terça-feira, 14 de abril de 2015

AMOR CONJUGAL

PROFESSOR MALBA TAHAN
O grande rei dos persas, Ciro, durante uma de suas campanhas guerreiras, dominou o exército da Líbia e aprisionou um príncipe. Levado à presença do conquistador ajoelhou-se perante ele o príncipe, e assim também os seus filhos e sua esposa. Os soldados vencedores, os generais da batalha, ministros e toda uma corte se juntou para tomar conhecimento da sentença real. O rei persa coçou o queixo, olhou longamente para aquela família à sua frente, à espera de sua decisão e perguntou ao nobre pai de família: Se eu te disser que te concederei a liberdade, o que poderias me oferecer em troca? Rapidamente respondeu o prisioneiro: Metade do meu reino. Ciro continuou, paciente, a interrogar: E se eu te oferecer a liberdade dos teus filhos, que me darás? Ainda rápido, tornou a responder: A outra metade do meu reino. Calmo, o conquistador lhe lançou a terceira pergunta: E o que me darás, então, em troca da vida de tua esposa? O príncipe sentiu o coração pulsar rapidamente no peito, parecendo arrebentar a musculatura. O sangue lhe subiu ao rosto, as pernas fraquejaram. Reconhecia que, no anseio da liberdade dos seus, tinha oferecido tudo, sem se recordar da companheira de tantos anos, sua esposa e mãe dos seus filhos. Foi só um momento mas, para todos, pareceu uma eternidade. Um sussurro crescente tomou conta do ambiente, pois cada qual ficou a imaginar o que faria agora o vencido. Após aquele momento fugaz, ele tornou a erguer a cabeça e com voz firme, clara, que ressoou em todo o salão, disse: Alteza, entrego a mim mesmo pela liberdade de minha esposa. O grande rei ficou surpreso com a resposta e decidiu conceder a liberdade para toda a família. De retorno para casa, o príncipe tomou da mão da esposa, beijou-a com carinho e lhe perguntou se ela havia observado como era serena e altiva a fisionomia do monarca persa. Não, disse ela. Não observei. Durante todo o tempo os meus olhos ficaram fixos naquele que estava disposto a dar a sua própria vida pela minha liberdade. * * * Para quem ama, não há limites na doação. Quando dois seres se amam verdadeiramente dão origem a outras vidas e as alimentam, enquanto eles mesmos um ao outro sustentam, na jornada dos dissabores e das lutas. O amor conjugal é, dentre as formas de amor, um dos exercícios do amor que requer respeito, paciência e dedicação. Solidifica-se através dos anos. E tanto mais se aprofunda quanto mais intensas se fazem as lutas e as conquistas de vitórias. Para os que se amam profundamente não há lutas impossíveis, não existem batalhas que não possam ser vencidas. * * * Em todos os departamentos do Universo existe a mensagem do amor, que é o estágio mais elevado do sentimento. O homem somente atinge a plenitude quando ama. Enquanto procura ser amado, sofre infância emocional. Por isso, o importante é amar, mesmo que não se receba a recíproca do ser amado. O que é essencial é amar, sem solicitação. 
Redação do Momento Espírita com base no conto Olhando só para ele, do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan, ed. Record e pensamentos finais do cap. 2 do livro Convites da vida, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 11.06.2010.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

AMOR COM LIBERDADE

J.RAUL TEIXEIRA
Quando duas pessoas se unem pelo matrimônio não formam um todo único. Embora cada um aceite o outro, nenhum deles tem o direito de exigir ou impor seus interesses e os seus conteúdos. A união conjugal é espontânea e nenhum dos elementos do par estará totalmente liberado como antes da união. Cada um deverá à outra parte atenção e respeito, o que motivará a nobreza de dar satisfação dos seus atos, tanto quanto a participação nas realizações individuais. Tudo isso sem que ninguém se sinta forçado, coagido ou constrangido a qualquer atitude. Anne Morrow era tímida e delicada como uma borboleta. Filha do embaixador do México, conheceu um jovem aventureiro em visita à fronteira do Sul, a serviço do Departamento de Estado dos Estados Unidos. O jovem viajava para promover a aviação. Por onde quer que passasse, atraía o olhar e a atenção de toda a gente. Ninguém esquecia que ele havia ganhado 40 mil dólares por ter sido o primeiro homem a atravessar o Atlântico pelo ar. O valente piloto e a tímida princesa se apaixonaram perdidamente. Quando Anne passou a se chamar Sra. Charles Lindbergh, não foi ofuscada pela sombra do marido. O amor que os uniria nos 47 anos seguintes foi um amor sólido, maduro, posto à prova em meio a triunfos e tragédias. Nunca o casal conseguiu gozar a tranquilidade do anonimato. Lindbergh era sempre notícia, onde quer que fosse. Era um herói nacional, sempre em evidência. Ela, entretanto, em vez de se ressentir, se sobressaiu como uma das autoras mais conhecidas dos Estados Unidos, uma mulher extremamente respeitada por seus próprios méritos. A receita de sucesso de sua carreira ela descreve da seguinte maneira: O amor profundo é a grande força libertadora e o sentimento mais comum que liberta... O ideal é que o homem e a mulher apaixonados deem liberdade um ao outro para que ambos conheçam mundos novos e diferentes. Eu não fui exceção à regra. O simples fato de sentir-me amada foi inacreditável e modificou meu mundo, meus sentimentos em relação à vida e a mim mesma. Adquiri confiança, força e praticamente um novo caráter. O homem com quem eu ia me casar acreditava em mim e no que eu era capaz de fazer e, por conseguinte, descobri que podia fazer mais do que imaginava. Estamos falando do amor de um marido, um amor forte o bastante para transmitir confiança e, ao mesmo tempo, generoso para ceder. Sempre próximo para abraçar e, ao mesmo tempo, solto para se deixar enlevar. Com suficiente magnetismo para prender e, ao mesmo tempo, magnânimo a ponto de dar asas... para permitir o voo da esposa. Nunca teve crises de ciúme quando alguém aplaudia o talento dela e admirava a sua competência. O homem seguro de si guardou a rede de caçar borboletas para que a sua borboleta pudesse bater asas e voar. 
* * * 
Ser homem ou mulher, nas engrenagens da reencarnação, são posições escolhidas ou sugeridas no Mundo dos invisíveis, a fim de que o Espírito possa desempenhar-se bem no conjunto dos seus compromissos do progresso. Um não é mais importante do que o outro e ambos são convocados pelas Leis do Infinito para o avanço moral, o crescimento intelectual, enfim, o desenvolvimento de todas as virtudes potenciais do íntimo. A união deve propiciar o entrelaçamento das mãos, apoiando-se um ao outro na empresa conjugal, para que proliferem as bênçãos de harmonia e ternura que cada um dos consorciados merece viver. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Amor sem repressão, de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para aquecer o coração da mulher, de Alice Gray, ed. United Press e cap. 7, do livro Vereda familiar, pelo Espírito Thereza de Brito, psicografia de J. Raul Teixeira, ed. Fráter. Em 11.06.2010.
http://momento.com.br/

domingo, 12 de abril de 2015

AMOR À TODA PROVA

Quando os filhos nascem são amados, de forma incondicional, pelas mães. Contudo, à medida que o tempo passa, que os dias se somam e as tribulações, as canseiras vão sendo adicionadas, parece que tudo se transforma em rotina. Até o amor. No entanto, basta qualquer coisa acontecer com o filho e eis o amor, de forma incondicional, se apresentando. É um sentimento intenso, gratificante, capaz de coisas inacreditáveis. Mães que atravessam anos à cabeceira do filho doente, que movem céus e terra para os ver, de novo, sadios. Nada é demasiado para aquele ser amado. Recordamos de uma mãe, ainda jovem, com a filha nos braços. A menina era portadora de síndrome incomum e os meses se arrastavam, penosos, com peregrinação materna na ala especializada do hospital. Naquele dia, com a pequena nos braços, Luciana estava ali, outra vez. E aguardava pacientemente, aconchegando ao peito seu tesouro. Chamou-lhe a atenção um senhor, ao seu lado, que de tudo reclamava. De tudo mesmo. Era um resmungo atrás do outro. Em certo momento, ele desabafou: A única alegria que tenho é minha filha. Ela é minha razão de viver. Se não fosse por ela, eu já teria desistido. Então, a mãe corajosa o olhou profundamente e lhe disse: Pois, então, senhor, quando estiver se sentindo mal e tiver vontade de reclamar, de achar que a vida o está castigando, agradeça a Deus por não ser sua filha a sofrer tudo isso. Digo isso porque eu daria tudo para estar no lugar da minha filha. O senhor se calou, assustado. Lágrimas lhe vieram aos olhos ao ver aquela mãe tão sofrida. * * * E é assim em todo lugar. A coragem materna se manifestando. Por vezes, até, um coração materno ao outro socorre. Foi o que aconteceu em outra ala hospitalar. Na recepção, estava a mulher. Magra, lenço à cabeça. Portadora de leucemia, muito jovem, duas filhas pequenas. Havia um certo desencanto no olhar. Esse olhar de quem sabe que tem o passaporte da vida vistado para o Além. Ela fora submetida a um transplante de medula e não resultara exitoso. A leucemia, implacável, lhe determinava pouco tempo de vida física. Ali, ao seu lado, estava Luciana, com a filha nos braços, pequena, magra, doentinha. Trocaram confidências as duas mães. Luciana buscava dizer à outra que continuasse a lutar, que não desistisse. Era possível que o quadro revertesse. Então, a jovem desenganada, com o mais doce dos sorrisos, olhando emocionada para Luciana, disse: Apesar de tudo que sofri e tenho passado, apesar de talvez eu não poder ver minhas filhas crescerem, digo que, de forma alguma, desejaria estar em seu lugar. * * * Ouvindo esses depoimentos, pais e mães, agradeçamos a Deus os filhos sadios que nos exigem tanto; os filhos enfermos que dilaceram nossos corações com suas dores. E quando o dia for de cansaço e rotina, superemos. E fiquemos ao lado dos nossos filhos, intensamente, por quinze, vinte ou trinta minutos. Isso porque é maravilhoso ter um filho para amar! 
Redação do Momento Espírita, com base em fatos da vida de Luciana Costa Macedo. Disponível no CD Momento Espírita, v. 27, ed. FEP. Em 30.3.2015.

sábado, 11 de abril de 2015

AMOR A SI MESMO!

DIVALDO PEREIRA FRANCO
A síntese proposta por Jesus, em torno do amor, é das mais belas psicoterapias que se conhece: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ante a impossibilidade de o homem amar a Deus em plenitude, já que tem dificuldade em conceber o absoluto, realiza o mister, invertendo a ordem do ensinamento,amando-se de início, a fim de desenvolver as aptidões que lhe dormem em latência. Esforçando-se para adquirir valores iluminativos a cada momento, cresce na direção do amor ao próximo, decorrência natural do autoamor, já que o outro é extensão dele mesmo. Então, finalmente conquista o amor a Deus, em uma transcendência incomparável, na qual o amor predomina em todas as emoções e é o responsável por todos os atos. O Espírito Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, apresenta a necessidade primeira de autoamor, como alavanca fundamental para a conquista de todas as esferas desse sentimento supremo. Mas, de que forma amar a si mesmo? O como a si mesmo, da proposta de Jesus, é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo, ou o egocentrismo. Amar a si mesmo significa respeito e direito à vida, à felicidade que o indivíduo tem e merece. Trata-se de um amor preservador da paz, do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais, espirituais e intelectuais para consigo mesmo. É sempre estar fazendo as melhores escolhas para si mesmo, vendo-se como Espírito imortal, sem nunca deixar de respeitar, obviamente, o bem comum. Quando escolho amar mais minha família, dedicando-me inteiramente aos relacionamentos, cultivando a paciência e a tolerância, estou amando a mim mesmo. Quando escolho perdoar e deixar de levar comigo o peso de uma mágoa, estou amando a mim mesmo. Quando escolho aprender, buscando aprimoramento intelectual nas áreas do conhecimento de meu interesse, estou me autoamando. Quando me aceito como sou e vejo em minhas imperfeições situações temporárias - uma vez que me esforço para corrigir meus erros - estou amando a mim mesmo. Quando me dedico, diariamente, ao exame de consciência, à meditação, ao autoconhecimento, estou dando provas de amor a mim mesmo. São exemplos de atitudes, de pensamentos e sentimentos que elevam nossa autoestima - que é este julgamento que fazemos de nós mesmos - e nos empurram sempre para frente, para a felicidade. O autoamor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si. É através dele que estabelecemos metas para nossa existência: metas educacionais, familiares, sociais, artísticas, econômicas e espirituais, pensando em nós não apenas agora, mas nos cuidados para com o futuro. Somos todos importantes. Criaturas únicas no Universo que buscam a felicidade através do aprender a amar: a si, ao outro e a Deus. Ame a você mesmo... Enquanto é hoje. 
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Amor, imbatível amor, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 15.11.2011

sexta-feira, 10 de abril de 2015

AMOR À PÁTRIA

Tem se tornado comum utilizar a bandeira nacional em momentos de comoção, de torcida por jogos mundiais ou lutas partidárias. Faz-se, então, do símbolo da Pátria um verdadeiro escudo, chegando-se, inclusive, a enrolá-la no próprio corpo, à guisa de vestimenta. Agitam-se o verde e o amarelo em dias de euforia ou de profunda tristeza. Apesar de tais manifestações explosivas, o que se verifica, no dia a dia, é um grande desamor ao solo pátrio. Não é raro se ouvir afirmações pejorativas sobre o País, e as palavras: subdesenvolvido, terra de ignorantes e país de Terceiro Mundo surgem abundantes. Faz-se referências aos problemas do País, comparando-o com o Velho Mundo e sua cultura. Preciso é que não esqueçamos de que o Brasil é ainda um adolescente, com pouco mais de 500 anos. O Velho Mundo conta com milênios de experiência. Natural que o adolescente, pela própria fase de autoafirmação, apresente turbulências e desacertos. O de que carecemos é assumir verdadeira postura patriótica, que não significa simplesmente encher a boca e falar: Sou brasileiro, quando o País se encontre às vésperas de disputar campeonatos internacionais ou se destaca em algum outro campo. Importante que tomemos consciência de que o País melhor somente se construirá a partir das consciências individuais esclarecidas e operantes. Não podemos almejar que a corrupção desapareça do meio público se, em nosso lar, no relacionamento interpessoal, agimos como corruptos. Quem pode, em sã consciência, afirmar que trabalha pelo bem da comunidade brasileira? Que temos feito para melhorar o padrão cultural do povo? Temos nos empenhado em alfabetizar um adulto? Temos nos oferecido para apadrinhar uma criança, permitindo-lhe o livre acesso à escola que a instrua? Temos nos oferecido como voluntários para aprimorar o padrão de urbanismo em nosso bairro? Colocamos o lixo bem acondicionado em sacos, para evitar a exalação do mau cheiro, tanto quanto facilitado a tarefa dos nossos conterrâneos lixeiros? Temos respeitado as leis ou ainda somos discípulos da doutrina do jeitinho brasileiro? O País é sempre o retrato dos que o compõem. Feliz ou infeliz, nobre ou vil, é a soma dos indivíduos que nele se nutrem. Honrados com a chance de habitar um País tropical, Coração do mundo e Pátria do Evangelho, cabe-nos o dever inadiável de realizar o melhor, por mínima parcela de gratidão que seja. Quando assim procedermos teremos aprendido a lição do amor à Pátria, a terra em que renascemos ou que nos adotou. Nesse dia, sem medo, nos será permitido cantar com o compositor popular: Meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil... 
* * * 
Pelo processo da reencarnação habitamos países diferentes, em vidas diversas. Isto nos dá a nota da fraternidade que deve reger as relações entre os povos. Também a da gratidão para cada rincão que nos recebe, proporcionando-nos a possibilidade de renascimento que, em síntese, é sinônimo de progresso. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no livro Momento Espírita, v. 6, ed. FEP. Em 9.1.2014.
http://momento.com.br/

quinta-feira, 9 de abril de 2015

AMOR AOS DESAFETOS

O amor resume toda a Doutrina do Mestre Jesus. Em resposta à pergunta dos fariseus, sobre qual era o maior mandamento, ensinou que o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos resumia toda a Lei. Mas quem será o próximo? Será apenas aquele que nos ama? Em outra passagem do Evangelho, o Rabi nos recomenda que amemos nossos inimigos, que façamos o bem a quem nos odeia e que oremos pelos que nos perseguem e caluniam. O Mestre nos fala que nenhum mérito teremos em amar somente quem nos ama ou fazermos o bem somente a quem nos faz o bem. Amar quem nos ama, quem nos trata bem, quem para nós só tem pensamentos bons não nos exige qualquer esforço, é natural de nossa parte. Sorrir a quem nos sorri, ser amável a quem é amável para conosco é fácil. O que ocorre, no entanto, é que costumamos amar somente quem tem atitudes amáveis para conosco. Poucos agimos com amor para com aqueles que não conseguem nos amar. A ideia de amar quem nos prejudica, quem para nós só tem pensamentos negativos, pode nos parecer um tanto absurda. No entanto, é preciso entendamos o que o Mestre nos quis transmitir. Ele não quis nos dizer que tenhamos para com nosso inimigo a ternura que dispensamos aos nossos amigos e irmãos, pois a ternura pressupõe confiança. Não se tem confiança verdadeira em quem nos dirige pensamentos negativos, pois os pensamentos criam uma corrente de fluidos e, se esses são impregnados negativamente, não há como inspirar bons sentimentos. Mas não devemos, em troca, emitir o mesmo padrão de pensamentos. Ou ter o mesmo tipo de atitudes de quem nos prejudica, pois assim nos igualamos a eles. Amar os inimigos não é, portanto, ter para com eles uma afeição que não é compatível com os sentimentos negativos que deles emanam e aos quais não somos indiferentes. Mas é não guardar ódio ou rancor ou desejo de vingança. Amar os inimigos é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem quaisquer condições impostas, o mal que nos tenham causado. É não opor nenhuma restrição à re
conciliação com eles, é desejar-lhes o bem e não o mal, é experimentar alegria com o bem que lhes aconteça, é ajudá-los, se possível. É, por fim, jamais emitir pensamentos ruins e, muito menos ter atitudes negativas para com eles, abstendo-se por palavras ou por atos, de tudo aquilo que os possa prejudicar. Como Jesus nos recomendou, é oferecer a outra face, a face da benevolência e do perdão, frente alguma agressão moral, física ou material. É agir com caridade, pois, se amar o próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação deste princípio, e tal virtude representa uma das maiores vitórias contra o egoísmo e o orgulho. 
Redação do Momento Espírita com base nos cap. XI e XII do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 09.04.2010.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

AMOR AOS ANIMAIS

Nicole Grahan
Em fevereiro de 2012, o jornal Daily Mail noticiou que uma australiana, chamada Nicole Graham, e sua filha passeavam em dois cavalos numa praia em Melbourne, na Austrália, quando caíram em um atoleiro semelhante à areia movediça. Nicole conseguiu se arrastar na lama para ajudar a filha e um dos animais mas, o cavalo chamado Astro, que montava, acabou ficando preso. Sua filha saiu em busca de socorro. Nicole estava segura e poderia se manter fora do atoleiro, mas não o fez. Percebeu que quanto mais seu estimado animal se movimentava, na tentativa de levantar, mais seu corpo submergia. Sentou-se, então, ao lado dele tentando acalmá-lo. Nesse momento quase todo o corpo do animal se encontrava soterrado. Correndo risco de morte e com o corpo parcialmente coberto pela areia, Nicole permaneceu por três horas com os braços ao redor da cabeça do cavalo, tentando mantê-la erguida, de modo que ficasse para fora da lama até o socorro chegar. À medida que o tempo passava, o animal corria também risco de afogamento, pois estava à beira-mar e o nível da água subia rapidamente, ao redor do ponto onde ele estava atolado. Numa cena emocionante de desespero e solidariedade, aquela mulher arriscou a própria vida para salvar a do animal. Demonstrou o quanto o ser humano é capaz de amar a Criação Divina. Ela não abandonou seu cavalo enquanto ele não foi salvo. Minutos antes da água tomar conta do local, as equipes de resgate conseguiram tirar Astro da lama. * * * É dever do ser humano respeitar e proteger todas as formas de vida. Os diversos animais que rodeiam nossa existência, no planeta Terra, são também criaturas de Deus e devem ser considerados como irmãos menores. Podemos nos servir deles sempre que necessário, mas nenhum direito é em si ilimitado. Eles não estão no mundo com a única finalidade de serem úteis aos homens e devemos ter consciência de que o exercício abusivo de qualquer direito é sempre reprovável. Deus colocou os animais sob nossa guarda. Temos, portanto, o dever de protegê-los. As pessoas que amam e cultivam a convivência com os animais, se observarem com atenção, verificarão que várias espécies são portadoras de qualidades que consideramos humanas. São capazes de ter paciência, prudência, vigilância, obediência e disciplina. Demonstram, muitas vezes, sensibilidade, carinho e fidelidade. Têm sua linguagem própria, seus afetos e sua inteligência rudimentar. Dão-nos a ideia de que quanto mais perto se encontram das criaturas humanas, mais se lhes assemelham. Na convivência com esses seres, devemos estabelecer o limite entre o que é realmente necessário e o que é supérfluo. Quando estiverem sob nossos cuidados ofereçamos-lhes alimentação adequada, afeto, condições básicas de higiene e tratamento para a saúde sempre que necessário. Reflitamos sobre como temos agido em relação a esses companheiros de jornada. Redação do Momento Espírita. Em 5.10.2012.