sábado, 7 de março de 2015

AMAR AO PRÓXIMO

Se alguém diz que ama a Deus, mas não ama o seu semelhante, é mentiroso. Isso foi escrito pelo Apóstolo João e nos convida a uma profunda reflexão. Por que o amor a Deus passa inevitavelmente pelo amor ao próximo? Por que não basta amar a Deus no isolamento das criaturas, ou na indiferença ao semelhante? Deus, ao nos criar, não nos cria perfeitos, mas oferece as oportunidades e possibilidades de se chegar à perfeição. E, por grandiosidade de Sua justiça, essa perfeição se alcança por esforço próprio, por dedicação, e jamais por gratuidade ou dom divino, a escolher uns ou outros como mais ou menos amados por Ele e, consequentemente, com mais ou menos virtudes e dons. Quando lemos a biografia de grandes vultos do amor ao próximo, como Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier ou Irmã Dulce, vemos a exemplificação do exercício no amor ao próximo. E é natural que questionemos de onde eles retiraram forças para amar incondicional e intensamente, ao longo de toda uma vida? Aprenderam a amar ao próximo no exercício do amor a que se propuseram, saindo de si mesmos, indo em direção ao outro, encontrando Deus. O amor a Deus não se constrói de forma mística, transcendental ou isoladamente. Entendendo isso, Jesus, personificação maior do amor a Deus, nos ensina que toda vez que auxiliarmos, que dermos de comer, que matarmos a sede de nosso irmão, é a Ele mesmo que estaremos fazendo isso. Convida-nos Jesus a experimentar o exercício do amor a Deus aprendendo a amar ao próximo. Afirma mesmo o Mestre Galileu que o maior mandamento da Lei de Deus é amar ao Pai, seguido do exercício de amar-se para amar ao próximo. Se você busca o entendimento das Leis de Deus, de instaurá-Lo na sua intimidade, um bom início será o de olhar para o próximo, no exercício do amor. Sempre temos recursos e meios de auxiliar, de demonstrar o amor na forma do desvelo, do carinho, da solidariedade ou da compaixão. Ofereçamos a palavra edificante para incentivar os desvalidos, a presença fraterna para aqueles abandonados na solidão, ouvidos pacientes para um coração aflito com necessidade de desabafar. Somos convidados ao exercício do amor ao próximo construído na compreensão frente àquele em desatino, em benevolência para o irmão em desequilíbrio ou indulgência na ação precipitada. São pequenos gestos que se fazem exercícios de amor ao próximo, no objetivo de amar a Deus. Afinal, como nos alerta o Apóstolo João, se não conseguimos compreender nosso irmão, jamais teremos condições de amar e compreender a Deus. Redação do Momento Espírita. Em 29.12.2009.

sexta-feira, 6 de março de 2015

AMAR A FAMÍLIA OU COMPRAR UMA FAMÍLIA?

Desde pequenos, um hábito se instala em nós: resolver problemas comprando coisas. Você já percebeu como essa situação é bastante comum? Começa quando as crianças vêem anúncios na TV e pressionam os pais para que lhes comprem brinquedos e doces. Por sua vez, pais e mães também são levados a acreditar que seus filhos serão mais felizes se tiverem mais e mais coisas materiais. É o consumismo se instalando. Em vez de enfrentarem essa crise educando a criança, em geral os pais a satisfazem. É uma atitude que reforça a crença de que se pode ter tudo e que as coisas materiais são a razão da felicidade. Muitos pais, inclusive, tentam compensar as longas horas ausentes de casa fazendo compras exageradas. Enchem os filhos de objetos e, rapidamente, as crianças aprendem a negociar. Tornam-se cada vez mais exigentes e consumistas. Na adolescência, as compras continuam: aparelhos eletrônicos substituem os brinquedos. São celulares, computadores e jogos eletrônicos de imediato substituídos, quando surgem novos modelos. As mesadas se tornam maiores e logo os filhos desaparecem de casa, em companhia de amigos. Vivem em noitadas intermináveis, com fácil acesso ao álcool, fumo e drogadição. O passo seguinte é comprar-lhes um carro, um apartamento... E cabe então a pergunta: Nessas quase duas décadas em que vivem com os pais, que aprenderam? Que exemplos receberam? Será que conhecem verdadeiramente seus pais? Estão preparados para amar ou para comprar? E o que dizer dos pais? Será que realmente conhecem seus filhos? Sabem de seus sonhos e aspirações? Já ouviram suas frustrações e problemas? Chega-se então ao mundo adulto. E as situações infelizes continuam a ser resolvidas à base de compras. Roupas e sapatos, carros, vinhos, jóias. A ostentação esconde a infelicidade. Falsa é essa felicidade baseada em ter coisas. Ela estimula o materialismo e destrói o que temos de mais belo: a convivência familiar, a construção de lembranças preciosas. Amar a família inclui sustentá-la em suas necessidades, prover o estudo dos filhos, garantir alimentação e lazer. Mas, muito diferente é substituir a presença do amor pelo presente – por mais ricamente embalado que seja. Um filho é uma dádiva Divina. Uma responsabilidade que inclui não apenas dar-lhe coisas materiais, mas dar-lhe suporte emocional, psicológico. É preciso falar com os filhos, conhecê-los, sondar o que pensam, refletir sobre o que fazem. O mesmo vale para o casal: depois de alguns anos de convivência, as conversas, antes tão íntimas, costumam ser substituídas por presentes, como flores e jóias. Aos poucos se esvai a cumplicidade, a parceria e até a atração. E os pais? Envelhecem sozinhos, cercados de enfermeiras ou de pessoas pagas para tomar conta deles. Velhos pais, isolados, com suas manias e conversas que ninguém quer ouvir. Quão felizes seriam com visitas e conversas mais longas. Por tudo isso, reflita hoje: 
Estou amando ou comprando minha família? 
Redação do Momento Espírita. Em 20.02.2008.

quinta-feira, 5 de março de 2015

AMAR A DEUS

Qual o maior mandamento da Lei de Deus? 
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. 
Aí estão contidas toda a Lei e os profetas, nos disse Jesus. Quando perguntado pelos Doutores da Lei qual o maior mandamento da Lei de Deus, Jesus foi firme ao afirmar o amor como maior mandamento. Acima de tudo, amar a Deus, de toda a alma e de todo o coração. Mas como se pode amar a Deus? Sendo Deus imaterial, etéreo, parece tão distante de nós, que fica difícil entender como amá-lO. E ainda, o que Deus entende por amá-lO? Deseja Ele alguma forma de adoração, de culto, de exteriorização desse amor? Na verdade, torna-se muito mais fácil amar a Deus começando por amar aquilo que é dEle, que é obra de Sua criação. Comecemos pelo nosso planeta. Você já se preocupou em cuidar do planeta? Como moradia transitória que nos foi emprestada, não nos pertence. Pertence a Deus. E o que fazemos dele? Ao termos atitudes de cuidado com nosso planeta, não estamos amando a Deus? Por amá-lO, comecemos a mudar nossa relação com as coisas que nos cercam. Por que não deixar de comprar coisas, muitas das vezes desnecessárias, e assim diminuir o descarte de objetos que viram lixo precocemente? Quantas vezes trocamos o aparelho celular sem necessidade, o aparelho de TV, o computador, a máquina de fotografar, sem necessidade? E aí, quando compramos o novo, para onde vai o velho? Permitimo-nos uma onda de consumismo, sem perceber o quanto comprar pode virar sinônimo de gerar lixo. E geramos um lixo sem nos preocupar o que fazer com ele. Para onde vai a bateria do celular descartado? As pilhas que usamos? O computador sucateado precocemente? Um mundo novo, com tanta tecnologia, exige reflexões novas de cada um de nós. Somos mais de seis bilhões de Espíritos reencarnados nesta escola chamada Terra. E todos temos a necessidade de aqui estarmos para o aprendizado necessário. Para que nosso planeta consiga servir de morada para todos nós, é necessário que cuidemos dele. E assim, que nossos hábitos e atitudes não sejam inconsequentes e levianos. Se a temperatura do planeta aumenta, ameaçando vidas, o que está ao nosso alcance fazer? Se o volume de lixo gerado em nossa cidade é demasiado, o que podemos fazer? São as pequenas atitudes de nossa parte que demonstram nosso respeito e amor a Deus. Quando respeitamos flora e fauna, não permitindo tráfico de animais ou plantas, não consumindo madeira, plantas, sementes ou peixes em época ou local proibido, estamos respeitando o planeta. O amor a Deus se mostra muito mais efetivo ao amarmos as obras de Sua criação do que amá-lO em palavras que não se refletem em atitudes. E ao respeitar o planeta, estamos dando provas inequívocas de amor ao Criador, Deus, nosso Pai. 
Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 23, ed. Fep. Em 2.1.2013.

quarta-feira, 4 de março de 2015

AMANHECEU O DIA!

AMÉLIA RODRIGUES
O dia apenas amanhecera...
Mas aquele não era um dia comum. Era o primeiro dia de uma nova era que se iniciava para a Humanidade inteira...
A partir daquele acontecimento, o Mundo jamais seria o mesmo. Um acontecimento que constituiria um novo marco na História...
Amanheceu o dia... E as luzes daquele amanhecer se espalharam lentamente sobre Israel para, logo mais, pairar soberanas por sobre toda a Terra...
As almas se aquietaram ante a mensagem silenciosa que envolvia o Oriente...
Os sofredores sentiram que um novo alento chegava para balsamizar seus corações em brasa...
Os cegos vislumbraram uma chama que despontava além da escuridão... E os pobres desprezados ouviram, naquele amanhecer, uma canção de esperança a ecoar por todos os rincões da Terra...
O dia apenas amanhecera... E os equivocados, que se julgavam donos absolutos do poder, sentiram suas bases tremerem diante Daquele que viera investido de todos os poderes e glórias, em nome do Pai...
Os hipócritas se confundiram, e os ricos de alma pobre perceberam a fragilidade de suas posses temporárias...
Em Belém... Ele chega silencioso, puro, soberano, e fica...
Ele reúne os aflitos e os agasalha junto ao próprio peito...
Nada solicita, não exige coisa alguma... Apenas ampara.
Libertador por excelência, canta o hino da verdadeira liberdade, ensinando a destruir os grilhões da inferioridade que prende o homem às mais cruéis cadeias...
Sol de primeira grandeza, espanca com a Sua claridade as sombras dos milênios...
A suavidade da Sua voz mansa acorda as esperanças adormecidas e faz que se levantem os ideais esquecidos...
Ao forte clamor do Seu verbo erguem-se os dias, e as horas do futuro vibram, aprofundando na alma do Mundo os alicerces da Humanidade feliz do porvir...
Jesus, Rei Celeste, aceita como berço a manjedoura de uma estrebaria singela, deixando para a Humanidade a profunda lição da humildade, inaugurando um reinado diferente entre as criaturas.
Senhor do Mundo, deixa-Se confundir com a multidão esfarrapada, espalhando Seu suave perfume entre os sofredores.
Troca as glórias dos céus pelas tardes quentes de Jericó...
Deixa a companhia dos Espíritos puros para caminhar entre os miseráveis de toda sorte...
Aceita o pó das estradas e enfrenta fome e frio para acalentar os infelizes sem esperanças que se arrastavam sobre a Terra.
Abandona os esplendores da Via Láctea para pregar a Boa Nova nas madrugadas mornas de Cafarnaum...
Deixa as melodias celestes para cantar a esperança embalada pela orquestra espontânea da natureza, no cenário das primaveras e verões, entre as aldeias e o lago.
É traído, desprezado e pregado numa cruz...
Mas ressurge numa tranqüila e luminosa manhã para dizer que a Vida não cessa e reafirmar que estaria conosco para todo o sempre...
*   *   *
O dia apenas amanhece...
É Natal...
Que as luzes desse amanhecer se espalhem lentamente sobre seu coração, sobre o seu lar, sobre a Terra inteira...
E que o suave perfume do aniversariante penetre em sua intimidade, discreto, silencioso e aí permaneça para sempre, para que você possa sentir um Feliz Natal.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1 do livro Primícias do reino,
 pelo Espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
 ed. Leal.
Em 01.12.2008.

terça-feira, 3 de março de 2015

O AMANHECER DO CRISTO

Kahlil Gibran
Narra antiga lenda que, após visitarem o Menino Jesus, aqueles homens que vieram do Oriente fizeram um pedido a Ana, mãe de Maria: 
-A criança tem apenas um dia de idade, contudo, vimos a luz de nosso Deus em Seus olhos, e o sorriso de nosso Deus em Sua boca. Nós a conclamamos a protegê-Lo, para que Ele possa proteger-vos a todos.
Dizendo assim, montaram em seus camelos e nunca mais foram vistos naquelas terras. Aquele menino cresceu e, na juventude, já era querido por todos em Nazaré. Era diferente das outras crianças. Certa feita, quando foi levado até Sua cama, à noite, pela avó, disse-lhe: 
-Diga para Minha mãe e para todos os outros que somente Meu corpo dormirá. Minha mente estará com eles até que suas mentes cheguem ao Meu amanhecer. * * * 
O amanhecer de Jesus aponta no horizonte dos dias vindouros. Por mais que ainda não estejamos lá, os raios de sol de Seu amor já nos alcançam, mostrando o caminho seguro. O Rei Solar conta com inúmeras emanações radiantes, que são os trabalhadores fiéis de todas as horas. Ele nos acompanha, nas vitórias e nas derrotas, como amigo carinhoso que vigia à nossa cabeceira. Sua mente procura a nossa sem cessar. Seu coração nos envolve em eflúvios de alegria, convidando à renovação diária. Nós O abandonamos, quando nos perdemos no mundanismo recorrente e sedutor, mas Ele nunca nos deixa a sós. Se ao menos aprendêssemos a ouvi-Lo... a percebê-Lo ao lado, sorrindo, apoiando, aconselhando... 
Quem sabe pensaríamos um pouco mais antes de agir com tanta imprevidência. 
Quem sabe aguardaríamos a raiva passar, antes de transformá-la em veneno para nós e para o outro. 
Quem sabe aproveitaríamos mais as oportunidades da vida, quando nos abre portas para a caridade. 
Quem sabe escolhêssemos ser ao invés de ter. 
Quem sabe iríamos sorrir mais, sabendo que ao nosso lado temos um grande amigo. 
* * * 
As palavras ditas há mais de dois milênios continuam atuais. Foram ditas para todas as gerações seguintes e, desta forma, Ele também Se faz presente entre todos nós. Cada vez que nos sentirmos sós, sem saber que caminho tomar, sem forças para prosseguir, lembremos das palavras do jovem Jesus à Sua avó: Diga para Minha mãe e para todos os outros que somente Meu corpo dormirá. Minha mente estará com eles até que suas mentes cheguem ao Meu amanhecer. 
* * * 
Meu amanhecer... 
É o amanhecer da vida em abundância; 
É alvorada serena, sem ruídos, acompanhada pelos pássaros do céu a sobrevoar, intrepidamente, os lírios do campo. 
Meu amanhecer... 
É carícia suave sobre a face adoecida da dor; 
É abraço terno nos desvalidos do mundo; 
Meu amanhecer, meus primeiros raios seguros de sol, sempre foram e sempre serão para vocês, amados da Terra. 
Redação do Momento Espírita com base no cap. Ana, mãe de Maria, do livro Jesus, de Kahlil Gibran, ed. Ediouro. Em 17.12.2009.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O AMANHECER DE UM NOVO SÉCULO

Imagine nosso planeta flutuando no silêncio do espaço... Em sua volta, voa uma pomba branca sempre contornando-o. A cada cem anos, a asa da pomba toca delicadamente na superfície da Terra. O tempo que a Terra levaria para ser coberta por cada pena é a eternidade. Através da eternidade, o tempo passa. Com o tempo, as mudanças acontecem. Logo, a asa da pomba branca tocará o nosso mundo outra vez. O alvorecer de um novo século. O tempo de um novo começo... Agora é a eternidade. O começo de um novo século. Mil anos de alegrias e tristezas deixamos para trás. O amor é nosso destino. Celebremos o começo de um novo século. Deixemos as vozes recitarem e cantarem. Agora é o tempo. Agora é a eternidade.
 * * * 
Estes são os versos da música de Secret Garden, Dawn of a New Century, ou seja, Amanhecer de um novo século. E nos remetem a pensar na época em que nos encontramos. Um novo milênio apenas iniciado, um século apenas desperto. No entanto, mais de uma década já avançamos nesse tempo. E o que temos feito para auxiliar a implantação da Nova Era desse novo milênio? Dizem-nos os Espíritos que esta será a era da arte e da tecnologia. A tecnologia quase nos aturde com tantas ofertas espetaculares de instrumentos que nos permitem ver, ouvir, quase tocar o mundo, em tempo real. E temos visto a arte ofertar seus deliciosos frutos. Na literatura, observamos surgirem obras que falam do belo e do bom proliferar em todo o mundo. E editoras várias têm se dedicado a reeditar antigas publicações, apresentando-as para a Humanidade do hoje, ressuscitando conceitos valiosos de bem viver. O cinema tem se esmerado em representar os atos de grandes heróis que alteraram o curso da História. E a animação, a fotografia, as trilhas sonoras, as excelentes performances de atores e atrizes têm atraído para as salas de projeção sempre maior número de adeptos dessa arte. A música, no entanto, parece ter explodido em todos os quadrantes da Terra. E música de qualidade, nas tantas e variadas expressões culturais. A música instrumental, que eleva o Espírito. Ou com letra associada, de versos que nos remetem a reflexionar, a pensar ou simplesmente nos extasiar com a sua poesia. Sim, os que se dedicam às artes estão realizando a sua contribuição para o ascender do Espírito às esferas superiores. E nós, o que temos feito? Permitimo-nos absorver o bom, o belo e o extravasamos em nosso dia a dia? Temos nos esmerado em cultivar a gentileza, a delicadeza como a expressão de nós mesmos, burilados pelo cinzel das coisas positivas? Pensemos: somos os artífices do Terceiro Milênio em que vivemos, os escultores da Nova Era, do novo século. Promovamos o bem onde nos situemos. Falemos das coisas boas. Perfumemos o ambiente onde estejamos com o aroma delicado e inconfundível da alegria que contagia. Alegria que expressa gratidão pela vida. Cultivemos a amizade, a compaixão, o bom ânimo. Contribuamos com o novo século de forma a apressarmos a implantação da era da felicidade, do bem-estar, antes que se conclua o milênio presente, antes que findem os anos deste século. 
Pensemos nisso. 
Redação do Momento Espírita. Em 3.7.2014.

domingo, 1 de março de 2015

AMANDO OS INIMIGOS

Você já percebeu que há pessoas que nos exigem um pouco mais de esforço para serem amadas? Enquanto alguns têm acesso fácil ao nosso coração, conferindo-nos alegria e prazer em compartilhar o convívio, outros nos solicitam empenho pessoal para poucos momentos de relacionamento. Nós os encontramos no ambiente de trabalho, no seio familiar, na vizinhança ou nas relações sociais mais diversas. Trazem valores que não são compatíveis com os nossos, têm atitudes que nos desagradam, usam de linguajar que nos parece inadequado. Seus conceitos nos parecem absurdos, seu modo de vida um tanto esdrúxulo, e seus parâmetros morais nos chocam. São esses que nos exigem esforço para que os possamos amar. Porque ainda caminham distantes das estradas que elegemos para nós mesmos, a convivência com muitos deles nos parece um grande sacrifício. Porém, quando Jesus nos ensina que devemos amar os nossos inimigos, é a esses também que o Mestre se refere. Muitas vezes, imaginamos que inimigo seja somente aquele pelo qual nutrimos ódio, desejo de vingança, rancor profundo. É verdade que esses o são. Porém, esses outros, os que ainda não conseguimos amar e querer bem, representam o mesmo convite que a vida nos faz para aprendermos a amar. É verdade que, de rompante, não conseguiremos tê-los como amigos, recebendo-os na intimidade de nosso lar. Não será em alguns dias que os teremos abrigados em nosso coração. E nem ocorrerá da noite para o dia a transformação de nosso sentimento, de um antagonismo intenso para a simpatia irrestrita. Porém, à medida que entendemos o ensinamento de Jesus, temos condição de dedicar algo mais do que nossa antipatia, a esses que nos parecem pedras de tropeço na jornada. Assim, à medida que procuramos compreender sua limitação, a tolerância começa a compartilhar espaço onde antes só havia implicância. Quando conseguimos perceber seus dramas íntimos, a impaciência perde lugar para a indulgência. Quando conhecemos um pouco de suas histórias de vida, seus dramas e dificuldades, as palavras ríspidas vão sendo substituídas pelo silêncio, quando não, por palavras de apoio. É assim, no exercício da aproximação sadia, da compreensão do próximo, que o amor inicia seu trajeto. Inicialmente se faz na forma de algumas virtudes, que lhe são filhas diletas, como a benevolência, a indulgência, o perdão. Aos poucos vai ganhando forma, permitindo uma convivência mais salutar e enriquecedora. Por fim, na medida em que permitirmos, o sentimento se transformará em empatia e compreensão. Portanto, nessas relações difíceis que se apresentam em nossos caminhos, percebamos o grandioso convite que a vida nos faz para exercitarmos o amor ao próximo. Mesmo sabendo que ainda uma longa caminhada nos espera até que aprendamos, efetivamente, a amá-los, será nos pequenos passos de hoje que conquistaremos esse amor para com esses difíceis de amar. Exercitemos o amor. 
Redação do Momento Espírita. Em 17.8.2013.