sábado, 7 de janeiro de 2017

COOPERADOR

Imagine-se em frente a um violino. Instrumento que lhe espera sensibilidade e inteligência, atenção e carinho para vibrar com você na execução de uma melodia. Se você o toma de arranco, é possível que lhe caia das mãos, desafinando-se, quando não seja perdendo alguma peça. Se esquecido em algum recanto, é provável se transforme em ninho de insetos que lhe dilapidarão a estrutura madeirada. Se usado, à feição de martelo, fora da função a que se destina, possivelmente se despedace. Entretanto, guardado em lugar próprio e manejado na posição certa, como a lhe escutar o coração e o cérebro, ei-lo que lhe responde com a sublimidade da música. Assim, igualmente na vida, é o companheiro de quem você espera apoio e colaboração. Chame-se familiar ou companheiro, chefe ou subordinado, colega ou amigo, se você lhe busca o auxílio, a golpes de azedume e brutalidade, é possível lhe escape da área de ação, magoando-se ou perdendo o estímulo ao trabalho. Se largado ao menosprezo, é provável se entregue a influências infelizes, capazes de lhe envenenarem a alma. Se empregado por veículo de intriga ou maledicência, fora das funções edificantes a que se dirige, talvez termine desajustado por longo tempo. Mas, se conservado com respeito, no culto da amizade, e se mobilizado na posição certa, como receber de você as melhores vibrações do coração e do cérebro, ei-lo a lhe corresponder com a excelência e a oportunidade da colaboração segura. Tal cooperação será erguida em bases de amor que é, em tudo e em todos, o supremo tesouro da vida. 
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Sem indulgência e compreensão é impossível encontrar cooperadores eficientes e dignos. A convivência constante é desafio ofertado a todos nós, do qual precisamos sair vencedores. Os companheiros que nos parecem mais difíceis no conviver, são instrumentos da ordem universal, lapidando nossas virtudes ainda brutas. O chefe rotulado como intolerante e grosseiro, é convite para que desenvolvamos a tolerância e o perdão. Não podemos mudar as pessoas, mas podemos mudar o modo de enxergá-las. O subordinado desatencioso e ineficiente é, muitas vezes, aprendiz da vida, que chegou a nossas mãos para que lhe ensinemos a ser melhor. Frequentemente as pessoas mais desprezíveis, em nossa superficial avaliação, guardam tristeza imensa na alma, cicatrizes que ainda machucam muito e que nosso julgamento precipitado nunca reconhece. O vizinho de mesa no ambiente de trabalho é alma como a nossa, com os mesmos direitos que nós mesmos. Jamais nos coloquemos em posição de superioridade vaidosa e egoística. Todos temos direito a dias ruins, quando o humor está abalado e o sorriso não quer aparecer. Todos, inclusive nosso companheiro de trabalho. A harmonia da convivência, mesmo com estranhos e pessoas muito diferentes de nós, só será conquistada quando passarmos a olhá-los com compaixão e empatia. Ouviremos então uma orquestra tocando bela música, com violinos, violas, violoncelos e baixos - instrumentos diferentes, mas que tocam a mesma melodia de amor. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 20,do livro Caridade, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Ide. Em 31.07.2012.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

OS ESPÍRITOS QUE NOS PROTEGEM

No livro bíblico intitulado Livro de Tobias, conta-se que um pai procurava um acompanhante para seu filho, de nome Tobias, jovem e inexperiente, que deveria realizar longa e perigosa viagem. Um moço se apresentou e foi selecionado por aquele pai, iniciando-se a viagem. Em certo momento da jornada, um peixe muito grande foi pescado por Tobias e seu acompanhante o orientou para que tivesse o cuidado de extrair o fígado do animal e guardá-lo, cuidadosamente. No percurso, mais de uma vez, os conselhos e cuidados do moço foram especialmente importantes para o êxito da viagem. Os dois chegaram ao seu destino, Tobias concretizou a tarefa que lhe incumbira seu pai e retornaram, sãos e salvos. Grande foi o júbilo daquele pai em ter de retorno seu filho, ileso, com saúde. Ao agradecer, de forma efusiva, ao dedicado acompanhante, é surpreendido com uma atitude dele. O jovem orienta Tobias para que prepare, de forma peculiar, o fígado do peixe que havia sido pescado na viagem. Depois, lhe diz para que coloque a pasta que fizera sobre os olhos do seu pai, que era cego. Para surpresa de todos, esse logo teve restaurada a sua visão. Ainda mais reconhecido, o pai deseja recompensar regiamente aquele homem. Contudo, ele desaparece ante seus olhos, dando-se conta todos de que se tratava de um anjo do Senhor. Este relato nos diz da dimensão do atendimento espiritual. Um mensageiro celeste se faz visível e cuida, com desvelo, de uma família. Acompanha o jovem filho na longa viagem. Auxilia-o a cumprir a missão de que lhe incumbira o pai. Orienta-o, ademais, no preparo de medicação que propiciará a cura da cegueira do patriarca da família. Quantas bênçãos dispensadas! Assim também é na nossa vida, embora com maior sutileza. Todos os dias, através de intuições, de ideias felizes, nos chegam orientações de procedimentos a serem adotados, em situações específicas. Quase sempre, levamos à conta de nossas próprias ideias, sem agradecermos aos mensageiros de Deus por isso. Vezes incontáveis somos salvos de perigos iminentes, desviados de situações embaraçosas por esses abnegados seres espirituais, que por nós velam, a mando do Pai de todos nós. Eles se mostram sempre atentos, desincumbindo-se de forma especial de suas missões. Se prestarmos atenção, poderemos lhes perceber as presenças amigas, inúmeras vezes, socorrendo-nos, auxiliando-nos. Busquemos lhes seguir as vozes para sermos mais felizes e exitosos em todos os nossos empreendimentos.
Redação do Momento Espírita, com base no livro bíblico O livro de Tobias. Em 6.1.2017.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

COOPERAÇÃO

Somos seres sociais. A vida em sociedade está em nossa natureza. Qualquer insulamento voluntário se choca com nossa característica essencial de viver em sociedade, de manter uma vida de relação. Como o progresso é lei da vida, ao ser humano é necessário progredir e será justamente o contato social, com todos os atritos e aprendizados que daí decorrem, o grande fomentador desse progresso. É fácil perceber que, em nosso estágio evolutivo, não dispomos de todas as condições necessárias para impulsionar o nosso próprio progresso. Será, pois, nas relações com o próximo que iremos desenvolver competências e virtudes que ainda nos faltam. Por isso, a Providência Divina nos oferece a oportunidade da convivência com uma diversidade grande de pessoas, para que possamos aprender e ensinar, uns aos outros. Na intimidade familiar, encontraremos aqueles que nos servem de referência e são estímulo e exemplo para nosso progresso. Aí teremos também aqueles que nos exigirão maior dedicação e empenho, posto que ainda estagiam em diferentes esferas de entendimento e ação. No ambiente profissional, haverá os mais aquinhoados em capacidades técnicas e intelectuais. E os que caminham com dificuldades e limitações em suas ações. Na sociedade, nos círculos mais próximos, ou mesmo nos contatos mais esporádicos, encontraremos aqueles que estão à nossa frente ou passos atrás.
Haveremos de encontrar muitos que nos servirão de mestres e exemplos, assim como seremos professores e modelos para outros. A lei de cooperação faz parte dos códigos Divinos e funciona como ferramenta de aprendizado para todos nós. Agir de maneira cooperativa está em nossa natureza e devemos nos sentir estimulados a tais atitudes. Termos em mente que, da mesma forma que cooperamos com alguém, também recebemos o auxílio de outros, é sinal de maturidade. Nenhum de nós consegue permanecer na existência terrena de maneira lúcida e proveitosa, isolando-se. Ninguém é de tal sorte autossuficiente que não precise de alguém. O eminente cientista necessita da humilde cozinheira para suas necessidades nutricionais. O grande executivo precisa da ação da faxineira para ter seu ambiente de trabalho asseado e organizado. A vida em sociedade é complexa teia de cooperação, onde cada um de nós é convidado a exercer o seu papel. As falhas provenientes de um ou de outro geram distúrbios nessa estrutura, mas acabam sendo solucionadas naturalmente. Contudo, quando evitamos participar e agir em cooperação, a perda é nossa. Estender a mão ao próximo é oportunidade de aprendizado, mesmo sendo alguém com menores recursos e capacidades, constituindo-se ocasião de exercitarmos virtudes preciosas, como a paciência e a compreensão. Portanto, agir com a disposição de cooperar, de estender a mão, de auxiliar, é entendimento salutar e prova de maturidade quanto ao alto significado da existência terrena. Redação do Momento Espírita. Em 14.3.2015.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CONSTRUÇÃO DO TERCEIRO MILÊNIO

Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia
Os pessimistas dizem que o mundo não tem jeito, que só se pode esperar coisas piores para o futuro. Os saudosistas afirmam que hoje não há respeito, nem preservação dos verdadeiros valores. Enfim, tudo se encontra em declínio. Os otimistas veem o que ocorre, as dificuldades, os desacertos, as discrepâncias sociais e assumem uma postura de quem deseja colaborar para mudar a face do mundo. São os que saem a campo, fazendo o que possam. Uns vão ao encontro dos enfermos para lhes proporcionar alívio. Outros resolvem amenizar o frio e a fome do seu próximo. Outros elegem o caminho mais árduo. Investem na educação das novas gerações. Sem medir esforços, como professores contratados ou como educadores voluntários, vão acender luzes nos cérebros e semear sensibilidade nos corações. Numa dessas manhãs, em que nos decidimos conhecer benemérito trabalho junto à infância carente, comparecemos à veneranda instituição que, há sessenta e três anos, acende archotes de saber nas ruelas da ignorância. A classe era de meninos de cinco a seis anos. Falava-se a respeito das profissões: a dignidade do labor de cada dia, o enobrecimento da criatura através do trabalho. Desejando estabelecer um diálogo com os garotos, depois de alguns minutos de explanação, a professora passou a indagar a respeito da profissão que cada um desejaria seguir. 
-Eu quero ser ladrão! 
Disse um menino, convictamente. 
-Eu quero ser assassino, como meu pai. 
Chocamo-nos com as respostas. Não a experiente mestra que, sem demonstrar enfado ou surpresa, a todos ouviu, aduzindo uma palavra aqui, outra ali. 
-E agora? 
Pensamos. Verificamos que aqueles meninos, apesar de tudo que recebiam, ali, em termos de valores individuais, tinham suas próprias e precisas ideias. Contudo, logo mais, nos dirigimos a uma outra ala da instituição. Duas casas de bonecas estavam montadas. Casas que são para meninos e meninas. Casas com mesas, cadeiras, armários, com muitas bonecas, carrinhos, bolas, brinquedos de montar. E vimos a continuidade das mensagens do bem. Atendentes ensinando a meninos e meninas tomarem das bonecas e as acarinharem, abraçarem. Vimos a criançada com os brinquedos de montar, incentivados a criar bonecos, móveis, utensílios, carros... em vez de revólveres, tanques de guerra e apetrechos agressivos. Vimos meninos com bonecas ao colo, brincando de pai, num conceito diverso do que vivem, muitos deles, em seus próprios lares. Vimos meninas brincando de preparar o almoço e servir aos colegas e às bonecas. Vimos tanto amor, tanto cuidado, tanta dedicação. A resposta pacífica a um mundo violento. O ensinar, brincando, àqueles pequeninos, que o mundo não é somente o mal, que o amor pode tudo transformar. E eles aprendem porque abraçam seus professores e se deixam abraçar, longamente, na chegada e na saída da instituição. Sorriem aos visitantes, espontaneamente vão ao seu encontro e abraçam. Vimos ali o mundo novo. Mundo que está sendo construído a pouco e pouco, naquelas mentes infantis que levarão a mensagem para onde quer que se encaminhem, na vida. 
Tornar-se-ão homens de bem? Só o futuro dirá. Mas a boa semeadura está sendo realizada, dia após dia, semana após semana. Construção do Terceiro Milênio... 
Redação do Momento Espírita, com relato de observações colhidas em visita à Mansão do Caminho, em Salvador, Bahia, no dia 8 de setembro de 2010. Em 4.1.2017.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

COOPERAÇÃO versus COMPETIÇÃO

Numa rede social, em um bate-papo sobre os desafios de uma sala de aula inclusiva, duas educadoras conversavam sobre a forma como as crianças com necessidades especiais são comumente deixadas de fora de jogos e brincadeiras, principalmente as que pressupõem vencedores e perdedores. Uma das professoras postou um relato emocionado: 
-Tenho uma aluna com baixa visão. Na realidade ela não enxerga nada. Sempre é a última a ser escolhida nas brincadeiras. Levei um jogo de boliche para as crianças brincarem e ela foi a última a ser escolhida no time. Dava até para ouvir os comentários das crianças sobre a impossibilidade dela acertar os pinos. Peguei na mãozinha dela, pedi que se concentrasse e percebesse o caminho, que fizemos juntas. Pedi silêncio aos alunos. Houve algumas risadas, mas quando ela pegou a bola e lançou... Strike! Em todas as rodadas ela fez strike. Impossível descrever a alegria dela no primeiro strike e nos seguintes. Muito menos a cara de espanto dos colegas, principalmente daqueles que se achavam os melhores e desdenharam dela. Eu amo essas crianças. São maravilhosas e ensinam muito, a todos nós. 
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Essa professora, além de ser uma inspiração, nos faz refletir sobre como nos comportamos diante de crianças especiais e como estamos preparando a infância de hoje para o futuro. Um dos grandes problemas de nossa cultura é priorizar a competição. Na competição, aprende-se que é preciso vencer e quem fica para trás é fraco. Crianças que possuem ritmos diferentes, dificuldades e limitações são desvalorizadas. Muitas delas são simplesmente descartadas de jogos e brincadeiras. Até mesmo do convívio com as demais. A competição estimula o orgulho naqueles que se acreditam melhores e perseguem a vitória sempre, não importando o preço. Perdem, assim, oportunidades preciosas de aprender o valor da cooperação. Atitudes cooperativas não priorizam vencer uns aos outros, mas unir forças para superar dificuldades e obstáculos. Quem coopera ganha em parceria. Não há apenas um vencedor. Na cooperação não deixamos os colegas para trás. Não precisamos chegar na frente. Não nos preocupamos em sermos os primeiros, os maiores. Na competição, julgamos que precisamos ser os melhores e isso alimenta nosso orgulho, que nos afasta das pessoas. Na cooperação, a fraternidade alimenta o amor e o amor nos conecta com o próximo. Mas existe um tipo de competição que traz bom resultado. Vencer os próprios defeitos e imperfeições, deixá-los para trás, superá-los, principalmente aqueles que afastam do bem e causam problemas, como o orgulho e o egoísmo, é competir vencendo o mal em si mesmo. É preciso ensinar para nossas crianças o valor da cooperação e o real significado da vitória, não daquela que exclui os demais e os diminui. Lecionando o valor da vitória sobre aquilo que provoca dor e sofrimento, estaremos colaborando para formar uma geração de pessoas mais preparadas para ouvir, compreender, amar, enfrentar dificuldades. Estaremos preparando-as para ajudarem umas às outras, chegando, todas, em primeiro lugar no pódio do bem. 
Redação do Momento Espírita, com base em fato. Em 4.5.2016

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

CLARIDADE E RENOVAÇÃO

HUMBERTO DE CAMPOS E CHICO XAVIER
Ia chegar à Terra o sublime mensageiro. Sua lição de verdade e de luz ia espalhar-se pelo mundo inteiro, como chuva de bênçãos magníficas e confortadoras. A Humanidade vivia, então, o século da Boa Nova. Era a “festa do noivado” a que Jesus se referiu no Seu ensinamento imortal. Depois dessa festa dos corações, como um roteiro indestrutível para a concórdia dos homens, ficaria o Evangelho como o livro mais formoso do mundo, constituindo a mensagem permanente do céu, entre as criaturas em trânsito pela Terra; o mapa das abençoadas altitudes espirituais, o guia do caminho, o manual do amor, da coragem e da perene alegria. E, para que essas características se conservassem entre os homens, como expressão de Sua sábia vontade, Jesus recomendou aos Seus apóstolos que iniciassem o Seu glorioso testamento com os hinos e os perfumes da natureza, sob a claridade maravilhosa de uma estrela a guiar reis e pastores para a manjedoura rústica, onde se entoavam as primeiras notas de Seu cântico de amor; e que o terminassem com a luminosa visão da Humanidade futura, na posse das bênçãos de redenção. É por esse motivo que o Evangelho de Jesus, sendo o livro do amor e da alegria, começa com a descrição da gloriosa noite de Natal e termina com a profunda visão da Jerusalém libertada, nas divinas profecias do Apocalipse do evangelista João. * * * Tudo precisa se renovar. O Universo é feito de ciclos. Nada permanece na mesma situação eternamente. Nada nem ninguém. Tudo e todos estão em movimento. Da mesma forma que, para o olhar ingênuo, as estrelas parecem estar fixas no céu imenso, a evolução humana pode parecer estática aos olhares menos atentos. Mas, tudo está em constante revolução. O cosmo e todos nós que somos seus habitantes milenares. O nascimento de Jesus na face da Terra e, mais tarde, a projeção do Apocalipse, sinalizam início e fim de ciclos. Depois deles tudo continua a existir, porém, de forma diferente. Assim, cada final de ano precisa ser marcado como um fim e um novo começo. Não podemos ser os mesmos. O mundo não é mais o mesmo. O Universo mudou. São novos tempos e nós, como Espíritos imortais, precisamos abraçar a ideia de renovação, sem medo e sem preguiça. Quem fomos até agora? Que aprendemos até hoje? Quais as nossas maiores vitórias? E quais as derrotas? As derrotas nos ensinam a conhecer o que precisamos melhorar. Derrota não é sinal de tempo perdido, nem de fraqueza ou tristeza. Apenas o mau perdedor pensa dessa forma. As vitórias, por sua vez, são o combustível para a continuidade. São a força, o estímulo que nos permite jamais desistir. Que desejamos ser a partir de agora? Que desejamos aprender a partir do ponto em que nos encontramos? O que vamos vencer dessa vez? Lancemos claridade sobre nossa própria vida. Sempre há tempo de mudar, de renascer, de refazer caminhos. Cada existência corporal é um grande ciclo repleto de outros pequenos e importantes ciclos dentro dele. Claridade e renovação – seja esta nossa bandeira de vida! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Em 2.1.2017.

domingo, 1 de janeiro de 2017

COOPERAÇÃO DOS FILHOS

Albert Schweitzer
Nos dias presentes, a mulher se encontra sobrecarregada, quase sempre, por dupla e até tripla jornada de trabalho. Como profissional, fora do lar, obedece a uma jornada, que lhe exige várias horas de atividades. Adentrando o lar, mesmo que disponha de auxiliar para as tarefas domésticas, a ela cabe o encaminhamento e a coordenação do que deve ser feito. Na qualidade de esposa, compete-lhe atender ao marido, e, como mãe, sobra-lhe a supervisão das tarefas escolares das crianças, a verificação do uniforme, a leitura dos bilhetes da escola. Enfim, uma lista infindável de afazeres. Muitas se sentem escravas de múltiplas obrigações. É somente servir e servir e servir. Convenhamos que falta um tanto de cooperação. Primeiramente, do próprio marido, pois que o lar é uma conjugação a dois. Depois, dos filhos, que devem ser educados para cooperar, colaborar nas tarefas domésticas. Essa educação deve ser iniciada desde cedo, e requer pequenos cuidados a fim de que alcance os frutos desejados. Necessita-se de um tanto de psicologia, a fim de estimular a criança, desde tenra idade, a realizar determinadas tarefas que não a irão cansar, nem exaurir. Como humanos trazemos uma mensagem milenar de que trabalho é castigo, penalidade. Boa tática é iniciar por uma brincadeira. Mãe e filho poderão tentar descobrir quem guarda os brinquedos mais rapidamente, nos seus lugares. Ou quem consegue guardar mais. Naturalmente, isso exigirá um pouco de tempo. E poderemos dizer que não temos. Pensemos no entanto que apenas se trata de uma questão de administração das horas. Lembremos de quanto tempo perdemos ao telefone, jogando conversa fora. Ou em bate-papos que nada de mais construtivo nos oferece. Canalizemos esses tempinhos para os ensaios de cooperação com nossos pequenos. E tenhamos paciência. Quando os convidarmos para mexer a massa do bolo, fazer a gelatina, preparar a mesa das refeições, lembremos que a criança tem seu ritmo próprio. Recordemos que nós temos experiência e para ela tudo é novidade. Não a pressionemos, fazendo-a sentir-se um autômato a obedecer ordens e mais ordens, em tempo recorde. Tornemos a missão sempre prazerosa, elogiando-a a cada conquista: a mesa posta, a louça lavada, o chão enxuto, a roupa suja no local adequado. Sejamos compreensivos, não exigindo perfeição, de imediato. Se a cama não ficou bem esticadinha, como desejamos, ou se a colcha ficou um pouco mais curta de um lado do que outro, não critiquemos e nem desistamos. Tornemos a ensinar, frisando, na próxima oportunidade, o cuidado que a criança deve tomar para realizar melhor a tarefa. Nunca digamos não à sua oferta de auxílio. Se acreditarmos que a tarefa está além das suas possibilidades, utilizemos bom senso, sugerindo algo que possa realizar. Não nos cansemos de ensinar e pedir auxílio. Deleguemos pequenas obrigações, fazendo com que a criança se sinta responsável. Poderemos nos cansar nas primeiras tentativas, mas a recompensa será grande. Além de termos excelentes cooperadores no lar, estaremos formando nossos filhos para se tornarem homens e mulheres que dignificam o trabalho. Serão, assim, profissionais disciplinados, afeiçoados ao serviço e ao esforço. Cidadãos que honrarão a comunidade a que pertencerem, pela qualidade de sua cooperação. E, onde quer que estejam, sempre estarão procurando trabalho, não apenas emprego. 
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Marie Curie
Os homens, que a Humanidade reconhece como de expressivo valor, jamais deixaram de mergulhar mente e músculos nas tarefas a que eram convocados. O grande músico e pastor Albert Schweitzer, desejando servir como médico aos negros da África Equatorial Francesa, não hesitou em ser carpinteiro, pedreiro, faxineiro. Marie Curie, laureada por duas vezes com o Prêmio Nobel, atendia às tarefas do lar, cozinhando, limpando, passando roupa. As mãos que trocavam fraldas eram as mesmas que trabalhavam nas pesquisas, até alcançar a vitória, que lhe valeram as honras do mundo. Redação do Momento Espírita Em 28.02.2011.