domingo, 4 de janeiro de 2015

ADOÇÃO DE ANJOS

Certo dia, uma senhora muito elegante chegou até a portaria de um orfanato e pediu para ver as crianças. Afirmou que desejava adotar uma delas.
Rica, sem filhos, desejava alegrar o seu lar com uma criança.
A diretora ficou entusiasmada. Afinal, não é todo dia que chega alguém disposto a adotar um pequenino.
Tomarei todas as providências necessárias e justas. Só existe um porém, disse a senhora, quero escolher.
A diretora começou as apresentações.
Entre ansiosas e assustadas, as crianças foram desfilando perante a senhora.
Olhando uma menina de olhos escuros, reclamou:
Esta não. É muito morena.
E para outra: Esta não, tem jeito de muito danadinha.
Esta não, tem olhos de gato assustado.
Ah, este menino não. É um garoto de olhar muito frio.
E por aí continuou: uma era anêmica, a outra tinha cabelos muito encrespados. Um garoto parecia ser sapeca, o outro não combinava com a cor dos olhos do marido. Ou então era muito grande. Com certeza, já deveria trazer vícios, defeitos de uma má educação. Difícil de reeducar.
Depois de examinar trinta e dois pequeninos, a senhora estava desolada:
Não tem mais nenhum? Onde estaria a criança que eu procuro?
Com serenidade, a diretora respondeu:
Minha irmã, a senhora me desculpe, mas o nosso estoque acabou. Acredito que seria bem melhor se a senhora procurasse a sua encomenda no céu, pois, nas condições que deseja, somente encontrará a sua criança entre os Espíritos de qualidade superior, os anjos.
*   *   *
Quantos de nós pensamos como a senhora da história?
Quantos afirmamos que desejamos adotar mas fazemos uma relação das qualidades físicas e morais da criança?
Tem que ser bonita, perfeita, recém-nascida. Ou então, de poucos meses. Se tiver mais que um ano, deve-se perceber que seja muito bem educada, gentil, delicada.
Quanta exigência!
Será que estamos procurando mercadoria? Não estamos nos dando conta que isso cheira a resquício de mercado de escravos, onde, não há muito tempo, íamos escolher os melhores espécimes, os que durassem mais, os mais fortes.
Continuamos a agir como se as crianças órfãs fossem simples mercadoria. E nas adoções não nos importamos de separar irmãos de sangue.
Onde está o amor ensinado pelo Senhor Jesus? Quem ama verdadeiramente não olha cor da pele, dos cabelos, dos olhos. Para quem ama não importam deficiências físicas ou mentais.
Mesmo porque os mais problemáticos é que devem sempre nos merecer maior atenção, redobrado cuidado, mais carinho.
Redação do Momento Espírita, com base
no cap. 14, do livro Almas em desfile, pelo Espírito Hilário Silva,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Redacionado em 1996.
Em 19.2.2014.

sábado, 3 de janeiro de 2015

ADMINISTRANDO O MEDO

Recente pesquisa revelou que muitos brasileiros vivem dominados pelo medo. Medo que vai desde o de ser assaltado, perder um filho, descobrir que tem uma doença grave, não conseguir pagar as contas, a sofrer um acidente, ter um ataque cardíaco ou perder o parceiro. Alguns dos entrevistados revelaram que nem saem de casa ou que, em casa, vivem em sobressalto, ao menor ruído estranho. Naturalmente, vivemos num mundo onde há muita violência, maldade e dificuldades. Mas é importante se pense um pouco, a fim de não se engrossar o rol dos que vivem sob a injunção do medo, perdendo anos preciosos das próprias vidas. Assim, não sofra por antecipação. Algumas pessoas, sugestionáveis, assistem imagens violentas na TV e acham que fatos como aqueles poderão acontecer com alguém da sua família. Tomar precauções é recomendável. A ninguém se pede que seja incauto, imprevidente. Mas daí a ficar pensando, a toda hora, que algo terrível vai acontecer, será o mesmo que desistir da vida desde agora. Pessoas que assim agem podem não se tornar vítimas de acidentes, de assaltos ou de doenças, mas do próprio medo. Medo que as manterá infelizes, isoladas. Por isso, nunca deixe que o medo o paralise. Faça o que tiver que fazer: ir à escola, às compras, ao templo religioso. Se enfrentar medos e preocupações sozinho lhe parecer difícil, procure ajuda. Pode ser de um psicólogo, de grupos de pessoas que sofrem problemas semelhantes ou de um bom amigo. E, em vez de se torturar com uma infinidade de contas a pagar, pense mais antes de adquirir o novo eletrodoméstico, de realizar a viagem dos seus sonhos, comprar a roupa da moda. Aprenda a viver de acordo com os recursos que dispõe. Dê um passo de cada vez. Planeje férias com antecedência. Programe-se. Não gaste tudo que ganha. E, muito menos, não gaste o que ainda não ganhou. Não fique pensando em ganhar na loteria, na sena, na loto, no programa televisivo. Trabalhe e sinta orgulho de poder, com seu próprio esforço, ir adquirindo o de que necessita. Em vez de ficar pensando na possibilidade de se manifestar essa ou aquela doença terrível, opte por fazer check-up anual. Não espere para ir ao médico somente quando a dor o atormente, um problema de saúde se manifeste. Procure o médico para saber se está tudo bem com você. Faça exames. Pratique exercícios sob supervisão. Ande até a panificadora, em vez de ir sempre de carro. Pratique jardinagem, lave o carro. Pense, sobretudo, positivamente: Deus protege a minha vida. Sou abençoado por Deus. Sou filho de Deus. Trabalhe com alegria, ganhando as horas. Não transforme o seu ambiente profissional em um cárcere de torturas diárias. Sorria mais. Faça amigos. Converse com os amigos. Estabeleçam, entre vocês, um cuidado mútuo. Isso no que se refere a você, aos seus filhos, ao seu patrimônio. Unidos seremos fortes. Enfim, não tenha medo do medo. Ele é um legado saudável e protetor. Mas se torna um problema quando fica exagerado ou irracional. * * * Mantenha sua confiança em Deus, que governa o mundo e zela por sua vida. De todos os medos o que mais o deve preocupar é o de perder a presente reencarnação, por comodismos e invigilância. E para este, a melhor solução é realizar, a cada dia, o melhor de si, entregando-se a Deus. 
Redação do Momento Espírita com base no artigo Você tem medo de quê?, da Revista Seleções do Reader´s Digest, de fevereiro de 2006. Em 02.05.2008.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

ADIANTE

Dia 29 de agosto de 2005. Uma tempestade tropical de escala 5 atinge a costa sudeste dos Estados Unidos da América.
         Os ventos do furacão, que recebeu o nome de Katrina, atingiram 280 quilômetros por hora, e devastaram a histórica cidade de Nova Orleans.
         Mais de um milhão de pessoas foram evacuadas. Seiscentas mil casas, na grande maioria de pessoas pobres, foram destruídas.
         Um dos furacões mais destrutivos a ter atingido os Estados Unidos, deixou cerca de mil e trezentos mortos.
         Muitos relatos se misturam ao do senhor J.R., habitante de 65 anos de idade, sem automóvel, cartão de crédito ou dinheiro poupado.
        Ouvira pelo rádio, três dias antes, que a tempestade se aproximava, e que a desocupação era fortemente recomendada.
         Mas, sem ter para onde ir, e com a esposa numa cadeira de rodas, a saída era quase impossível.
         O Sr. J.R. decide permanecer e enfrentar a tempestade, a exemplo do que sempre fizera antes. Com estoque de comida e água, a família se sentia preparada.
         Porém, na segunda-feira, a ruptura dos diques inundou em poucas horas aquela área, uma das regiões mais baixas de Nova Orleans.
         A subida rápida da água forçou J.R. a tirar a mulher da cadeira de rodas, mas mesmo seus consideráveis 1 metro e 90 centímetros não foram suficientes para evitar a tragédia.
         Escapando de seus braços, sua amada morre submersa.
*   *   *
         Como seguir adiante depois de acontecimentos como este?
         Como lidar com essas tragédias do cotidiano, sem nos deixar esmorecer e desistir?
         Certamente, cada um deverá encontrar a sua maneira, o seu alicerce, mas possivelmente todos eles passem, mesmo que sem perceber, por um maior: a confiança em Deus.
         Não falamos desse deus, com d minúsculo, que criamos ao longo do tempo, à nossa imagem e semelhança.
         Não, esse deus está desgastado, cansado, e talvez em seus últimos dias...
         Referimo-nos à Inteligência Suprema, o Criador, onipresente, bom e justo.
         Referimo-nos ao Deus das Leis perfeitas, que não se vinga, que não é tomado pela ira em circunstância alguma, e que ama todas as Suas criaturas, não preterindo ninguém.
         E neste amor supremo, que ainda escapa de nossa compreensão, estão desígnios, experiências, ensinamentos que, por vezes, ainda temos dificuldades em entender.
         Esta inteligência está no controle de tudo. Nada acontece sem que Ele e Suas leis permitam.
         Deus não Se esquece, nada deixa de lado, não privilegia.
         Ele nos dá o que precisamos neste ou naquele momento, para que continuemos nosso crescimento moral e intelectual rumo à felicidade.
         Seus desígnios, por vezes ainda nos deixam perplexos, mas se dermos a Ele uma chance, uma chance apenas, vislumbraremos suas razões logo adiante.
         Veremos que Ele apenas atendia nossa necessidade íntima, como um Pai amoroso que faz sempre o melhor ao filho, mesmo este ainda não compreendendo Suas ações.
*   *   *
         Adiante... É forçoso seguir adiante.
         Estagnados no agora, sem horizonte, perde-se a razão de ir, de continuar.
         Não esmoreças... Dá mais uma chance à vida e verás que ela e o Criador te reservam dias melhores...
         Confia... E segue sempre... Adiante.
Redação do Momento Espírita. Em 16.05.2008.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

ANO NOVO

Hoje é o dia que dá início a um novo ano.
É o dia primeiro. Todos queremos iniciar mais um ano com esperanças renovadas. É um momento de alegria e confraternização.
As rogativas, em geral, são para que se tenha muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.
Mas será que se tivermos tudo isso teremos a garantia de um ano novo cheio de felicidade?
Se Deus nos dá saúde, o que normalmente ocorre é que tratamos de acabar com ela em nome das festas. Seja com os excessos na alimentação, bebidas alcoólicas, tabaco, ou outras drogas não menos prejudiciais à saúde.
Não nos damos conta de que a nossa saúde depende de nós.
Dessa forma, se quisermos um bom ano, teremos que fazer a nossa parte.
Se pararmos para analisar o que significa a passagem do ano, perceberemos que nada se modifica externamente.
Tudo continua sendo como na véspera. Os doentes continuam doentes, os que estão no cárcere permanecem encarcerados, os infelizes continuam os mesmos, os criminosos seguem arquitetando seus crimes, e assim por diante.
Nós, e somente nós podemos construir um ano melhor, já que um feliz ano novo não se deseja, se constrói.
Poderemos almejar por um ano bom se desde agora começarmos um investimento sólido, já que no ano que se encerra tivemos os resultados dos investimentos do ano imediatamente anterior e assim sucessivamente.
Poderemos construir um ano bom a partir da nossa reforma moral, repensando os nossos valores, corrigindo os nossos passos, dando uma nova direção à nossa estrada particular.
Se começarmos por modificar nossos comportamentos equivocados, certamente teremos um ano mais feliz.
Se pensarmos um pouco mais nas pessoas que convivem conosco, se abrirmos os olhos para ver quanta dor nos rodeia, se colocarmos nossas mãos no trabalho de construção de um mundo melhor, conquistaremos, um dia, a felicidade que tanto almejamos.
Só há um caminho para se chegar à felicidade. E esse caminho foi mostrado por quem realmente tem autoridade, por já tê-lo trilhado. Esse alguém nós conhecemos como Jesus de Nazaré, o Cristo.
No ensinamento Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo está a chave da felicidade verdadeira.
Jesus nos coloca como ponto de referência. Por isso recomenda que amemos o próximo como a nós mesmos nos amamos.
Quem se ama preserva a saúde. Quem se ama não bombardeia o seu corpo com elementos nocivos, nem o Espírito com a ira, a inveja, o ciúme etc.
Quem ama a Deus acima de todas as coisas, respeita Sua criação e Suas leis. Respeita seus semelhantes porque sabe que todos fomos criados por Ele e que Ele a todos nos ama.
Enfim, quem quer um ano novo repleto de felicidades, não tem outra saída senão construí-lo.
Importa que saibamos que o novo período de tempo que se inicia, como tantos outros que já passaram, será repleto de oportunidades. Aproveitá-las bem ou mal, depende exclusivamente de cada um de nós.
 *  *
O rio das oportunidades passa com suas águas sem que retornem nas mesmas circunstâncias ou situação.
Assim, o dia hoje logo passará e o chamaremos ontemcomo oamanhã será em breve hoje, que se tornará ontem igualmente.
E, sem que nos demos conta, estaremos logo chamando este ano que se inicia de ano passado e assim sucessivamente.
Que todos possamos aproveitar muito bem o tesouro dos minutos na construção do amanhã feliz que desejamos, pois a eternidade é feita de segundos.

Redação do Momento Espírita, com pensamentos extraídos dos verbetes Oportunidade e Tempo, do livroRepositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.
Em 02.01.2012

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE ANO NOVO

Quando se é pequeno tudo o que você deseja se torna bem mais simples do que parece.
Construir o próprio patrimônio, chegar a lua, ter o emprego dos sonhos, viajar pelo mundo. 
O engraçado é que você cresce e maioria desses desejos permanece com você por muito tempo.
Alguns vão continuar apenas como sonhos, outros podem até virar realidade, mas para isso é preciso que você responda a uma pequena pergunta: O que você quer ser quando crescer?
Astronauta, médico, bombeiro.
Saber essa resposta, não será o fim das suas buscas e sim o seu ponto de partida para várias outras. É através dela que o seu futuro começa a ser desenhado, é ela que transforma o plano louco em algo totalmente possível.
Comigo não foi diferente, assim como você, eu queria o improvável, o surpreendente, o inovador, fazer o que ninguém mais seria capaz de realizar, ir tão longe que nenhuma outra pessoa pudesse me alcançar, ser o descobridor de uma nova era, ou quem sabe, de um novo tempo.
Na verdade eu queria mesmo era realizar os meus desejos, assim como numa brincadeira de criança, conquistar tudo aquilo que parecia improvável: o trabalho dos sonhos, a família perfeita, e porque não, viajar pelo espaço. 
Não cheguei a ser astronauta, não fui bombeiro e muito menos médico, mas experimentei o novo, comecei do zero, fiz de tudo e tudo de uma forma diferente. Servi a aeronáutica, vendi jornais, verduras e picolé, trabalhei como ajudante na construção civil, fui operador de produção, pintor e até artesão. 
O meu primeiro patrimônio não foi nenhum castelo, vendi muito esterco e metal para adquiri-lo.
Talvez todas essas funções não me permitiram enxergar mais longe naquele momento, mas com certeza permitiu-me ter experiência suficiente para crescer com humildade, amadurecer, ter responsabilidades, experimentar a minha capacidade de empreender para viver e estar a frente do tempo em que vivia.
E você, tem sonhado com o que? Quais os seus planos para chegar lá? Ficar parado não vai lhe trazer nenhum resultado inovador, não lamente a sua sorte, não tenha vergonha do que faz, posso te dar um conselho, sonhe, experimente, faça o novo, busque a concretização dos se sonhos todos os dias, escolha fazer o que você gosta, não apenas aquilo que lhe traz dinheiro, ele virá naturalmente através de seus esforços. Seja fiel aos seus valores, faça com amor e seja o melhor naquilo que faz, lembre-se você é o único responsável pelo seu êxito, coloque-se sempre em primeiro plano, ame o próximo, na mesma proporção que se ama, somos todos capazes de ser e fazer, não deixe que façam por você, erre e erre de novo, e através do seu erro ganhe experiência, não seja tão duro com você mesmo.
E quando tudo parecer difícil volte a ser criança novamente, sem nenhum medo de responder aquela simples pergunta, o que você quer ser quando crescer.Autor desconhecido.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

ACOMODAÇÃO

O progresso da civilização trouxe consigo muitas facilidades, isso é incontestável.
As comunicações são instantâneas. Ficamos sabendo de tudo o que acontece no mundo, no momento em que está ocorrendo.
Com as conexões via Internet, qualquer pessoa pode navegar pelo mundo apenas acionando algumas teclas.
Jornais, revistas e outras tantas mercadorias chegam em nossas casas, sem que precisemos sair para comprá-los.
Através da TV por assinatura vários canais de televisão do mundo inteiro estão ao nosso alcance. Temos acesso a filmes, documentários e outras diversões apenas acionando alguns botões.
O serviço de entregas por telefone é bem aceito pela população. Proliferam as ofertas, ampliando-se cada vez mais a gama de produtos. São flores, CDs, remédios, alimentos e outras tantas mercadorias que chegam às nossas portas depois de ligeiro telefonema.
São as facilidades modernas que, sem dúvida alguma, o progresso trouxe para o conforto geral.
Todavia, enquanto nos beneficiamos com tais facilidades, nos permitimos a acomodação perniciosa.
A acomodação provoca o estacionamento do Espírito, enquanto ser imortal, criado para o progresso constante.
É ótimo que aproveitemos as facilidades que nos são oferecidas no campo material, mas é imprescindível que busquemos alcançar novos degraus no campo espiritual.
É importante que saibamos empregar bem o tempo que a tecnologia nos poupa.
Mais será cobrado de quem mais tiver. Essa é a afirmativa de Jesus.
Tudo o que nos chega como benefício, são recursos permitidos pela Divindade. Não são fins, mas meios de progresso.
Lutemos, pois, para que não sejamos dominados pela acomodação. Busquemos desenvolver a nossa Espiritualidade. Somos seres imortais e uma outra realidade nos aguarda logo mais, no além-túmulo.
Atentemos também para nossos filhos. Incentivando-os à leitura edificante,  não os deixemos cair nas teias da acomodação, da preguiça, do marasmo.
Com todo nosso afeto mostremos a eles que fazemos parte de uma sociedade e que todos somos interdependentes.
Digamos a eles que, para a construção de uma sociedade melhor, é necessário que todos contribuam ativamente com seu tijolo de amor, ainda que pequeno, mas de suma importância.
Utilizar bem o tesouro das horas, em nosso e em benefício dos que nos rodeiam, eis a grande decisão que nos cabe.
Exercitar a alma, disciplinando as emoções, treinando a paciência, o perdão, a humildade, para que nosso perfil seja condizente com nossos anseios superiores.
Enfim, fazer luz em nossa intimidade e afastar as trevas da acomodação atrevida que teima em se fazer presente em nossas vidas.
*   *   *
Nosso pensamento não para nunca.
É por esse motivo que muitas pessoas, mesmo em idade avançada, ficam lúcidas. É porque nunca se deixaram levar pela acomodação paralisante.
Ao contrário, as que acham que nada mais podem fazer e dão por cumprida sua etapa, têm o cérebro atrofiado e a esclerose se manifesta mais cedo.
Assim, importa que mantenhamos o cérebro e as mãos sempre ocupados com coisas positivas para que a lucidez não nos abandone jamais.

Redação do Momento Espírita.Em 25.04.2011.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ACOLHIMENTO QUE ARREBATA

Francisco de Assis, em seu tempo, revolucionou ideias e inaugurou parâmetros de comportamento.
Tinha uma forma toda especial de tratar com os deserdados da sorte, os pobres, os equivocados.
Conta-se que, certa feita, três ladrões que viviam atormentando a cidade de Monte Casale, foram pedir comida a Frei Ângelo. Ciente de quem eram e os danos que poderiam provocar, ele os afugentou.
Tão logo se fez a oportunidade, tudo narrou a Francisco, confiante de que receberia agradecimentos pelo que fizera.
No entanto, Francisco, de imediato, não concordou com essa atitude, pois não condizia com a proposta de amor dos Evangelhos e com os exemplos do Mestre Jesus.
Chamando os frades, a todos determinou outro padrão de tratamento para com os irmãos ladrões. Disse-lhes que, caso tornassem a encontrá-los, deveriam ter para com eles um procedimento diferente do comum das pessoas.
Propôs, então, que os frades adentrassem a floresta, onde costumavam se esconder os malfeitores, levando alimento e uma toalha, oferecendo a refeição, mais ou menos nos seguintes termos:
Irmãos ladrões, venham comer. Não precisam assaltar as pessoas. E quando assaltarem, por favor, não batam nelas.
O ritual deveria ser repetido dia após dia e, finalmente, quando conseguissem as presenças dos ladrões para a refeição, deveriam aproveitar para lhes falar de outra forma:
Irmãos ladrões, não seria melhor que vocês trabalhassem em vez de roubar? Podemos ajudá-los a arrumar alguma ocupação. Que tal?
A proposta de acolhimento e regeneração, nessa aproximação gradativa e singela, feita de forma sincera e interessada, acabou por convencer alguns dos ladrões a modificarem a sua vida, aderindo à proposta de amor e fraternidade pregada e vivenciada por Francisco.
*   *   *
É possível que, nos dias atuais, com tanta violência vigorando, a criminalidade alcançando patamares inimagináveis, nenhum cidadão se sinta seguro, a qualquer hora do dia ou da noite, nas ruas, nem em sua casa ou em seu local de trabalho.
Por isso mesmo, dificilmente buscaria um diálogo com malfeitores de qualquer ordem, até mesmo por temor à sua própria vida, pela sua integridade física.
Mas o exemplo vivenciado pelos frades, sob a batuta de amor de Francisco, pode nos servir para meditarmos a respeito de novas fórmulas de tratarmos com os que qualificamos de malfeitores ou criminosos.
Uma proposta de regeneração, de reeducação, iniciando pela conquista através da pedagogia do acolhimento.
Também uma maneira de nos conduzir a reflexões sobre nossa própria forma de tratar os malfeitores da nossa paz, os que nos causam problemas, levantam calúnias, estabelecem obstáculos na harmonia das nossas vidas.
Como poderíamos interagir de forma positiva com eles?
Talvez iniciando por não estabelecer sintonia com sua maldade. Depois, vibrando de forma diversa, endereçando-lhes, como resposta a suas agressões, o desejo de que se reabilitassem, que se dessem conta do desastre que estão causando para si mesmos.
Isso porque quem semeia ventos, colhe tempestades, já sentencia o provérbio popular.
Com certeza, essa nossa mudança de comportamento nos conduziria a melhores dias, a horas mais harmônicas e produtivas.
Pensemos nisso. Tentemos a proposta franciscana.
Redação do Momento Espírita, com base
 em biografia de Francisco de Assis.
Em 31.10.2014.