domingo, 7 de agosto de 2016

COMO DEUS QUER!

Às vezes, quando nuvens borrascosas enegrecem o céu, anunciando chuva, olhamos para cima e dizemos: Ah, deveria chover somente da meia-noite às seis da manhã. Aí, a chuva faria seu papel e não atrapalharia a vida de ninguém. Em outros dias, quando a estiagem se faz longa, ficamos aguardando que as nuvens prenunciadoras da chuva benfazeja cheguem logo. Paradoxalmente, se o final de semana se aproxima e o anúncio é de aguaceiro, reclamamos: Tinha que ser no final de semana!? Precisava chover para estragar o meu lazer? Outros, ao contrário, dizem: Por que chove durante a semana, quando se precisa sair para estudar, trabalhar? Deveria chover só nos feriados. Todas essas expressões, que são muito comuns em nosso cotidiano, demonstram o quanto ainda somos egoístas. Pensamos somente em nós. Quando pedimos chuva pela madrugada, não recordamos de quantos guardas-noturnos passam aquelas horas montando guarda, andando de um a outro lado. Nós estaremos abrigados em casa. Eles, não. Quando não apreciamos a chuva nos finais de semana, não cogitamos que o agricultor a aguarda, ansioso, a qualquer hora. Dela depende a vida da sua lavoura, do seu empreendimento. Sem chuva, a plantação morrerá, não haverá colheita, não haverá grãos, nem folhas. Aqueles que apreciariam a chuva nos dias em que não precisam sair para seus afazeres, esquecem que muitas mães e pais aguardam, igualmente ansiosos, o final de semana para poder sair com os filhos. Para ir ao parque, passear, jogar bola. Que muitos cogitam ir à praia, para espairecer, após a semana de labor estressante. Por tudo isso é que Deus, a Sabedoria e Suprema Inteligência, estabelece leis primorosas e justas, sem ficar a ouvir as imprecações de uns e os pedidos de outros. Ele estabelece que a chuva virá, quando as condições assim o permitirem. E ela vem, amiga, lançando-se ao solo, enchendo rios, alimentando lençóis subterrâneos. Derrama-se pelas lavouras, banha as árvores frondosas e a erva miúda. Higieniza a atmosfera. Alegra a natureza. Constatamos, desta forma, que o melhor para o mundo é mesmo a vontade de Deus. Ele distribui as bênçãos da chuva, do sol, dos ventos ligeiros, da brisa, das grandes tempestades, com toda a ciência. Somente Ele, o Pai de todos nós, sabe exatamente o que necessita cada um de Seus filhos. E, como Excelso Administrador, não atenta para os caprichos de um e de outro, mas delibera pelo que seja mais produtivo, em termos de progresso, para a Terra e Seus filhos. Por isso, quando o sol se fizer inclemente, ou a chuva se fizer contínua por largo período, pensemos: Deus sabe o que faz. Na Terra de provas e expiações em que nos situamos, ainda por muito tempo estaremos a braços com essas vicissitudes que são as intempéries, a que chamamos de capricho do clima, ou resultado de nossa própria imprevidência. Também cogitemos de que habitamos um planeta com mais de seis bilhões de pessoas e que, de forma alguma, podemos pensar somente em nossas necessidades e nossos desejos. Habituemo-nos, pois, em questões cujo comando nos foge, a crer que a vontade de Deus é a melhor. Por Sua sabedoria, por Seu amor, por Sua ciência de todas as coisas, Ele sabe o tempo de tudo prover para os filhos a quem concedeu o imenso campo planetário para viver, crescer e semear. Pensemos nisso! 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. Fep. Em 2.1.2013.

sábado, 6 de agosto de 2016

COMO DEFINIR "SAUDADE"!

Como se pode definir a saudade? Dor da ausência de quem atravessou o umbral da porta e não mais voltou? De quem se foi, tomado de mágoa, e disse que jamais retornaria? Dor pela ausência de quem foi abraçado pela morte, depois de uma despedida que nunca aconteceu, porque tudo foi repentino, brusco, inesperado? O que é isso que dói tanto e quanto mais passa o tempo mais parece machucar? Segundo o dicionário é a lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. É verdade. Sentimos saudades de pessoas e de coisas já vividas, de coisas que já possuímos. Sentimos saudade da espetacular viagem realizada, em que conhecemos lugares tão pitorescos, em que respiramos ares tão diversos, em que nos deixamos envolver pela sua magia e encantamento. E desejamos, ardentemente, reprisar. Por isso, sonhamos. Sonhamos enquanto dormimos ou de olhos abertos, durante o dia mesmo. Desejamos retornar àquelas localidades para tornar a sentir as mesmas emoções, que ficaram gravadas em nossa intimidade. Temos saudades da casa da nossa infância, onde fomos felizes. A casa com o terreno tão grande, cheio de árvores, que nos conheceram muito bem. Afinal, subíamos nelas todos os dias, fossem dias escolares ou de férias. Quantas frutas saboreamos no pé de ameixa, de caqui, sem mesmo nos darmos ao luxo de lavá-las. Eram nossas, do nosso quintal, portanto, no nosso entender de crianças peraltas, estavam limpas. E eram tão saborosas! A saudade nos traz a vontade de tornar a encontrar aqueles sabores, tão peculiares, diferentes das frutas que adquirimos no mercado. Saudade é algo estranho. Ela nos lembra de pessoas, de momentos, de fatos que desejamos se reprisem. Nostalgia. A alma sente vontade de sentir de novo aquela mesma alegria, aquela emoção, aquele cheiro, aquele sabor. Quando se trata de pessoas, dizem que saudade é a ausência do fluido, da energia delas, que ficou impregnado em nós, enquanto estávamos juntos. É o residual dos tantos abraços e afetos trocados. E que, com o tempo, vai se diluindo, desaparecendo. Aí a saudade estende laços e aperta. 
 * * * 
Definir é difícil. O poeta a descreve de uma forma, o literato de outra, o psicólogo estabelece análise peculiar. Enfim, não importa. O que importa mesmo é que ela nos envolve e nos machuca, desejando ser saciada. Por isso, é muito importante que cada momento ao lado de quem amamos, seja vivido de forma intensa. Que gravemos na memória as particularidades, que fotografemos com o coração o que desejamos rememorar, em dias de saudade. Hoje é o dia em que devemos viver com toda intensidade, amar, abraçar com toda a intensidade, usufruir dos cheiros, dos sabores, das belezas com toda a intensidade. Hoje, enquanto o dia é oportunidade. Amanhã ou mais tarde, se precisarmos, acionaremos essas lembranças intensas, essas memórias profundas para alimentar a nossa infinita saudade... Não nos permitamos perder o momento presente, rico, insuperável. 
Redação do Momento Espírita. Em 19.10.2015.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

COMO CRIAR UM DELINQUENTE

Quando se fala em delinquência, muitos pais sofrem só em pensar no que esse termo representa. Alguns de nós pensamos e repensamos em como pode uma criança cordata, amável durante a infância, tornar-se um delinquente na adolescência ou na juventude. Nós não nos damos conta que somos, enquanto educadores, muitas vezes os responsáveis pela delinquência que vige no mundo. O Departamento de Polícia de Houston, Texas, elaborou uma lista enumerando algumas maneiras fáceis de como criar um delinquente. 
A lista é a seguinte: 
1 - Comece, na infância, a dar ao seu filho tudo o que ele quiser. Assim, quando crescer, acreditará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja. 
2 - Quando ele disser palavrões, ache graça. Isso o fará considerar-se interessante. 
3 - Nunca lhe dê orientação religiosa. Espere até que ele chegue aos vinte e um anos, e "decida por si mesmo". 
4 - Apanhe tudo o que ele deixar jogado: livros, sapatos, roupas. Faça tudo por ele, para que aprenda a jogar sobre os outros toda a responsabilidade. 
5 - Discuta com frequência na presença dele. Assim não ficará muito chocado quando o lar se desfizer mais tarde. 
6 - Dê-lhe todo o dinheiro que quiser. Nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Por que terá ele de passar pelas mesmas dificuldades que você passou? 
7 - Satisfaça todos os seus desejos de comida, bebida e conforto. (Negar pode acarretar frustrações prejudiciais). 
8 - Tome o partido dele contra vizinhos e policiais. (Todos têm má vontade para com o seu filho). 
9 - Quando se meter em alguma encrenca séria, dê esta desculpa: "Nunca consegui dominá-lo." 
Aja assim e prepare-se para uma vida de desgosto. É o seu merecido destino. 
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Quando nos queixamos do desgosto por que nos fazem passar os filhos, normalmente esquecemos todos esses detalhes enumerados pela polícia de Houston. Enquanto ainda são crianças, imaginamos que jamais venham a delinquir. Em verdade é esse o nosso mais profundo desejo. No entanto, é bem possível que nos equivoquemos procurando acertar. Procurando fazer o melhor para esses seres tão queridos aos nossos corações. Se temos a intenção de fazer de nossos filhos cidadãos responsáveis e dignos, comecemos a prestar mais atenção na forma de educação que lhes damos. Ensinar-lhes a tolerar frustrações, estabelecer regras a serem respeitadas, limites a serem observados, é sempre importante. Consideremos que nossos filhos são Espíritos reencarnados e como tais, trazem consigo a bagagem de erros e acertos conquistados ao longo das existências. Consideremos, ainda, que todos nascemos para galgar degraus na escala evolutiva e sejamos os impulsionadores daqueles a quem Deus nos confiou a educação. Dessa forma, de nada teremos que nos arrepender mais tarde. 
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É na adolescência que o Espírito retoma a bagagem de experiências acumuladas ao longo da sua caminhada evolutiva. É que na adolescência o corpo e o psiquismo já estão preparados para receber essas informações. Não é outro o motivo pelo qual muitos pais desconhecem os filhos, que passam a ser outra pessoa, dizem, quando chegam à adolescência. Até aos sete anos de idade a criança é mais suscetível aos ensinamentos. Por isso devemos nos esmerar para dar-lhes uma educação efetiva, de forma que esta possa suplantar as informações equivocadas que porventura traga o nosso filho, de existências anteriores. 
Redação do Momento Espírita, com base em mensagem volante atribuída à polícia de Houston, Texas. Disponível no livro Momento Espírita, v. 3, ed. Fep. Em 27.06.2011.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

COMO CONVENCER AS PESSOAS

T
                               
Todos temos e fazemos opções que nos guiam em nossa trajetória terrena. Escolhemos nossa tendência política, valores com que conduzimos nossa vida, a maneira como vivenciamos nossa religiosidade. Essas escolhas são frutos de nossas vivências, aprendizado, reflexões. É natural que elas se tornem algo tão importante para nós, que as defendamos e as confrontemos ante outras ideias e conceitos. Com certeza, já nos deparamos com pessoas que, imbuídas de suas convicções, insistem em delas nos convencer. Com seus argumentos, abraçados em suas ideologias, passam a travar verdadeiras batalhas de palavras, promovendo quedas de braço intelectuais, na tentativa de convencimento. De igual forma, defendemos apaixonadamente a religião a que nos vinculamos. Desdobramo-nos para mostrar quão melhor se apresenta a nossa opção político-ideológica. Nisso tudo, esquecemos que nossos argumentos talvez não sejam a melhor maneira de convencer a quem quer que seja. Argumentos e conceitos exigem esforço intelectual, reflexão, análise. Contudo, a vivência daquilo que cremos e defendemos, é uma mensagem muito mais forte e arrebatadora. Sair dos conceitos teóricos e trazê-los para nossos parâmetros de conduta, nos exige muito mais do que bons argumentos. Viver nossos ideais é desafiador. Diariamente temos que confrontá-los com nosso mundo íntimo e com os convites e caminhos que a vida nos oferece, muitos deles divergentes das convicções que abraçamos. Porém, aquele que logra viver, ou mesmo esforça-se por vivenciar nobres ideais, propostas elevadas, traz em suas atitudes argumentos silenciosos, no entanto, muito expressivos. Ideal seria, pois, que buscássemos tornar nossas atitudes coerentes ao que defendemos e apresentamos, desejando convencer os outros. O discurso da honestidade, saindo da boca do corrupto, não ganha nenhum significado. Argumentos em prol da paz, vindos do tirano doméstico, são vazios e sem valor. O egoísta jamais convencerá alguém a respeito da solidariedade e do amor ao próximo. Serão sempre nossas ações que demonstrarão a grandeza dos conceitos. Gandhi não convenceria ninguém sobre o poder de atitudes pacifistas, se ele não tivesse vivido tal ideal. A proposta de Francisco de Assis, de amor às coisas de Deus, não teria nenhum significado se ele não fizesse de toda a sua vida um cântico amoroso. E Jesus não teria dividido a História em antes e depois de Sua vinda, se o Seu viver não fosse todo ele de amor ao próximo e a Deus acima de todas as coisas, como Ele mesmo asseverou ser o maior mandamento. Dessa forma, busquemos viver o ideal que abraçamos. Antes do esforço de convencermos com argumentos, exemplifiquemos com ações. Tornemo-nos mensagens vivas, referência para aqueles que caminham no mundo carentes de valores nobres e ideais de plenitude.
Redação do Momento Espírita. Em 19.5.2016.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

COMO APRENDER VIRTUDES

Como podemos nos tornar pessoas melhores? Como retirar do coração e da mente sentimentos e valores que não apreciamos mais, que não nos fazem bem? Com certeza esse tipo de pensamento, esse desejo, essa preocupação nos ocorre, com certa frequência. Perdemos a calma quando desejaríamos ter muita paciência. Falamos rispidamente quando teríamos preferido não alterar a voz. Utilizamos palavras rudes quando melhor seria que mantivéssemos a gentileza e os bons tratos. Quantas vezes isso ocorre? Quantas vezes não nos vemos exatamente nessas situações? Depois que os momentos de fúria passam, sentimos como que uma ressaca moral a nos maltratar, arrependidos por termos agido de forma tão desagradável. Nesse momento, voltamos a nos perguntar: Como nos tornarmos pessoas melhores? Como nos modificarmos de dentro para fora? Esse é o grande desafio de todos nós: conquistar o progresso moral, insculpindo em nossa intimidade valores nobres. Porém, logo nos perguntamos: Como aprender aquilo que ainda não sabemos? Como nos alfabetizarmos nas lições que ainda não dominamos? A lógica nos diz que, para um bom aprendizado, é necessário um bom mestre e uma boa cartilha. Para se iniciar em um campo que desconhecemos, busquemos o melhor exemplo, a melhor referência. E, quando falamos de progresso moral, da busca de virtudes que nos farão melhores, qual a melhor referência? Quando questionados a respeito do tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e modelo, os Espíritos superiores responderam a Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, em uma síntese perfeita: Jesus. É por isso que, sem sombra de dúvida, afirmamos que Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que podemos aspirar na Terra. Não há melhor Mestre para nos ensinar as virtudes do que Ele, o pastor das nossas almas. Amoroso sem perder a firmeza, compreensivo sem ser complacente, Jesus oferece em Suas lições o melhor roteiro para as dificuldades morais que ainda atravessamos. Reflitamos sobre as bem-aventuranças... Quantos de nós investimos nossa vida, ou educamos nossos filhos para que sejamos todos misericordiosos, ou mansos ou pacíficos? Quantos acreditamos que é uma ventura ter sede e fome de justiça ou ainda chorar e ser pobre de espírito? Sabedor das nossas dificuldades e mazelas, foi Jesus quem nos indicou buscá-lO, quando estivéssemos cansados e aflitos pois Ele nos aliviaria. Ensinando que Seu fardo é leve e suave o Seu jugo, esclareceu que o grande alívio da alma é Sua proposta de amar. Portanto, quando cansados de nós mesmos, quando fartos de repetir os mesmos erros e tropeçar nas mesmas dificuldades, busquemo-lO. Seja na reflexão em torno de Seu Evangelho, seja na prece a nos conectar com Ele, buscar Jesus será sempre a terapia maior para nossa alma. Quando, corajosamente, O adotarmos como o Modelo e Guia para nossos dias, alegrias e venturas terão morada permanente em nossos corações. E, finalmente, alcançaremos a reforma interior que tanto desejamos. Redação do Momento Espírita. Em 26.4.2014.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

COMO AMAR A DEUS!

Haroldo Dutra Dias
Várias são as passagens da Boa Nova onde os evangelistas relatam o encontro de Jesus com os doutores da lei. Eram esses homens versados e preparados para interpretar e discutir a Torá, os livros sagrados do Judaísmo. Porém, não raro, as instruções de Jesus e Sua relação com a sociedade os incomodava. Não conseguiam reconhecer, naquele homem humilde, condições de estar à altura de um intérprete das leis de Deus. Por isso, várias foram as vezes em que foram ter com Jesus para testá-lO. Em um desses encontros, um doutor da lei pergunta a Jesus o que é necessário fazer para herdar a vida eterna. E Jesus lhe pede que cite o que estava escrito na lei. O doutor da lei prontamente citou o texto conforme a cultura judaica: Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento. E o estudioso ainda completou o raciocínio com um outro versículo, esse do livro de Eclesiastes: E ao teu próximo como a ti mesmo. Jesus, frente à completude e sabedoria dos textos citados, apenas respondeu ao doutor da lei: Faze isso e viverás. A resposta de Jesus nos provoca profundas reflexões. Primeiramente, pode-se concluir dessas citações que o amor a Deus só se consubstancia amando ao próximo. Se não se amar ao próximo, não há como amar a Deus. E como amar a Deus? O próprio texto citado nos encaminha para a resposta. Primeiramente: Amar a Deus de todo o coração. Como o coração para os judeus era a sede da inteligência e da emoção, amar de todo o coração é amar em pensamento e em sentimento. Logo em seguida, o texto nos propõe o segundo nível do amor: Amar a Deus de toda a alma. Sendo a alma o Espírito unido ao corpo, a interpretação judaica para essa passagem é que é necessário que o amor se externalize em ações do corpo físico. Assim, além de amar em pensamento e sentimento, é necessário demonstrar o amor ao próximo com ações concretas, com atitudes que sejam o reflexo da alma. E, por terceiro, conclui o texto: Amar com todas as forças. A interpretação hebraica para a força é tudo aquilo que se tem, o que se possui. São as posses. Nesse nível de amor, é colocar aquilo que se possui, a condição social, a serviço de Deus, em favor do amor ao próximo. 
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Assim, ao nos propormos amar a Deus e ao próximo, como recomenda Jesus, não nos esqueçamos de que esse amor deve se desdobrar em três grandes níveis. Amar de todo o coração, amar de toda a alma e, por fim, colocar nossas posses a serviço de Deus e do amor ao próximo. Dessa forma, sempre haverá uma situação onde podemos desenvolver esse ou aquele aspecto do amor ao próximo. Basta que ensaiemos os primeiros passos. E não esqueçamos da recomendação final de Jesus: Faze isso e viverás. 
Redação do Momento Espírita, com base na palestra A parábola do bom samaritano, proferida por Haroldo Dutra Dias, no Teatro da Federação Espírita do Paraná, em 28.08.2010. Em 03.03.2012

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

COMEMORAÇÃO DOS MORTOS

LÉON DENIS
Dois de novembro. Em todos os cemitérios, o número de pessoas para a visitação é bastante expressivo. Pessoas viajam quilômetros para vir depositar flores ou acender velas nos túmulos dos familiares ou amigos. Alguns dedicam este dia para passá-lo no cemitério, quase o dia todo. Afirmam que ali estão ao lado dos seus amores. O fenômeno não é novo e se repete a cada ano. Época que os vendedores de flores e de velas festejam. A comemoração dos mortos é de iniciativa gaulesa. A Gália ocupava o território que hoje corresponde a França. Os gauleses festejavam no dia primeiro de novembro a Festa dos Espíritos, que se realizava não nos cemitérios mas sim em cada habitação, onde os videntes e médiuns da época evocavam as almas dos defuntos. No seu entender, os bosques e as áreas de pouca vegetação eram povoadas por Espíritos errantes. Os gauleses não honravam os cadáveres. A vida verdadeira era a espiritual, a imortal. Os despojos dos guerreiros mortos, diziam, nada mais eram que invólucros gastos. Para surpresa dos seus inimigos, eles os abandonavam nos campos de batalha, como indignos de atenção. Comunicavam-se com o mundo invisível. O seu templo era a floresta secular. Os murmúrios do vento, o barulho das folhas, produziam em tudo acentos misteriosos, que impressionavam a alma e a levavam à meditação. O visco, sempre verde, era o símbolo da Imortalidade. Deles podemos colher algumas lições, como seja, de lembrar os nossos afetos ditos mortos como seres vivos que se movimentam na Espiritualidade. Despojaram-se da carne, mas prosseguem vivos. Portanto, não os devemos procurar nas tumbas frias. Não são habitantes dos jazigos, nem dos cemitérios. As horas que vivem são distribuídas para o estudo e o trabalho. Nenhuma ociosidade desde que o não fazer nada é extremamente penoso. Se eles vão aos cemitérios? Naturalmente e, neste dia, em maior número, pois as pessoas os chamam através das lágrimas, as exclamações, as oferendas. Comparecem aos cemitérios como o fariam a qualquer outro lugar, em que um ou mais corações os chamassem. Da parte dos que estão encarnados, comparecer ou não aos cemitérios, neste dia, é decisão pessoal. O importante é se conscientizar de que os nossos amores não estão encerrados nos caixões. Prosseguem em atividades ou recuperação. Merecem-nos respeito como respeitamos o convalescente no hospital ou o executivo em seu escritório, às voltas com suas tarefas. Se os quisermos honrar, falar da nossa saudade, a melhor comunicação é o diálogo dulcificado pela oração. O Espírito do poeta português Camilo Castelo Branco, narrando suas experiências após a morte física, diz da sua surpresa ao observar desenhado em uma tela, qual projeção cinematográfica, o perfil de pessoas que por ele oravam na Terra. Isto o reconfortava e o auxiliava a superar as dores que o atormentavam. Deste modo, como as nossas palavras e recordações atingem e influenciam os Espíritos, o amor verdadeiro nos dirá que os vocábulos que saírem das nossas bocas deverão ser tranquilizadores. Que as evocações mentais deverão ser sempre as da alegria, das felizes recordações. Não mentalizemos os que se foram como se estivessem gélidos e imóveis nas urnas funerárias. Ao contrário, pensemos neles ativos, lúcidos, vivendo a nova realidade. Não deixaram de nos amar. Como nós, têm saudades. Ansiariam estar conosco. Mas como o aprendizado em que se encontram é de suma importância, não sejamos nós a lhes opor obstáculos e criar algemas. Se algo lhes desejamos ofertar, que seja a prece sentida e vivida. Prece que dulcifica a saudade, aproxima as almas e reconforta o Espírito. 
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Os egípcios antigos acreditavam que, após a morte, eles viveriam numa nova terra. Acreditavam que, para gozarem devidamente a vida após a morte, necessitavam de comida, bebida e todas as posses que tinham na Terra. Por isso, todas essas coisas eram postas nos túmulos. O que atraía sempre a cobiça de homens, que lhes violavam as tumbas para se apossarem dos tesouros. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. 4, pt. 1, do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb. Disponível no CD Momento Espírita, v. 17, ed. Fep. Em 03.11.2010.