auxílio. Deixou o conforto da fama e do reconhecimento ao seu talento musical para começar uma nova vida. Ao se formar, foi trabalhar no coração da África, numa região isolada e sem recursos. Ao final de sua existência, havia sido reconhecido com um prêmio Nobel da Paz, e, em uma região onde nada havia, construiu um hospital que se expandira para mais de setenta prédios, com quinhentos leitos para internamento. 
Não são poucos os exemplos que encontramos de pessoas que, com coragem, optam por amar àqueles que ainda não amam. Jesus nos alerta que amar àqueles que nos são caros, até os maus o fazem. Porém é necessário ir além. É necessário aprender a amar àqueles que ainda temos dificuldades em amar, que ainda não aprendemos a amar. Para esses, é necessário armar-se de coragem. Pois o amor ao próximo exige dedicação, esquecimento do orgulho, da vaidade, da presunção. Podemos não ter a estrutura moral ou a coragem de Madre Teresa e de Albert Schweitzer, que deixaram marcas permanentes na História da Humanidade. Mas já podemos deixar marcada a nossa presença, se nos decidirmos a amar ao próximo. Podemos começar com o parente difícil, sempre disposto a fazer comentários e insinuações maldosas. Ou ainda com aquele vizinho sempre pronto a uma nova provocação. Outras tantas vezes aprender a amar pode vir através da paciência que desenvolvemos diante das limitações de quem ainda não tem as mesmas capacidades que nós. Ou que se mostra arrogante e pretensioso, com falsas capacidades que não possui. Não há verdadeiramente um dia em nossa vida, onde não surja a oportunidade de aprender a amar. Aprendamos com Jesus, Mestre Maior de todos nós, que não devemos nos contentar com o amor na intimidade do lar ou no relacionamento a dois. Que possamos, a cada dia, armarmo-nos de coragem e exercitar o sentimento do amor ao próximo, na oportunidade que a vida nos oferecer. 
Redação do Momento Espírita. Em 28.11.2016.