quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

AS ESTAÇÕES EM NÓS

Quando chega a primavera, ela se veste de flores, cores e perfumes. O clima se faz propício para a reprodução das plantas. Os animais comemoram brincando e trazendo mais vida e alegria. As temperaturas vão aumentando gradualmente, as águas dos rios e do mar se aquecem. A poesia nessa estação é inspirada pela variedade de cores que apresenta. As pessoas ganham novas energias e se entusiasmam a cultivar seus jardins, hortas e pomares. Tudo transpira liberdade e vida, amor e alegria, risos e brincadeiras. O sol brilha aquecendo, e as plantas renascendo, se espreguiçam vaidosas. É depois de um intenso período cinza e frio, que ela chega, intermediando o próximo verão. Fica muito claro, nesse período, o ciclo das estações do ano: a primavera gargalhando vida, o verão trazendo o auge do seu esplendor, o outono permitindo a colheita dos frutos e o inverno se vestindo de neve e frio, declinando do ciclo mágico. 
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Assim como as estações se sucedem, em nossa vida também passamos por ciclos. Podemos comparar a primavera com nosso renascimento, no planeta, com a infância despreocupada e a juventude plena de energia. A maturidade pode ser comparada ao esplendor do verão, que se apresenta como a força da natureza em cada ser. O outono significa aquele período especial das realidades particulares, na colheita dos plantios realizados. Também período em que podem ocorrer perdas significativas. São os amores que partem, a pouco e pouco, amizades que demandam o grande lar. E o inverno seria o decrescer das forças físicas, que desaceleram gradativamente. Tempo de recolhimento e de meditação, tempo de analisar os anos transcorridos e formular planos para um novo período. Importante que saibamos aproveitar cada ciclo, que entendamos a importância de cada estação, que tenhamos a sabedoria de usufruir, em totalidade, cada momento, como único e irrecuperável. Em síntese: viver em totalidade. 
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Necessário tratarmo-nos como um templo divino que merece respeito, carinho, perdão e amor. 
Auto-conhecimento é a primavera florida e rica de recados para um futuro promissor. 
Auto-transformação é o rigor do verão dos aprendizados que temperam e equilibram, seguidos pela ruptura do outono, que recicla, por meio das perdas necessárias e inadiáveis. 
Auto-amor é o inverno, a busca permanente da alma em se recolher e se aquecer com o próprio calor, com os próprios recursos. Somos nós com nós mesmos, nos destinos da vida. Os ciclos da vida somente fluem quando celebramos a nossa história pessoal. Não sejamos cópia de ninguém. Cada um de nós nasce para florir e embelezar a vida de um modo único. Meditemos a respeito. Saibamos florescer, dar frutos, nos permitir o colorir das nuances outonais, até alcançar a neve dos dias de inverno. Vivamos cada estação com alegria, descobrindo-lhe a beleza, a ousadia, a oportunidade. Não lamentemos os dias idos, nem choremos o ontem. A melhor estação é a que estamos vivendo.
Redação do Momento Espírita, com base no texto Estações da alma no amadurecimento emocional, de autoria ignorada. Em 7.12.2016.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ALGO POR ELES NESTE NATAL!

Natal é tempo de pensar nos outros. Vemos o quanto é bom compartilhar, dividir e trocar o eu pelo nós. Natal é tempo de lavar a psicosfera do mundo. Parece que ao longo dos meses do ano respiramos um ar pesado, difícil. Os pensamentos quase sempre estão em complicações, indignações, revoltas e tristezas várias. O mundo anda tenso, inseguro, pessimista. O Natal é a chance de quebrarmos isso, trazendo a figura de Jesus de volta para nossos corações. Recordar aquele nascimento tão cheio de esperança, de docilidade e delicadeza que tantas vezes representamos nos palcos da Terra. Parece que Ele nasce todos os anos... E isso nos acalma... Enxerguemos cada Natal como esta chance de recomeçar, de renascer do Espírito, sem medo, sem traumas, com energias e vontade renovadas. Nada de reclamações, nada de pessimismo, nada de palavras que mais nos afundam do que nos salvam. Seriedade, sim. Compromisso com o bem, sempre. Porém, não deixemos que esses ares tão cheios de alegria se percam ao longo dos próximos meses. Não esqueçamos de manter esse laço sempre apertado, o laço entre nós e o Criador, através da prece. Conversemos sobre nós, façamos nosso balanço, agradeçamos, reflitamos. Peçamos algo, se achar que devemos, mas peçamos com sabedoria. Não deixemos de orar pelo mundo e por aqueles que sofrem, pelos menos esclarecidos, pelos que caem, pelos que ainda não despertaram. Jesus estará renascendo para eles também. 
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Compadeçamo-nos de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar. Eles estão em toda parte... Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo. São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior. São mães que rejeitam os filhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio. São amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgostos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos. São jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se entregam ao abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade futura. Neste Natal, façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança. Pronunciemos algumas frases de otimismo e encorajamento. Escrevamos algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir. Estendamos simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza. Não nos declaremos sem possibilidade de contribuir, nem digamos que temos todas as horas tomadas por encargos e serviços dos quais não nos podemos distanciar. Façamos algo, no soerguimento do bem. Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Algo por eles, do livro Deus aguarda, pelo Espírito Meimei, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM. Em 6.12.2016.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

AS CONVERSAS FAMILIARES

Você já pensou, em algum momento, gravar as conversas familiares? 
Tem idéia a respeito do que se fala, no lar, às refeições, por exemplo? 
E do efeito desses diálogos sobre as mentes infantis? 
Pois um professor de Sociologia da Universidade da Pensilvânia realizou a experiência. O Dr. Bossard conseguiu fartos exemplos da conversa de famílias, à hora do jantar. E, embora não tivesse imaginado, descobriu alguns estilos, definidos pelos hábitos de conversação constante. Um dos mais evidentes foi o estilo crítico. Isto é, durante a refeição, não se falava nada de bom a respeito de alguém. O assunto constante eram os amigos, parentes, vizinhos, os aspectos de suas vidas, naturalmente sempre apresentados de forma negativa. Reclamava-se das filas no supermercado, do mau atendimento em lojas, da grosseria do chefe, enfim, das coisas ruins que existem no mundo. Essa atmosfera familiar negativa redundava, conforme as observações realizadas, em crianças insociáveis e malquistas. Portanto, com problemas acontecendo na escola, na vizinhança. Em outro grupo, as hostilidades da família se voltavam para dentro, contra si mesma. Dr. Bossard classificou o grupo como os brigões, porque, sem exceção, as refeições se constituíam em torneios de insultos e brigas. Tudo era motivo para acusações mútuas. Nesse caso, as crianças absorviam o estilo que lhes criava problemas. Mesmo que isso, por vezes, viesse a se revelar depois de já crescidas e casadas, nos novos lares constituídos. Um grupo de famílias revelou um estilo exibicionista. Num primeiro momento, o observador poderia se deixar encantar pelo brilho de espírito e o bom humor demonstrado por todos. Contudo, aprofundando-se na pesquisa, essas famílias revelaram que todos se portavam como se fossem atores. E cada qual desejava sobrepujar o outro, aparecer mais. Isso redundava em crianças que, onde estivessem, desejavam ser o foco das atenções. Quando assim não acontecia, elas se sentiam desprezadas e repelidas, limitando a sua simpatia e respeito pelos outros. Mas, afinal, será que nenhuma das famílias tinha bons hábitos de conversação? Claro que sim. Essas foram adjetivadas como portadoras de atitude correta de processo interpretativo. Nesse caso, as pessoas, os acontecimentos, os fatos são comentados pela família de forma tranqüila, com dignidade e, até, com senso de humor. As crianças são animadas a participar da conversa e são ouvidas com respeito. A nota dominante, nesse grupo familiar, é a compreensão. 
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Se, ouvindo ou lendo esta mensagem, você se deu conta de que sua família pertence a um dos grupos de conversação incorreta, não se perturbe. O estilo das conversas pode ser modificado. E pode começar hoje. O primeiro passo é descobrir o estilo dominante e, num esforço conjunto da família, modificar a conversação. Afinal, um grande Mestre disse um dia que o que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai dela. Pensemos nisso. Melhorar o estilo da conversa em família não é garantia absoluta de crianças ajustadas. Mas é um meio seguro de lhes proporcionar melhores oportunidades de uma vida equilibrada, pois o exemplo é forte ingrediente na formação do caráter. 
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Cuidado com a conversa – Há crianças ouvindo, de Thomas J. Fleming, da Revista Seleções do Reader´s Digest, fevereiro de 1960. Em 20.11.2008.

domingo, 4 de dezembro de 2016

CONVERSÃO

O episódio das três negações de Pedro é muito emblemático. Contudo, antes que ele ocorresse, Jesus cuidou de alertar o Apóstolo. Segundo a narrativa evangélica, pouco antes da prisão do Mestre, deu-se uma interessante conversa. Nela, Pedro foi avisado de que corria perigo moral. Jesus lhe disse que tinha rogado por ele, a fim de que sua fé não desfalecesse. Afirmou-lhe ainda que, quando se convertesse, deveria confirmar seus irmãos. Pedro afiançou ao Cristo estar disposto a segui-lO à prisão e à morte. Então, Jesus lhe disse que, antes que o galo cantasse, ele O negaria três vezes.
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 Essa narrativa funciona como um alerta. Com frequência, ouve-se o discurso de que é preciso e suficiente aceitar Jesus. Que essa aceitação resolve de imediato todos os problemas da vida. E faz cessar as tribulações materiais e morais. Como um passe de mágica, transforma homens em quase anjos. Entretanto, não é tão fácil a genuína conversão. Muitos portadores de convicções apressadas se equivocam quanto a isso. Incontáveis dizem eu creio, mas poucos podem declarar estou transformado. As palavras de Jesus a Simão Pedro são muito simbólicas. Jesus as proferiu, na véspera do Calvário, na hora grave da última reunião com os discípulos. Recomendava ao pescador de Cafarnaum confirmasse os irmãos na fé, quando se convertesse. Acresce notar que Pedro sempre foi o Seu mais ativo companheiro de apostolado. O Mestre, habitualmente, preferia a Sua casa singela para exercer o Divino ministério do amor. Durante três anos sucessivos, Simão presenciou acontecimentos assombrosos. Viu leprosos limpos, cegos que voltavam a ver, loucos que recuperavam a razão. Deslumbrou-se com a visão do Messias transfigurado no Tabor. Assistiu à saída de Lázaro da escuridão do sepulcro. No entanto, não estava convertido. Ainda lhe faltavam os trabalhos imensos de Jerusalém. Carecia de fazer muitos sacrifícios pessoais. Deveria travar lutas enormes consigo mesmo. Somente depois poderia se considerar convertido ao Evangelho e dar testemunho do Cristo aos irmãos. Assim, não basta maravilhar a própria alma para operar-se a necessária conversão ao bem. A aceitação das revelações espirituais não logra promover a imediata transformação de um homem para Jesus. Simão Pedro presenciou essas revelações com o próprio Messias. Mas custou muito a obter tais títulos. A crença não é um passe de mágica, que tudo resolve e transforma. Ela reclama serviço intenso para frutificar. Demanda esforço, reflexões e renúncias. É preciso trabalhar firme para conseguir se converter. Aprender a servir anonimamente e a perdoar. Apenas após longas vivências no bem, o homem estará habilitado para testemunhar sua condição de cristão. Pense nisso. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 15, do livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 17.10.2012.

sábado, 3 de dezembro de 2016

CONVERSANDO COM DEUS

EMMANUEL E CHICO XAVIER
Ninguém pode duvidar da eletricidade, mas para que a lâmpada nos ilumine o aposento recorremos a fios condutores que lhe transportem a força, desde a aparelhagem da usina distante até o recesso de nossa casa. A fotografia é hoje fenômeno corriqueiro; contudo, para que a imagem se fixe, na execução do retrato, é preciso que a emulsão gelatinosa sensibilize a placa que a recebe. A voz humana, através da radiofonia, é transmitida de um continente a outro com absoluta fidelidade; todavia não prescinde do remoinho eletrônico que, devidamente disciplinado, lhe transporta as ondulações. Entretanto, como exprimir a fé? Indaga-se muitas vezes. A fé não encontra definição no vocabulário vulgar. É força que nasce com a própria alma, certeza instintiva na sabedoria de Deus que é a sabedoria da própria vida. Palpita em todos os seres. Vibra em todas as coisas. Mostra-se no cristal fraturado que se recompõe humilde, e revela-se na árvore decepada que se refaz, gradativamente, entregando-se às leis de renovação que abarcam a natureza. 
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A prece é filha da fé. Quando cultivamos a fé em nosso íntimo, naturalmente buscamos nos manter sintonizados com a Espiritualidade Maior. Temos na oração o mais eficiente sistema de intercâmbio entre o céu e a Terra. Ela nos liga a Deus e dá-nos a certeza de, no recolhimento e na solidão, estarmos com Ele. Renunciar à prece é recusar a assistência Divina. Nunca duvidemos da Paternidade Celeste. Deus vela por nós e sempre que precisarmos, nos enviará o socorro. Para que nossa prece alcance o Alto, ela deve ser motivada pela verdadeira confiança em Deus. Também deve ser sincera, humilde, vir do coração e não somente dos lábios. Podemos orar em voz alta ou no mais absoluto silêncio, mas o que realmente vale é a intenção com a qual oramos. Se, em algum momento de nossas vidas, sentirmos necessidade de pedir algo a Deus, estejamos atentos a que tipo de súplicas faremos. Deus sempre nos concederá coragem, paciência e resignação. Se fizermos nossas orações com fé e sinceridade, as respostas sempre chegarão. Mas convém mantermos a mente e o coração abertos para que possamos perceber essas respostas, pois, muitas vezes, Deus não nos enviará exatamente o que desejamos e nem da maneira como gostaríamos. Teremos o que for necessário para nos impulsionar ao crescimento espiritual e nos levar à real felicidade. 
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Conversando com Deus, pedi força e vigor, Deus me mandou dificuldades para me fazer forte. 
Pedi sabedoria, Deus me deu problemas para resolver. 
Pedi prosperidade, Deus me deu energia e cérebro para trabalhar. Pedi amor, Deus me mandou pessoas com problemas para eu ajudar. 
Pedi favores, Deus me deu oportunidades. 
Não recebi nada que eu queria, mas recebi tudo que eu precisava. Minhas preces foram atendidas. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 6,do livro Pensamento e vida, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e frases finais de Prece, de autoria desconhecida. Em 3.12.2012.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Mãe, eis aí o teu filho

Ela era jovem, na flor da idade. Fora desposada por José, que a acolhera em fidelidade e amor. Numa tarde singela, após os seus afazeres, como num sonho, recebeu a visita de um mensageiro celeste. 
-Ave, cheia de graça, retumbou a voz angélica. Deseja nosso Pai que recebas, em teus braços, o Seu filho. 
Maria teve um leve sobressalto. Mas redarguiu: 
-Faça-se em mim, pobre serva, a vontade do meu Deus. 
Os meses correram ligeiros. Em difícil viagem, José e Maria se dirigiram a Belém. Numa estrebaria simples, em meio aos animais, nasceu o Filho do Altíssimo e, numa manjedoura, foi acomodado. A seu tempo, Maria viu o seu Jesus falar e caminhar, contou-lhe histórias, dEle cuidou. Porém, próximo aos trinta anos, Ele partiu. Chegara a hora de cuidar dos negócios do Pai Maior. Doze amigos se uniram a Ele e, ao Seu lado, se puseram a caminhar. Maria ouvia rumores de que, na presença de seu filho, cegos voltavam a ver; surdos a ouvir e até aquele que era considerado morto, tornara a se levantar. Seu coração de mãe enchia-se de temores. Os orgulhosos ressentiam-se daquilo que ensinava Jesus: o amor ao próximo, o perdão das ofensas. Lições nem sempre compreendidas, mas que transbordavam o mundo de luz. Ensinando, doando-se, servindo, o Cristo semeava a paz. Quando Ele a visitava, Maria indagava: 
-Que fazes, meu filho? 
E Jesus, terno e carinhoso: 
-Eu cuido dos negócios de meu Pai. 
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Numa noite de angústias, João trouxe à mãe do Mestre o doloroso aviso: 
-Acusam-no de colocar-se contra a ordem estabelecida. Num julgamento injusto, foi condenado e ainda teve a multidão a gritar por Sua morte e pela soltura do celerado Barrabás. 
-Mulher, eis aí o teu filho. 
-Filho, eis aí a tua mãe. 
Aos pés do filho crucificado, Maria recebe a Divina missão: ser nossa mãe, mãe de toda a Humanidade. Mãe do Cristo, mãe de todos nós. Que por seu exemplo nos aproximemos de Jesus e possamos ouvir a sua voz. 
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É Natal. Ajustemos a acústica da alma para que ouçamos as vozes celestes a cantar: Glória a Deus nas alturas. Paz na Terra. Boa vontade para com os homens. Contemplemos o Menino Luz que chega ao mundo para nos iluminar a jornada e para nos ensinar a chamar Deus de Pai. Unamo-nos a Maria, a senhora do silêncio e da fé. Junto a ela, recebamos Jesus na manjedoura de nossos corações. Tudo para que o Natal se faça celebração íntima, na qual nos encontremos com o Cristo descrucificado, e presente na vida daqueles que O seguimos. Presente na vida daqueles que O desconhecem. Daqueles que sofrem, dos que temem, dos que sentem fome, dos adoentados, dos que, arrependidos, buscam no olhar do Mestre o recomeço... 
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A Mãe Santíssima compreendeu a sua missão ao contemplar os olhos de seu filho. A exemplo de Maria, busquemos o olhar de Jesus, a fim de atendermos ao seu convite: Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. 
Redação do Momento Espírita. Em 1.12.2016
http://momento.com.br/

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CONTRIBUIR HOJE

Conta-se que um rico fazendeiro foi queixar-se ao padre da paróquia local, dizendo que as pessoas não o viam com bons olhos porque ele não ajudava as outras pessoas nem contribuía com as obras assistenciais da igreja. 
-Ora, disse o fazendeiro, todos sabem que, quando eu morrer, deixarei tudo o que tenho para a igreja e seus pobres. 
O sacerdote, homem sábio, disse ao fazendeiro: 
-Vou lhe contar uma história. A história da vaca e do porco. Um dia o porco foi reclamar com a vaca porque ninguém lhe dava valor. Todos o desprezavam. 
-"Afinal", disse ele, "eu doo tudo o que tenho aos homens. Eles consomem a minha carne, usam meus pelos para fazer pincéis, e aproveitam até meus ossos. Mesmo assim sou um animal desconsiderado. O mesmo não acontece com você, que dá apenas o leite e é reverenciada por todos", concluiu o pobre porco. 
A vaca, que ouvia com atenção, falou: 
-"Talvez seja porque eu doo um pouco de mim todos os dias, enquanto estou viva, e você só tem utilidade depois de morto. 
O fazendeiro agradeceu ao padre pela lição e se retirou pensativo.
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E você, em que tem contribuído com a sociedade da qual faz parte, enquanto está a caminho? Muitos pensam e agem como o fazendeiro. Pretendem dispor dos seus bens apenas depois da morte, quando não precisarão de mais nada. Outros pensam em doar um pouco do seu tempo ao próximo só depois que se aposentarem. No entanto, a necessidade não aguarda o tempo propício para visitar os desafortunados. A carência pede socorro agora, não mais tarde. A necessidade roga mãos caridosas hoje, não amanhã. A ignorância solicita esclarecimento imediato, não num futuro distante. Existem tantas frentes de trabalho aguardando mãos dispostas a se movimentar em prol do semelhante, nos mais variados campos de ação. Basta boa vontade e disposição. Os recursos que Deus coloca em nossas mãos são para serem movimentados em favor do bem geral, produzindo bem-estar e fomentando a esperança. E, por recursos, entendemos não só os bens materiais, mas a saúde, a lucidez, as condições favoráveis de modo geral. 
Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, perguntou aos Sábios do Além se, para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal. E os Benfeitores responderam: 
-Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem. 
Percebemos, assim, que o mal que resulte da nossa omissão ou indiferença, será de nossa inteira responsabilidade perante as leis maiores. Quando temos condições de praticar o bem e não o fazemos e daí resultar algum mal, esse será por nossa conta. Questão grave esta, que merece nossa atenção. Se somos daqueles que dizemos: 
-Eu não faço mal a ninguém, e achamos que isto basta, reconsideremos nossos conceitos, pois as leis estabelecem que devemos fazer o bem no limite de nossas forças. 
E nossas forças contemplam tudo o de que dispomos em nosso favor: forças físicas, intelectuais, morais, financeiras. Assim sendo, é importante que façamos um balanço das nossas possibilidades e as movimentemos, de forma efetiva, na construção de uma sociedade mais justa e mais feliz, agora. 
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Se você tem condições de auxiliar uma criança pobre a ter acesso à escola e à saúde, agora, talvez esteja evitando que um criminoso a mais se movimente pelas ruas, amanhã. Se você pode custear a Universidade de um jovem carente, hoje, e não o faz, é bem provável que tenhamos um delinquente a mais no futuro. Enfim, se você pode ajudar a construir escolas no presente, por que esperar a necessidade de se construir prisões amanhã? Pense nisso, mas pense agora. 
Redação do Momento Espírita, com base no item 642 de O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. Feb, e no vídeo Um impulso para as águias, da Siamar. Em 03.11.2011.