segunda-feira, 7 de setembro de 2015

APRENDENDO COM O MESTRE

Augusto Cury
Jesus é nosso Modelo e Guia. Como Modelo, foi irrepreensível. Quando chegou ao Calvário, naquela sexta-feira, lá pelas nove da manhã, estava exausto e profundamente fatigado. Ele fora torturado durante a noite. Agora seria crucificado. Os governadores romanos puniam com a cruz seus piores inimigos. Uma arte que eles tinham aprendido com os gregos, que a tinham aprendido dos fenícios. A crucificação era uma punição cruel. O criminoso ficava muitas horas, às vezes até três dias, pendurado na cruz. Morria por hemorragia, desidratação, insolação e falência cardíaca. Os gemidos de uma pessoa crucificada ecoavam, por meses a fio, na alma dos homens, gerando medo. Por isso, era uma arma de domínio, na mão dos romanos. Contudo, antes de crucificar o condenado, os soldados costumavam dar a ele uma bebida anestésica: uma mistura de vinho, fel e mirra. Era um lampejo de misericórdia para com os crucificados. Ela aliviava a dor produzida pelos cravos que lesavam músculos, nervos, fraturavam ossos e rompiam vasos sanguíneos. Quase sempre, apesar do anestésico, os condenados se torciam e urravam de dor. Precisavam ser contidos por vários soldados, a fim de que fossem presos à cruz. Os primeiros golpes dos cravos nos punhos e pés eram insuportáveis. Os gritos se casavam aos estalidos dos martelos. Alguns condenados desmaiavam, outros entravam em confusão mental e havia os que chegavam a enfartar devido ao trauma da dor. Por isso, ninguém recusava a bebida anestésica. Contudo, para espanto dos soldados, Jesus a recusou. Ele conservou Sua lucidez antes e durante toda a crucificação. Quando os soldados O deitaram no madeiro, Ele não ofereceu resistência. Os homens poderiam Lhe tirar tudo, até a roupa, mas não Lhe arrancariam a consciência. Enquanto Seu corpo morria, Ele continuava livre para pensar. A atitude corajosa de Jesus de não usar uma droga anestésica para aliviar a Sua dor, traz uma grande esperança aos usuários de drogas de todo o mundo. O homem sempre amou a liberdade, mas quando adentra pelo mundo das drogas, ele se enclausura na pior prisão do mundo: o cárcere da emoção. Estar contido atrás de grades é angustiante. Ser preso por algemas no território da memória é trágico. Com o tempo, os usuários de drogas diminuem sua capacidade de gerenciar seus pensamentos, ainda que sejam pessoas inteligentes e cultas. O mais amável e inteligente dos homens, Jesus Cristo, recusou o seu uso. Ele desejou ser livre e consciente, não se importando com o preço a ser pago. O uso de drogas psicotrópicas, sem necessidade médica, conspira contra a liberdade de pensar e sentir. Nunca atente contra sua consciência. E se você já é alguém atado às drogas, acabe com esse romance dentro de si e liberte-se. Não importa que tentando, você sofra recaídas. Tente outra vez. O importante é ser livre. Lute contra tudo que conspira contra sua consciência e sua qualidade de vida. Ninguém, a não ser você mesmo, pode fazer isso. Pense nisso! 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 5, do livro O Mestre do amor, de Augusto Cury, ed. Academia de Inteligência, Coleção Análise da Inteligência de Cristo. Em 18.12.2014.

domingo, 6 de setembro de 2015

APRENDENDO COM A VIDA

Existem muitas oportunidades na vida que perdemos por estarmos olhando na direção oposta. Ou, por estarmos distraídos, e só nos darmos conta quando a brisa da sua passagem nos atinge, ou seja, tarde demais. Existem criaturas infelizes, no mundo, porque não pronunciaram certas palavras, não tomaram determinadas atitudes, enfim, não fizeram algo que lhes teria sido muito importante. Foi certamente pensando em tudo isso, que William Shakespeare escreveu o poema Eu aprendi e que, numa tradução livre, diz mais ou menos assim: 
Eu aprendi que a melhor sala de aula do mundo está aos pés de uma pessoa mais velha. 
Eu aprendi que basta uma pessoa nos dizer: “Você fez meu dia”, para ele se iluminar. 
Eu aprendi que ter uma criança adormecida nos braços é um dos momentos mais pacíficos do mundo. 
Eu aprendi que ser gentil é mais importante do que estar certo. 
Eu aprendi que sempre podemos orar por alguém quando não temos a força para ajudá-lo de alguma outra forma. 
Eu aprendi que não importa quanta seriedade a vida nos exija, cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto. 
Eu aprendi que, algumas vezes, tudo de que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender. 
Eu aprendi que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos. 
Eu aprendi que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular. 
Eu aprendi que ignorar os fatos não os altera. 
Eu aprendi que cada pessoa que conhecemos deve ser saudada com um sorriso. 
Eu aprendi que devemos sempre ter palavras doces e gentis, pois amanhã talvez tenhamos que engoli-las. 
Eu aprendi que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar nossa aparência. 
Eu aprendi que não podemos escolher como nos sentir, mas podemos escolher o que fazer a respeito. 
Eu aprendi que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre enquanto estamos escalando a montanha. 
E, finalmente, eu aprendi que quanto menos tempo temos, mais coisas conseguimos fazer. 
* * * 
Se temos avós no lar, aproveitemos para lhes ouvir as histórias das suas vidas. Aproveitemos a sua sabedoria antes que eles partam para as terras espirituais e fiquemos amargando a saudade. Se temos crianças no lar, aproveitemos para lhes observar o sono, povoado de sonhos doces e ainda frescos dos orvalhos das manhãs. Aprendamos com elas a nos entregar ao sono em tranquilidade e paz, usufruindo de cada momento para uma verdadeira recomposição das forças da alma. Se temos conosco mãe, pai, um amor, digamos hoje, enquanto o sol brilha e as nuvens espalham manchas brancas no céu azul, digamos o quanto eles são importantes para a nossa vida, o quanto os amamos, o quanto os queremos bem. Façamos isso hoje, já, agora, antes que o dia passe, a noite venha e as palavras morram, estranguladas, em nossa garganta, pela oportunidade desperdiçada, outra vez. 
Redação do Momento Espírita, com base em tradução livre do texto I have learned, de William Shakespeare. Em 11.1.2014.

sábado, 5 de setembro de 2015

APRENDENDO COM AS CRIANÇAS

Luis Carlos Lisboa
“Um brinquedo, uma roupa, a pequena cama – os objetos que cercam a vida de uma criança conservam a sua energia quando ela se ausenta para ir à escola ou viaja.. Há naquelas coisas uma vibração que se percebe no ar.” 
A beleza da desordem... A desordem dos brinquedos espalhados pela sala; peças repletas de cores, sons, cantos arredondados e delicadeza. A caminha desfeita, ainda aquecida, e lá novamente aquele desalinho sutil, terno, de pequenos cobertores e mantas sobrepostos, desencontrados e multicolores. Tudo parece tão vivo, mesmo na ausência da protagonista daquele espetáculo radiante. As crianças modificam os ares por onde passam. Modificam o sentido da vida dos mais próximos. Poucos – pobres no sentir – resistem ao seu sorriso, que nos faz recordar com clareza como são os sorrisos sinceros (tão esquecidos nos dias de hoje). Poucos passam por elas sem receber uma injeção de vida, de coragem, pois são mensagens vivas de Deus aos homens dizendo, quem sabe: Sejam gratos pela oportunidade da vida! Ou: A Criação é um hino constante de alegria, não deixem de ouvi-lo dia após dia! E elas, as crianças, são arautos dos Céus, que mantêm em nossa Terra a docilidade, a esperança, a pureza. Muitos – pobres no sentir – talvez ainda vejam a infância apenas como um período de preparação para a vida real. Lamentável conclusão - precipitada e dura. O que é a vida real? Poderíamos perguntar. A vida dos adultos que se esqueceram de sorrir, de brincar? Que se esqueceram dos verdadeiros objetivos que os trazem aqui? A vida do ter, da busca desenfreada pelo tal sucesso? Não creia que a dita vida real esteja nas coisas do Mundo, e nas conquistas materiais. Quem sabe, se soubéssemos perceber melhor a rotina das crianças, notaríamos nuances fabulosas desta verdadeira vida real. A vida dos detalhes, da simplicidade, do viver o momento, dos abraços, beijos e carinhos. A vida da valorização da família, da gratidão aos pais, da atenção ao pequeno bichinho que passa de uma folha para outra no jardim. As crianças nos trazem lições constantemente. Não somos nós, os adultos, que ensinamos a elas as coisas da vida, apenas. Elas nos mostram caminhos, cores, espectros luminosos, da grande e verdadeira vida do Espírito. 
* * * 
E lhe trouxeram crianças para que as tocasse; os discípulos, porém, as repreendiam. Vendo isto, Jesus disse-lhes: 
"Deixai virem a mim as crianças, não as proibais, porque destas é o Reino de Deus. Em verdade vos digo, quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de modo algum entrará nele". 
E abraçando-as, as abençoava, pondo as mãos sobre elas. 
Redação do Momento Espírita com base em citação retirada da obra O som do silêncio, de Luis Carlos Lisboa, ed. Verus e do Evangelho de Marcos 10:13-16.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

APRENDENDO COM AS ÁRVORES

Olavo Bilac
O poeta Olavo Bilac, em poucos versos, nos convida a olharmos as árvores, as velhas árvores, tanto mais belas quanto mais antigas, vencedoras da idade e das procelas. As árvores têm muito a nos ensinar. Uma das suas grandes lições é sua capacidade de adaptação. Elas tanto crescem num cantinho do quintal, a partir de um caroço que foi jogado a esmo quanto, inconformadas, destroem a calçada de concreto com a força das suas raízes. Na juventude, se dobram, ao sabor dos ventos fortes, vergam como em um grande exercício de flexibilidade. Depois, passada a tormenta, ei-las de tronco ereto. E, com o passar dos anos, vão se deixando enrijecer, alargando aqui, rompendo outros galhos logo acima, enriquecendo a cabeleira frondosa e amiga. Copa de sombra. Ninho de tantos pequenos alados. Alegria da criançada que adora se aninhar aqui e ali, para observar a paisagem de melhor ângulo. Ou amarrar cordas para um balanço. Ou montar uma casa ali mesmo, nas alturas. Ou, simplesmente, subir até onde possa para saborear os frutos, diretamente da generosa fonte. Caprichosas, as árvores se enchem de flores, explodindo em cores. E, para que todas possam ter seu momento especial de desfile, elas se revezam no calendário. As quaresmeiras roxas em março, os ipês rosa em julho, os jacarandás mimosos, com sua chuva lilás, em novembro. Ainda se permitem servir de palco e auditório para a passarinhada que, mesmo nas grandes cidades, canta acima de todos os decibéis dos carros do trânsito alucinado. Velhas árvores amigas, veem as gerações se sucederem. Observam a criança crescer, amadurecer. Acompanham-lhes os filhos que, também, delas irão se servir. Servir da sombra, dos frutos, das flores. Envelhecem com dignidade, não se esquecendo de romper em flores, em frutos, em atapetar o chão com maestria, em derrubar alguns dos frutos maduros para adubar o chão. Velhas árvores amigas... Não temem ver seus galhos se retorcerem e seu tronco ficar enrugado. A cada ano, encontram forças e ofertam o melhor de si: as frutas mais doces, mais coloridas, que se tornam as mais cobiçadas. Como se fossem se aprimorando, no transcorrer dos anos, esmeram-se na produção: frutos mais graúdos e mais saborosos. Velhas árvores. Tão sábias. Quando chega o outono, trocam a roupagem, aproveitando as cores estonteantes e absurdas da estação. E se fazem mais admiradas. E quando o enregelante inverno chega, consumindo-lhes a folhagem, ficam ali, recolhem-se para dentro de si mesmas. Hibernam. E basta um leve toque de sol, um aceno suave da primavera, para se espreguiçarem, alongarem os galhos e despertarem em botões. Sem reclamações da invernia, do rigor dos ventos, das tempestades enfrentadas. Tudo serviu para mais fortalecê-las. E prosseguem, servindo, nenhuma desejando ser como a outra. As amoreiras dão amoras, as jabuticabeiras penduram seus frutos no tronco, as uvas formam cachos caprichosos. Nem inveja, nem imitação, nem orgulho. Apenas cumprimento do dever. Alegria de servir. Aprendamos com as árvores. Despojemo-nos do orgulho e do egoísmo. Sirvamos sorrindo, reclamemos menos e produzamos mais, com o que temos, onde estamos. 
Redação do Momento Espírita, inspirado no texto Minha árvore, meu amor, de Roberta Faria, da revista Sorria, de abril/maio 2015 e versos da poesia Velhas árvores, de Olavo Bilac. Em 6.7.2015.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

APRENDENDO COM A MORTE

Léo Buscaglia
Toda vez que se pensa na morte, imagina-se que é o outro quem vai morrer, não nós. Mas, todos vamos morrer. É o que existe de mais preciso. Não importa se somos ilustres ou desconhecidos, que tenhamos muitos diplomas ou sequer tenhamos cursado o ensino fundamental. Não importa se tenhamos estragado nossa vida, tornando-a quase insuportável, ou se a tornamos bela, harmoniosa. Todos vamos morrer. Mas, se isso é o que há de mais certo na nossa vida, por que tememos tanto a morte? Segundo Léo Buscaglia, só tememos a morte quando não estamos vivendo. Se estamos envolvidos no processo de vida, não vamos gritar, nem gemer. Se tratamos bem as pessoas enquanto estavam ao nosso lado, na carne, nós as deixaremos morrer com dignidade, sem que tenham que se sentir culpadas porque morreram antes de nós. A morte é um processo contínuo e belo da vida. É uma boa amiga, pois nos diz que não temos para sempre e temos que viver agora. Por isso, cada minuto é precioso. E temos que viver conforme esta verdade. Quando alguém está falando conosco, escutemos e não olhemos por cima do ombro para ver o que mais está acontecendo. Usufruamos o momento. Olhemos a pessoa nos olhos. Ouçamos o que ela tem a dizer. Pode ser que seja o seu último contato conosco. E nos empenhemos em ouvir sua voz, gravando-a em nossa memória. Assim, quando tivermos saudades do timbre daquela voz, poderemos amenizá-la, acionando os preciosos mecanismos cerebrais, escutando-a outra vez, na intimidade da alma. A morte nos ensina que o momento é sempre agora. É este o momento para pegar o telefone e ligar para a pessoa que amamos e dizer que a amamos. É este o momento de atender o chamado do filho e observá-lo enquanto ele se balança no galho mais alto da árvore e, feliz, nos pergunta: Viu o que eu faço? É o momento de pararmos de ler o jornal e almoçarmos com a família, de corpo e alma presentes. Dar-se conta de que o filho está com o joelho machucado e perguntar onde foi que se esfolou. Olhar para a esposa e fazer um carinho, dizer-lhe como, apesar dos anos, ela continua a namorada encantadora e porque, um dia, nos apaixonamos por ela. A morte nos ensina que não temos a eternidade na Terra. Ensina que nada aqui é permanente. Ensina-nos a deixar as coisas terrenas, que não há nada a que nos possamos agarrar, senão aos sentimentos que nos acompanharão aonde formos. A morte nos diz para olharmos hoje para o mar, com olhos de quem quer mesmo olhar o mar. Encantar-se com o pôr do sol, reconhecendo que este pôr do sol, com estas tonalidades, jamais se repetirá. Finalmente, a morte nos diz para vivermos agora, sem querer de forma ansiosa viver o momento seguinte, porque afinal, ninguém pode ter a certeza de que ele existirá para nós. Este é um grande desafio. Viver o instante presente, com toda intensidade, usufruindo todo o encanto, amor e ternura que ele nos pode oferecer. 
* * * 
O Mestre de Nazaré, ao prescrever a fórmula da felicidade para o homem, teve oportunidade de lecionar que não nos preocupássemos com o dia de amanhã, com o que haveríamos de comer ou de vestir. Com isso, não estava ensinando imprudência ou descaso, mas nos dizendo exatamente isto: Usufrua o dia que o Senhor Deus te concede na carne. Ama. Trabalha. Cresce, hoje, porque este é o dia melhor de toda a tua vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. As crianças de amanhã, do livro Vivendo, amando e aprendendo, de Léo Buscaglia, ed. Nova Era. Em 31.7.2014.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

APRENDENDO A ORAR

Um homem ficou muito enfermo e sua filha, preocupada, pediu a um amigo que fosse conversar com ele. Ela sabia que o pai precisava muito de orações e como não o via orando, pediu ao seu amigo que o visitasse e orasse com ele. Quando o amigo entrou no quarto, encontrou o pobre homem deitado, com a cabeça apoiada num par de almofadas. Havia uma cadeira ao lado da cama, fato que levou o visitante a pensar que o homem estava aguardando a sua chegada. 
-Você estava me esperando? - perguntou. 
-Não. Por que?- respondeu o homem enfermo. 
-Sou amigo de sua filha. Ela pediu-me que viesse orar com você. Quando entrei e vi a cadeira vazia ao lado da sua cama, imaginei que soubesse que eu viria visitá-lo. 
-Ah, sim, a cadeira... Você não se importaria de fechar a porta? 
O visitante se ergueu e fechou a porta. O doente então lhe confidenciou: 
-Nunca contei isto para ninguém. Passei toda a minha vida sem ter aprendido a orar. Quando entrava em alguma igreja e ouvia falarem a respeito da oração, de como se deve orar e os benefícios que recebemos através dela, não queria saber de orações. As informações entravam por um ouvido e saíam por outro. Eu achava tudo sem sentido. Assim sendo, não tinha a mínima idéia de como se deve orar. Então, nunca me dispus a fazer uma prece. Alguns anos atrás, quando a doença começou a se manifestar em meu corpo, conversando com meu melhor amigo, ele me disse: 
"Amigo, orar é simplesmente ter uma conversa com Jesus e isto eu sugiro que você não deixe de fazer. Vou lhe ensinar um método bem simples. Você se senta numa cadeira e coloca outra cadeira vazia na sua frente. Em seguida, com muita fé, você imagina que Jesus está sentado nela, bem diante de você. E não pense que isto é loucura, pois Ele próprio prometeu que estaria sempre conosco. Portanto, você deve falar com Ele e escutá-Lo, da mesma forma como está fazendo comigo agora."
-Achei aquilo muito interessante. Minha resistência foi sendo vencida e decidi experimentar. Senti-me meio sem jeito, da primeira vez, mas um grande bem estar me encheu a alma. Desde então, tenho conversado com Jesus todos os dias. Tenho sempre muito cuidado para que a minha filha não me veja, pois tenho medo que se ela souber que fico falando desta maneira, me interne em uma casa para doentes mentais. 
O visitante sentiu uma grande emoção ao ouvir aquilo. Aquele homem tinha muitas dificuldades para orar e alguém, de uma maneira bem psicológica, lhe ensinara um método para vencer a muralha que parecia intransponível. Juntos, ali mesmo, oraram, e depois o visitante se foi. Dois dias mais tarde, a filha lhe comunicou que seu pai havia morrido. E narrou da seguinte forma: Quando eu estava me preparando para sair, ele me chamou ao seu quarto. Disse que me amava muito e me deu um beijo. Quando eu voltei do mercado, uma hora mais tarde, já o encontrei morto. Porém, há algo de estranho em relação à sua morte. Aparentemente, antes de morrer, ele chegou perto da cadeira que estava ao lado da cama e recostou a cabeça nela. Foi assim que eu o encontrei. 
* * * 
Na oração, o sentimento é tudo. O Divino Mestre sempre Se fez presente ao lado dos simples e dos necessitados. Ao nos ensinar uma fórmula para orar, ofereceu-Se como intermediário entre Deus e os homens. Desta forma, se o seu coração está ferido, se você se sente sozinho, comece hoje a orar a Jesus. 
Redação do Momento Espírita, baseado em texto de autoria desconhecida. Disponível no livro Momento Espírita, v.3, ed. Fep. Em 08.06.2009.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

APRENDENDO A DESPRENDER-SE...

Bonnie Shepherd
Bonnie foi internada duas semanas antes do Natal, para uma cirurgia e estava muito preocupada. Além dos quatro filhos para cuidar, ela pensava nas compras, presentes e enfeites a providenciar. Quando abriu os olhos, após a cirurgia, olhou ao redor e viu algo semelhante a uma floricultura. Buquês de flores se enfileiravam sobre o parapeito da janela. Cartões se empilhavam sobre a mesinha de cabeceira. O marido lhe disse que os amigos haviam preparado refeições para a família e se ofereceram para cuidar das quatro crianças. Mais flores, disse a enfermeira, entrando no quarto e interrompendo os pensamentos da convalescente. Acho que vamos ter de mandar a senhora para casa, disse sorridente. Não temos mais espaço aqui. Enquanto Bonnie lia os cartões, ouviu alguém dizer: Gostei das flores. Era a companheira de quarto. Uma mulher de mais ou menos quarenta anos, portadora de Síndrome de Down. Ginger gostava de falar e não se cansava de dizer que estava ali para que o doutor desse um jeito no seu pé. Contou que morava em companhia de outras pessoas e desejava voltar a tempo para poder participar da festa de Natal. Enquanto Ginger foi para a cirurgia, Bonnie ficou olhando o quarto. O seu lado estava florido. O outro lado, nada. Nenhum cartão, nenhuma flor. Vou oferecer a ela algumas de minhas flores, pensou. Foi até a janela e escolheu um arranjo de flores vermelhas. Mas, recordou que o arranjo ficaria muito bonito em sua mesa de Natal. E continuou encontrando desculpas: as flores estão começando a murchar... A amiga que ofereceu ficaria ofendida... Poderia enfeitar a casa com aquele arranjo... Resultado: ela não conseguiu se desfazer de nenhuma. Voltou para a cama e pensou que, no dia seguinte, quando a loja abrisse, iria pedir para que entregassem algumas flores à companheira. Ginger voltou da cirurgia e uma funcionária do hospital lhe trouxe uma guirlanda verde de Natal, com um enfeite vermelho, colocando-a pendurada acima da sua cama. No dia seguinte, a enfermeira retornou para dizer a Ginger que ela iria para casa. Ela ficou feliz. Arrumou os seus pertences enquanto Bonnie se entristeceu. A floricultura do hospital só iria abrir dali a duas horas. Será que ela deveria oferecer uma das suas flores? Ginger se sentou na cadeira de rodas para ser conduzida pela enfermeira. Mas, apanhou a guirlanda verde, aproximou-se de Bonnie e, levantando-se com certa dificuldade, a abraçou, deixando o enfeite em seu colo. Bonnie não conseguiu dizer nada. Segurou a pequena guirlanda nas mãos, com os olhos úmidos. O único presente de Ginger e ela o tinha oferecido. Então ela entendeu que Ginger possuía muito mais coisas do que ela mesma. 
* * * 
Há muita gente escravizada ao que não tem e muita alma livre do que possui. Verifique onde você se enquadra e busque se transformar em anjo da ação bem dirigida, convertendo o que lhe chegue às mãos em bênçãos e alegrias mantenedoras da vida. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Tudo é meu, de Bonnie Shepherd, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press e pensamento final do cap. 25, do livro Legado Kardequiano, pelo Espírito Marco Prisco, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL. Em 20.8.2014.